Relato de viagem

A chegada em Nova Delhi, uma cidade rica e bem diferente de Mumbai. Será?

Pousamos no aeroporto de Delhi e logo ficamos entusiasmados, pois tudo era muito bonito e limpo, bem diferente de Mumbai. Depois do choque inicial na chegada em Mumbai ficávamos sempre numa sensação de suspense a cada novo destino que íamos na Índia. Meu celular mais uma vez pegou sinal rapidinho, recebendo uma mensagem SMS com um "Welcome to Airtel Mobile".

Como esse era um voo doméstico não tínhamos de passar por imigração e toda aquela problemática, era só sair do aeroporto, e isso era muito bom. O nosso problema agora era o mesmo que nos acompanhava desde a nossa chegada na Índia: o nosso voo de volta que provavelmente seria perdido devido ao problema com visto gerado na nossa entrada na Índia.

Desembarque no aeroporto de Nova Delhi Desembarque no aeroporto doméstico de Nova Delhi

Um terminal difícil de chegar

Como havíamos planejado ainda quando estávamos em Goa, a nossa ideia era ir diretamente no guichê da companhia aérea sul africana para tentar remarcar a passagem. Eu tinha olhado o site deles, e lá dizia que ele tinham operações em Délhi. Acontece que descobrimos ao chegar que o local que estávamos era somente para voos domésticos, e logo percebemos que teríamos de ir para o outro terminal.

Depois de receber muitas informações erradas um grupo de comissárias de bordo que ia passando terminou por me dizer que o terminal 3 ficava a mais de 10 quilômetros dali! Ora, então não era um outro terminal, mas um outro aeroporto! Foi então que compreendemos que a primeira pessoa que nos deu a informação na verdade nos disse para ir em direção aos táxis, para que pegássemos um e fôssemos até o terminal 3, mas esqueceu de nos dizer esse detalhe.

Aeroporto Indira Gandhi Terminal doméstico do aeroporto Indira Gandhi

Se ligue, Aqui não é Mumbai!

Chegamos novamente no local onde se tomava os táxis um taxista logo nos abordou. Ele me disse que seriam 900 rúpias para ir ao terminal três. 900 rúpias? Tudo isso? Logo me assustei por que em Mumbai tínhamos pago 900 rúpias para um tour de táxi de quatro horas e em Goa pagamos 1200 por um dia inteiro para um passeio pelas praias.

Esse preço era muito caro de acordo com o que havíamos nos acostumado. Eu pechinchei e perguntei se não dava para fazer 700. Ele fez uma cara de desdém e disse que não. Pelo jeito as coisas em Delhi funcionanvam de forma bem diferente e eram bem mais caras.

Como precisávamos chegar ao aeroporto internacional para tentar ir no guichê da companhia aérea South African de qualquer modo terminamos aceitando. Além disso, apesar de caro para o padrão indiano, ainda assim não era tão caro para nós, pois daria cerca de 9 reais para cada um. Fechado o negócio o taxista pediu que o seguíssemos. Parecia que o táxi estava um pouco distante dali.

 Hindustan Ambassador Hindustan Ambassador - foto: India Times

Aeroporto novo, táxi velho

Colocamos as mochilas nas costas e o seguimos por cerca de 100 metros até ver o carro, que nos decepcionou. Era um Hindustan Ambassador (modelo de carro fabricado pela Hindustan Motors) bem antigo e maltratado. Apesar de todos os problemas da Índia, até agora os táxis que havíamos tomado eram sempre bons, e posso até dizer que eram novos. Esse além de caro era velho!

Entramos no carro e o motorista começou um ré interminável. Ele andou tanto tempo de ré que tínhamos  impressão que íamos chegar no terminal 3 só de ré!

Depois dessa ré infindável começamos a andar pelas ruas de Delhi e o que víamos nos agradava bastante. Eram avenidas bonitas, largas, muito bem feitas, cheias de jardim, iluminação de primeira e tudo muito limpo.

Um aeroporto para causar inveja

Aeroporto Internacional Indira Gandhi Aeroporto Internacional Indira Gandhi - fonte: wikipédia

Ao nos aproximarmos do aeroporto ficamos estupefatos com a construção. Era simplesmente o aeroporto mais bonito e elegante  que já havia visto. Era surpreendente para nós que na Índia houvesse um aeroporto tão caro e que tinha o claro objetivo de  demonstrar ostentação. Isso evidenciava que o país tinha dinheiro, só que era altamente concentrado na mão de poucos, de forma a manter um desequilíbrio social muito maior que no Brasil.

Saltamos do táxi, e começamos a caminhar procurando uma entrada. Tudo era tão grande no aeroporto que nos sentíamos anões. Além do pé direito, as portas (que eram inúmeras) eram todas imensas, parecendo feitas paga gigantes. Todo o aeroporto era envidraçado, com um design altamente arrojado.

