Relato de viagem

A saga do trajeto da Tailândia até Hong-Kong

Depois de dias maravilhosos em Pattaya era hora de partir para o próximo destino: Hong Kong. Descemos com nossas mochilas, fizemos check-out e ficamos ali pelo hall principal ho hotel acessando a internet por alguns instantes. Para nossa surpresa, ao sairmos pela porta lateral do hotel, já na nossa frente havia um balcão de venda de serviço de táxi.  Fomos lá e acertamos para sairmos 11:30.

Passado algum tempo, o táxi apareceu, no horário combinado. Seguimos tranquilamente o nosso trajeto com direção ao aeroporto Suvarnabhumi, que era o mesmo no qual tínhamos pousado quando viemos de Délhi (Índia) quando eu, por hábito, resolvi checar os dados da passagem.

Despedida da linda cobertura do hotel em Pattaya Despedida da linda cobertura do hotel em Pattaya

Indo para o aeroporto errado

Percebi que estávamos indo para o aeroporto errado!  Quando li os detalhes da passagem vi que o nosso voo partiria do aeroporto internacional Don Mueang e não do Suvarnabhumi. Isso já havia acontecido numa viagem para a Europa. Confundimo-nos com horários e quando chegamos ao aeroporto de Lisboa o nosso voo já tinha partido e tivemos de pagar USD 200,00 por pessoa de diferença de passagem.

Para piorar o Don Mueang era 40 quilômetros mais distante. Foi então que eu expliquei o erro ao motorista e solicitei a mudança de itinerário. Como era de se esperar, ele disse que o preço da corrida seria outro, 500 baths a mais.

Não temos dinheiro para ir ao aeroporto certo

Além da distância ser maior, havia dois pedágios que na outra rota não teria. O problema estava então formado, por que não tínhamos esse dinheiro a mais, não em bath. Como eu já disse nos meus relatos, quando vamos chegando aos dias finais num país procuramos equalizar o que gastamos em dinheiro e em cartão de forma que nem fiquemos sem nenhum dinheiro em espécie e nem sobre muito dinheiro, por que sempre perdemos quando fazemos câmbio. Dessa forma, fora o dinheiro que já havíamos acertado (800 baths para o aeroporto) não tinha sobrado muito.

Todos começamos a procurar e contar todo o dinheiro que tínhamos na moeda local, mas não era o bastante. Eu falei com o motorista que não tínhamos em bahts a diferença, mas tínhamos em dólares americanos. Para minha surpresa ele não tinha ideia da cotação do dólar frente ao baht e por isso mesmo eu dizendo qual era a cotação ele não se sentiu seguro em aceitar.

Como o baht é bem desvalorizado em relação ao real e ao dólar, no final ele teria de aceitar no pagamento da diferença uma nota de dez dólares e o restante em bath. Mesmo assim ele não estava querendo e então eu pedi a ele que parasse numa casa de câmbio que eu trocaria por baths e estaria tudo resolvido.

O desespero e o motorista rindo

Com a mudança da rota necessária para chegar ao aeroporto correto eu tinha calculado no GPS o impacto de tempo, e para meu desespero, estava marcando que chegaríamos lá quase 16:00, sendo que nosso voo era às 16:30. Durante toda essa conversa o carro seguia andando, e por isso já tínhamos saído do centro da cidade, onde há um número incalculável de casas de câmbio. Depois de algum tempo conseguimos achar um estabelecimento que fazia câmbio, mas era um banco. Eu então saltei e rapidamente me dirigi ao interior do estabelecimento para tentar trocar os 10 dólares.

Highway na Tailândia Highway na Tailândia

Quando chego lá, vejo uma fila significativa e uma máquina de senhas, semelhante às que encontramos aqui nos bancos do Brasil. Cheguei a retirar uma senha, mas só consegui esperar dois minutos, por que percebi que a fila estava bastante lenta e a espera ali seria de no mínimo vinte minutos. Como não tínhamos esse tempo, eu saí da agência e voltei correndo pro carro e disse ao motorista que a fila estava muito grande e que faríamos o câmbio lá no aeroporto.

