Blog Fazendo as Malas

Como se portar na entrevista do consulado e tirar o visto americano sem dificuldades

Tirar o visto para os Estados Unidos é um tormento para muitos brasileiros. Seja pelo custo ou pelo transtorno que causa. Umas das maiores preocupações é com a entrevista e a chave do sucesso para esta etapa é se preparar para cada detalhe, sem no entanto ficar angustiado durante o processo. Neste post abordo a minha experiência em tirar o visto de turista e elenco dicas e orientações que podem ajudar aos que passarão pelo mesmo processo.

Eu e Viviane residimos em Salvador, e  por tanto tivemos de agendar uma entrevista em outra cidade, que no caso foi Recife por ser mais perto. Agendamos a entrega dos documentos no CASV (Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto ) no domingo a tarde. (sim, é comum os CASVs funcionarem no domingo).

No CASV não se faz nenhuma entrevista e nenhuma pergunta. Você simplesmente entrega o formulário DS-160 e o passaporte.  Eles coletam sua foto (tiram a foto na hora), coletam suas impressões digitais e devolvem o passaporte (com um adesivo colado do lado de fora), o formulário e um papelzinho com instruções para a entrevista. Este  papelzinho diz que você não deve levar eletrônicos e que só é permitida a entrada no consulado 15 minutos antes do horário agendado (não é permitido entrar com maior antecedência). Não é necessário levar mais nenhum documento para o CASV, pois não será usado.

 

Como foi no CASV, antes da entrevista

Nós agendamos a entrega dos documentos no CASV de Recife, que fica na rua Herculano Bandeira, 949 - bairro Pina. Eu tinha agendado para 16:00 e Viviane (minha companheira) para 16:30.

Chegamos lá 15:10 e quando deu 15:30 um funcionário do CASV já anunciou que os de 16:00 poderiam entrar na fila, que estava grande mas andou bem rápido. Ainda do lado de fora ele conferiu os dois documentos (passaporte e formulário DS-160) e disse que as famílias deveriam ficar juntas na fila. Eu então perguntei se Viviane, que estava agendada para 16:30 poderia entrar junto comigo e ele disse que sim, que ela deveria entrar comigo. Ele explicou que não era permitido entrar com nenhum dispositivo eletrônico, exceto o celular, mas que para isso o aparelho deveria estar desligado e com a bateria retirada antes mesmo de entrar no prédio (nesse momento ele ainda estava do lado de fora, orientando).

Como muitos celulares atuais não permitem que a bateria seja retirada (o meu por exemplo) o ideal é que você nem leve. Nem eu nem Viviane levamos.

Fachada do CASV em REcife Fachada do CASV em Recife

Passados uns 10 minutos a fila começou a andar e logo na entrada do prédio passamos por uma revista, mas com o detector de metais portátil, sem nenhum tipo de apalpação. Percebi que os funcionários são muito bem orientados e fazem questão de ser bem claros e educados. Diferente do que muita gente imagina, todos os funcionários, tanto do CASV quanto do consulado são brasileiros. Somente os entrevistadores do consulado é que são americanos (além é claro do corpo consular).

Como era de se esperar as instalações internas do CASV são muito boas e com muitas proteções de segurança. Há vários seguranças armados, câmeras e os vidros que separam o visitante da pessoa que tira as fotos e colhe as digitais são blindados. Em poucos minutos fizemos esse procedimento. A única coisa que nos surpreendeu é que ainda na fila, antes de tirar a foto, uma funcionária do CASV informou, um a um que seria necessário tirar 2 fotos 5x7 para levar no dia da entrevista (no nosso caso no dia seguinte de manhã). Segundo eles, por problemas operacionais, talvez não fosse possível enviar as fotos digitais a tempo e por isso deveríamos levar duas fotos impressas para caso fosse necessário.

Isso me deixou chateado e surpreso. No formulário DS-160 é dito explicitamente que a foto será coletada lá no momento e que por isso não é preciso levar foto. Eu tinha fotos 5x7 em casa mas não levei devido a essa informação e por consequência tive de gastar para tirar fotos em Recife. Além disso o horário era meio apertado, pois já era domingo a tarde e a entrevista seria no outro dia de manhã cedo. Fiquei com receio de não conseguirmos tirar a foto, mas felizmente tudo se resolveu.

