Relato de viagem

Descobrindo Bariloche: uma cidade badalada e gelada

Apesar de termos ido dormir muito tarde no dia anterior, não teríamos muitas horas de sono, pois a programação era levantar cerca de 08:30 e logo ir ao primeiro hotel onde havia possibilidade de vaga por desistência, segundo o recepcionista. Queríamos garantir outra hospedagem antes do horário de check-out do hostel que estávamos para não ficar sem nenhum dos dois em caso de problemas. A ideia era garantir a reserva do outro, voltar no hostel para tomar o café, fazer o check-out e seguir para nossa nova hospedagem. Infelizmente por algum motivo o alarme não tocou, e eu que estava preocupado olhei no relógio meio sonolento e vi que já era 09:00. Avisei a todos, e levantamos rápido. Foi só o tempo de escovar os dentes, colocar o sapato e já estávamos descendo.

Praça de Bariloche Praça de Bariloche

Paramos na nossa primeira possibilidade, o San Marco, que ficava ali do lado. O Max que havia nos atendido na madrugada anterior não estava lá, como era de esperar. Uma funcionária nos disse então que o possível cancelamento que poderia haver não tinha se consumado, então por isso não havia nenhuma vaga. Aquilo nos deixou preocupados, e assim seguimos para o hotel Flamingo.

Chegando lá, para nossa surpresa o recepcionista era o mesmo da madrugada, dando a impressão que ele estava ali vinte e quatro horas por dia. Perguntamos novamente sobre as vagas, e ele novamente disse que as teria após as 10:30 quando um grupo estava saindo. Perguntamos então se já poderíamos deixar pago e voltar no horário do check-in, que era 10:30. Ele afirmou que sim, e disse que iria chamar a pessoa que processava os pagamentos. Aguardamos alguns minutos e nada dessa pessoa. Ele disse então que ela estava um pouco ocupada. Perguntamos se haveria algum problema em retornar exatamente às 10:30, pagar e já entrar. Recebemos mais uma resposta positiva, e então retornamos para o hostel.

Junior não tinha saído conosco nessa manhã, pois na hora não estava pronto. Ao retornar o encontramos, e o mesmo ficou então encarregado de ir avisar a Wesley e Marcelino de todo que já tínhamos procurado hotel, já estava mais ou menos certo, mas tínhamos de estar lá às 10:30 em ponto pra não correr o risco de outra pessoa chegar e ocupar a vaga. Era cerca de 09:50, e marcamos pontualmente 10:15 na porta do hostel.

Somente por descargo de consciência fui à recepção que já estava ocupada por uma atendente e não o troglodita do dia anterior e confirmei o horário do check-out. Para minha surpresa ela disse que era ao 12:00. Mais uma informação errada do atendente problemático no dia anterior que havia dito 10:30. Mas tudo bem, isso era uma boa notícia. Poderíamos ficar com as chaves, fazer o pagamento da nova hospedagem, e só depois de estar tudo certo fazer o check-out do Hostel Inn. Assim não corríamos o risco de sair de um sem ter o outro garantido. Ficamos na dúvida se levamos logo as mochilas com o risco de ter de trazê-las de volta em caso de problemas e ou se deixávamos elas ali sabendo que se tudo desse certo teríamos de voltar para buscá-las. Depois de confronto de idéias decidimos levar as mochilas pequenas e deixar as grandes, assim dividíamos a carga.

Nosso hotel flamingo em Bariloche Nosso hotel flamingo em Bariloche

Ao chegar ao hotel Flamingo ficamos impressionados com a quantidade de gente que havia na recepção. Parecia uma pegadinha, onde quando você dá as costas aparece um monte de gente num lugar onde não havia ninguém. Preocupados fomos à pessoa que estava atendendo que já não era mais a que tínhamos falado. Era uma moça bonita, mas que naquele momento transparecia irritação. Explicamos todo o ocorrido, que já tínhamos estado ali duas vezes, inclusive uma a meia hora atrás e que gostaríamos de ficar nas acomodações que estavam para vagar.

