Relato de viagem

Cruzando a fronteira da Venezuela: documentos, dicas e perigos

O cruzamento da fronteira entre Brasil e Venezuela foi a nossa grande preocupação dessa viagem. Lemos algumas informações sobre corrupção e extorsão dos policiais venezuelanos e problemas para passar com equipamentos e tínhamos receio de passar por situação semelhante.  Neste relato descrevemos nossa experiência e elencamos tudo que é necessário para entrar e sair do país bolivariano sem dificuldades.

Documentos necessários

Como a Venezuela faz parte do Mercosul os brasileiros gozam do direito de livre circulação do bloco. Sendo assim, para entrar  não é obrigatório o uso de passaporte. É possível usar o documento de identificação civil, conhecido como RG, ou então o passaporte. Além disso, é necessário também o certificado internacional de vacinação de febre amarela.

Carimbos da Venezuela e da Polícia Federal Carimbos da Venezuela e da Polícia Federal

 

Durante a passagem pela fronteira não é requerido nenhum tipo de comprovação financeira e nem é pedido cartão de crédito ou solicitado reserva de hotel. Segundo o acordo assinado em 2002 os cidadãos de todos os países Mercosul mais os países associados Chile e Bolívia estão numa área de livre residência com direito inclusive a trabalho.

Certificado de vacinacao de febre amarela Certificado de vacinacao de febre amarela

 

Se você não levar passaporte terá de preencher uma permissão de entrada, chamada em espanhol de permisso. O certificado de vacinação internacional você deve solicitar na ANVISA. Primeiro você se vacina num posto de vacinação, recebe o certificado nacional e de posse dele vai até a ANVISA e solicita o internacional. A vacina vale por 10 anos. Mas lembre-se de solicitar o internacional com antecedência, por que dependo do local pode demorar alguns dias para ser fornecido.

PROCEDIMENTOS PARA CRUZAR A FRONTEIRA

Para cruzar a fronteira você deve chegar até Pacaraima, do lado brasileiro, se dirigir ao Posto da Polícia Federal e informar que deseja ir para a Venezuela. Normalmente há uma fila. Na nossa experiência demorou quase uma hora entre o momento que chegamos e fomos dispensados. Esteja atento que a fronteira só funciona até as 18:00 e depois fecha. Como há um tempo considerável de espera você deve chegar bem antes do horário do fechamento para conseguir passar.

Táxi intermunicipal para Santa Elena Táxi intermunicipal para Santa Elena

 

Não se iluda com o fato de haver várias pessoas passando sem fazer o procedimento na PF. Essas pessoas que fazem isso são habitantes locais, de um lado ou do outro, que vão somente até a cidade vizinha do outro lado. Para entrar na Venezuela e ir até Paraitepuy e o Monte Roraima você deve passar pelo controle e dar entrada/saída formalmente.

Passando pela fronteira venezuelana Passando pela fronteira venezuelana

 

Depois de "sair" do Brasil você segue para o posto de controle do lado Venezuelano. Se você tiver contrato um táxi até Santa Elena o mesmo vai te esperar. Veja como fazer todo o percurso até o lado venezuelano.

Chegando no posto de controle da Venezuela você deve se dirigir ao caminhão/trailler do SENIAT que fica do lado esquerdo. A porta fica normalmente fechada e quando sai uma pessoa o pessoal lá de dentro pede para chamar o próximo. Na nossa experiência as atendentes eram todas mulheres e se limitaram a perguntar para onde iríamos. Prontamente respondemos Santa Elena e Monte Roraima. Se você não tiver feito a saída do lado brasileiro eles vão te mandar voltar.

Ônibus vermelho do SENIAT Ônibus vermelho do SENIAT

Dentro do trailler, na sua vez, você só senta numa cadeira, fornece o passaporte ou o permisso + RG e responde uma ou duas perguntas e pronto, você está liberado para entrar no país. Vale sempre lembrar que há, na porta do trailler um aviso deixando claro que "os serviços neste posto são grauitos".

Afinal, há perigo ao passar pela fronteira?

Estávamos preocupados em sermos extorquidos ou roubados pelos próprios policiais. Relatos de outros viajantes davam conta de policiais corruptos que inventavam problemas para vender a solução ou até mesmo que ficavam com objetos do viajante com uma alegação chula, dizendo que estava confiscado. Relatos contam sobre uma tenebrosa salinha onde podiam te deixar até de roupa íntima, depois de revistar cada minúsculo bolso da sua mochila.

Com isso na cabeça conversamos com Magno (da Roraima Adventures), ainda em Boa Vista, sobre a questão e ele nos disse que as vezes acontecia sim, mas era na saída da Venezuela e não na entrada. Isso nos aliviou um pouco, mas a preocupação com a saída continuava. A verdade é que na nossa experiência não ocorreu nada disso, nem ida e nem na volta. Não só não nos roubaram nada como nem revistaram. Na ida e na volta só passamos pelo trailler para fazer a parte burocrática.

Conversando com Magno da Roraima Adventures Conversando com Magno da Roraima Adventures

Em nenhum momento fomos revistados. Os policiais ficam em uma área diferente do trailler onde se carimba o passaporte e na volta, o que aconteceu foi que os policiais venezuelanos que ficam na pista insinuaram pedir para parar, nós chegamos a tirar o passaporte e ficar com ele na mão, mas depois mandaram seguir.

Por experiência eu sei que esse tipo de coisa depende muito de sorte e do momento. Acredito nos relatos de outros colegas viajantes, mas o que posso dizer é que não tivemos problema algum. Pelo que esse tipo de situação (constrangimento e revista) deve ser a exceção, até por que grande parte da economia da região depende do dinheiro dos turistas brasileiros. Questionado sobre isso o taxista que nos trouxe de volta disse que eles só fazem as temidas revistas intimidadores em casos de suspeita ou denúncia.

Veja o índice sobre a viagem e o relato sobre como chegar até o Monte Roraima.

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