Relato de viagem

Montevidéu: uma cidade pacata e que parece ter parado no tempo

Embarcamos em salvador com destino a Montevidéu, tendo duas conexões: uma em Aracajú e outra em São Paulo. Como de praxe, os vôos atrasaram. O nosso embarque em Salvador que deveria ser 00:40, ocorreu à 01:30. Chegamos e Aracajú 40 minutos depois. O vôo de Salvador-Aracajú é realmente sem graça. Mal acaba de subir, já anuncia que vai começar a descer.

Chegamos à capital do estado de Sergipe, que tem um aeroporto muito acanhado, mas parecendo uma rodoviária. Era limpo, arrumadinho, mas bem simples. Ao entrarmos na sala de embarque a nossa surpresa foi que havia cerca de 200 pessoas e uns 100 assentos. Muita gente no chão, com criança e tudo, imagine a confusão! Nossa conexão inicialmente estava marcada para as três da manhã em Aracajú, mas ao chegarmos, no painel anunciava que o vôo tinha sido postergado para as 03:30 da manhã. Como já estávamos com sono, e sabíamos que não podíamos chegar a Montevidéu quebrados e com sono (pois não conseguiríamos conhecer a cidade e perderíamos o dia), decidimos então nos ajeitar num cantinho, e tentar tirar um cochilo. Entretanto, não podíamos correr o risco de dormir, e perdermos o vôo. Colocamos então o alarme para 15 minutos antes do horário previsto para embarque. Ou seja, faltava apenas 3 minutos pra tentar um cochilo. Tentamos, mas não conseguimos dormir. A zuada na sala era imensa, e o medo de perder o vôo também.

Montevidéu vista de cima Montevidéu vista de cima

 

Ficamos atentos, levantamos cerca de 20 minutos depois, e pra nossa surpresa, o vôo tinha sido novamente postergado para as 04:00 da manhã. Mais 20 minutos de tentativa de cochilo, e nada do vôo sair. Deu 5 da manhã, e finalmente fomos chamados para embarcar.

A duração do vôo para São Paulo era de 2 horas de 50 minutos. Os cochilos foram poucos, e eles sempre vinham acompanhados de torcicolos..rs.

Pousamos em São Paulo, e devido aos atrasos dos vôos anteriores, já estava quase em cima do horário do vôo com destino ao Uruguai. Encontrei Cris que mora em São Paulo, ficamos um pouco com ela, e seguimos direto pra sala de embarque. Dessa vez o vôo não era em um Airbus, e sim um avião menor, um Bombardier, semelhante a um Learjet, para 90 passageiros. Entretanto o avião em bem novo, e muito confortável. O vôo foi bem tranqüilo e confortável, com a ressalva de que a alimentação era paga! A partir desse vôo, já estávamos num ambiente estrangeiro, pois as comissárias de bordo falavam espanhol, assim como a maioria dos passageiros.

 A chegada no Uruguai e o extravio da bagagem

Ao desembarcar, passamos pela imigração, onde recebemos o tão desejado carimbo de “entrada no Uruguai”. Tudo aconteceu sem problemas, até ir para esteira esperar por nossas preciosas bagagens. Esperamos, esperamos e nada delas aparecerem! Começamos a ficar preocupados, pois um extravio de bagagem numa viagem internacional seria um transtorno muito grande. Parece que eu estava pressentindo esse acontecimento, pois decidi ir com meus três principais casacos de frio no próprio corpo, pensando que se justamente houvesse um extravio, eu (Amon) pelo menos ficasse com as principais roupas de frio na mão. As bagagens extraviadas foram: a minha, a de Wesley e a de Marcelino.

Aeroporto Carrasco Aeroporto Carrasco

 

Dirigimo-nos então para o setor de bagagens perdidas, com a esperança de que elas ainda estivessem naquele belo e recém construído aeroporto perdida em algum cantinho. Infelizmente,  não estavam. Deparamos-nos num país desconhecido, sem lenço, só com documentos e a roupa do corpo. Preenchemos um formulário de solicitação de procura de bagagem, e recebemos da atendente a informação que ela ligaria para o hotel caso elas fossem encontradas.

Depois desse transtorno, o qual sempre encarávamos com piadas, divertido e fazendo chacota de nossa própria situação, me deparei com uma surpresa muito boa. A Cristiane, que reside em são Paulo e que no período de preparo da viagem disse que não poderia ir conosco, simplesmente apareceu ali. Todos haviam tramado essa surpresa, inclusive haviam inventado que um amigo de meu pai viria conosco (por que reservei os hotéis também pra ele), que era na verdade parte do plano para esconder a surpresa dessa pessoa querida que também participaria dessa nossa aventura.

Já que não podíamos fazer mais nada em relação à bagagem, só nos restava esquecer momentaneamente e ir curtir a cidade. Fizemos um cambio de Real para Pesos Uruguaios, que atualmente é uma moeda bastante desvalorizada. Com 50 reais, compramos 463 pesos. Tomamos então um ônibus que nos deixaria na porta do nosso hotel. O hotel era como esperado. Organizado, limpo e confortável, tudo certo. deixamos as bagagens (aqueles que ainda tinham uma), e fomos pra rua, conhecer a cidade, que é o que nos interessa. Fomos num shopping, almoçamos e depois partimos de ônibus para Pocitos, uma praia urbana bonita e bastante movimentada da capital uruguaia. A beleza é questionável, pois comparada às praias do nordeste brasileiro, não são tão belas assim. O surpreendente nessa jornada é que podemos perceber que a maioria dos veículos de Montevidéu, assim como as construções são antigos, dando a impressão muitas vezes que a cidade parou no tempo.

Infelizmente vou ter de interromper este relato, pois no momento que escrevo este relato recebi um telefonema da portaria do hotel informando que as nossas queridas bagagens estão na portaria nos aguardando!! Mal pude acreditar! Agora não mais me sentindo uma pessoa sem lenço e sem documento, continuo esse relato muito mais aliviado.

Praia de Pocitos

Nas areias de Pocitos Nas areias de Pocitos

 

No passeio pela praia de Pocitos, ao qual me referi,  demos uma caminhada na praia, tiramos muitas fotos, especialmente Marcelino, que inaugurava sua câmera nova e se enebrecia com a quantidade de recursos da mesma. Parecia uma criança com seu novo brinquedo. Neste local também há uma espécie de praça, ao lado da praia, que estava muito movimentada, cheia de casais com seus chimarrões e garrafinhas térmicas, e de jovens com seus possantes (pelo menos eles acham que é rss) exibindo os roncos dos carros que algum dia podem até ter sido considerados destaque. Montevidéu demonstra ser uma capital pacata, com uma gente aparentemente tranqüila e  tímida, fato que pudemos perceber quando fomos um mercado e todos nos olhavam devido a belas risadas que saltávamos com piadas que só nós entendíamos.

Praia de Pocitos Praia de Pocitos

 

Eles nos olhavam com cara de surpresa, como se se expressar de forma farta a alegre não fosse muito comum por lá. Depois desse dia longo, ainda arranjamos tempo pra cantar um parabéns para meu pai, Marcelino que faz aniversário hoje. Trouxemos um bolinho do Brasil, com duas velas e tudo! Foi Uma festa reservada, somente podendo entrar aquele que tivesse um passaporte brasileiro e uma passagem para o fim do mundo na mão! Agora vamos dar uma pesquisada na internet para definir nosso roteiro de amanhã, que inclui a transferência de nosso QG para Buenos Aires. Fico por aqui, e se tudo der certo, amanhã tem mais.


Veja este álbum com mais fotos de Montevidéu

 

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