Relato de viagem

De Salvador a Maragogi-AL de carro e o passeio e mergulho pelas piscinas naturais galés

Maragogi é uma vila entre Maceió e Recife, fincada no coração da Costa dos Corais. O destaque da região é o  conjunto de mar cristalino, areias finas, coqueirais,  recifes e as atividades náuticas disponíveis. Com isso em mente colocamos esse destino belíssimo no nosso roteiro.

Para aproveitar ao máximo toda a beleza do mar o visitante deve priorizar estar por lá na maré baixa, que é quando é possível fazer passeios pela região dos corais e piscinas naturais. Rígidas normas ambientais limitam a quantidade de passeios por dia e  o horário máximo de saída depende da altura da maré. Por isso, segundo a tábua de maré, teríamos de chegar lá no máximo às 11:00 da manhã.

Na estrada Na estrada

 

Antes de planejar sua visita a Maragogi vejo o horário em que a maré vai estar baixa. Nesse site você pode consultar a tábua de marés de Maceió, que é semelhante à de Maragogi.

Seguindo nosso planejamento saímos de Salvador 01:45 da madrugada de quinta para sexta. Alugamos um Renault Sandero, colocamos nossa bagagem que já estava arrumada desde a noite anterior e pegamos a estrada. Seguimos pela Linha Verde (BA-099) até a divisa com Aracaju onde entramos na SE-100 um trecho e depois continuamos pela BR-101.

A decolagem e a quase capotagem do carro

Curtindo a estrada Curtindo a estrada

 

Wesley começou dirigindo, pois disse que para ele seria melhor guiar naquele horário. Durante esse trajeto Wesley praticamente decolou o carro num quebra-mola. O grito de "olha o quebra-mola" de Viviane foi tão alto e enfático que acordei com sua voz, antes do salto e o pude "aproveitar" já de olhos abertos. O susto foi grande mas não ocorreu nenhum dano efetivo.

Ele levou o carro até cerca de 04:00 da manhã quando já estávamos na BR-101. Eu então assumi a direção e no trecho que conduzi a estrada, de uma forma geral, estava em bom estado, com alguns pequenos trechos ruins e uma parte em obra para dar continuidade à duplicação. Eu também protagonizei um evento de susto, mas com a ajuda de Viviane. Estava a cerca de 100 km/h e Viviane como co-pilota, olhando o GPS disse e insistiu, subitamente, que eu deveria entrar à esquerda, dizendo "aqui, aqui , aqui!". A curva parecia um pouco acentuada, mas possível, mesmo naquela velocidade.

Entretanto, após curvar ligeiramente à direita a curva começou a acentuar-se de forma absurda. Tive de reduzir e fazer a curva de forma bem intensa, quase no limite da força centrífuga e cantando pneus. Mesmo com a curva drástica em combinação com o frenagem intensa o carro não derrapou, quando tudo indicava que o faria. Isso só aconteceu devido ao ABS, que não permitiu as rodas travarem. Se fosse num carro com freio comum com certeza teríamos capotado o carro.

Passado o susto reclamei com Viviane por ter me dito de forma súbita aquela instrução. Eu por outro lado errei em ter atendido, quando deveria ter ignorado a instrução devido ao contexto, mas ela insistiu de forma tão veemente que na hora não raciocinei muito e simplesmente atendi.

Consegui dirigir de forma segura até 7 da manhã, quando comecei a ficar sonolento. Colocando a segurança em primeiro lugar parei num posto de gasolina, fechei o carro e avisei a todos que eu precisava dormir um pouco. Todos nós cochilamos por cerca de meia hora e depois fomos na lanchonete do posto, tomar um café. Eu tinha trazido uns lanches e por isso fiz meu próprio café da manhã. Dali em diante Wesley retomou ao volante.

O GPS nos deixou malucos, não se perca

No trecho da BR-101 perto de Novo Lino (em Alagoas), começamos a ter problemas com o GPS. Ele nos dizia para entrarmos à direita, sentido Jundiá, mas essa entrada não existia. Quando nós passamos do local onde deveria estar a entrada ele solicitou que voltássemos e pegássemos a entrada que não existia. Percebendo que havia um erro resolvemos então seguir e entrar na próxima direita, alguns quilômetros à frente. Resolvemos nos informar e um motorista da região nos disse que tínhamos passado do local da entrada para Maragogi. Disse que era possível chegar lá por essa estrada que estávamos mas que pegaríamos um trecho de barro, que segundo ele não estava bom.

