Relato de viagem

Estação de ski Cerro Catedral em Bariloche

Seguimos todos para o ponto onde passava o ônibus com destino ao Cerro Catedral. Ficava a vinte e seis quilômetros do centro de Bariloche e o ônibus passava de meia em meia hora. Quando chegamos à parada já havia algumas pessoas, mas elas não pareciam estar organizadas exatamente numa fila. Aguardamos então um pouco à frente de onde estas pessoas estavam, e poucos minutos depois, quando olhamos para trás havia aparecido dezenas de pessoas. Elas pareciam estar em grupo e surgiram do nada, e para nossa tristeza a partir desse momento já pareciam ter formado uma fila. Apesar de termos chegando antes deles, nossa falha foi não ficar exatamente no ponto. Dessa forma, quando percebemos isso tivemos de ir para o final da fila.

Observando a paisagem gelada Observando a paisagem gelada

Alguns minutos nessa imensa fila e apareceu um rapaz vendendo o ticket para o ônibus. Como custava o mesmo preço que era cobrado no ônibus compramos os seis. O ônibus então chegou, e na verdade era um micro, o que nos fez pensar se caberia toda aquela gente. Foi enchendo, enchendo e lotou. Quando entramos só restava um espaçozinho pra ficarmos em pé. Inconformados em fazer todo o trajeto em pé, sentamos no chão e fomos todos num aperto danado. Como sempre brincávamos com a situação crítica. Tudo nessa viagem era motivo pra riso. Dissemos que se quisesse entrar mais um teria de ir no colo do motorista. Tiramos fotos enlatados e fizemos todo tipo de piada. Para nossa estupefação depois de alguns minutos o motorista parou em outro ponto. Mal podíamos acreditar. “Não tem mais lugar aqui!” diziam. Mesmo assim não sei como entraram cinco pessoas e se apertaram no meio daquela muvuca. Não era um ônibus de linha urbano. Era uma linha especial para o Cerro, e todos ali eram turistas, e por isso o humor estava tão bom. Graças a deus o ônibus não parou em mais nenhum ponto!

Saltamos no Cerro Catedral e já pudemos perceber o quanto o local era badalado. Tinha muito gente pra lá e pra cá, a maioria com equipamento. Muitas lojas, escolas de esqui e locais para aluguel de tudo. Assim como em Bariloche as pessoas vinham oferecer as coisas enquanto andávamos nas ruas. Dalí do pé da montanha podíamos ver vários teleféricos, escolinhas de ski e até um pequeno shopping.

Cris, Junior e eu estávamos interessados em tentar andar de snow-board. Pensávamos alugar o equipamento e contratar duas horas de aula para pegarmos os macetes e técnicas. Entramos na primeira loja de aluguel e nos deram o preço, se não me engano, de AR$ 120,00 pesos o aluguel do equipamento. Andamos mais um pouco, e em outra loja conseguimos o preço de AR$ 80,00 pesos. Percebemos então havia uma grande variedade de preço, e combinamos Junior e eu de nos dividirmos. Eu olharia o preço das aulas, e ele o preço dos equipamentos. Marcamos um ponto de encontro, e nos separamos.

A primeira escola que entrei me deu o preço de AR$ 570,00 pesos por duas horas de aula com um professor para nós quatro, sem equipamento. Já numa segunda encontrei o preço de AR$ 700,00 pesos o professor para quatro pessoas por duas horas sem equipamento, ou o valor de AR$ 145,00 pesos por pessoa com equipamento com um professor para até 12 pessoas também por duas horas. Cheguei a olha numa terceira, mas o preço não era muito bom.

Cerro Catedral Cerro Catedral

Depois desse levantamento encontrei os outros no local combinado e transmiti os preços. Junior por sua vez disse que o equipamento mais barato realmente tinha sido aquele segundo de AR$ 80,00 pesos. Entretanto a proposta mais interessante era a que eu tinha encontrado de AR$ 145,00 pesos já com o equipamento. Decidimos que seria essa e nos dirigimos antes de fechar o negócio para uma pista de aprendizes para dar uma olhada antes de efetivamente contratar. Júlia disse não estar interessada por que achava que o tempo era muito curto (um dia só) para aprender e usufruir. Que perderíamos muito tempo aprendendo e não daria tempo de curtir. Ouvindo essa argumentação fiquei um pouco balançado, pois nas nossas aulas de free-board (uma espécie de simulador de snow-board para o asfalto) passamos por isso.

