Relato de viagem

Passeio pelos canais, Red Light e um pôr-do-sol no park de Amsterdã

Nos informamos como ir para o centro (nosso hotel ficava um pouco afastado) e a recepção nos disse que bastava pegar o tram (eles chamam tram mesmo e não trem) que passava bem na frente do hotel. Achei uma solução super interessante esse tipo de transporte. O tram é um trem leve e os trilhos dele ficam numa lateral da pista para veículos, sem separações. O trem circula e os carros circulam na mesma via, sem confusão e sem a necessidade de investir altos custos com escavação ou estrutura suspensa.

Esperando o tram Esperando o tram

Desesperados para pagar

O tram parou no ponto, entramos e ninguém cobrau a passagem da gente. Fiquei bastante incomodado em estar ali como um "clandestino", mas eu não conseguia ver nenhum guichê ou funcionário. Cheguei até a pensar que poderia ser que naquele transporte não houvesse cobrança, mas essa ideia não foi conclusiva e o incômodo persistiu. Eu não via ninguém pagando e tanto a entrada quanto a saída eram livres, e isso me deixou ainda mais intrigado.

Nós somos Amsterdã

Seguimos no tram até avistarmos um grande jardim e o marco "I Amsterdã". Quando vimos isso pela janela decidimos saltar. Parecia interessante e não há nada melhor do que simplesmente  escolher seu destino de improviso.

Este ponto onde se pode ver a  frase "Eu sou Amsterdã", em inglês, e em letras grandes brancas e laranjas (cor da bandeira da holanda) fica no Museumplein, que é uma área pública onde ficam localizados três grandes museus da cidade: Van Gogh Museum, Stedelijk Museum (museu de arte moderna) e o Concert Hall Concertgebouw. Além dos museus há um grande espaço gramado onde são realizados muitos festivais e eventos públicos e uma central turística onde se vende vários souvenirs e pode-se obter informações turísticas. Eu e Wesley compramos um boné  e Júlia comprou um chaveiro, tudo com a frase "I amsterdam"  e obviamente tudo laranja!

 

tram de amsterdã tram de amsterdã

Jeitinho brasileiro exportado

Saindo desta região novamente pegamos o tram. Neste segundo, por acaso, encontramos um brasileiro e perguntei a ele como fazia para pagar. Ele disse (para minha triste surpresa) que se quisesse não precisava pagar. Que péssimo exemplo! Que decepção! É por essas e outras que os brasileiros tem a fama de trambiqueiros. Não contente com a resposta insisti que queria pagar e ele apontou o guichê lá no final tram, no último vagão.

No anterior eu realmente não consegui ver nenhum guichê, mas nesse havia um. Corri todos os vagões e fui até a funcionária para pagar minha passagem, que custou 2,80 euros e dava direito a 1 hora de uso. Alguns dos meus companheiros de viagem titubearam pensando em se fazer de mortos mas depois todos pagaram suas passagens. Penso que não podemos reclamar da honestidade dos outros se não damos o exemplo.

Cartão semanal

Para quem vai ficar mais tempo em Amsterdã é mais vantajoso comprar cartões com créditos que dão direito a vários dias de transporte por um preço fixo (por exemplo 32 euros por 7 dias). Para ver todos os preços e opções de pacote visite o site do sistema de transporte de Amsterdã.

Passeio pelos canais de Amsterdã

Seguimos andando pela via principal e logo adiante começamos a ver os famosos canais holandeses. Os rios parecem limpos e há muito turismo envolta disso. Há catamarãs que circulam cheio de passageiros (semelhante ao que acontece no rio sena de Paris) e há também pedalinhos que podem ser alugados, e essa foi a nossa opção. Caminhamos paralelamente ao canal e logo encontramos um pier onde se podia ler "canalbike".

Me informei, e pagamos o aluguel por uma hora. A ideia era dar algumas voltas e nos reversarmos no equipamento, curtindo e tirando fotos. O aluguel por uma hora do pedalinho custou 11 euros. Essa mesma empresa oferece canal bus, pizza tour, candle tour e vários outros passeios interessantes pelo canal de Amsterdã. Para mais detalhes consulte o site da empresa canal. O melhor de tudo é que haviam várias estações (piers) e podíamos locar em uma e devolver na outra. Assim não precisávamos voltar tudo para devolver.

Passeando de pedalinho nos canis de Amsterã Pedalinho nos canais de Amsterdã(vídeo)

Os canais são  estreitos, com cerca de 100 metros de largura, e neles circulam embarcações rápidas, catamarãs e lanchas particulares. Para andar de pedalinho tínhamos de ter um certo cuidado, por que além de todas essas embarcações haviam pontes estreitas, nas quais passávamos por baixo. Essas pontes visivelmente eram muito antigas, de tijolinho e era possível tocar o teto se esticássemos o braço. Como essas pontes eram estreitas e baixas, só eram possível passar uma embarcação por vez, e por isso estávamos atentos a cada passagem.

