Relato de viagem

Almoço no camping, visita ao vale da lua, Alto Paraíso e São Jorge

Acordamos com as barracas balançando com uma forte chuva. Pelo que sentíamos lá dentro parecia que o céu ia desabar. Viviane e eu estávamos estreando uma barraca nova e a chuva forte estava sendo um teste para a barraca Mormai para três pessoas que compramos antes da viagem. Eu já tive algumas barracas e todas em situação de chuva muito forte molhavam alguma coisa. Algumas mais e outras menos. Durante a pesquisa para a compra tive o cuidado para ver com atenção o índice pluviométrico suportado na especificação do fabricante, que nesse modelo era 1500mm. Infelizmente a barraca não foi totalmente aprovada neste quesito. É espaçosa, confortável, mas devido ao seu design quando há fortes chuva aliada a vento molha pela varanda, ainda que pouco,

Esperando a chuva passar na barraca Esperando a chuva passar na barraca

Depois da chuva veio a comida!

Como estava chovendo bastante, não saímos da barraca naquele momento. Acordamos todos (inclusive Wesley e Marcelino as outras barracas) e ficamos conversando, cada um em sua barraca. Começamos a ficar preocupados com a possibilidade de chover o dia todo ou até mesmo vários dias e não conseguirmos fazer as atividades programadas. Nós tínhamos checado as informações diziam que esse período (junho) era o menos chuvoso e o melhor para visitar a chapada.

Felizmente lá pelas 10 horas da manhã a chuva começou a passar e pudemo sair. Já famintos começamos a preparar nosso almoço. Usamos a churrasqueira do camping para apoiar nossa espiriteira (espécie de fogareiro bem pequeno usado por trilheiros), e Marcelino ficou no comando da comida. Todos ajudamos e depois de muito tempo (a chama não estava muito forte) conseguimos fazer uma gororoba que era uma verdadeira papa!!

cozinhando no camping cozinhando no camping(vídeo)

Só compre uma barraca que você possa armar

Apesar da consistência ruim o sabor estava excelente, e caímos matando. Nesse meio tempo, enquanto a comida era preparada uma nova vizinha de camping apareceu e visivelmente estava enfrentando dificuldades para armar sua barraca. Ela estava acompanhada do filho de 9 anos e os dois estavam baratinados. A barraca era de montanhismo, de excelente qualidade mas talvez por isso complexa para ser armada. Nós 4 resolvemos ajudar e juntos descobrimos as estranhas posições de cada parte e finalmente eles puderam acampar.  Chegamos a incentivar Marcelino a investir na vizinha recém chegada, que era simpática e bonita mas ele não se animou muito.

 

 

viajantes de bicicleta viajantes de bicicleta

Rumo a Alto Paraíso, a cidade esotérica e holística

Depois de comer pegamos as coisas essenciais, passamos na recepção para acertar a primeira diária (25 reais por pessoa) e seguimos para Alto Paraíso. Como o dia estava ainda meio nublado achamos que seria melhor conhecermos a cidade ao invés de ir para o Vale da Lua, pois se chovesse na cidade poderíamos tornar o tempo útil fazendo algo mais urbano. Retornamos então o trajeto de 8 km de asfalto que separava o camping da cidade de Alto Paraíso. Nesse retorno encontramos os ciclistas viajantes da noite anterior seguindo viagem. Encontrar esses aventureiros é sempre um estímulo para aqueles que ficam pensam que é necessário muito dinheiro para viajar e também me lembrar as diversas aventuras extremas que já realizados.

Alto Paraíso é uma cidade  esotérica, holística, natureba e pequena (cerca de 7000 habitantes), mas famosa pelos supostos eventos ufológicos.  A cidade  fica a 1189 metros de altitude, tem um clima frio e reúne muita gente que busca uma vida alternativa e com tranquilidade. O tema ufo é tão forte que a cidade aproveitou o gancho para chamar a a atenção e lucrar com o turismo. Na entrada da cidade o portal é na verdade um grande disco voador de concreto branco.

Portal de acesso a Alto Paraíso Portal de acesso a Alto Paraíso

Dirigindo para Alto Paraíso e Vale da Lua

Passamos por esse portal e seguimos em direção ao centro da cidade e no caminho paramos para tirar algumas fotos. Nos surpreendeu a extrema calmaria das ruas, com pouca gente se deslocando. Demos uma volta no centro da cidade, que é bem pequeno e na volta paramos num posto de informações turísticas. Apesar do posto parecer estar fechado apareceu uma pessoa que nos deu informações sobre os pontos turísticos, especialmente as cachoeiras próximas da cidade e também sobre o vale da lua. Neste posto havia um cartaz com os pontos turísticos exibindo foto e distância de cada um. Praticamente todos os pontos eram cachoeiras.