Perto do CASV de Recife há o shopping RioMar e lá conseguimos tirar as fotos, depois de uma fila imensa. Devido a essa informação, simplesmente todos que estavam no CASV seguiram, após passar pelo atendimento, para o único local no shopping que tirava foto na hora. Resultado: uma longa espera, 3 funcionários se vendo loucos com tantos clientes e  o dono do fotolab faturando como nunca.

 

O horário adequado para chegar

No dia seguinte ao da entrega dos documentos nós fomos para a entrevista. No caso de Recife o consulado fica bem distante do CASV (na Rua Gonçalves Maia, 163 - bairro Boa Vista). O nosso horário estava agendado para 08:15 (agendamos no mesmo horário de propósito), mas conseguimos chegar bem cedo, por volta de 07:30, e isso foi ótimo, pois não pegamos nenhuma fila.

Apesar da informação do papelzinho do entregue no CASV que só seria possível entrar no consulado 15 minutos antes da entrevista o que aconteceu na prática foi o contrário.  Perguntei se poderíamos entrar e a resposta foi sim, de forma automática, e aparentemente isso estava acontecendo com todo mundo. Nós passamos, logo na entrada, por um detector de metais. Em seguida descemos a rampinha que dá acesso à área dos assentos e uma funcionária nos abordou e coletou os dois passaportes (meu E de Viviane) e nos disse que bastava aguardar que seríamos chamados pelo nome.

 

A nossa entrevista no consulado

Depois de cerca de 10 minutos um funcionário apareceu e anunciou que devido a problemas técnicos o prazo para processamento dos vistos tinha sido estendido e estava demorando cerca de 10 dias. Ele pediu desculpas em nome do governo americano e disse que a orientação era a de que as pessoas que estavam tirando o visto não deveriam comprar passagem para os EUA ou fazer qualquer compromisso que dependesse de viagem para lá até que tivesse o visto em mãos. Disse ainda que mesmo que fosse informado que o visto foi aprovado pelo oficial de imigração que realiza a entrevista, que deveríamos aguardar ter o passaporte com o visto em mãos para assumir qualquer compromisso.

Finalmente ele disse que qualquer dúvida quando ao prazo, aos atrasos e aos problemas técnicos que estavam ocorrendo não deveriam ser objeto de pergunta ao entrevistador, já que eles não teriam nenhuma informação adicional sobre isso, disse ele. A orientação era procurar os funcionários do consulado para sanar dúvidas.

Ficamos ali sentados aguardando pacientemente a nossa vez e pudemos observar que poucos minutos após nossa entrada começou a se formar uma imensa fila do lado de fora e todos que lá aguardavam estavam em pé, no sol. Isso nos fez concluir que a melhor decisão que tomamos foi a de chegar bem cedo, pois ficar em pé do lado de fora seria péssimo.

Durante esse tempo de ócio pudemos observar o extrato da sociedade que tira o visto americano. Foi incrível constatar que só havia um negro entre as dezenas de pessoas presentes, pelo menos naquele momento, e que aparentemente quase todos daquele grupo de pessoas representava parte da elite econômica do país. Observando esta realidade parcial refleti que a taxa de cerca 95% de aprovação dos vistos solicitados por brasileiros que foi apurada pelo governo americano atinge esse patamar devido ao fato de que a grande parte dos solicitantes fazem parte dessa elite e não uma amostra genérica dos cidadãos brasileiros.

Entrada consulado (fonte: streetview) Entrada consulado (fonte: streetview)

Todo o processo de visto americano é realizado com o preceito de não separação de famílias. Eles oferecem toda a facilidade para que as famílias, das mais variadas formações, se apresentem em conjunto e realizem a entrevista em conjunto.

Apesar de eu e Viviane vivermos em união estável eu afirmei que éramos um casal e em nenhum momento nos foi solicitado nenhum documento que comprovasse isso, tanto no CASV (entrega de documentos no dia anterior) quanto na entrevista. Prova disso é que quando entramos e fomos solicitados que entregássemos os passaportes eu disse que estávamos juntos e eles colocaram nossos passaportes juntos, como uma família. Essa entrega do passaporte é somente par que eles organizem a fila de chamada.