 

 

A recomendação dele era que voltássemos e entrássemos na placa onde dizia "Jundiá". Diante da situação decidimos voltar e tentar achar a entrada correta, ignorando o GPS, já que ir por uma estrada de barro podia tomar muito mais tempo e precisávamos chegar até meio dia para pegar a maré baixa e fazer nosso passeio! Voltamos vários quilômetros e conseguimos achar a placa, com Jundiá bem grande escrito e lá no cantinho, bem pequeno, "Maragogi". Parecia até uma pegadinha!

Seguimos pela AL-480, passamos por Jundiá, depois entramos num trecho de canavial que nos confundiu, mas felizmente acertamos ao entrar à direita na AL-105, depois à esquerda na AL-465 e finalmente à esquerda na AL-101.

Mergulho nas piscinas naturais Mergulho nas piscinas naturais

 

Esse trecho nos tomou muito tempo e por isso recomendo que você simplesmente ignore o GPS nessa parte, caso esteja usando, e siga uma mapa impresso em conjunto com informações. A dica principal é se ligar na placa para Jundiá.

Aquários naturais restritos: as galés

Chegamos em Maragogi 12:00 e nas nossas contas ainda dava tempo para fazer o passeio. Mesmo um pouco cansados e com fome a primeira coisa que fizemos foi ver os preços e disponibilidade. Paramos na frente da Pousada dos Jangadeiros e já na recepção nos informamos se eles podiam nos indicar onde acertar o passeio para os Galés. De início disseram que não dava mais. Nos informaram que havia um limite diário e que todas as embarcações que tem autorização para ir às Galés já tinham saído.

Pouco depois nos disseram que podiam fazer uma passeio privado, numa lancha só para nós quatro e que ficaria R$ 80,00 por pessoa. Resolvemos então verificar o preço com outras fontes. Estacionamos em frente à pousada e seguimos caminhando pela orla. Rapidamente encontramos uma pessoa oferecendo passeio e dizendo que poderia nos levar para as piscinas naturais e que ficava R$ 70,oo por pessoa.

Praia de Maragogi Praia de Maragogi

 

Para tirar a contra-prova resolvemos perguntar num terceiro local, que foi justamente um pequeno quiosque que realiza mergulhos e passeios. O proprietário foi muito enfático ao dizer que nenhuma embarcação poderia nos levar mais nas Galés naquele dia, que a cota diária já tinha sido atingida e que se alguém dissesse que nos levaria estaria mentindo e possivelmente nos levaria para outra piscina natural e diria que era as Galés. Ele foi tão incisivo e convincente que acreditamos definitivamente e decidimos que já que não poderíamos ir às Galés iríamos fazer um passeio em outras piscinas.

Passeio e mergulho

Acertamos o passeio com o Junior, um rapaz que trabalhava num restaurante em frente à Pousada Jangadeiros por R$ 70,00 por pessoa. A lancha levaria nós quatro para um passeio de cerca de 3 horas de duração. Ficou esclarecido que o passeio não seria nas piscinas naturais mais conhecidas, mas seria em piscinas tão belas quanto elas, segundo ele. O mergulho com cilindro autônomo poderia ser realizado mas custaria R$ 100,00 à parte, por pessoa. Esperamos no restaurante por cerca de 40 minutos e a lancha chegou na praia. Embarcamos pela praia e seguimos observando um mar lindo que nos "chamava" para um mergulho.

De lancha para piscinas naturais em Maragogi De lancha para piscinas naturais em Maragogi(vídeo)

Seguimos de lancha por cerca de 15 minutos e chegamos às piscinas. A embarcação foi fundeada (jogaram a âncora) e todos ficamos livres para explorar a área. Já sabendo das piscinas nós levamos nossos snorkels e máscaras. Se você não tiver um não se preocupe, no local é possível alugá-los. Wesley e Camila decidiram que iriam fazer o mergulho de batismo, como é chamado o mergulho (normalmente o primeiro) de uma pessoa sem a certificação de mergulhador. Nesse tipo de mergulho a pessoa é acompanhado de um instrutor que vai literalmente grudado em você e controlando todos os aspectos do mergulho.

