Relato de viagem

saiba como é o mundo perdido do Monte Roraima: clima, flora e a fauna do tepuy

O Roraima é uma montanha da América do Sul compartilhada entre o Brasil, a Guiana e a Venezuela. Além de sua vegetação e clima o que mais chama atenção é seu formato de platô, o que faz com que pareça uma imensa mesa.

O Monte Roraima é famoso e muito visitado devido a vários fatores: por ser belo, exótico, de difícil acesso (isso motiva aventureiros) e por ter uma história muito interessante. A sensação de estar no topo do Roraima é semelhante a estar em algum mundo perdido, no meio das nuvens e inabitado.

As paisagens do monte são fantásticas e muitas formações rochosas nos deixam intrigados e ficamos tentando compreender que sequência de eventos geológicos/naturais ocorreram para que a paisagem e o ambiente chegasse no formação atual. As rochas em formatos inusitados são umas das principais atrações.

Região de mata na subida ao Roraima Região de mata na subida ao Roraima

formação Geológica

A Formação Roraima, à qual pertence o monte de mesmo nome, já era bastante antiga quando os continentes africano e sul-americano estavam juntos formando o super-continente chamado Gondwana, a 160 milhões e anos atrás. Medições de radiação em rochas indicaram que as areias depositadas no monte possuem ao menos 1.800 milhões de anos.

Maras de ondulações

A existência das marcas de ondulações (ou ripple marks, em inglês) na superfície de rochas recém expostas no cume do Roraima indicam que o processo de sedimentação no qual se formaram essas rochas ocorreu um ambiente de lagos e mares poucos profundos. A falta de esporos fossilizados e de qualquer microfóssil indica também que a origem da montanha é muito antiga, remontando ao período pré-cambriano, um período geológico anterior ao surgimento de formas de vida complexa no planeta.

Marcas de rizadura no Roraima Marcas de rizadura no Roraima

 

Lenda do tepuy

O Tepuy Roraima, como é chamado pelo indígenas faz parte das lendas desses povos que criaram uma história paralela e cheia de imaginação para explicar a origem do monte numa realidade onde a ciência foi trocada pelo misticismo.

Para explicar a origem do monte os indígenas contam que o Roraima era uma imensa árvore, carregada de grandes e deliciosos frutos. Diante de tanta fatura os antepassados decidiram dos Pemón resolveram cortar o caule, pois queriam colher, de uma só vez e sem muito esforço, os maravilhosos frutos. Mas a ambição não deu resultado satisfatório. A copa teria deitado longe, em território desconhecido e longe, o tronco gigante rompeu e dele saiu um jato de água que causou inundação e os índios tiveram em se contentar em passar a semear a savana ao invés de simplesmente comer os frutos.

Além disso a lenda  diz que o Monte Roraima é a morada de Makunaima, uma entidade sagrada . Os índios Macuxis dizem que Makunaima foi fecundado no topo do monte durante um eclipse, quando raios dourados do Sol refletiram em um lago com os raios prateados da Lua. De curumim, cheio de magia, Makunaima cresceu forte e tornou-se um índio guerreiro. Guardião do monte, faz o tempo nublar e chover se alguém gritar em seu topo, pois é lá que repousam os espíritos dos pajés. Quando um deles morre, seu espírito penetra na terra e se transforma em cristal.

Vegetação

A vegetação do Monte Roraima é pouco conhecida devido à exploração nessa região não ter sido tão intensa e ter sido tardia, especialmente no topo da montanha. Para chegar ao monte o viajante se deparará com três ambientes com vegetação distinta:

  1. A savana na caminhada de Paraitepuy até o acampamento base
  2. A floresta tropical persistente do pé da montanha até cerca de dois terços do topo
  3. A vegetação do planalto do topo (esta faz parte da zona ecológica do pantepui e é grandemente desoconhecida)

 No topo três tipos de vegetação são encontradas em toda a parte e crescem entre a rocha nua: árvores, epífitas e savanas secas ou pantanosas. As espécies endêmicas são abundantes na região, além de samambaias e plantas carnívoras adaptadas às peculiaridades do solo. algumas retiram dos insetos capturados o nitrato necessário ao seu desenvolvimento e ausente no solo arenoso e lixiviado onde crescem.

Bejaria imthurnii Roraima Bejaria imthurnii Roraima

As florestas que crescem ao longo dos cursos d'água e voçorocas são caracterizadas pela pouca diversidade de espécies, com árvores de porte médio (8 a 15 metros de altura) de folhas coriáceas, especialmente adaptadas às condições adversas da região. A rocha nua é colonizada por algaslíquens e cianobactérias.

Planta roraima stegolepis guianensis Planta roraima stegolepis guianensis

 

Espécies animais

No pé da montanha a fauna é diversa e composta por várias espécies de mamíferos, especialmente na floresta amazônica, onde podem ser encontrados preguiças-de-bentinho, tamanduás-bandeiras, tamanduás-mirins, antas, tatus-canastras, capivaras, pacas e ainda primatas. Outras espécies estão em menor quantidade, como alguns marsupiais, mamíferos carnívoros e roedores.

Há também centenas de espécies de aves, das quais as mais comuns são a marreca-toicinho, o falcão-de-coleira, o periquito-de-bochecha-parda, o peixe-frito-pavonino, a corujinha-de-roraima, a coruja-buraqueira, o tico-tico, o tucaninho-verde. Algumas dessas espécies são endêmicas dessa região da América do Sul e são restritas às circunvizinhanças dos tepuis.

Sapinho preto exclusivo do Roraima Sapinho preto exclusivo do Roraima

 

Devido às diferenças de clima e geografia em relação á base e ao topo répteis e anfíbios apresentam grandes diferenças entre os indivíduos encontrados nestas duas áreas do monte Roraima. Assim, enquanto as espécies que habitam a floresta ao pé do planalto são bastante comuns, como a iguana-verde, lagartos e serpentes aquelas encontradas no topo são mais específicos, como os sapinhos pretos (Oreophrynella nigra e Oreophrynella quelchii) que no mundo todo só são encontrados no topo do Roraima.

Clima

O Mone Roraima tem seu próprio clima, que é diferente da região de onde ele está situado. Devido à sua proximidade com a Linha do Equador, ele é influenciado pelo clima tropical. A região da Gran Sabana (onde fica o monte), apresenta temperatura média anual entre 20 e 22ºC e chuvas de cerca de 1.500 milímetros. Já as condições climáticas no topo são bem diferentes.

Mapa horizontal Monte Roraima Mapa horizontal Monte Roraima

 

A temperatura média – que não passa dos 10ºC durante o dia – pode chegar aos 2ºC à noite e a região com a alta nebulosidade – associada aos ventos dominantes do nordeste e do sudeste – é responsável por um volume e frequência de chuvas quase duas vezes da Gran Sabana.

 

Aproveitando momento de sol no topo Aproveitando momento de sol no topo

Nos 4 dias que estivemos no topo do Roraima só tivemos, no total, cerca de 2 horas de tempo aberto. Na grande maioria do tempo ou estava bem nublado ou estava chovendo fino. O tempo oscila bastante o tempo todo e por isso qualquer momento de abertura de sol (que ocorre e desaparece bem rápido) deve ser aproveitado para tirar fotos!

 

 

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