Relato de viagem

Buenos Aires: câmbio duvidoso, passeios de ônibus turístico e visita à La Boca e planetário

Nossa primeira atividade  foi procurar uma casa de câmbio. Preocupamo-nos em ir numa rua movimentada, numa loja que fosse, pelo menos, aparentemente segura e confiável. Após algumas quadras do nosso hotel, começamos a busca, e nos deparamos com uma que atendia todas essas características. Tinha dois seguranças na porta, e todos pareciam muito sério, até demais para dizer a verdade, chegando a transparecer mal humor.

Bom, mas se queríamos seriedade aquele parecia ser o lugar correto. Havíamos ignorado alguns que em alto em bom som ofereciam: “câmbio, cambio. Reales, dólares, euros. Precio muy Bueno”. O nosso receio é que num local suspeito recebêssemos moedas falsas, ou até mesmo fôssemos assaltados. Até ali preferíamos um porto seguro. Entramos na fila, onde assim como os atendentes os clientes também pareciam sérios demais, e perguntamos qual era a cotação. Do dólar para o peso argentino era 3,95 e de real para peso 1,00 para dois pesos.

Centro de Bariloche Centro de Bariloche

A fila começou a andar, quando de repente prestamos atenção num rapaz de sobretudo, careca, gritava: “câmbio, câmbio. 1 real por dos pesos. Câmbio officiale”. Ele estava bem na porta do câmbio no qual estávamos na fila. Praticamente era como se ele estivesse dizendo: “Hô seus brasileiros bestas, vão comprar pesos aí mais caros se podem comprar comigo por um preço bem melhor?”. A tentação foi grande, e então decidimos correr o risco. Meu pai insistia, dizia que lá o preço era melhor, que deveríamos ir lá. Ele repetiu algumas vezes, e quando vi já estava ele seguindo o rapaz.

Fiquei com receio de ser uma armadilha, e disse aos outros que o seguiria. Pensei que se entrássemos no dito estabelecimento, poderíamos ser assaltados. Este era mais um motivo então para eu não deixar meu pai ir sozinho, justamente para estar lá numa situação difícil. Entramos numa galeria, depois entramos numa loja. Para nossa tranqüilidade, percebi que tudo parecia muito bem. Da mesma forma os atendentes eram extremamente sérios e carrancudos (parece que confundem seriedade com mau humor). Os dois do lado de dentro do balcão estavam muito bem vestidos e eram já de idade, aparentando mais de 60 anos. Quando realizei que não havia perigo, fui rapidamente avisar os outros, antes que fizessem o câmbio na fila onde estávamos. Todos vieram, e tudo foi resolvido rapidamente.

Por sorte nossa, depois de andar, se não me engano, uma quadra, visualizei uma loja com os dizeres: “Información turística”. Comentei com os outros, e rapidamente todos entramos. Na verdade não era um posto de informações, mas sim um posto de uma agência de turismo, que usa essa tática para atrais os consumidores. Como justamente estávamos procurando um lugar para comprar o bilhete para o ônibus turístico, caiu como uma luva. Compramos ali mesmo, e rapidamente  seguimos direto para a diagonal norte que termina no Obelisco (marco zero de Buenos Aires), onde conforme a informação do posto de “informação” deveríamos ir para pegar o “Autobus amarilho”. Chegamos faltando 10 minutos ao ponto de partida do passeio que custa AR$ 70,00 (R$ 35,00 Reais), percorre toda a cidade, com 12 paradas e nos dá o direito de usar o sistema por 24 horas. Como havia ônibus de meia em meia hora, podíamos saltar em lugares que considerássemos interessantes, e depois de meia hora pegar um próximo, sem custo adicional. O ônibus da Buenos Aires Bus é semelhante ao de várias cidades turísticas do mundo, como, como Barcelona na Espanha, e Salvador. Tem dois andares, sendo o de cima com uma cobertura removível, e sem vidros nas laterais no segundo pavimento. O frio era grande por ser aberto, mas vaia a pena, pois nos permitia tirar muitas fotos.

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Durante o percurso fiz várias medições, e na mínima deu 7.8 °C, a menor temperatura desde o início da viagem. Com a velocidade do ônibus, a sensação térmica era mais baixa ainda. O melhor de tudo, é que em cada assento tinha um fone de ouvido, e vários lugares para conectar com áudio de vários idiomas. Eram: hebraico, inglês, chinês, espanhol, português, alemão, italiano, japonês, francês e árabe. Entretanto alguns idiomas pareciam não estar funcionando. Graças a deus o de português sim. O português não era legítimo. Nem era de Portugal, nem do Brasil. Era de algum tradutor com língua materna espanhola, que na maioria das vezes falava com um sotaque carregado, e em muitos momentos usava palavras em espanhol. A pesar disso, era perfeitamente compreensível.