Cinco minutos antes do nosso horário foi chamado "Amon e família". Nos aproximamos da funcionária, ela devolveu os passaportes e seguimos a orientação dela para ir ao guichê da entrevista. Todo este tempo esperando nós estávamos do lado de fora da embaixada, na área externa do imóvel principal (dentro dos muros mas não do imóvel), abrigados por estruturas que foram montadas no que deveria ser o jardim da imponente casa.

Para entrar no interior do consulado passamos por portas blindadas, extremamente pesadas e espessas, e seguindo a instrução fornecidas seguimos fomos para uma espécia de hall principal, onde ficamos aguardando por alguns instantes em pé. Daquele ponto que estávamos podíamos ver 3 guichês com os respectivos entrevistadores e entrevistados e podíamos também ouvir o que era conversado. Além das portas blindadas, o detector de metais na entrada externa, as paredes espessas e vários seguranças armados os entrevistadores estavam protegidos também por cabines com vidros blindados e o único meio de falar com os entrevistadores era por meio de um sistema de som, já que não havia orifícios no espesso vidro (só uma estreita abertura na parte inferior para a passagem de documentos).

Guichê (fonte: blog usembassy.) Guichê (fonte: blog usembassy.)

Os erros cometidos por uma candidata

Nos instantes que aguardávamos em pé ficamos observando como transcorria outras entrevistas. Pude ouvir que uma das entrevistadas foi questionada o porque da escolha do consulado de Recife já que havia consulados bem mais próximos de onde ela morava (em Porto Alegre). Ela então disse que estava de férias em Recife e por isso tinha aproveitado para fazer a solicitação do visto.

Já uma outra senhora (em outro guichê) foi perguntada se já tinha feito alguma viagem para o exterior, e com o passaporte em branco teve de responder que não. Estava sendo entrevistada também, no guichê ao lado da porto-alegrense, uma solicitante que recebeu uma pergunta muito simples: "onde a senhora trabalha?". Para nossa surpresa ela conseguiu se embaraçar numa pergunta direta e objetiva. Ela iniciou a resposta dizendo que era professora numa escola particular, mas infelizmente continuou de forma desastrosa, dizendo que não trabalhava de carteira assinada e que era um contrato de somente 6 meses de trabalho. Ou seja, ela disse algo que é extremamente negativo para o visto e pior, disse sem ser perguntada. Bastava dizer onde trabalhava.

 

O diálogo com a oficial de imigração entrevistadora

Chegou então a nossa vez. Uma funcionária nos disse para nos dirigirmos a um guichê que ficava no canto do lado esquerdo e completou dizendo que deveríamos primeiramente entregar o passaporte para a entrevistadora. Uma americana morena e sorridente nos recebeu,  nos deu bom dia e falando em português, mas com um sotaque bem perceptível  solicitou que colocássemos a mão para leitura das digitais e iniciou a entrevista. Transcrevo abaixo exatamente como foi a entrevista.

  • Entrevistadora: Por que vocês querem ir para os Estados Unidos?
  • Eu: estamos indo visitar o Canadá (inclusive já tiramos o visto Canadense) e como vamos estar em Montreal, perto dos Estados Unidos, queríamos visitar Nova Iorque.
  • A entrevistadora sorriu e fez com a cabeça que sim e completou dizendo: claro, claro, é bem perto. Ela então folheou rapidamente nossos passaportes e com uma cara de surpresa disse: vocês gostam muito de viajar né?
  • Nesse instante eu soube que nossos vistos seriam aprovados e verbalizei: sim, gostamos muito e viajamos todo ano. Nos nossos passaportes havia vários carimbos de entrada e saída da África do Sul, Índia, Hong-kong, Macau, Tailândia, Peru, Panamá, Costa Rica e China. Além disso havia o visto chinês, o indiano e o canadense (válido até 2017). Eu ainda tinha comigo o passaporte anterior, com vários carimbos de entrada em vários outros países, mas não achei necessário mostrá-lo.
  • Entrevistadora: onde o senhor trabalha?
  • Eu: sou estudante de mestrado e sou engenheiro de software.
  • Entrevistadora: ah, que bom. Onde o senhor faz mestrado?
  • Eu: na UNIFACS, em Salvador
  • Entrevistadora: e a senhora Viviane, onde trabalha?
  • Viviane: eu sou coordenadora de setor fiscal, na Plannus Assessoria Contábil.
  • Entrevistadora: há quanto tempo a senhora trabalha nesta empresa?
  • Viviane: --- (Viviane ficou por silêncio por alguns instantes e eu preocupado intervi)
  • Eu: um ano e três meses né mô?
  • Viviane: sim, isso.
  • Entrevistadora: ok. O visto de vocês para os Estados Unidos foi aprovado.
  • Nós: obrigado.
Histórico de viagens conta a favor Histórico de viagens conta a favor