Levando um capacete para passear

Terminando o passeio de pedalinho seguimos em direção ao centro centro da cidade, passando por algumas lojas. Numa dessas observamos capacetes e havia um com bluetooth integrado por um preço inacreditável: 99 euros! O bluetooth permite que você conecte-o ao telefone celular sem fios e mantenha uma conversação ou ouça música direto no capacete, que tem auto-falantes embutidos e também uma bateria recarregável. O único inconveniente daquela aquisição foi saber que estávamos no início da viagem e por isso teria de carregar o capacete por quase um mês! Pensei nisso, avaliei mas terminei realmente comprando por que sabia que estava muito barato e que mesmo se não quisesse usar venderia facilmente por um preço muito maior, umas  três vezes mais.

Todo o processo da compra foi um pouco demorado por que eu tinha de testar. Quando se faz uma viagem e compra-se algo a minha recomendação é sempre testar cada aspecto do item, já que depois fica quase impossível fazer uma troca ou conserto via assistência autorizada, seja por que normalmente os produtos não tem garantia internacional, seja por que muitas vezes não há peças para produtos lançados no exterior e não comercializados no Brasil. Tudo testado seguimos nossa caminhada.

Tomando uma Heineken Tomando uma Heineken

Uma cerveja para relaxar

Chegamos perto da estação do eurotrem na qual havíamos desembarcado no dia anterior e em seguida paramos num dos vários bares com mesinhas dispostas nas calçadas, margeando os canais de Amsterdã. Esses bares são muito parecidos com os cafés que são facilmente encontrados em Paris. Todos muito arrumadinhos, e quase sempre bem movimentados. Sentamos, tomamos uma bela de uma heineken e fomos muito bem atendidos, por uma garçonete bem sorridente.

SÓ ACHA DROGAS QUEM PROCURA

Apesar da má fama de Amsterdã em relação às drogas (por ser liberado o consumo de algumas) tudo parecia tranquilo. Diferente do que muita gente pensa não há pessoas consumindo drogas nas ruas nem nada parecido (o consumo é liberado em locais restritos). Amsterdã se mostrava uma cidade limpíssima, muito bem organizada e um ótimo local para viver. O que mais nos impressionava ali era outra coisa: a quantidade de bicicletas. Por mais que eu escreva ou descreva, só visualizando pessoalmente para entender. Em todos  os locais há muitas, mas muitas bicicletas.

bikes em Amsterdã bikes em Amsterdã

Muitas bicicletas, para qualquer lugar que se olhe

Nos estacionamentos para bicicletas, que são muitos e grandes, é praticamente impossível achar uma vaga, mesmo as bicicleta sendo tão magrinhas. A cultura em Amsterdã é em torno da bicicleta e diferente do Brasil onde, de uma forma geral, quem vai trabalhar ou fazer alguma coisa de bicicleta é uma pessoa de condição social menor, lá todos andam de bicicleta, mesmo pessoas que poderiam ter ótimo carros. As bicicletas tem prioridade absoluta no trânsito e é incrível como funciona.

A  impressão que dá é que os ciclistas são loucos, pois eles simplesmente atravessam as ruas sem nem olhar se vem um carro, pois é obrigação do carro ver e parar. Chega a ser assustador. Tanto é que pensamos em alugar bicicletas mas por recomendação do nosso recepcionista português desistimos, pois segundo ele há muitas regras de trânsito para ciclistas e não é fácil para um estrangeiro seguir todas elas assim de um dia para o outro.

 

GE DIGITAL CAMERA Região da Red Light district

Red Light e as vitrines de mulheres peladas

Seguimos andando após sair do bar e fomos em direção à famosa Red Light District, área de Amsterdã onde mulheres que trabalham como prostitutas ficam em vitrines, com corpos desnudos, se "apresentando" aos clientes. É uma área grande, com muitas vitrines e de tão polêmica se tornou atração turística da cidade a muito tempo. Os holandeses são muito liberais e se desprenderam dessa conceito pejorativo que a prostituição tem em outros lugares. Lá isso é simplesmente mais um trabalho.

Apesar da exibição dos corpos não é permitido filmar ou fotografar, segundo nos informamos. Essa área não fica num lugar fechado ou acesso restrito. É na rua mesmo, numa região específica que ocupa várias quadras. Além das vitrines de mulheres há várias lojas com produtos do mercado do sexo.

Próximo à região do Red Light existe também um forte comércio de vários artigos, inclusive eletrônicos, roupas e outros e ficamos por ali algum tempo dando uma olhada nos preços e depois entramos numa loja de souvenirs onde compramos algumas lembranças. Eu  achei algo que procurava a algum tempo: bandeiras de vários países bordadas, pequenas. Eu queria essas bandeiras dos países que já visitei para costurar na minha mochila. Comprei logo todas que procurava!

Curtindo o pôr-do-sol no parque Curtindo o pôr-do-sol no parque

os parques de Amsterdã

Depois de conhecer bem a região central fomos à caça de um parque, e o que ficava no nosso caminho era o Beatrix Park. Era incrível o clima gostoso, de relaxamento e tranquilidade que se via nessa linda área verde. Não se via ninguém com som alto (algumas pessoas com violão) e muitos casais curtindo a natureza de modo muito educado e calmo.

Não se via sujeira alguma no chão e a impressão era a melhor possível. Pudemos acompanhar um lindo pôr-do-sol num clima de ar condicionado (19 graus). Já estávamos perto do hotel, que seria nosso próximo destino e no dia posterior seguiríamos a tarde para Londres, na Inglaterra.

 

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