Relato de viagem

Cruzando a fronteira EUA-Canadá e visitando Niagara Falls no inverno congelante

Niagara é o nome do rio que serve como divisa entre os EUA e o Canadá e nesse rio há grandes quedas (falls) d'águas e por isso há cidades tanto do lado estadunidense quando do lado canadense chamadas Niagara Falls, que é o mesmo nome das grandes quedas que existem nesse local. É um local de fronteira mas muito tranquilo, além de extremamente bonito e turístico.

Depois de passar 5 dias em Nova Iorque tomamos um trem da Amtrak com destino a Niagara Falls, no Canadá. Embarcamos na Penn Station (mesma estação pela qual chegamos) bem cedo, às 07:15 da manhã com destino à cidade canadense que fica na fronteira com o estado de Nova Iorque do lado estadunidense. Esse trecho custou  U$D 75,00 e foi comprado nesse site.

Cruzamento da fronteira EUA-Canadá

Interior do trem Amtrak de Nova Iorque para Niagara-Falls Interior do trem Amtrak de Nova Iorque para Niagara-Falls

Como estávamos entrando no Canadá a partir dos EUA achamos que não passaríamos por controle de bagagem, como aconteceu no trajeto de Montreal para Nova Iorque.

A impressão que tínhamos é que o controle de entrada seria mais rigoroso nos EUA, mas foi justamente o inverso. Depois de 9 horas de viagem foi anunciado no sistema de som que em poucos minutos estaríamos em Niagara Falls do lado Canadense. Foi dito também que deveríamos descer, levar todas as nossas bagagens e passar pela imigração canadense.

Quando fizemos o inverso (entrar nos EUA vindo do Canadá de trem) os oficiais de imigração vieram a bordo, não houve checagem de bagagem e nem precisamos sair do trem.

Seguimos as instruções,  descemos e entramos na pequena estação de controle de fronteira, que fica logo depois que cruzamos a ponte sobre o Rio Niagara.

Ponte sobre o Rio Niagara que separa EUA do Canadá Ponte sobre o Rio Niagara que separa EUA do Canadá

Sem fazer muita conta eu coloquei no formulário de imigração canadense que iríamos ficar 25 dias no Canadá, quando na verdade 25 dias era o total da nossa viagem.

Quando fomos chamados no guichê a primeira coisa que o oficial perguntou foi quantos dias iríamos ficar no Canadá. Eu disse que seriam 19 e ele estranhou. Perguntou em seguida para onde eu iria e onde ficaria, e expliquei tudo e ele então perguntou: por que você colocou 25 dias se vai ficar 19? Pensei: é, você me pegou nessa! Óbvio que não falei isso.

Disse a ele que tínhamos mais 5 dias na casa de amigos em Montreal, mas a verdade é que esses 5 dias já estavam na conta dos 19. No final ele sem entender perguntou então que dia voltávamos para o Brasil e eu disse que era 24 de janeiro. A verdade é que a confusão foi causada pelo fato de eu não ter sido preciso nos dias no formulário e acho que ele só nos deixou entrar por que viu que já tínhamos entrado no Canadá e que nossos passaportes tinham um grande histórico de viagem. Ele ficou visivelmente zangado. Então a dica para entrar em todos os lugares - e que eu não segui dessa vez :-( - é: preencha sempre os formulários com precisão e de acordo com suas passagens/hospedagens para evitar contradição.

Congelando do lado de fora

Cidade coberta de gelo Cidade coberta de gelo

Depois de passar pela imigração fomos informados que ali era o ponto final do trem. Um funcionário da imigração nos perguntou para onde iríamos. Eu disse que iria para o hotel Fairway Inn e ele disse que eu deveria tomar um táxi, que estava ali ao lado, já esperando. Em poucos minutos chegamos na frente do hotel e já estava escurecendo. O trajeto de cerca de 3 km custou 15 dólares e o motorista chamado Max anotou o seu telefone num papel e nos disse que se precisássemos dos seus serviços ou de um tour pela cidade era só ligar.