Dirigíamos-nos para o local onde contrataríamos as aulas e equipamentos quando no meio do caminho uma local rastafári e com roupas bem folgadas nos abordou oferecendo aluguel de quadricículo. O preço era convidativo (AR$ 150,00 pesos para duas pessoas por cinqüenta minutos). Júlia que já não estava dando muita bola para o snow-board arregalou os olhos e disse logo que iria no quadricículo. Eu fiquei em dúvida por alguns momentos, mas terminei achando também que seria mais proveitoso o quadricículo. Junior ainda estava com muita vontade de esquiar, e ficou pensando indeciso por algum tempo. Após várias interrogações aparecerem em sua cabeça, terminou decidindo deixar o snow-board para segundo plano. Devido à adesão em massa, Cris também terminou entrando no embalo.

Pista de de aula de ski Pista de de aula de ski

Voltamos então para a pista de aprendizagem onde Marcelino e Wesley nos esperavam chegar já com o snow-board e dissemos que havíamos mudado de idéia. Que agora iríamos andar de quadricículo por trilhas. Ele achou meio estranho a mudança repentina, mas também adotou a idéia. Dissemos que uma moça nos oferecera o passeio, e que ela estava ali na frente nos esperando para irmos ao local do aluguel. Fomos todos juntos em direção ao local no qual ela disse que estaria e chegando lá ela simplesmente tinha desaparecido. Ficamos meio chateados, pois Júlia perguntara a ela se ela sairia dali, e ela respondera que não. Além disso, ela não nos dissera o nome da loja.

Olhávamos para um lado para o outro e nada. Fomos até numa loja que também alugava, mas ao entrarmos nos deparamos com preços bem mais altos. Voltamos para o local previamente marcado, e quando já estávamos desistindo, ela apareceu novamente. Dissemos que queríamos alugar, e então começamos a segui-la em direção à loja. Caminhamos um pouco e quando olhei para trás Marcelino estava conversando com outra mulher. Fiquei olhando, e de repente Júlia também se juntou à conversa. Resolvi então voltar e ver do que se tratava. Fui então informado que esta outra moça também estava oferecendo quadricículo. O preço era AR$ 200,00 pesos por um passeio de uma hora e meia, mas segundo ela os quadricículos eram bem melhores e mais novos. Nossa, a concorrência estava acirrada. Pode até ser estereótipo, mas esta segunda moça estava muito bem vestida e com uma aparência ótima, o que transmitia a idéia de que representava realmente uma loja melhor estruturada, diferente da primeira.

Aventura de quadricículo Aventura de quadricículo

Ficamos um pouco indecisos, e decidimos então seguir as duas! Primeiro iríamos na loja que tinha o preço mais baixo, se não gostássemos iríamos para a segunda. Ao chegarmos à loja indicada pela rastafári percebemos que realmente os equipamentos não eram lá essas cosias. Os pneus estavam um pouco carecas e as motos tinham somente 150 cilindradas, além de terem um certo aspecto de velhas. Pra piorar as coisas a pessoa disse que não aceitavamtarjeta. Após insistirmos ela disse que poderia passar a tarjeta em outro local, mas teria de cobrar o taxa a mais por isso. Não sabia dizer quanto era exatamente a taxa e disse que iria verificar. Como já estávamos descontentes com a qualidade do equipamento, decidimos ir logo para a segunda opção. Lá chegando pudemos ver que os quadrcículos eram realmente muito melhores e mais potentes. Dissemos que iríamos fechar negócio e então a pessoa que efetiva o aluguel foi chamada. Para nossa surpresa a pessoa que n os atendeu disse que havia ocorrido um erro na informação, e que na verdade o preço era AR$ 300,00! Ficamos super chateados e zangados, e logo demos as costas e fomos nos dirigindo de volta à primeira opção. Percebendo que estava perdendo os clientes ele logo veio pedindo desculpas e dizendo que a moça que nos abordara não trabalhava com ela, e somente ficava oferecendo pra ganhar uma comissão. Essa espécie de gerente completou em bom português que era brasileira e que não enrolava turista e pediu desculpas. Mesmo assim dissemos que iríamos para a outra opção, e ela então disse que faria o preço de AR$ 200,00 pesos por quadricículo. Confirmamos se poderia ser no cartão como a moça que nos oferecera disse, e aparentemente mais uma vez surpresa disse que não aceitavam cartão. Ela nesse momento olhou para a moça que nos trouxera ali com um olhar de reprovação. Sinceramente até hoje não sei se tudo aquilo foi jogada para conseguir alugar por mais ou se realmente a moça que nos oferecera estava com os preços errados.