Havia uma corrente norte-sul e por isso a estratégia foi entrar na água mais ao norte e descer junto com a corrente, observando o belo fundo do mar. Viviane e eu decidimos não fazer o mergulho autônomo e explorar tudo de apnéia. Eu já sou certificado e achei que valeria mais a pena investir esse valor em um mergulho em outro local, com mais profundidade e mais tempo.

Mergulho de apneia e cilindro

Mergulho nos corais Mergulho nos corais

 

Apesar de não estarmos com o equipamento de mergulho autônomo pudemos fazer o mergulho quase que da mesma forma, acompanhando o percurso com nossas máscaras e snorkels, até por que era bem raso (cerca de 2 metros) e era muito fácil submergir e observar o fundo e a riqueza marinha, que era bela, mas não tão abundante quanto eu pensei que seria. As águas estavam mornas, límpidas e azuis na região das piscinas e o passeio nos permitiu revigorar as energias e conhecer o lindo mar de Maragogi.

Depois de quase 3 horas da saída retornamos para a embarcação e Wesley e Camila subiram com um sorriso largo no rosto, mostrando que tinham curtido o batismo. Contentes voltamos para a praia, desembarcamos e fomos procurar um local para almoçar, por que estávamos famintos. Depois de alguma procura decidimos comer ali mesmo no restaurante de praia e gastamos 25 reais por pessoa. Um preço que não foi caro para um lugar turístico e cheio.

Hospedagem em Maragogi pode ser complicado

Praia de Maragogi Praia de Maragogi

Por ser um feriadão ensolarado e Maragogi ser um dos principais destinos de praia da região tivemos muita dificuldade em encontrar hospedagem por lá. Decidimos não fazer reserva antes da viagem e deixar para procurar pessoalmente, o que nos fez perder tempo e gastar mais do que imaginávamos. Além da indisponibilidade o que mais nos espantou foram os preços.

Tudo bem que é uma cidade de praia, famosa, mas a infraestrutura da cidade é simplória e não justifica pousadas simples, numa cidade tão pequena pedir R$ 150,00 por pessoa para uma dormida. Pensamos em acampar (havíamos levado as barracas) mas não havia camping na região (uma pousada disse que poderíamos acampar numa área deles mas pediu R$ 50,00 por pessoa!).

Depois de muito rodar conseguimos nos hospedar na pousada chamada "Pousada Familiar", pelo preço de R$ 50,oo por pessoa (R$ 100,00 o quarto para um casal). A pousada não fica bem localizada, o restaurante da pousada também não é legal, mas essa foi a única opção viável. O quarto era limpo, mas estava um calor danado, o ar não estava funcionando e não tinha ventilador. Depois de várias reclamações na recepção foi que consegui que o problema do ar fosse parcialmente resolvido. Por tudo isso eu recomendo que você faça a reserva de alguma hospedagem em Maragogi antes de ir, pela internet (caso já não tenha um lugar par ficar).

 


Como chegar e o que fazer em Maragogi

Maragogi é um destino basicamente de praia.  Entre as atividades disponíveis há o passeio para as piscinas naturais, o mergulho, o passeio de buggy (R$ 140 para 4 pessoas), remada pelo Rio Maragogi e passeio pela mata atlântica de 4x4 e trechos de trilha (nesse último saindo da região da praia). A operadora Explorer Diving Adventure realiza atividades de aventura (não testei o serviço deles).

Para chegar em Maragogi você deve ir de carro. Os aeroportos mais próximos são o de Recife e de Maceió.

Distâncias:

Salvador a Maragogi: 700 km

Maceió a Maragogi: 127 km

Recife a Maragogi: 135 km

Transfer/transporte de ida e volta Maceió ou Recife para Maragogi custam a partir de R$ 90,00. Mas lembre-se de verificar o horário da Maré baixa e a previsão do tempo antes de acertar um transporte. Muitas agências/operadores de Maceió e Recife oferecem esse serviço, uma delas é a Recife Tours.

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