Para nosso espanto ela nos disse que a princípio não havia nenhuma previsão de vagar, e que só poderia ver isso depois do check-out, que ocorreria depois de 20 minutos. Olhamos um para o outro com cara de espanto e pensamos: Será que vai começar tudo de novo? Explicamos a ela que havíamos saído de um hotel baseados na informação do atendente que a sucedera no horário e ela mais uma vez nos espantando disse que a pessoa que estava ali mais cedo era somente responsável pelo café da manhã e nada mais! Como assim? E por que ele então nos disse que haveria vaga, por que nos garantiu? Esses questionamentos não adiantariam de nada, ainda mais que o hotel estava lotado e cheio de gente querendo entrar, esperando a primeira vaga. Ela nos pediu que aguardasse, e sem outra opção assim fizemos.

Após cerca de meia hora depois e bem mais calma, ela nos disse que conseguira acomodação para os seis. Poderia ser em dois quartos triplos ou em um sêxtuplo que havia disponível. Entretanto ela frisou que só havia disponibilidade para uma noite, e que no dia seguinte deveríamos procurar outro hotel. Sem outra opção no momento aceitamos. Parece que passaríamos quatro dias em Bariloche procurando hotel, e não conhecendo a cidade. Com este pensamento na cabeça perguntei a ela se não havia nenhuma possibilidade de ficarmos, nem que fosse em outros quartos. Já demonstrando gentileza ela disse que faria um mapeamento do hotel, e dali à uma hora nos daria uma resposta. Completou dizendo que se não fosse possível ficarmos nos ajudaria a encontrar outro hotel.

Dia ensolarado em Bariloche Dia ensolarado em Bariloche

Com a possibilidade real de termos de encontrar outro hotel para a próxima noite, seguimos a dica de um brasileiro que encontramos no meio da confusão no Flamingo que nos disse que havia um centro de informações turísticas da cidade que encontrava hotéis para os turistas! Parecia a visão de uma miragem paradisíaca naquele momento. Rapidamente combinamos que enquanto pegávamos nossas mochilas no hostel, subindo novamente a interminável escada, Marcelino e Wesley iriam neste local precioso para resolver de vez nosso problema de hospedagem.

Fomos leves e voltamos carregados. Deixamos nossos pesos no nosso novo quarto que parecia muito confortável e então eu disse para irmos ao encontro de Marcelino e Wesley. Dessa vez eu tinha uma boa notícia. Antes de subir o elevador eu havia passado na recepção e perguntado se ela conseguira rearranjar para podermos ficar mais três dias. Ela sorridente fez o sinal de positivo. Só faltava agora avisar aos dois que estavam á no centro turístico varrendo a cidade por vagas. Júlia e Júnior disseram que ficariam ali mesmo, deitados na cama (risos). Fomos então Cris e eu e encontramos os dois no meio do caminho. Demos a boa notícia, mas Marcelino ainda assim descreveu as possibilidades que havia encontrado.

A melhor parecia uma kitinet toda mobiliada por cerca de AR$ 570,00 pesos por noite para os seis. Concordamos em ir ver, mas no meio do caminho desistimos. Estávamos cansados de procurar hospedagem naquela cidade, e a economia seria pífia.

Dali mesmo seguimos então para conhecer melhor a cidade. Fomos numa pista de patinação artificial na beira do lago, andamos pelas ruas e terminamos indo numa agência que tinha sido sugerida a Marcelino no local de informações turísticas. Olhamos todos os passeios, e a princípio os achei caros. Havia passeio de quadricículo, de off-road 4x4 na neve, snow-mobil, ski-bunda dentre vários outros. Após ouvir a explicação sobre cada um, o que mais nos interessou foi o ski-bunda.  Como já era próximo ao meio dia, dependíamos de falar com Júlia e Júnior para decidir e estávamos com fome combinamos que voltaríamos mais tarde todos juntos para decidir. Iríamos procurar um lugar libre para comer (risos).