Mas uma vez ameaçamos ir embora, quando a brasileira disse que daria um jeito. Conversou com o proprietário e ele disse então que poderíamos passar o cartão no posto de gasolina com os valores que pagaríamos a ele, pois ele todo dia abastecia os quadricículos. Tudo combinado, entramos no escritório para preencher uma ficha e pegarmos os capacetes.

Subimos na moto que ficavam no estacionamento e na frente da loja e iniciamos o passeio. Além de nós seis havia mais duas pessoas em outro quadricículo nesse passeio, e o guia que ia à frente. Logo nos dirigimos para uma região pouco movimentada e com estrada de barro. Passamos por alguns pequenos sítios e algumas pequenas mansões e logo depois entramos num atoleiro para fazer um off - road. Havíamos alugado três quadricículos. Cada casal ia em um e Wesley e Marcelino em outro. Revezaríamos a pilotagem e o que estava na garupa ia tirando fotos e filmando.

As motos de quatro rodas andavam bem e o trajeto alternava entre estradas de barro e pequenos barreiros, o que dava uma boa emoção. O guia sempre ia na frente e indicando quando devíamos diminuir quando vinha algum outro veículo na outra mão ou quando havia algum obstáculo mais complicado. Trocávamos a ordem dos quadricículos de vez em quando para que todos saíssem nas fotos nas mais variadas situações e também revezávamos a filmadora esportiva de Junior.

Paramos depois de algum tempo pilotando no local que era mais ou menos o meio do trajeto e saltamos para tirar umas fotos. Após algumas explicações Wesley e Cris pegaram o jeito da coisa e os que estavam pilotando agora iam na garupa. Se não me engano o trajeto de retorno foi o mesmo da ida, com a diferença que passamos por um rio muito bonito no qual paramos para tirar fotos. Além disso, passamos pelo mesmo rio em outro ponto onde pudemos cruzar o leito pilotando, dando um aspecto ainda melhor de rally (risos).

Após cerca de uma hora e meia estávamos de volta à loja e entregamos os equipamentos. O proprietário nos disse então que o local no qual passaríamos o cartão ficava a vinte quilômetros dali. Percorreríamos então quarenta quilômetros para ir e voltar. Devido ao horário avançado e ao nosso desejo de subir a montanha, perguntei então se não poderíamos deixar um documento e quando descêssemos da montanha irmos passar o cartão. Ele tranquilamente disse que sim e deixei minha carteira de motorista e seguimos.

Primeiros passos no ski Primeiros passos no ski

Fomos então em direção a um dos teleféricos. Chegando no primeiro ele nos disse que o valor era AR$ 130,00 pesos para o passe diário, com o qual poderíamos subir e descer quantas vezes quiséssemos. Entretanto para nós não era interessante por que só desejávamos subir uma vez para dar uma olhada e tirar umas fotos. Fomos então ao teleférico que era fechado, tipo o do Cristo Redentor do Rio. Chegando lá ela nos disse que estava ventando muito e por isso só estavam subindo até a metade do percurso, e que o preço era AR$ 120,00 para uma subida e uma descida. Perguntei então se já que estava subindo só até a metade se o preço também não era a metade, e ela sorrindo disse que não.

