Relato de viagem

A fascinante e montanhosa Auli no Himalaya indiano

Ao colocar qualquer parte do corpo para fora das cobertas logo dava vontade de se cobrir novamente e ficar no quentinho. Viviane e eu nos enrolamos por algum tempo, mas chegou um momento que realmente deu vontade de levantar e encarar o frio lá fora. Estávamos em Auli, uma cidade muito isolada e encravada nas montanhas do Himalaya, próximo da fronteira da Índia com a China.

Levantei, rapidamente coloquei uns casacos, minha meia de lã e minha calça de frio e fui ver a cara do dia. Saí do quarto, passei pela área comum, depois fui para a varanda e fiquei deslumbrado com o que vi. Apesar de ter visto fotos e relatos sobre a beleza do lugar, a vista era surpreendente bela. Chegamos até Auli no dia anterior à noite e praticamente toda a parte da estrada nas montanhas percorremos já durante a noite e por isso não havíamos tido a oportunidade de ver com clareza esta vista espetacular.

A vida sem terreno plano

A cidade de Joshimath lá embaixo A cidade de Joshimath lá embaixo

Tanto a cidade de Joshimath quanto Auli ficam encravadas na montanha com uma inclinação acentuada. As estradas dessa região eram todas em um vai-e-vem de contornos que fazia com que andássemos cinco vezes mais em distância para chegar a qualquer lugar.

A nossa pousada ficava entre Joshimath e Auli, num penhasco de pedra, de onde era possível ver toda a cidade, um vale muito profundo e a belíssima cadeia de montanhas que fazem parte dos Himalayas.

Vista dos Himalayas

Estávamos a 2200 metros de altitude. Nesse horário da manhã o sol incidia na montanha, deixando-a amarelada e ainda mais bela. Dali de onde eu estava era possível ver algumas montanhas mais altas, com os picos coberto de neve, um vale longo e belo, estradas do outro lado do vale, que mais pareciam cobras de tantas curvas, o teleférico que leva turistas até a estação de ski, a linda vegetação da região e inúmeras escadarias que fazem parte do cotidiano dos locais.

Vista do Himalaya gelado Vista do Himalaya gelado

Empolgado com aquela vista fui chamar Viviane para que ela também pudesse desfrutar da mesma. Ficamos ali, os dois, maravilhados e tiramos algumas fotos juntos, para guardar aquele momento. Além de uma bela vista, naquela ponta da varanda de pedra que estávamos o sol estava incidindo sobre nós, e isso era muito gostoso por que aplacava o frio que aos poucos ia desaparecendo.

Café da manhã: peça o que quiser

Após alguns minutos apreciando o local voltamos para quarto e no caminho fui perguntado pelo proprietário da pousada de queríamos café da manhã. O esquema era novamente o mesmo. Não havia cardápio e eu dizia o que queria. Fui fazendo algumas perguntas até fechar o pedido: chocolate quente, parantha e torradas. Estava tudo muito gostoso, mas em pouca quantidade.

Depois de descansar bastante e organizar algumas coisas decidimos que era hora de batermos as penas pela redondeza. Como não tínhamos conseguido ficar hospedados lá em Auli, e lá era a parte mais bonita, logo concordamos de seguirmos para lá, andando.

Subindo a montanha de escada

Perguntamos no hotel qual era a distância até lá em cima e ouvimos que seriam 14 km pela estrada e 2 km pelas escadas. 2 quilômetros? Há, rapidinho chegamos lá, pensamos. Preparamos nossa mochila com água e alguns lanches, colocamos nossos casacos, gorros e luvas e rumamos para Auli.

Saindo do hotel vimos logo o acesso à escadaria e entramos. As escadarias são de concreto e aparentavam terem sido construídas recentemente. Eram bem feitas, robustas e com certeza uma conquista dos moradores da região. Essa escadaria seguia uma espécie de corredeira que descia lá de cima. Uma parte vinha numa espécie de canal também de concreto e outra parte encanada, provavelmente para abastecer a cidade.

Nativos nas escadarias de 2km Nativos nas escadarias de 2km

Essa escadaria ia fazendo curvas e desviando de obstáculos naturais e moradias, e caminhando por ela podíamos ver o dia a dia dos locais em suas diversas atividades.

Habitantes das montanhas dos Himalayas Habitantes das montanhas dos Himalayas(vídeo)

Tudo ali era bem típico. As roupas coloridas das mulheres, as casinhas com feno ou feijão no teto (para secar), os moradores cuidando de suas pequenas plantações e plantéis de gado (somente para leite e não para corte).

Apesar da língua inglesa ser uma das oficiais do país e de ser amplamente falada na Índia, em Auli a maioria dos moradores que ficam fora do centro da cidade de Joshimath não fala inglês. Os mais jovens já falam por que devem estar aprendendo na escola, mas a população adulta de uma forma geral não, com exceção daqueles que lidam com turistas ou trabalham em áreas ligadas a isso.

Na pousada que estávamos hospedados, por exemplo, um funcionário não falava, e toda vez que eu pedia alguma coisa ele chamava o dono, que falava fluentemente.

A beleza das montanhas de Auli A beleza das montanhas de Auli(vídeo)

Paisagem de National Geographic

A caminhada pelas escadarias morro acima estava sendo maravilhosa, bela e cheia de descobertas, mas estávamos chegando à conclusão de que subir 2 quilômetros de escadas não seria tão fácil quanto esperávamos.