Saltando do carro verificamos que não havia ninguém na recepção do hotel, que estava tudo fechado. Confirmamos com o Max se ali era a entrada principal e ele disse que sim e chegou a buzinar algumas vezes para ver se aparecia alguém. Ele nos disse então que se não aparecesse ninguém e ficássemos com frio deveríamos ir para um hotel que ele apontou e de lá tentar ligar para o telefone do Fairway Inn.

Restaurante giratório da torre skylon em Niagara Fall Restaurante giratório da torre skylon em Niagara Fall

Quando o Max saiu e ficamos do lado de fora, no frio congelante, a única coisa que pensamos em fazer foi ver se tinha algum outro hóspede com o qual pudéssemos conversar e ver o que fazer.

O hotel era todo avarandado e era possível caminhar pelas varandas (que eram abertas) e passar na frente da porta dos quartos. Fui caminhando, segui até o último andar e vi que havia uma luz acessa. Pela janela transparente vi que havia uma moça do lado de dentro e que pela aparência parecia indiana. Fiquei meio reticente em chamá-la por que do lado de fora estava muito frio, mas sem outra alternativa fiz isso.

Ela meio surpresa abriu a porta e eu perguntei se ela sabia do pessoal da recepção. Para minha surpresa ela disse que não os via havia dois dias! Nossa, pelo visto íamos congelar do lado de fora, íamos virar picolé.

Desolado, desci a escadaria e ficamos do lado de fora, pensando no que fazer. Alguns minutos depois chegou um carro. Parecia um casal de hóspedes. Eu perguntei se eles sabiam algo a respeito do pessoal da recepção e eles disseram: somos nós! Sério? Que bom! Ficamos aliviados e logo depois dela abrir entramos no escritório.

Almoço na torre Skylon Almoço na torre Skylon

Ela então explicou que a operadora do cartão de Viviane tinha negado a pré-aprovação e que por isso o Booking havia cancelado a nossa reserva e ela achava que não víamos mais. Não sabíamos de nada disso e felizmente tudo se resolveu.

O que fazer em Niagara Falls

As atrações de Niagara, assim como acontece em boa parte do Canadá, mudam de acordo com a estação. A temperatura e as condições gerais de tempo mudam muito e por isso muitas atividades ao ar livre são suspensas no período gelado.  Algumas atrações e atividades que estão disponíveis em Niagara Falls o ano todo são:

Cachoeira Niagara Falls

Cachoeira do Niagara congelando no inverno Cachoeira do Niagara congelando no inverno

Niagara Falls é uma cidade pequena, de cerca de 8.000 habitantes e focada no turismo. A maior atração da cidade é, sem dúvida, a grande queda d'água, que é linda.

Ao redor da cachoeira Niagara existe uma grande infraestrutura voltada a atender o visitante, que tem por nome Table Rock Welcome Centre. Esse centro fica ao lado do principal mirante para a cachoeira e oferece, além de informações, caixa 24hrs, restaurante e o acesso a algumas atrações como o Walk Behind the Falls (caminhada por trás da cachoeira – que ocorre por um túnel que foi escavado).

Ver a cachoeira com grande parte dela congelada mas ao mesmo tempo com extrema pujança foi incrível. Era como se a água estivesse lutando para não ser congelada e conseguir seguir seu fluxo.

Como a cachoeira fica em área aberta não há custo nenhum para essa atração, com exceção do Walk Behind the Falls, que custa 12 dólares.

Torre Skylon

Vista da subida do elevador da torre Skylon Vista da subida do elevador da torre Skylon(vídeo)

Além da queda d'água uma atração imperdível é a torre Skylon. Quem já foi no Canadá sabe que há torres em muitas cidades, mas a de Niagara Falls tem um destaque especial. A vista que ela oferece é fantástica, além do preço ser mais em conta do que a de Toronto, por exemplo. O elevador de subida é panorâmico e no topo há um observatório e dois restaurantes.