O ônibus partia do marco zero, percorria grande parte da cidade, e com uma sincronização aceitável ia descrevendo os monumentos, detalhes históricos, informações geográficas e até detalhes das árvores plantadas. Ao nos aproximarmos de algo relevante, o áudio dizia: “à nossa direita, podemos ver a casa rosada, sede do governo nacional...”. Uma assistente ia dando pausa no DVD quando o ônibus ficava retido em algum semáforo ou engarrafamento, evitando que o áudio relatasse algo que não estava fisicamente no visível. As informações da narração eram muito boas, importantes e carregadas de detalhes históricos, permitindo-nos compreender melhor toda a fortíssima cultura desse importante país da América do sul que obteve sua independência  oito anos antes do Brasil. O áudio ia além da descrição dos pontos, mas entrando em detalhes sobre a origem das construções, as famílias que as ocuparam. Descreveu em vários momentos como se formou a sociedade argentina, enfatizando o papel fundamental que tiveram os imigrantes europeus, assim como ocorreu no Brasil.

Optamos por parar num ponto chamado “La boca”, que é uma região de imigrantes genoveses,  que  vende muitos souvenires. Lá tinha um sósia de Maradona que se oferecia para fotos por dois pesos, e assim como no ônibus muitos brasileiros. Entramos em algumas lojas, e compramos alguns. Dalí podíamos ver também o antigo porto, agora desativado.DSC00372

Durante todo o trajeto tiramos muitas fotos e  filmamos. Buenos Aires é uma cidade muito grande, muito bonita, bem cuidada e com uma cultura fortíssima, que se sobressai na América do sul. O Bustur é a melhor opção para quem não tem muito tempo e deseja ter uma visão geral e com alguns detalhes da cidade.

Descemos depois num ponto onde havia um planetário. Meu pai, Wesley e eu (Amon) estávamos com muita fome, e decidimos comprar algo numa das barraquinhas de lanche. Na placa dizia : “Chorizo”, mas conseguíamos encontrar algo parecido com um hambúrguer,  que tinha carne e ovo, e nada mais. Foi o suficiente para segurar até mais tarde. Aproximamos-nos do planetário, e vimos que de segunda a sexta havia a exibição de um filme sobre  a origem do sistema solar, fizemos as contas sobre o horário do  último ônibus, e decidimos que daria. Pessoalmente para mim era algo muito interessante, mas parece que dos seis, somente eu realmente ficou acordado, e os outros pagaram 10 pesos para dormir (rs). É uma exibição é fascinante, e o filme é projetado numa cúpula, dando a nítida impressão que estamos olhando para o céu. Ficamos numa posição quase deitado, incentivando os mais sonolentos.

Depois disso, tomamos o ônibus novamente, passamos por mais duas paradas, e chegamos ao destino final, justamente no ponto onde o tomamos. Conversamos e decidimos procurar por uma pizzaria que pudéssemos  pedir e levar para o hotel, pois nas suítes onde estávamos hospedados havia cozinha e microondas. Encontramos com facilidade o que procurávamos, esperamos alguns minutos e já estávamos voltando pra casa com refeição.

Como no dia seguinte tínhamos um vôo marcado para as 9:10 da manhã, não poderíamos ir dormir muito tarde. Entretanto, teria de sair mais uma vez para ir com Júlia sacar algum dinheiro, pois ela não obteve sucesso tentando sacar com seu cartão do Bradesco. Como o meu é Citibank, tentamos num caixa automático e conseguimos sacar em pesos.

Entretanto, antes de sair, quando fui pegar o cartão da conta que estava no cofre, percebi que o mesmo não abria. Tive de chamar um funcionário do hotel. O cofre era de segredo eletrônico, e aparentemente as pilhas que mantém a senha tinham se saltado por dentro, não permitindo a abertura. Cerca de 10 minutos depois o funcionário apareceu. Junior estava no quarto, e para surpresa do funcionário com um gorro que parece de assaltante, cobrindo todo o rosto. Ele então começou a fazer uma brincadeira, fingindo que estava “forçando ” o funcionário a abrir o cofre sob coação. O funcionário que no início parecia muito sério, logo relaxou e começou a rir, e tivemos a idéia de tirar algumas  .Isso gerou muitas risadas e fotos hilárias..rs.

Depois dessa descontração, fui arrumar minha mala. Queria deixar tudo pronto para o dia seguinte. Após isso descansei um pouco enquanto Wesley falava com a família pela internet, inclusive mostrando pela webcam como era o interior das nossas acomodações. Um pouco depois, fomos para a cobertura do hotel, onde havia uma academia, várias cadeiras de sol, uma sauna e um computador com conexão à internet. Junior ficou grudado no computador e eu e Wesley malhamos um pouco. A cobertura era muito bonita, e se não fosse os prédios ao redor nos daria uma vista bem bonita.

Na volta encontrei o número telefônico do taxista uruguaio que reside na argentina e que nos trouxa para o hotel quando chegamos a Buenos Aires e dei para Junior combinar com para ele nos pegar no outro dia de manhã cedo. Parece que ele não conseguiu acertar com ele, e terminou chamando um taxi através do hotel mesmo.  Amanhã seguiremos para o nosso principal destino, Ushuaia, o fim do mundo. Estamos com muitas expectativas e ansiosos para chegar neste local tão mágico. Até amanhã, com todos os detalhes e possivelmente com muito frio abaixo de zero.

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