Relato de viagem

Visita a Cavalcante, Poço Encantado, comunidade Kalunga e Cachoeira Santa Bárbara

Esse era nosso último dia em São Jorge. Dali zarparíamos para visitar o Poço Encantado e a Cachoeira Santa Bárbara, na comunidade Kalunga. Acordamos cerca de 8 e meia e começamos a desarmar a barracas e arrumar as coisas. Quando já estávamos quase saindo o casal com o qual fizemos amizade nos confirmou que iria junto conosco, no carro deles. Disse que passariam na padaria para tomar um café da manhã e depois seguiríamos juntos. Quem viaja e faz malas sabe bem que quando a arrumamos em casa cabe tudo, mas no meio da viagem as coisas começam a não caber, e não estava sendo diferente dessa vez. Apesar de estarmos comendo a comida que trouxemos (e teoricamente diminuindo o volume das coisas) parece que nossa bagagem só aumentava e o carro ficava cada vez mais apertado!

Foi assim, dividindo espaço com a comida, que seguimos para o Poço Encantado. Esse poço fica dentro de uma área privada, que cobra o acesso (R$ 10,00 por pessoa) e oferece uma boa estrutura para alimentação e até mesmo hospedagem. Os detalhes podem ser consultados no site deles www.cachoeirapocoencantado.tur.br. No link contém informações úteis, mas a apresentação do site  está meio desajeitada, dificultando um pouco a visualização.

na estrada na estrada

 

De São Jorge ao lindo Poço Encantado

Saindo de São Jorge tivemos de voltar para Alto Paraíso e depois seguir pela GO-118 com direção a Cavalcante. Antes desta cidade, 52 km depois de Alto Paraíso, pode-se ver uma placa indicando Poço Encantado. Para chegar até o poço são cerca de 2km de estrada de barro. O local é realmente lindo, com um poço enorme. Par chegar até o poço/cachoeira tem de passar por uma ponte estilo "balança mas não cai", que é uma atração à parte. Neste dia que fomos (início de agosto) a água estava fria, mas uma delícia. O poço é bem grande, fundo e com uma praia de areia linda. É excelente para nadar e ainda é possível apreciar o visual e tomar um banho de cachoeira.

Ponte balança mas não cai Ponte balança mas não cai

 

Chegando na Cachoeira Santa Bárbara

Depois de bons momentos relaxando subimos para a sede (o poço e a cachoeira ficam numa parte baixa), fizemos um lanche e seguimos em direção à Santa Bárbara, que prometia ser o ápice da viagem.

A Cachoeira Santa Bárbara fica dentro da comunidade Kalunga, que é formada por remanescentes de quilombolas (descendentes de escravos que fugiram). Eles atualmente são donos de uma  área de 230 mil hectares (sim, imensa), que foi demarcada pelo governo e só pode ser usada por eles, sem poder ser comercializada.

Tivemos certa dificuldade para chegar à sede da comunidade devido à falta de informação e de placas. A dica é ir até Cavalcante e se informar sobre a estrada que leva até a comunidade kalunga. O acesso à estrada de barro é perto do trevo de entrada da cidade, que é bem pequena e tivemos certa dificuldade para encontrar. O ideal nesses casos é perguntar e foi isso que fizemos algumas vezes. Em uma delas uma menina assustada respondeu indicando a direção.

De Cavalcante até a sede dos Kalungas são 40 km de estrada de terra. Só há uma bifurcação e ela nos enganou. O hilário é que as duas opções da bifurcação levam para o mesmo lugar, se encontrando poucos metros a frente. Sem saber disso, quando vimos a bifurcação ficamos em dúvida e voltamos um pouco para perguntar. Foi então que nos disseram que as duas opções serviam. Nesse trajeto há um mirante com um visual belíssimo, quase que obrigatório. Tiramos fotos lindas nesse ponto.

Acesso à comunidade Kalunga e taxas

Poucos minutos depois chegamos à sede dos quilombolas, onde prontamente fomos intimados a pagar a entrada. Além do pagamento de R$ 10,00 por pessoa é obrigatória também a contratação do guia, que custa R$ 50,00 para um grupo de até 10 pessoas. Como estávamos em 6 (nós quatro mais o casal de amigos) o custo por pessoa ficou quase R$ 20,00 para cada um (10 da taxa mais o rateio do guia).

Poço Encantado Poço Encantado

Saindo da sede dos kalungas há um trajeto de 10km até a cachoeira. Esse trecho pode ser feito parte de carro e parte a pé. A estrada ão é muito boa e dependendo do seu carro você pode precisar fazer um pedaço maior caminhando ou arriscar danificar o carro. No mínimo 4km é preciso andar.  Seguimos nos dois carros até um ponto em que achei que não seria prudente atravessar um rio de carro. Estava um pouco cheio e como o carro era alugado não queria correr o risco do carro ficar enganchado e ter um alto custo e ainda o risco de perder o voo de volta.