Todos acharam caro, e decidimos ir a outro que segundo Júlia custava AR$ 50,00 pesos. Como a área da parte baixa do Cerro Catedral é um pouco grande, demoramos alguns minutos para irmos do local onde estávamos até o outro teleférico. Chegando lá vimos que o preço era realmente o que Júlia tinha dito, mas não estavam mais realizando subida, pois os ventos lá e cima já estavam em cento e vinte quilômetros por hora. Lamentamos, e ao ouvir isso fiquei imaginando nós naqueles teleféricos abertos no alto da montanha balançando muito com um vento tão forte assim. Era perigoso e era compreensível que interrompessem a subida. Tristes, ficamos sem saber o que fazer exatamente e fomos perambulando e olhando uma coisa o outra. Junior então lançou a idéia de alugar um ski para tentar aprender a andar, e Cris topou. Eu já naquela altura achei que não valia a apena, pois já era quase quatro horas da tarde e começava a chuviscar. Mesmo assim os dois estavam empolgados e prosseguiram na idéia. Devido ao horário avançado, conseguiram alugar o equipamento por AR$ 50,00 pesos. Logo estavam calçados com a bota e carregando o ski. Primeiro tentaram ali numa parte plana, próximo à loja, os primeiros movimentos.

Após alguns minutos seguiram para um local de aprendizagem que já tinha uma certa inclinação, e era bem melhor para quem estava aprendendo. Devido à chuva, boa parte do gelo já estava aguado, mas mesmo assim eles puderam praticar e conseguiram se sair bem, ainda mais para quem estava tendo o primeiro contato e ainda sem professor. Como estávamos só acompanhando e tirando fotos, após cerca de meia hora nos molhando dissemos que iríamos tomar um chocolate quente. Júlia permaneceu com eles para continuar registrando tudo.

Quando nos encontramos mais tarde, eles nos contaram que tinham conseguido entrar na outra pista ao lado que também era para quem estava aprendendo e que lá tinham conseguido andar bem melhor. Estavam com cara de felizes por ter conseguido.

Após entregar o equipamento que haviam alugado seguimos para a loja de quadricículo para pegar o documento de volta de realizar o pagamento. Perguntamos então se o posto no qual iríamos passar o cartão era em direção à cidade. Quando ele nos afirmou que sim, como só restariam seis quilômetros para chegar à cidade perguntamos se não poderíamos fazer um acerto e ele já nos deixar na cidade, para não termos de voltar e pegar o ônibus. Acertamos então o valor de AR$ 50,00 pesos para os seis, e seguimos. Paramos no posto, passamos os cartões e voltamos para o carro. O dono da loja de quadricículos não chegava nunca (acho que estava no banheiro) e começamos a fazer brincadeiras. Dissemos que se ele demorasse muito iríamos dormir ali mesmo nos bancos de couro da pajero. Cris estava na mala, e não conseguia sair. Queríamos chamar o motorista e avisar que já estávamos prontos e não o encontrávamos. Se demorasse mais um pouco íamos dirigindo nós mesmos. Contanto assim parece sem graça, mas essa foi uma daquelas situações que só faz sentido par quem está ali, na brincadeira. Eu sei que ríamos por demais, e por nada.

Ele enfim voltou e nos deixou a três quadras do nosso hotel. Entramos, e eu logo peguei um sapato e fui à loja de aluguel de roupas que era ali na mesma quadra para devolver o aparato.

Teleférico morro acima Teleférico morro acima

Voltei, os outros ainda estavam lá de perna estirada, e pouco depois alguns foram devolver também. Eu fiquei acessando a internet e vendo uns emails, e depois de todos reunidos decidimos Wesley, Marcelino e eu irmos no Crocodilo, que era ali na frente. Tomamos mais uma vez aquela cerveja deliciosa e voltamos para o hotel. O momento agora era de arrumação, pois no outro dia pegaríamos o vôo para Montevidéu. Aproveitamos o tempo também para copiarmos as fotos e depois Junior, Júlia, Wesley e eu ficamos vendo o filme 2012 enquanto Marcelino dormia e Cris viciada fiava no meu jogo do celular. Fomos dormir um pouco tarde, mas não havia problema, pois nosso vôo sairia às 13:00 horas, e dessa forma teríamos a manha do dia seguinte morta.

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