Blog Fazendo as Malas

A Ilha de Itaparica: atrações, história e belezas e a travessia de 17 km de Salvador a Ponta de Areia de caiaque

A ilha de Itaparica é um destino para quem gosta de relaxar, curtir praias calmas e realizar aventuras. Fica na Baía de Todos os Santos, a 12 km de Salvador (por ferry-boat) ou a mais de 200 km se for feito o trajeto por trás da ilha (dando uma volta bem grande). Nesta aventura cruzamos 17 km  de caiaque dessa imensa baía, que é a segunda maior do mundo e a maior do Brasil. Partimos da Ponta de Humaitá e remamos até a Ponta de Areia, na ilha de Itaparica.

Além dessa aventura eu venho explorando a baía de diversas formas ao longo do tempo, incluindo Hobie-Cat 16, veleiro monocasco, escuna, lancha, de moto, de bike e até mesmo de caiaque quando eu ainda tinha 12 anos, quando fizemos a travessia a remo pela primeira vez. Essas águas permitem muitas atividades de lazer, turismo, esportes e atividades econômicas e neste post abordarei a última remada, e dicas, atrações e orientações sobre como chegar, se organizar, explorar e aproveitar o melhor da ilha de Itaparica.

A organização da remada

A ideia da travessia surgiu como uma iniciativa de um grupo de amigos que curte remar. Minha irmã soube primeiro, me avisou e eu topei na hora. Originalmente a intenção do grupo era simplesmente reunir os amigos que curtem esse tipo de atividade, se juntar e ir remar. Entretanto a coisa foi crescendo e muitas pessoas se mostraram interessadas em participar, até mesmo pessoas que nunca tinham feito remadas significativas. Isso terminou tornando o evento mais organizado e demandou bastante trabalho para o Paulo Meireles, que ficou a frente dos trabalhos.

Preparando para Zarpar Preparando para zarpar

O número de remadores interessados cresceu tanto que chegou perto de 100, e por isso a organização do evento decidiu colocar uma infra-estrutura de apoio, incluindo um barco a motor para acompanhar os remadores, o que não estava nos planos iniciais. A remada estava agendada para o dia 15 de novembro e neste dia às 07:00 da manhã estávamos lá Júlia, Viviane, Junior, eu e todos os outros participantes que confirmaram presença. Todos estavam se preparando e montando seus equipamentos quando o Paulo anunciou que ele havia consultado a meteorologia que dizia que no dia seguinte (dia que muitos voltariam) o tempo estaria muito ruim, com chuvas e ventos. Diante desse cenário e devido ao fato de haver muitos iniciantes ele anunciou que estava adiando o evento para o próximo dia 13 de dezembro. A notícia caiu como um balde de água fria e o meu sentimento foi logo de pensar em seguir assim mesmo. O mesmo passou pela cabeça dos caiaqueiros mais experientes presentes e então formamos um subgrupo e decidimos fazer a travessia sem a cavalaria toda, só nós. No total foram cerca de 10 caiaques e surpreendentemente uma moça de stand up paddle, que foi um destaque à parte.

Trajeto da remada Trajeto da remada

A travessia de 17 km a remo

Zarpamos cerca de 07:40 com tempo bom, sem muito sol, mar calmo e vento bem fraco,  as condições ideais para remar. Infelizmente eu estou sem caiaque e por isso tive de alugar um e o que consegui é considerado uma banheira. É lento (apesar de estável) e para duas pessoas. Eu e Viviane embarcamos nele e Júlia e Junior embarcaram em outro semelhante.

Junior e Júlia remando na travessia Junior e Júlia remando na travessia

Como sabíamos que provavelmente ficaríamos para traz zarpamos um pouco antes em relação aos outros que estavam com modelos oceânicos, verdadeiros fórmulas-1 dos caiaques.

Quase chegando na ilha depois de 4 horas Quase chegando na ilha depois de 4 horas

Viviane apesar de nunca ter feito nada parecido bravamente encarou esse desafio que exigiu esforço físico considerável. Remamos por mais de 4 horas empreendendo muito esforço enquanto vimos os oceânicos passarem por nós parecendo que estavam com um motor de popa na traseira. Contentamos-nos com nosso equipamento amador e seguimos no nosso ritmo. Aproamos para Ponta de Areia e devido à derivação cerca de 11 da manhã chegamos nos arredores de Bom Despacho (na costa da ilha de Itaparica) e dali seguimos costeando, até chegar ao destino final, que era Ponta de Areia, cerca de 12:00. Para fazer esse percurso é necessário ter um bom condicionamento físico ou alto nível de determinação, pois depois de algumas horas remando a vontade é simplesmente parar para descansar, mas fazer isso nos faria derivar, aumentando ainda mais o trecho a ser percorrido. A fadiga muscular foi chegando em estágios e depois de dois terços do percurso o que nos fez prosseguir foi a vontade de chegar e não a disposição dos músculos, que já davam sinal de cansaço. Nestas situações é primordial ter domínio sobre seu corpo e não se deixar vencer com facilidade.

