Relato de viagem

A dificuldade de encontrar hospedagem e a beleza da cidade de Piranhas na beira do Rio São Francisco

A cidade alagoana de Piranhas nos surpreendeu pela sua organização, beleza e estrutura turística. Às margens do Rio São Francisco a cidade onde Lampião morreu desenvolve-se fortemente baseada no turismo, explorando as belezas do rio, do Canion do Xingó e dos esportes de aventura por lá disponíveis.

Hospedagens caras e difíceis em Piranhas

Chegamos em Piranhas já no final do dia, vindo do Parque do Catimbau em Pernambuco. Logo que entramos na cidade nós começamos a descer e ver as construções históricas (patrimônios da humanidade), as pousadas e hotéis requintados e ruas muito bonitas e, para nosso desespero, a cidade estava com as hospedagens todas cheias.

A noite iluminada de Piranhas A noite iluminada de Piranhas

 

Por coincidência a irmã de Camila estava na cidade, fazendo um passeio com outro grupo e segundo ela tinha alugado uma casa na cidade. A solução que pensamos logo foi ver se era possível acampar no quintal ou numa área livre dessa casa, pois estávamos doidos para usar nossas barracas. Infelizmente não rolou. Camila simplesmente falou com eles e não quis insistir. Na verdade ela estava tentando ver se eles ofereciam, mas parece o que não aconteceu e a irmã disse que infelizmente não ia dar para ficarmos lá. Já nossa entrada na cidade fomos parando e perguntando nas pousadas os preços e se havia disponibilidade.

Quando o problema não era a indisponibilidade era o preço alto. Tentamos também por telefone falar novamente com um camping que tínhamos contactado quando estávamos ainda em Pernambuco, mas a atendente continuava confusa e dessa vez disse que o camping tava cheio e além disso não sabia o preço. Ela então disse que poderia me oferecer uma outra opção de hospedagem "barata", segundo ela, e disse que tinha uma pousada de R$ 450,00 cada quarto! Realmente parecia que o conceito dela de barato estava bem distante do  meu.

Seguimos olhando o preço de porta em porta e encontramos uma pousada por R$ 180,oo cada quarto e depois uma por R$ 120,00, mas que estava cheia. Mais adiante encontramos por R$ 100,00, mas como estávamos perto do camping (que disse não ter vaga) resolvemos ir lá, afinal não é comum um camping não ter vaga. Quando chegamos a funcionária nos deu uma explicação ainda mais esquisita e disse que duas garotas tinham reservado o camping só para elas e por isso não tinha vaga para mais ninguém! Ela indicou um outro camping, que tentamos e sem sucesso.

Walkyria, a humilde dona de Piranhas

Restaurante da Walkyria Um dos restaurante da Walkyria

 

A irmã de Camila ligou novamente e disse que já tinha comprado os ingressos para o nosso passeio de catamarã para o dia seguinte. Eu fiquei surpreso, pois não tínhamos pedido para ela fazer isso. Agora tínhamos de saber se ela tinha comprado para o horário certo e o trecho certo. Para resolver tudo isso ficou acertado de encontrarmos com a pessoa que tinha feito a venda, a Walkyria.

Nós mal sabíamos, mas nossa noite mudaria graças a ela. A princípio a ideia era verificar se estava tudo certo e pegar o voucher com ela. Ficou marcado na rampa que dá aceso ao rio. Esperamos cerca de meia hora e ela finalmente chegou, toda serelepe. Foi muito gentil, trocou o percurso/horário pagando uma pequena diferença e puxou muita conversa.

O valor do passeio pela barragem de são francisco e Canion do Xingó custou R$ 70,00 por pessoa. Conversa vai, conversa vem nós dissemos que estávamos procurando um lugar para dormir ou acampar e ela de pronto nos ofereceu um lugar para acampar: na varanda do restaurante dela. Walkyria era uma pessoa muito simples, mas aos poucos fomos descobrindo que ela era proprietária de muitas coisas, mas uma trabalhadora arretada!

No vai-e-vem da conversa descobrimos que ela era dona do restaurante na beira do rio, de uma pousada, de outros restaurante, mais um flat em Piranhas, uma pousada em Guarajuba (litoral norte de Salvador) e mais um monte de coisas. Apesar dessa longa lista de propriedades e negócios ela se vestia e agia como uma pessoa humilde, trabalhadora e bacana, o que não é muito comum. Além disso trabalhava que nem uma condenada (talvez por isso tinha tanta coisa). Ela foi muito gentil e disse que poderíamos dormir lá sem problemas. De início imaginei que seria em troca de algum pagamento, mas na verdade era de graça mesmo.

O restaurante tinha um banheiro que ela disse que podíamos usar e ainda disse que de manhã poderíamos tomar café no restaurante (nesse caso pagando, por que aí também seria abusar). A princípio ficamos um pouco receosos em relação ao segurança, por que o lugar era meio deserto, pelo menos a noite. Ela então disse que era super tranquilo e disse inclusive que havia câmeras de segurança. Sem outra opção e diante da oferta gentil e gratuita decidimos ficar e então armamos nossas barracas dentro do restaurante, na área onde ficam as mesas.

 A noite agitada de Piranhas

Barzinho em Piranhas Barzinho em Piranhas

 

Depois de montar acampamento fomos para um barzinho na praça principal, a poucos metros dali, para relaxar e comer alguma coisa. Descobrimos que esse bar (que era bem estruturado) também era de Walkyria.  Conversamos um pouco mais com ela e soubemos que quando precisava se deslocar rápido entre empreendimentos distantes, como o de Guarajuba, por exemplo, Walkyria ia de helicóptero!

Quem lê esse texto pode até pensa que ela era uma tremenda mentirosa, que estava inventando tudo aqui, mas por vários fatores acreditamos que era verdade. Enquanto conversava conosco seu telefone tocou algumas vezes e quase sempre ela estava resolvendo problemas, com autoridade na fala. Ela decidiu sozinha que podíamos ficar no restaurante do rio e no barzinho da praça já chegou dando instruções. Se foi tudo mentira ela devia ganhar um óscar. Além disso ela não ficava "arrotando" que era dona disso ou daquilo, essas questões surgiam de forma natural nas conversas.

Depois de nos prestigiar um pouco Walkyria se afastou e logo depois chegou o que havíamos pedido: Viviane e eu comemos spagetti e Wesley e Camila lasanha, acompanhados de uma cerveja enquanto Viviane preferiu uma caipirosca. A vida noturna de Piranhas pareceu ser bastante agitada e em nada lembrava que ali era uma cidade de 20.000 habitantes apenas. Talvez por ser um feriadão a cidade estava cheia, mas realmente há uma boa infraestrutura para o turismo no município.

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