Relato de viagem

Piedras Blancas e Ski bunda em Bariloche

Conforme acertado no dia anterior na agência, a van do passeio nos pegaria às 10:30 da manhã. A idéia então era levantar cerca de 09:30 para tomar o café e separar o que íamos levar. O desayuno do hotel era servido num amplo salão, com cadeiras rústicas e bonitas, mas a variedade do café da manhã não era de encher os olhos. Tínhamos à nossa disposição um tipo de pão doce, torradas, suco, café com leite, presunto, queijo, iogurte, geléia e chocolate. Entretanto o que dificultava o nosso acesso a esses desejados itens era o sistema criado pelo hotel onde havia um funcionário que servia cada pedido. Isto pode até parecer elegante e cortês por parte do hotel, mas na prática fazia com que não conseguíssemos ter acesso livre ao que desejávamos. A demanda era grande e os dois funcionários não davam conta. Dessa forma tínhamos de esperar muito para efetivamente saborear os alimentos. Um desses dois funcionários era justamente aquele que estava na recepção de madrugada e que se passara por recepcionista sem ter essa autonomia.

Café tomado, poucos minutos depois um funcionário da agência apareceu no saguão do hotel e anunciou o sobrenome Santana. Neste momento Marcelino abordou o motorista e disse que uma pessoa que inicialmente não iria para o passeio, Júnior,  mudara de idéia e perguntou se haveria problema em ele ir e na volta efetuarmos o pagamento do translado. O motorista cordialmente disse que não e somente lembrou que não haveria espaço suficiente na van, e por isso deveríamos nos apertar ou alguém ir no colo. Como o embarque se deu muito rápido, Junior terminou embarcando no assento ao lado do motorista e Cris foi no meu colo. Brinquei que então que ele me devia em torno de cinqüenta pesos, o peso de Cris (risos).

Preparados para a descida do ski bunda Preparados para a descida do ski bunda

O ski-bunda era realizado em pistas de neve, escorregando num aparato de plástico que tem uma alavanca considerada em muitos momentos obscena. As decidas eram realizadas num cerro chamado Piedras Blancas. Cerros são os locais onde as pessoas praticam esportes de neve e que ficam no alto ou no meio das montanhas. Em Bariloche existem cerca de vinte cerros.

O trajeto até o Piedras Blancas era basicamente uma subida serpenteando a montanha. Diferentemente de Ushuaia, não havia neve na pista, nem mesmo na subida da montanha. Ela só foi aparecer bem próximo ao local da atividade. A subida era íngreme e nos permitia uma vista belíssima da cidade, do lago de Bariloche e de outras montanhas. O percurso demorou cerca de 40 minutos, e ao desembarcar visualizamos um cenário parecido com o Cerro Castor.

Ao saltarmos nos deparamos logo com um ônibus de neve. Não era muito grande, devia caber cerca de quinze pessoas, e era utilizado para passeios na neve. Como se tratava de um veículo dificílimo de se ver por aí, todos quiseram tirar fotos. Além do snow-bus, nos chamava a atenção a quantidade de pessoas se divertindo naquele cerro. Parecia um parque de diversões todo pintado de branco. Havia um restaurante, um local de atendimento médico, o local onde se retirava o equipamento do ski-bunda, assim como uma loja de venda de equipamentos em geral.

Como alguns estavam com mochilas, tentou-se encontrar um local para deixar as mesmas. Logo se desistiu dessa idéia ao se constatar que era cobrado um preço muito alto. Entramos na fila de retirada do ski, e logo fomos para a outra que dava acesso ao teleférico que nos levava para o local de onde se desce.

Subindo o teleférico para o cume da montanha Subindo o teleférico para o cume da montanha

A todo tempo observávamos as pessoas descendo e pudemos constatar que havia desde crianças de cinco anos até pessoas mais velhas. Por tanto se mostrava como algo simples e sem perigo. Havia várias pistas e aparentemente cada uma tinha um nível de dificuldade. A primeira providência foi prender a câmera de esportes de Junior no seu braço para que ele pudesse filmar a descida de forma mais prática. Feito isso sentamos todos no equipamento e já fomos escorregando ladeira abaixo. Diferentemente do que imaginávamos a descida alcançava uma velocidade muito boa dando uma ótima adrenalina. Claro que essa velocidade dependia de quem conduzia não ficar freando com os pés e deixar o ski embalar. A primeira pista que descemos foi a um, e foi uma das mais divertidas. O esporte era prazeroso demais, e dávamos muitas risadas. Brincávamos, caíamos e nos molhávamos muito na neve. Parecíamos novamente crianças, como em Ushuaia. O inventor daquela modalidade foi muito feliz, pois para praticá-la não era necessário nenhum equipamento caro e era super fácil, além de muito divertido. Para fazermos as curvas sinuosas seguimos as instruções expostas no cartaz lá no ponto de partida e projetávamos o peso para o lado. Como a velocidade alcançada era razoável, muitas vezes não conseguíamos fazer a curva, e batíamos direto num amontoado de neve, como num desenho animado. Nesta primeira descida Junior que estava com a câmera descia um pouco na frente e ficava nas curvas esperando nossa passagem para filmar. Vários “acidentes” ocorreram, inclusive deixando a barba de Marcelino completamente cheia de neve. As risadas eram intermináveis, assim como a alegria.