Ponta de Areia e o hotel na beira da praia

A Praia da Ponta de Areia, onde desembarcamos,  é boa para o banho e para a prática de esportes náuticos e passeios de caiaque devido ao mar de água morna e rasa com poucas ondas e sem pedras.

Jardim do hotel Kirymuré em Pota de Areia Jardim do hotel Kirymuré em Pota de Areia

Essa praia tem uma extensão de 3,5 km e por ser uma das mais próximas de Salvador, é a que recebe o maior número de turistas, sendo dotada de infra-estrutura de quiosques e casas de veraneio. Ponta da Areia também fica próxima ao centro de Itaparica. O hotel Kirymuré fica bem na beira da praia e tem uma infra-estrutura incrível. O pessoal que organizou a remada fez contato com o hotel e devido à quantidade de pessoas previstas o hotel foi "fechado" para o grupo. Com o adiamento oficial da remada e a ida só de uma parte o hotel ficou um pouco vazio. Entre as instalações do Kirymuré estão disponíveis quiosques, quartos muito confortáveis com ar condicionado e chuveiro quente e um amplo jardim que dá acesso à praia.

Praia de Ponta de Areia Praia de Ponta de Areia

Como estávamos no espírito da aventura e havíamos trazido nossas barracas resolvemos acampar na área do jardim. O Kirymuré está a muitos anos recebendo turistas e está acostumado e receber visitantes que vem pelo mar. Muitos passeios de escuna tem acordos comerciais e param no hotel para almoço, já que no lá é oferecido um buffet diversificado e saboroso, por R$ 30,00. Já a hospedagem varia de preço dependendo do quarto. Nessa ocasião do acerto com o grupo de remadores o preço estava diferenciado, mas segundo cotação que fizemos neste dia o valor  normal da diária para um casal estava em R$ 180,00, incluindo café da manhã. Ponta de Areia é um lugar ótimo para descansar e praticar atividades náuticas como windsurf, kitesurf, caiaque e natação. Se você gosta de tranquilidade e conforto essa é uma ótima opção.  Um outra boa hospedagem em Ponta de Areia é a Pousada Nel Blue, que é pequena mas bem aconchegante.

Como chegar em Itaparica, além de remando :-)

Itaparica não tem aeroporto (que opere voos regulares) e o mais próximo é o de Salvador. Assim, você pode chegar na ilha por mar (utilizando o ferry-boat ou o serviço de lanchas) ou de carro, por terra, dando uma volta de mais de 200 km. Por mais que pareça absurdo em algumas ocasiões pode valer a pena por que pode haver filas de várias horas no ferry e a lancha não atravessa veículos.

  1. Para ir do aeroporto ao Terminal Marítimo de São Joaquim tome um táxi (vai sair mais de R$ 100,00) ou o ônibus da linha Aeroporto/São Joaquim. É possível atravessar veículos no ferry-boat.
  2. Para ir do aeroporto ao Terminal Marítimo do comércio tome um táxi (vai sair mais de R$ 100,00) ou o ônibus da linha Aeroporto/Comércio. Nas lanchas só é possível atravessar pessoas e objetos pessoais.
  3. Para ir por terra você percorrerá mais de 200 km e há pedágio (mas é baratinho).  Nessa rota você deve pegar a BR-324 saindo de Salvador e seguir até a saída para Santo Amaro. A partir desse ponto continue pela BR-420 até o entrocamento com a BA-001, onde deve pegar à esquerda.
  4. Se você vem do sul do país de carro, vindo pela BR-101, basta entrar à esquerda depois de Santo Antônio de Jesus para seguir em direção à Nazaré das Farinhas. A partir dessa cidade basta seguir pela BR-420 e depois pegar a BA-001.
  5. É possível  visitar a ilha através de um passeio de escuna pela Baía de Todos os Santos, que normalmente para em Ponta de Areia. Nesse caso você vai conhecer somente uma praia da ilha e de forma muito rápida.
  6. É possível ainda chegar velejando. Nesse caso veja o tópico Itaparica para velejadores abaixo.

 

Embarque no ferry-boat Embarque no ferry-boat

Há horários regulares de saída nos dois transportes marítimos. O preço da passagem individual custa 5,10 no ferry e 4,50 na lancha. Para atravessar carros e motos no ferry há um custo muito mais alto, cerca de 45 reais para carros e 17 para motos. Além disso se for um feriado é bem possível que haja longas filas (até de horas). Neste site você encontra informações sobre o serviço e nesse os valores e telefones do ferry.

Ferry-boat navegando Ferry-boat navegando

Chegando na ilha é possível se deslocar por lá em transporte público, se você não estiver com um veículo. Existem diversas linhas de vans que fazem trajetos para quase todos os pontos da ilha e os valores oscilam de acordo com a distância. Em média o preço de uma passagem fica R$ 3,00. Tenha atenção que apesar de eu chamar de público são kombis ou até veículos menores, mas com placas vermelhas. É possível ainda usar o serviço de táxi na ilha.