Cansava bastante, ainda mais por que os degraus eram altos e por isso exigia bastante esforço. Achamos que pela estrada, apesar de andar mais, renderíamos mais, e assim o fizemos, saindo da escada e pegando a estrada, que da mesma forma era bela, bem cuidada e com uma natureza exuberante.

Caminhando pela estrada de Auli Caminhando pela estrada de Auli

Caminhávamos num ritmo bom, parando e descansando a cada 1 hora, além das pausas para fotos, que não podiam faltar. Passamos por bosques maravilhosos, com vistas deslumbrantes e recompensadoras. Sabe aqueles documentários que a gente vê na TV, em programas na National Geographic em lugares super remotos, com uma cultura totalmente diferente, longe de tudo e super inacessível? Bom, com certeza Auli é um lugar desses, e realmente tínhamos a sensação de estarmos muito distante de tudo.

Além de do outro lado do mundo estávamos num lugar muito inóspito e de difícil acesso, e por isso eu me sentia feliz de ter a oportunidade de chegar a um lugar tão difícil e ao mesmo tempo tão belo.

Chegando na estação de ski

Marcelino no Auli Ski Resort Marcelino no Auli Ski Resort

Caminhamos muito e enfim chegamos ao topo (onde se pode chegar andando). Estávamos no Auli Ski Resort, um hotel que fica anexado à estação de ski de Auli. Infelizmente, nessa época do ano que fomos ainda não estava nevando.

A neve chegaria dali a dois meses e por isso o resort estava praticamente vazio, pois o que traz os turistas para uma região de tão difícil acesso é o gelo, que ainda não tinha se apresentado naquele ano. O resort tinha uma grande estrutura, com centenas de quartos e instalações.

O nosso acesso ocorreu pela entrada principal e logo fomos à recepção. Perguntei se havia quarto disponível e qual era o custo. Surpreendentemente era mais barato do que a pousada que estávamos, a Nature Inn. Peguei um cartão com a atendente indiana simpática, perguntei se o teleférico estava funcionando e perguntei se era possível que ela chamasse um táxi para nós, e quanto custaria. Ela então ligou para um taxista e me passou o telefone. Acertei por 600 rúpias e ele disse que dali à uma hora estaria lá no resort.

Enfim uma comida gostosa na Índia

Aproveitamos o tempo livre e fomos para o restaurante do hotel tentar matar nossa fome. A estrutura do restaurante era muito boa, com construção de qualidade, bons móveis e um ambiente aconchegante.

Pedimos um cardápio e depois de muito olhar e perguntar Marcelino, Júlia e eu pedimos um chocolate quente para cada um e Viviane pediu um egg parantha (uma espécie de chapate - uma massa fina de pão com ovos), enquanto que Marcelino pediu uma sopa de macarrão (noodle soup).

Visual do Auli Ski Resort Visual do Auli Ski Resort

Viajar é descobrir e se arriscar, e dessa vez parece que acertamos. Tanto o chocolate quente, quanto a sopa e a egg parantha eram muito bons e rapidamente pedimos outras levas (repetimos três vezes). Comemos muito e apreciando um ótimo sabor, e só por isso já dava vontade de ficar naquele hotel, pois passaríamos bem.

Restaurante do Auli Ski Resort Restaurante do Auli Ski Resort

Conversamos e combinamos que passaríamos alguns dias naquele hotel, só faltava decidir quais dias exatamente. Enquanto ficamos comíamos o táxi chegou e saímos do restaurante pagando uma conta muito barata (200 rupias para cada - cerca de 8 reais) e muito satisfeitos. Agora seria só sentar e apreciar a vista durante  a decida de carro.

Entramos no táxi e um motorista alegre e sorridente nos recebeu. Estávamos descendo no horário que o sol começava a se esconder atrás das montanhas, o que ocorre um pouco cedo devido ao vale. Vim conversando um poço com o motorista tentando conseguir algumas informações que precisávamos, pois ainda era o nosso primeiro dia.

 

Uma descida com um visual mágico

Dirigindo pelas montanhas de Auli no Himalaia indiano Dirigindo pelas montanhas de Auli no Himalaya indiano(vídeo)

Perguntei sobre local para acesso a internet, atividades de aventura que era possível fazer naquela época do ano e algumas outras coisas. Devido à beleza monumental daquele trecho eu estava filmando toda a nossa descida. Ao fundo da filmagem podíamos acompanhar uma belíssima música indiana, que o motorista me disse ser "música para os deuses", nesse caso deuses hindus. A combinação de barriga cheia, paisagem esplendorosa, friozinho gostoso e uma bela música ao fundo tornou aquele momento perfeito. As mais de quatro horas de subida tinham sido vencidas descendo de carro em apenas 15 minutos.

Como chegar em Auli

O aeroporto mais próximo é o Jolly Grant, que fica a 270 km de Joshimath/Auli. Desse aeroporto você terá de ir de carro até Auli.

Há trens, mas nenhum deles leva até Auli. a única forma de chegar lá é realmente de carro e numa viagem que exige disposição. Apesar da dificuldade vale a pena.

Nós contratamos um táxi turístico e pagamos 375 dólares para ir 4 pessoas  (94 dólares americanos para cada). Para contratar esse serviço fale com Ajay Sharma:

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E-mail: ajay1933@hotmail.com
Telefones: +91 9910609111, +91 8527105493

 

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