Carro à prova de tudo e guia decorativo

Nosso amigo parecia que não ligava muito para o carro e decidiu seguir. Estacionei então o uno alugado numa sombra e seguimos todos os 7 (nós seis mais o guia) no Chevrolet Classic dele. Dissemos a ele que iria danificar o carro, que estrada era ruim e com tanta gente dentro do carro seria ainda pior para a suspensão, mas parece que ele queria provar que o carro aguentava de tudo. O guia foi algo puramente formal, já que nem nos momentos dos buracos ele descia do carro e ficava na maior folga. Como estávamos num ótimo humor a gente só ria. O carro toda hora tomava um tombo e arrastava alguma coisa no fundo, mas o nosso amigo dizia que tudo bem, que o carro aguentava!

Cachoeira Santa Bárbara Cachoeira Santa Bárbara

Fomos até o ponto máximo onde se consegue chegar de carro e depois seguimos andando, por 4 km. Essa parte da chapada se parece muito com a Chapada Diamantina, especialmente na região dos Gerais, entre o Capão e o Vale do Pati. Fica num planalto, com vegetação rasteira e com um longuíssimo horizonte.

 

Cachoeira de cena de paraíso

Depois de cerca de 40 minutos de caminhada chegamos à tão famosa cachoeira. Quando nos aproximamos há uma mata fechada e uma mudança radical na vegetação e até mesmo no clima, que se torna mais frio e úmido. A cachoeira fica bem escondida, num grotão e tem realmente uma água belíssima. Quando chegamos já havia outros turistas lá, mas logo depois eles foram embora e ficamos só nós. O poço é fundo e com uma máscara de mergulho dá pra ver praticamente tudo debaixo d'água. Essa foi a água com transparência mais próxima da do rio Sucuri que mergulhamos em Bonito (Mato Grosso do Sul).

Eu aproveitei a transparência para fazer uns vídeos subaquáticos com a minha mais recente aquisição, uma câmera de ação. Para quem gosta de esportes de aventura é um acessório essencial e fará parte de todas as próximas viagens. Depois de um longo período de curtição e relaxamento começamos a nos prepararmos para voltar. Fizemos uma pequena parte do trajeto de volta por outro caminho, só a parte da saída do grotão.

Cachoeira Santa Bárbara Cachoeira Santa Bárbara(vídeo)

Retorno para Alto Paraíso e deliciosos caldos

Depois de sairmos da reserva dos Kalungas pegamos a entrada em direção a Alto Paraíso. Nesse trajeto nos despedimos do casal e seguimos para a cidade. O planejado era dormir na cidade e na manhã seguinte partir para Brasília. Como chegamos cedo fomos dar uma volta pela cidade. Na praça principal estava rolando um forrózinho e ficamos por ali. Aproveitamos para saborear um DELICIOSO caldo. Caldos de uma forma geral é uma tradição de Goiás e de Brasília. tem cada um mais gostoso que o outro. Eu aprendi a apreciar essa delícia quando visitei Goiânia pela primeira vez e fui num rodízio de caldos. Sabendo disso estimulei meus companheiros de viagem a provar e aproveitei para me fartar. Todos adoraram, como eu esperava. Naquela praça de Alto Paraíso que tinha o clima de são joão  havia umas banquinhas de iguarias vendendo coisas típicas, mas meu foco era meso o caldo, tanto que tomei dois acompanhados de um também delicioso beijú.

 

Deu trabalho, mas encontramos o melhor camping de Alto Paraíso

De barriga cheia nossa missão era encontrar um lugar pra dormir. Antes disso passamos numa outra praça onde havia uma réplica de disco voador. Tiramos algumas fotos cômicas, e começamos a procurar um camping. Já na praça uma senhora ofereceu um local, dizendo que na casa dela podia acampar. Decidimos dar uma olhada e vimos que era esparro. Na ânsia de ganhar o dinheiro ela queria que acampássemos numa área aberta, sem muro, que dava pra rua, e consideramos que seria perigoso. Seguimos então rodando e fomos parar no Camping Brasil.

Camping Jardim Nova Era Camping Jardim Nova Era

O espaço era legal, o preço era legal (R$ 10,00 por pessoa) com muito verde e tudo, mas o problema eram as pessoas. Havia muita gente fumando maconha e o clima era de usuários de drogas e não queríamos ficar a noite toda sentindo o barrunfo. Seguimos procurando e finalmente fomos parar no lugar certo, o camping Jardin Nova Era. O preço era um pouco mais alto (R$ 25,00 por pessoa) e tivemos de negociar bastante. Conseguimos no final pagar R$ 70,00 para os quatro. O camping era muito agradável e organizado. Tinha cozinha comunitária, um grama verdinha e bem cuidada, banheiros ótimos e tudo muito limpo. Percebia-se que havia o maior zelo em cada cantinho, algo que só o dono faz. O dia seguinte seria de deslocamento até Brasília, tour pela cidade e depois voo para Salvador e por isso fomos dormir cedo.


 

Informações:

Comunidade Kalunga (ou Calunga): http://pt.wikipedia.org/wiki/Calunga

Camping Nova Era: http://www.jardimdanovaera.com.br

Poço Encantado: www.cachoeirapocoencantado.tur.br

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