Nós almoçamos num deles, e o mais legal é que ele é rotativo. Todo o salão fica rodando, bem devagarzinho, de forma que dependendo da duração do seu almoço/janta você pode ter a oportunidade de comer e ver a paisagem nos 360 graus. O serviço é de primeira e o restaurante é super requintando, mas não esqueça da gorjeta (a gorjeta é quase uma obrigação no Canadá e EUA).

Esteja atento que se você for almoçar/jantar no restaurante você não precisa pagar a subida, que custa 12 dólares canadenses. A refeição no restaurante custa 35 dólares canadenses por pessoa. Nesta refeição, que é bem servida, está incluso uma entrada, a refeição principal e uma sobremesa, além de água a vontade, como é comum em todo o Canadá.

Parque Clifton Hill

Vivine na roda sky wheel em Niagara Falls Vivine na roda sky wheel em Niagara Falls

Uma atração interessante é o parque Clifton Hill. Esse parque engloba uma roda gigante chamada Skywheel, boliche, Movieland (uma espécie de museu do cinema), Game Station e várias outras atrações. Algumas não funcionam no inverno, mas essas que citei sim.

Viviane e eu nos divertimos muito brincando por lá e apesar de estar meio vazio (na cidade como um todo tem pouca gente no inverno) o ambiente estava animado.
A roda gigante custa 12 dólares canadenses e o game station você paga por ficha (o mínimo é 10 dólares para 25 fichas).

 

 

Máquinas de jogo e ticket Máquinas de jogo e ticket

Cassinos

Outra grande atração da pequena cidade são os cassinos. Há vários na cidade, mas os três principais são o Seneca Niagara Casino & Hotel, o Fallsview Casino Resort e o Casino Niagara. Como todos sabem os cassinos são proibidos no Brasil, mas faz a alegria (e a pobreza ?) de muita gente em vários locais do mundo.

Para aqueles mais entusiasmados está disponível hospedagem nos cassinos (alguns são hotéis e cassinos) de forma que seja possível acordar e já dar de cara com uma roleta :-).

 

Atrações e passeios no verão DE NIAGARA

Durante o verão, além de todas as atrações acima há passeios de barco pelo Rio Niagara, passeio de bote que leva o turista bem próximo à queda d'água (semelhante ao que é feito em Foz do Iguaçú, no Brasil), passeio de helicóptero e até mesmo um parque aquático. Detalhes sobre todas essas atrações você pode ver nesse site. Se quiser se aprofundar mais ainda veja esse guia.

Onde ficar Em NIAGARA

É possível fazer quase tudo andando É possível fazer quase tudo andando

Como eu citei Niagara é uma cidade pequena, mas o ideal é ficar perto da cachoeira. Há hotéis econômicos na cidade, como o Fairway Inn que ficamos. O quarto era espaçoso, bem aquecido (importante no inverno) e perto de tudo. Não é uma hospedagem requintada mas atende muito bem.

Além das instalações e da ótima localização outro aspecto que nos chamou a atenção foi a incrível honestidade e a forma como a proprietária nos ajudou. Quando fomos embora Viviane se lembrou, já em Toronto, que havia esquecido 200 dólares canadenses na gaveta da cômoda do quarto.

Passamos um email para o hotel explicando a situação e a gerente Mandi Sekhon de imediato se prontificou a nos ajudar. Para não dar trabalho nós pedimos que ele depositasse o valor numa conta de uma amiga nossa que mora no Canadá, mas ela fez melhor que isso. Mandou um irmão dela, que morava em Toronto nos entregar no hotel onde estávamos, não precisamos nem mesmo nos deslocar para reaver o dinheiro. Eu já sabia que os canadenses são muito corretos e solícitos, mas comprovar isso no dia-a-dia é muito bom.

Além do Fairway Inn há vários hotéis de diferente valores perto da cachoeira e da Skylon. Se possível tome como referência a cachoeira já que se hospedando perto dela você vai conseguir fazer a maior parte das coisas andando, mesmo no inverno.

 

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