Relato de viagem

Um dia de aventuras com 25 km de trilha e bicicleta em Itacaré e Jeribucaçu

No dia anterior, ao voltarmos da janta, havíamos agendado um tour de aventura com a agência No Limite Itacaré. Esse passeio é para aqueles que gostam de juntar conhecimento histórico, belezas naturais e muito esforço físico. De manhã seguimos logo para a No Limite, que fica na Avenida Castro Alves (na orla de Itacaré) e fomos recebidos pelo Rafael, que é uma pessoa muito bacana e atenciosa.

Saindo da No Limite Saindo da No Limite

Roteiro pesado do passeio

O passeio que faríamos incluía um pequeno tour histórico pela cidade, depois uma pedalada pela rodovia e por uma trilha com vários quilômetros até deixar as bikes num local e fazer outros quilômetros de trilha para enfim conhecer a famosa Jeribucaçu. Na volta faríamos outro percurso, fazendo inclusive montain-bike e subida de trilha de bicicleta.

Pagamos 60 reais por pessoa por esse passeio, e estava incluso a bike e o guia que nos acompanhava, o Rafael. Outras pessoas haviam reservado (e pago) o passeio, mas desistiram em cima da hora e perderam o dinheiro. Não são todos que estão dispostos a um dia de atividades intensas.

A história da cidade

Saímos da No Limite para dar uma volta no centro histórico da cidade (que é pequeno) e conforme alguns pontos importantes eram visualizados o Rafael ia contando um pouco da história sobre cada construção. Itacaré era um aldeia indígena onde os moradores viviam da caça, pesca e agricultura. A invasão e barbaridade portuguesa teve inicio nessa aldeia por volta de 1530, com a implantação das capitanias hereditárias. Não satisfeitos em matar, ferir e escravizar os índios trouxeram consigo os jesuítas, que tinham a incumbência de dizimar a cultura e costumes dos índios e impor a fé católica. Por volta de 1720 foi erguida a capela e em 1732 a antiga aldeia virou um município.

Subindo a ladeira de de Itacaré Subindo a ladeira de de Itacaré

Pernas pra que te quero

Depois de aprender um pouco sobre as construções históricas (a casa dos jesuítas e a igreja matriz) seguimos para nossa pedalada, que estava apenas começando. Começamos passando pelas ruas principais de Itacaré e depois subindo a ladeira que dá acesso à cidade para quem chega. É uma ladeira grande, especialmente para quem está de bike.

Pegamos um trecho da rodovia BA 554 e pedalamos até o km 6, onde paramos para beber uma água e pegar um trecho de barro. Até este local Viviane já estava pedindo para morrer! Dizia que não ia conseguir, que estava cansada e precisou de muito estímulo para prosseguir, especialmente nas subidas. Depois de um descanso prosseguimos e como sempre Rafael estava atento e preocupado com nossa segurança. Vale lembrar que além das bicicletas foram fornecidos também capacetes e luvas. Depois de 3 km chegamos a uma propriedade rural onde deixamos as bikes (é um estacionamento pago para carros também). Rafael já tinha algo combinado com os proprietários e as bicicletas ficaram trancadas atrás da casa e os capacetes e luvas uma pessoa guardou na casa.

Visual da praia vista de cima Visual da praia vista de cima

Depois da trilha o paraíso da praia de jeribucaçu

Dali seguimos caminhando 3o minutos por uma linda trilha, com um visual maravilhoso. Passamos trechos de mata, de vegetação rasteira e depois se mostrou na nossa frente , do alto de uma montanha o lindo mar, com uma vista fantástica, quase inacreditável.

Dali já avistávamos partes de praia, mas ainda faltava alguns minutos de caminhada pelos coqueirais para visualizarmos algo ainda mais lindo: a praia de Jeribucaçu, com sua longa faixa de areia branca, suas águas azuis e para completar a barra de um rio que se esgueirava pelo cantinho da praia que era delimitada por uma montanha de rocha. Parecia a combinação de várias coisas lindas para formar um lugar excepcional.

Na praia de Jeribucaçu não há energia, mas há algumas barracas que servem bebidas (à base do gelo) e comida. As areias são tão brancas quanto quentes e fazer o trajeto de uma barraca até o mar exige destreza e rapidez. Esse é o tipo de lugar para aqueles que desejam ficar o dia todo tomando água de coco e bano de mar alternado com as sombras de um coqueiro. Todo aquele passeio tornou-se ainda mais especial conforme fomos conhecendo a história de Rafael. Ele nos contou que viajou os 26 estados do Brasil, mais o Distrito Federal, de bicicleta. Sim meus amigos leitores e viajantes, de bicicleta!! Esse foi um feito extraordinário que merecia um imenso respeito e se mostrou ainda maior quando ele explicou as condições em que fez isso, quase sem nenhum dinheiro, passando muito aperto.

Praia de Jeribucacu Praia de Jeribucacu

Um cenário de paraíso e  a volta pela cachoeira

Ficamos ali, na sombra e água fresca enquanto meu celular estava carregando (utilizando meu carregador solar). Depois de muito descanso, banhos de mar deliciosos e algumas águas de coco (bem caras, 6 reais cada uma) iniciamos nossa volta.

O melhor de tudo é que nossa volta não era pelo mesmo caminho. Pelo contrário, ainda passaríamos pela Cachoeira da Usina (antiga usina que gerava eletricidade para Itacaré), que é particular e fica dentro de uma propriedade. Voltamos, pegamos nossas bikes e começamos e pegar uma subida, numa trilha larga mas com solo bem irregular.

A volta foi uma maravilha

Depois das subidas vieram as descidas, ainda mai perigosas, por que freio de bicicleta nunca e muito confiável, e Rafael alertou para isso. Finalmente chegamos num chapadão onde pedalamos alguns minutos até chegarmos à uma outra propriedade privada, na qual está a cachoeira. Para ter acesso é necessário pagar uma taxa. Como estava incluso no passeio foi Rafael que pagou (se não me engano 4 reais por pessoa). Deixamos ali as bicicletas também a caminhamos por poucos minutos numa trilha íngreme, com escadarias de corrimões improvisados de madeira, bem rústico e artesanal. A Cachoeira do Usina tem uma poço de uns 20 metros de largura, dá para nadar, mas a água estava bem gelada.

Cachoeira de Usina Cachoeira de Usina

 

Saindo da cachoeira pegamos nossas bikes de volta mas fizemos uma aprte do trajeto de retorno por outro caminho até sairmos novamente na estrada, subindo e descendo até chegarmos na ladeira que dá acesso à cidade, que nos permite descer por muitos minutos sem dar um única pedalada. Chegamos na No Limite no final da Tarde, cerca de 17:00, cansados (Viviane se dizia morta) mas felizes por um dia tão rico e com visita a lugares muito especiais. Para aqueles que curtem aventura e esporte é um passeio perfeito!


Para chegar saber como chegar a Itacaré saindo de Salvador veja este relato.

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