 

A ilha de Itaparica e suas diversas praias

Por trás da ilha de Itaparica Por trás da ilha de Itaparica

A ilha de Itaparica tem 30 km de comprimento por cerca de 10 de largura e possui várias praias ao longo de sua costa. Dividida em dois municípios (um chamado de Itaparica e outro de Vera Cruz) a ilha tem  grande parte da sua costa cercada recifes naturais fazendo com que algumas praias não sejam muito boas para banhos, mas por outro lado fazendo com que em algumas se formem piscinas naturais, como na praia de Conceição e na Barra do Pote.

Praia de Chacha-Pregos Praia de Cacha-Pregos

Dentre as muitas opções de praia da ilha com certeza as melhores, além da Ponta de Areia,  ficam nos dois extremos da ilha: uma na ponta norte (chamada de Ponta da Baleia) e outra na ponta sul, em Cacha-Pregos. Há ainda as praias que ficam na costa voltada para o continente, onde fica a ponte do funil que permite chegar até a ilha de carro. Nesse lado da ilha você encontra cantinhos paradisíacos, super tranquilos e muito pouco explorados. Para mim é a parte mais bonita da ilha. Na ponta sul a natureza também é muito bela, especialmente devido ao encontro do rio Jaguaribe com o mar.

Itaparica para velejadores

Uma ótima opção para aqueles que velejam pela costa do Brasil é visitar a ilha de veleiro. Atrás da ilha, logo depois de contornar a Ponta da Baleia, há uma das melhores marinas do Brasil. Fica num local abrigado, tem uma excelente infra-estrutura e a região tem um visual deslumbrante. Há alguns anos atrás ocorreram alguns assaltos a velejadores por lá, mas logo depois foram tomadas providências e a tranquilidade foi restabelecida.

Saveiro na Maria Itaparica Saveiro na Maria Itaparica
Veleiro na Marina Itaparica Veleiro na Marina Itaparica

Devido  à qualidade de seus serviços, a beleza da região e à posição geográfica a Marina Itaparica costuma receber muitos velejadores internacionais, de vários países e é por isso também um bom local para visitar e conhecer veleiros e um pouco mais da cultura náutica, mesmo se você não vier velejando. Se você estiver nessa situação e estiver com muita vontade de velejar pela linda baía pode alugar um veleiro e fazer um passeio maravilhoso. Esse tipo de serviço não está muito profissionalizado na região mas você encontra boas opções nesse site (o site não é muito organizado, mas funciona). Além da ilha de itaparica, se você tiver tempo vale a pena visitar outras ilhas como a Dos Frades e a De Maré. Essas são as ilhas principais da baía, mas há várias outras pequenas que você pode "descobrir". 

O que fazer na ilha

Há diversas atividades que podem ser feitas em toda a ilha. É possível praticar mergulho, caminhada, remada, pedalada, windsurf, kitesurf e snorkeling. Se você desejar realizar uma atividade de aventura com auxílio o orientação procure a Daventura. É uma empresa local especializada em esportes de aventura e lazer. Eles tem uma base na ilha com equipamentos adequados para algumas dessas atividades.

Sede DaVentura Sede Daventura

 

Uma boa opção também é acertar um passeio de barco com algum local para passear pelo entorno da ilha, na costa sul , norte ou por trás da ilha, no canal. A ponta norte, onde fica a sede do município de Itaparica (homônimo do nome da ilha) além de muito bonita abriga a Marina Itaparica e bons hotéis e ainda tem a fonte de água mineral da ilha, que é aberta ao público e tem várias torneiras para as pessoas encherem suas vasilhas com água mineral de verdade, direto da bica.

 

Fonte de água mineral Itaparica Fonte de água mineral Itaparica

A cidade de Itaparica é a única estância hidromineral à beira-mar das Américas. Sua água é carbonatada e sulfatada com boa dose de ácido carbônico. Tem poder digestivo e diurético, sendo recomendada especialmente para pacientes com problemas no fígado e no baço.

Forte São Lourenço (fonte wikimedia) Forte São Lourenço (fonte wikimedia)

Se você curte visitar pontos históricos também vai gostar muito de Itaparica. Esta ilha foi descoberta pelos europeus em 1501, por Américo Vespúcio, apenas um ano após eles chegarem ao Brasil. Lá foi construído o Forte São Lourenço, preservado até hoje e há também várias outras construções históricas preservadas. A ilha é famosa também por ser terra natal do escritor João Ubaldo Ribeiro, que escreveu uma das mais belas obras literárias brasileiras, Viva o Povo Brasileiro, na qual o autor narra a história do Brasil com foco nos acontecimentos ocorridos na ilha, relatando a importante e decisiva batalha que foi travada por lá no processo de independência do Brasil.

Veja mais fotos da ilha e da travessia neste álbum.


 

Informações úteis:

 

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