Caminhando pela frente observei que as portas ficavam fechadas com com um militar em cada uma delas. Quem ia entrar tinha de presentar passaporte e passagem. Assim, imaginei que como não tínhamos passagem saindo daquele aeroporto, provavelmente não poderíamos entrar. Foi então que vi, lá no final, uma outra porta com o título " visitors entrance " e nos dirigimos até lá. Nesta também havia militares e eu então disse que precisava ir no guichê de uma companhia aérea para resolver um problema com a passagem.

Do lado de fora do aeroporto Indira Gandhi - T3 Do lado de fora do aeroporto Indira Gandhi - T3

Após todo esse trabalho terminamos verificando que não havia guichê da companhia aérea South African Airways no aeroporto de Delhi. Ou seja, essa vinda no terminal 3 tinha sido em vão! Cabisbaixos concluímos que mais uma vez teríamos de adiar a solução do nosso problema em relação ao visto/voo que cada vez se tornava maior. Em último caso teríamos de comprar uma passagem de volta da China para o Brasil em cima da hora - o que seria caríssimo.

Como naquele momento não havia somo resolver mais, decidimos seguir para o nosso hotel em Delhi. Procuramos informações e fomos em direção ao local indicado para a tomada de táxis.

 

O TAXISTA não conhecia GPS

Chegando ao local percebemos que havia um guichê onde se pagava o táxi, para depois então pegar o mesmo. Quando estávamos na fila, um rapaz nos abordou perguntando se queríamos táxi. Meio surpresos eu disse que sim, e ele então disse que fôssemos com ele, logo vimos que o veículo dele que estava estacionado do ladro contrário de onde estava a fila de táxis. Meio incrédulo eu perguntei se o carro dele era realmente um táxi e ele me garantiu com toda certeza, inclusive me disse que a faixa verde no teto é que definia se um carro era táxi ou não.

Ruas bonitas de Delhi Ruas bonitas de Delhi

Ainda meio preocupado, fiquei procurando o taxímetro, e quando me aproximei da porta dianteira vi instalado no interior e então contei aos outros. Tendo certeza que era um táxi e que não estávamos entrando numa fria eu então mostrei a reserva do hotel e perguntei quanto custaria. Ele me disse que custaria 900 rúpias! Hora, esses táxis são tabelados é (pensei)?

Perguntei então a ele qual era a distância aproximada até o destino e ele disse 13 quilômetros, distância essa que era semelhante à distância que havíamos percorrido do aeroporto doméstico para o internacional. Como a distância era semelhante, aceitamos que o preço fosse o mesmo. Logo o motorista começou a dar sinal de que não sabia exatamente no endereço do nosso hotel. Pediu o papel da reserva de novo, olhou, olhou e vendo eu com o celular na mão pediu que eu ligasse para o hotel! Eu logo disse que meu celular não estava funcionando na Índia (funcionava, mais seria muito caro essa ligação), e ele então sacou o dele e ligou.

Passarela na avenida de Delhi Passarela na avenida de Delhi

Parece que a explicação que a pessoa do outro lado da linha deu a ele não foi muito boa, por que ele ainda não tinha ficado muito convencido. Eu então disse a ele que não havia problemas, que poderíamos ir pelo GPS. Ele olhou meio incrédulo e desconfiado. Eu disse que tinha o mapa da Índia no GPS do meu celular, e mostrei a ele que já tinha achado o hotel e que o GPS já estava dando as orientações de como chegar lá.

Esse mapa da Índia que eu tinha baixado ainda no Brasil era em 3D, então dava para ver as construções e tudo mais. Quando ele olhou para a tela e viu que nela continha todas as orientações, inclusive dizendo a distância, a hora estimada de chegada e a próxima interação (se virar para esquerda ou direita) ele se convenceu.

Ficou com os olhos brilhando de admiração, como nunca tivesse visto um GPS assim em ação, com o recurso chamado curva a curva. Eu então passei a segurar o smartphone virado para ele de forma que ele facilmente pudesse ir vendo as orientações. Ele olhava maravilhado para o dispositivo, e passou a observar uns detalhes e então perguntou se no canto inferior era a velocidade do carro dele, e eu disse que sim. Eu disse também que na parte de cima estava mostrando que ele estava acima da velocidade permitida naquela rodovia, que era 70 Km! Ele e eu sorrimos.

De repente a cidade acabou!

Desde que saímos do aeroporto só víamos avenidas e bonitas, construções bonitas, parecendo que estávamos em grandes centros europeus como Londres  ou Paris (ou até melhor que esses lugares). Estávamos de queixo-caído com a infra-estrutura da cidade, e como ela era limpa. Estávamos animados por que estaríamos numa cidade que parecia ser muito boa.