Quando saímos da entrevista a primeira pergunta que fiz a Viviane foi o motivo daquele silêncio, do apagão. Ela me disse que não tinha entendido a pergunta, que pensou que era para mim. Isso não aconteceu por dificuldade de compreender a entrevistadora, mas sim por que ela estava bastante nervosa. Tanto era que na hora de colocar a mão para ler a digital ela teve até dificuldade de esticar os dedos e ficou com a mão meio troncha. Ela tentou, e conseguiu, disfarçar esse nervosismo e só o deixou escapar no momento da pergunta sobre o tempo de trabalho.

Eu, por outro lado, não estava nervoso. Já fiquei um pouco nervoso em situações similares, mas naquele momento eu estava confiante, tanto pelo histórico de viagens quanto pelos documentos que eu tinha na pastinha transparente que estava comigo, mas que em nenhum momento precisou ser aberta, já que não foi pedido pela entrevistadora nenhum documento adicional. Ficamos muito felizes com a aprovação e saímos do consulado pensando em como iríamos comemorar!

 

Sugestões de como proceder e se portar na entrevista

Fazendo uma analogia eu posso dizer que a entrevista do visto americano é algo muito semelhante a uma entrevista de emprego. Ou seja, você tem de convencer, passar uma boa impressão. Para conseguir isso é importante que você trace um planejamento de argumentos e respostas, como se faz também em entrevistas de emprego.  Alguns pontos importantes que servem de guia para a entrevista:

  • Chegue cedo (no mínimo 40 minutos antes do seu horário agendado). Dependendo do volume de pessoas você pode até mesmo ser atendido antes do horário que você agendou.
  • Não chegue transpirando (suado)
  • Esteja bem vestido, mas não de de forma exagerada. Se você colocar uma roupa demasiadamente elegante poderá parecer artificial. Uma camisa social, uma calça social ou jeans e um sapato social são boas opções. Se você costuma andar de terno e gravata no seu dia-a-dia tudo bem, mas caso contrário não é necessário se vestir assim só por causa da entrevista.
  • No caso das mulheres uma calça jeans (ou uma saia social ) e uma blusa fechada e uma jaquetinha é uma boa opção. Não vá com roupas decotadas ou que desenhe muito seu corpo. Use uma roupa sóbria.
  • Leve todos os documentos que você considera que podem lhe ajudar a demonstrar algo, como comprovante de matrícula em universidade, contra-cheque, extrato bancário (impresso no caixa eletrônico ou assinado pelo gerente do banco), escritura de imóveis no seu nome, documento de veículo no seu nome, documento de empresa da qual você é sócio/proprietário (pode ser inclusive uma empresa MEI).
  • Deixe os documentos organizados de forma que facilmente você consiga pegar um em específico, se for necessário. Ficar procurando um documento que for solicitado não pega bem.
  • Evite levar eletrônicos, pois no consulado não é permitido a entrada desses dispositivos. Normalmente na frente do consulado há locais para guardar esses itens (pagando), mas se puder não levar é melhor.
  • Responda somente o que for solicitado, de forma breve e educada. Não fique se estendendo para explicar coisas que que não foram perguntadas.
  • Passe tranquilidade e confiança, sem no entanto parecer arrogante.
  • Não minta, mas evite falar de aspectos que podem soar de forma negativa.
  • Tenha em mente que histórico de viagens anteriores é algo muito positivo e tente valorizar isso, se possível.
Visto por 10 anos concedido Visto por 10 anos concedido

 

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