Após fazer a primeira descida, estávamos já ansiosos pela segunda e já nos perguntávamos se as seis incluídas no pacote seriam suficientes para a nossa vontade. Naquele momento gostaríamos que pudéssemos descer muito mais vezes, pois era muito prazeroso. Além das seis decidas, também estavam incluídas no preço de AR$ 150,00 pesos as subidas no teleférico, além do translado que custara AR$ 57,00 pesos, perfazendo o total de AR$ 207,00.  No momento que retiramos o ski num guichê recebemos uma espécie de passe com seis marcações. Cada marcação era perfurada no embarque no teleférico, permitindo que a empresa controlasse a quantidade de descida de cada um.

Sem camisa a -10 graus Sem camisa a -10 graus

A próxima descida foi na pista dois, que pelo mapa explicativo aparentava ser mais radical. Trocamos a filmadora e dessa vez eu desceria filmando. Fizemos paradas mais demoradas nas curvas com o objetivo de fazer fotos de cada um descendo, além das filmagens. Como na descida o contato com a neve era constante e somente Wesley e eu estávamos com calça impermeável alguns já começavam a sentir frio e ficar com as roupas molhadas.

A pista dois era muito boa, mas devido a inúmeras paradas para registros terminamos não conseguindo embalar muito. Combinamos então que desceríamos as quatro pistas e depois repetiríamos as duas melhores com as duas descidas que restariam. Durante essas decidas vimos alguns quase acidentes. A pista era na montanha, e não havia muitas proteções nas curvas e laterais das mesmas, facilitando acidentes. Vimos um que varou a curva, saiu da pista e quase desce ribanceira a baixo, ficando preso numa fraca redezinha de contenção que por sorte não cedeu. Além disso, choque entre pessoas eram relativamente comuns, pois alguns desciam com mais velocidade que outros, e nem sempre a técnica mostrada no cartaz de frenagem era executada com muito sucesso.

A terceira e a quarta pista não eram tão boas, pois não permitiam uma velocidade muito boa, nos forçando inclusive em alguns pontos a levantar e ter de caminhar até um ponto com maior inclinação. Além disso, Cris e Júlia já estavam bem molhadas e sentido muito frio. Eu também senti bastante frio nas mãos que chegaram, assim como a de outros, a ficar sem sensibilidade, pois a luva era de couro, e na terceira descida já estava toda encharcada. Mesmo assim todos estavam adorando e nem pensavam em deixar de completar as seis descidas que tinham direito. Na terceira descida Wesley levou a filmadora presa no punho e Cris subiu um pouco antes para entrar na fila que dava acesso a tirar caríssimas fotos com um lindo boneco de neve. A fotógrafa tirava as fotos do turista com o boneco de neve sem ter de pagar nada naquele momento, e quando descia no momento de ir embora o interessado passava no escritório e via as fotos prontas. Se gostasse pagava incríveis AR$ 30,00 pesos por cada foto. Cris mesmo achando caro desejava muito tais fotos e comprou duas.

Descendo de ski bunda Descendo de ski bunda

Como era de se esperar, depois de descer as quatro pistas repetimos a um e a dois, que eram as melhores. Após as seis descidas, já cansados e alguns doloridos com alguns trombos entregamos o ski e ficamos aguardando alguns minutos para embarcar novamente na van.

Fomos deixados de volta no hotel e logo trocamos de roupa, pois as utilizadas durante o ski estavam molhadas. Marcelino, Wesley, Cris e eu fomos ao restaurante Crocodilo, enquanto Júlia e Junior decidiram ficar no hotel. Comemos uma boa refeição e novamente tomamos uma deliciosa cerveja da patagônia. O garçom sempre divertido e brincalhão perguntou se estávamos satisfeitos, e para “completar” a satisfaça de Marcelino fez uma engraçada massagem em seus ombros, de brincadeira.

Após aquele dia divertido ainda encontramos disposição para novamente passear pelas ruas de Bariloche à procura de coisas com bons preços e também simplesmente contemplar a vida noturna. Aproveitamos para passar na agência para pagar o translado de Junior que embarcara “clandestino”. Nosso próximo compromisso era decidir o que faríamos no dia seguinte. Após muitas idas e vindas, discussões e visitas a duas agências decidimos que iríamos para o Cerro Catedral e lá decidiríamos o que faríamos. Pensamos que seria uma boa alugar roupas completas de neve, e saímos em busca.

ski bunda ski bunda

Algo que pensávamos que seria rápido nos tomou horas. Algumas empresas não aceitavam cartões, outras eram mais caras e outras estavam fechadas. Finalmente elegemos uma que estava com o melhor preço apesar de não aceitar a famosa tarjeta. Como a loja estava cheia, demorou muito tempo para sermos atendidos, principalmente devido a um cliente que com cerca de 150 quilos experimentou mais de dez roupas para tentar encontrar uma que conseguisse vestir. Meio chateados pela espera chegamos a tentar ir para outra, mas pelo horário já avançado e pelo preço terminamos esperando mais um pouco e alugando lá mesmo. Quando chegou nossa vez, tivemos alguma dificuldade, pois as botas eram meio estranhas. Não tinham lado, e ao calçarmos parecia que os pés estavam tortos. Além disso, nunca ficavam totalmente confortáveis. Ou ficavam apertadas, ou ficavam folgadas. Já sem paciência depois de quase três horas perdidas só para alugar essas roupas, diminuímos nosso nível de exigência e aceitamos as que estávamos calçados mesmo.

Com as roupas alugadas seguimos para o hotel. Júlia, Wesley e Junior viam um filme em quanto eu lia meu livro de desastre aéreo, Marcelino roncava e Cris já viciada jogava um joguinho do meu celular. Depois de algum tempo, e de copiar as fotos para os computadores fomos todos dormir.

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