Rua do hotel Chanchal Rua do hotel Chanchal

Andamos vendo essas paisagens sempre muito belas, com avenidas largas e bem ajardinadas, meios-fio de primeira, só construções bonitas por quilômetros e quilômetros a fio, pois o aeroporto era bem distante do nosso hotel, até que quando estávamos chegando pertinho do local do hotel (de acordo com o GPS), parece que simplesmente a cidade acabou, entramos numa zona muito ruim. Era como se saíssemos do paraíso para o inferno (mesmo sabendo que nenhum dos dois existe).

Não foi algo paulatino ou gradual, mas drástico. Parece que havia uma divisão, onde de um lado ficava a parte bonita e de outro a parte horrível, pobre e suja. Nossa alegria durara pouco, pois parecia que o nosso hotel era realmente ali. Vale lembrar que apesar de ser muito ruim essa área, havia construções grandes e muitos hotéis. Não eram hotéis ruins ou mal construídos, mas hotéis com belas recepções, muito granito, portas de blindex  e seguranças na porta. Acontece que nessa região as ruas eram feias, sujas, e lotadas de gente, notadamente pobres.

Becos para chegar no hotel em Delhi Becos para chegar no hotel em Delhi(vídeo)

Do lado dos hotéis havia várias bibocas, gente vendendo coisas na rua, muitos tuc-tucs, muitos rickshaws  e muita miséria. É um contexto que não existe muito no Brasil, pois um hotel com a estrutura que o nosso tinha jamais seria instalado num local tão ruim (ou se fosse dificilmente teria hóspedes). Mas na Índia há esse contraste muito aparente e assustador. Meio assustados e decepcionados confirmamos que nosso hotel era realmente ali, com nome Chanchal Continental.

Não me separo do meu passaporte de jeito nenhum

Desembarcamos as malas e pagamos ao motorista. A sensação que estava no ar era: "de novo num lugar ruim".  Como já estava reservado e já era quase uma da manhã não iríamos procurar um outro hotel (que poderia, por exemplo, ser na parte bacana da cidade). Ficaríamos por ali mesmo. Começamos o procedimento de check-in e o recepcionista nos disse que não precisávamos pagar naquela hora, que podíamos ir para o quarto mas precisavam dos passaportes para tirar cópia e que na manhã do dia seguinte nos devolveria os mesmos.

Hall do hotel Chanchal Hall do hotel Chanchal

Achei aquilo muito estranho. Disse que não, que esperaríamos ele tirar a cópia. Ele disse então que a copiadora acabara de dar um defeito, e que não tinha como tirar a cópia naquela hora. Eu respondi que não nos separaríamos dos nossos passaporte. Que se fosse o caso ele tirava a cópia no dia seguinte. Ele então meio zangado disse que ia pedir para tirar a cópia em outro lugar. Deu os quatro passaportes para outro rapaz e deu as instruções.

Não fiquei muito satisfeito com aquela solução, pois se tem algo que um viajante no exterior não deve perder é o passaporte. Mas como ele insistia em tirar as cópias, eu disse que esperaríamos. Ele disse que ia demorar alguns minutos, e eu finalmente disse que esperaria o tempo que fosse necessário, mas não subiria para o quarto sem os passaportes. Felizmente tudo ocorreu bem, o funcionário voltou logo depois com os passaportes e as cópias e pudemos subir.

Um funcionário pegou algumas mochilas e foi na frente. Eu disse que não precisava, mas ele insistiu. Não fico muito tranquilo em ver alguém sair carregando minha mochila e sumir das minhas vistas, e isso aconteceria por que no elevador só cabiam três pessoas. Eu então entrei rapidamente no elevador e um outro funcionário saiu. Subimos eu, o rapaz carregando  as duas mochilas, e eu carregando a minha mochila de mão, enquanto os outros ficaram em baixo aguardando o elevador voltar.

O Quarto do Chanchal não era legal :-(

O hotel Chanchal parecia ter uma boa estrutura, mas quando chegamos nos quartos não ficamos muito felizes. Não era sujo, mas era velho e dava para ver que as coisas já estavam bem desgastadas e não tinha mais uma boa aparência. Logo Júlia, Marcelino e Viviane chegaram e pudemos nos acomodar. Os dois quartos eram um do lado do outro, e isso pelo menos foi bom. Após alguns problemas com a senha pudemos perceber que pela primeira vez nessa viagem tínhamos  uma internet boa, com velocidade adequada. O preço era barato ( 700 rúpias, cerca de 30 reais por pessoa, por dia),  é verdade, mas as coisas são baratas na Índia para quase todos os estrangeiros, devido à moeda fraca.

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