Experimentado acessórios nas lojas Experimentado acessórios nas lojas

Ouvindo a sugestão de um “agenciador” de restaurantes entramos em um. Em Bariloche tudo é oferecido pra você na rua. Desde “aquiler de roupas de nieve”até câmbio. Esse agenciador nos viu andando e conversando sobre comida e logo disse que tinha um lugar ótimo! Achamos meio estranho, mas como era sem compromisso, fomos ver. O restaurante realmente parecia bom. Na verdade pelas instalações parecia até mais caro do que estávamos dispostos a pagar. Mesmo assim entramos, sentamos e pegamos o cardápio. Marcelino faminto já foi logo pedindo ao constatar que os preços não eram caros.

Entretanto desta vez eu e Cris nos lembramos de perguntar se havia alguma taxa de serviço de mesa. Meio constrangida a garçonete disse que sim e que custava AR$ 5,00 pesos por pessoa. Ela ainda estava anotando o pedido dos dois apressados quando então Cris e eu protestamos e dissemos que iríamos procurar outro lugar que não houvesse essa taxa. Ouvindo isso a garçonete disse que em todos os restaurantes se cobrava essa taxa. Eu então pacientemente disse a ela que já estávamos viajando a 15 dias, que havíamos visitado várias cidades, e que somente em uma haviam nos cobrado tal taxa. Ela então ficou sem saber o que dizer e saímos após Marcelino e Wesley pedir para cancelar o pedido.  Após o troglodita do hostel Inn na noite anterior dizer que nenhum hotel ou passeio em Bariloche aceitava cartão de crédito para justificar o fato de ele não aceitar, aprendi a não confiar nessas afirmações genéricas e estava disposto a encontrar um restaurante que não cobrasse tal taxa.

Seguimos andando na procura de um lugar que aceitasse cartão, tivesse uma boa comida e não cobrasse taxa. Paramos então num local chamado Crocodilo bar e restaurante e percebemos que o mesmo estava cheio. Seguindo o hábito de Marcelino vimos que os pratos que estavam servidos pareciam ótimos. Decidimos então que ficaríamos ali. Os preços pareciam bons e a comida também. O único problema era que estava cheio, e teríamos d esperar vagar alguma mesa.

O que mais nos surpreendeu nesse restaurante além de não cobrarem taxa nenhuma foi a simpatia e qualidade do atendimento dos garçons. Todos trabalhavam felizes, sempre brincando e divertindo os clientes. Parecia uma daquelas empresas modelos onde todos são felizes. Isso nos contagiou. Ele definitivamente foi eleito como nosso ponto oficial de refeição na cidade.

Comemos, e depois seguimos para o hotel. Tiramos uma boa cesta de cerca de duas horas e depois seguimos todos juntos para a agência para decidirmos por um passeio. Todos, exceto Júnior que decidira não participar de passeio naquele dia, concordaram que iríamos primeiramente no ski-bunda, pois era o mais em conta (custou AR$ 207,00 pesos já com o translado de ida e volta para a montanha) e também parecia o mais divertido. Pagamos todos em tarjeta e depois fomos passear pela cidade e dar uma olhada no preço das coisas.

Vitrines exuberantes Vitrines exuberantes

Diferente do que imaginávamos os preços em Bariloche não eram caros. Pelo contrário, encontramos até coisas mais baratas do que outros lugares que visitamos na cidade. Logo no início da caminhada com objetivo comercial me deparei com um gorro no valor de AR$ 10,00 pesos, assim como outras coisas com bons preços. Bariloche a noite ferve. É gente para todo o lado, principalmente brasileiros. O fluxo de gente vindo do nosso país é tão grande que pela primeira vez na viagem vi locais se esforçando para falar português, ao contrário de nós tentarmos falar espanhol, como acontecera em toda nossa viagem. Pela primeira vez nos cartazes, folhetos, cardápios e comunicação em geral também havia uma tradução em. Muitos atendentes de loja já diziam “obrigado” ao invés do “gracias”. Enfim, nos sentíamos mais próximos do Brasil, já que mais de 50% de todos os turistas da cidade são brasileiros.

Após a perambulação por lojas, ruas, vitrines e algumas sacolas no braço voltamos para nosso hotel para desfrutar de nossa aconchegante acomodação. Fizemos backup das fotos, vimos TV, conversamos e fomos dormir em paz, sabendo que não teríamos de sair correndo procurando outro hotel na manhã seguinte.

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