Trecho asfaltado de Alto Paraíso até São Jorge Trecho asfaltado de Alto Paraíso até São Jorge

Conforme o tempo foi passando o tempo foi melhorando e decidimos que já era o momento de seguirmos para São Jorge/Vale da Lua. Como o camping ficava no caminho achamos melhor passarmos lá e pegarmos nossa barraca, pois queríamos dormir em São Jorge. A estrada desse trecho asfaltado é muito bonita, com paisagens longínquas e paramos para capturar algumas fotos.

Estrada para o Vale da Lua em São Jorge Estrada para o Vale da Lua em São Jorge(vídeo)

Com a informação conseguida no quiosque de turismo de Alto Paraíso de que o acesso ao Vale da Lua fechava 5 da tarde, seguimos direto para lá. Depois do trecho asfaltado a estrada é de barro mas em grande parte está em boas condições e se consegue trafegar com veículo de passeio que seja baixo (estávamos num uno) a 30 km/h em média. Seguimos nesse rojão e ficamos atento para não passar pela entrada à esquerda.

 

 

 

Estamos na lua! Estamos na lua!

O visual e os custos do Vale da Lua

O acesso ao vale é feito por uma propriedade particular, que fica numa baixada (já que é um vale). Ao chegarmos paramos numa área de estacionamento e pagamos os 10 reais do custo da entrada e seguimos pela trilha de 1km até o vale da lua propriamente dito. As formações rochosas do vale são realmente algo impressionante. Como o nome diz, realmente parece as crateras lunares que vemos em fotos. A circulação da água por anos a anos junto com a combinação rochosa específica formou esse ambiente surpreendente. No dia da nossa visita o rio estava cheio e por isso não estava permitido o banho e nem mesmo o acesso a determinadas partes. O trajeto que os visitantes fazem é circular. Entra-se por um caminho, vai até o ponto extremo do vale e volta por outro percurso. Não é necessário guia já que o trajeto é bem curto e cheio de plaquinhas de sinalização. Como chegamos um pouco tarde o funcionário que recebeu nosso dinheiro nos disse que não podíamos passar das 5, já que a propriedade fechava. Houve entre nós um pequeno desencontro (Wesley e Marcelino voltaram pelo caminho que entraram) e isso fez com que ficássemos esperando um pouco por eles. Como não podia tomar banho, 40 minutos foi o suficiente para essa visita e dali seguimos para São Jorge, que fica a poucos minutos do Vale da Lua.

São Jorge, a vila aconchegante

São Jorge é uma vila, bem pequena. Para quem conhece o Capão (na Chapada Diamantina, na Bahia), é como se fosse o mesmo lugar. O mesmo clima, o mesmo tipo de pessoas, o mesmo astral. São Jorge é o ponto de acesso ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. A estrutura está melhorando a cada dia e já há supermercados (pequenos), restaurantes com boa estrutura, pousadas e campings. Esse último era o que estávamos procurando. Passamos pela rua principal observando e vimos várias opções, mas eram muito devassados e sem grama ou árvores. A gente queria um cantinho agradável, com verde, debaixo de uma árvore.

Camping em São Jorge Camping em São Jorge

Após algumas tentativas acertamos com um 'camping' que ficava atrás da case de um morador. Ele tinha um espaço exatamente como queríamos, e por um preço módico: R$ 10,00 por pessoa por dia. Estacionamos o carro, pegamos nossas coisas e armamos nossas barracas. Antes de ir dormir ainda conseguimos fazer uma comida, dessa vez com mais recursos, pois s esposa do dono do camping nos emprestou panelas e utensílios. Chegamos a cogitar comer num restaurante, mas depois de sondar os preços decidimos economizar. Além disso estávamos curtindo fazer a nossa comida, do nosso jeito. Se comêssemos fora desperdiçaríamos, já que as compras feitas no mercado em Brasília foram planejadas para nos alimentar pelos quatro dias da nossa viagem. O dia seguinte seria de muita caminhada pelo Parqe Nacional e por isso fomos dormir cedo.

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