Apesar da nossa pressa  que já beirava o desespero, o motorista seguia super devagar, como se estivesse passeando. Eu disse a ele que estávamos com muita presa e que corríamos o risco de perder o nosso voo e ele riu. Sim, ele riu! Fiquei sem entender direito, sem saber se porventura ele não tinha entendido o que eu tinha dito ou se ele realmente estava rindo da nossa situação.

O taxista resolve parar

Marcelino ficava me aporrinhando para dizer a ele para ir mais rápido e eu dizia que já tinha dito isso ao motorista. Já não bastasse a nossa agonia que nos fazia olhar o tempo todo para o relógio o motorista para num posto para abastecer e no posto havia fila de carros!! Nossa, ficamos ainda mais perturbados. Marcelino já estava quase querendo bater no motorista ou até tomar a direção dele e ir correndo, mas tivemos de segurar nossos ânimos.

Posto Seven Eleven Posto Seven Eleven

Pelo que tínhamos observado nos dias anteriores não era comum ter fila nos postos. Talvez fosse por que ele ia abastecer a gás natural, que tem uma procura maior. Eu não podia também dizer a ele para ir para outro posto por que poderia ser que em outro posto houvesse uma fila ainda maior e tudo que não podia acontecer naquele momento era faltar combustível no meio da estrada.

Fazendo cara de mau

Depois de intermináveis minutos na fila, enfim o carro foi abastecido e eu novamente disse ao motorista que a situação era séria e que ele tinha de ir o mais rápido que pudesse. Ele novamente riu, me deixando zangado. Eu então querendo intencionalmente demonstrar mal humor e seriedade disse  “what’s so funny?” (o que é tão engraçado?) e ele então parece que percebeu que a coisa era séria, começou a andar numa velocidade maior.

Ainda assim essa velocidade maior não era tão rápida e Marcelino voltou a dizer que eu tinha de insistir para que ele andasse mais rápido. Acontece que eu não podia dizer ao motorista que andasse numa determinada velocidade, até por que podia ser uma infração de trânsito e nós não tínhamos o direito de fazer tal exigência. Eu seguia monitorando no GPS, que ia sempre me dizendo, baseado no histórico e na velocidade atual qual seria a hora estimada de chegada. Aos poucos essa estimativa foi melhorando, informando que chegaríamos cerca de 15:00 horas. Ainda assim estávamos muito preocupados e então eu pensei que se ao chegarmos lá eu fosse procurar, dentro do aeroporto, uma casa de câmbio podia me prejudicar, pois os outros seguiriam para o guichê de check-in e ninguém poderia fazer o check-in por mim.

Aeroporto de Don Mueang Aeroporto de Don Mueang

Eu não queria correr esse risco e então disse ao motorista que acreditasse em mim, que 10 dólares valiam 280 bahts e que eu daria 50 baths a mais para que ficasse tudo certo (usando os 10 dólares e somando tudo tínhamos 50 bahts a mais, mas sem o dólar faltaria dinheiro). Vendo que realmente estávamos preocupados em perder o voo  ele terminou por aceitar. Quando desembarcamos fomos rápido para o balcão de check-in só não perdemos o voo por que houve um atraso no mesmo, que terminou nos salvando.

Lição para planejamento de viagem

Check-in da AirAsia lotado Check-in da AirAsia lotado

Nesses procedimentos de check-in e embarque você não pode fazer cálculos de tempo muito curtos e exatos, pois muitas vezes acontecem surpresas. Por exemplo, no aeroporto de Délhi, depois que fizemos check-in, gastamos quase 40 minutos para chegar ao avião, entre imigração, checagem e bagagem, diversas conferências de passaporte e deslocamento até o portão de embarque, que era bem longe.

Em outra viagem, voltando do Uruguai, por questão de minutos quase perdemos o nosso voo. Na checagem de bagagem, o funcionário implicou com a mochila de Marcelino e fê-lo tirar tudo, item a item para ele olhar, o que tomou um grande tempo. Naquela viagem chegaram a chamar o nossos nomes no sistema de som do aeroporto, informando que era a última chamada antes da decolagem.

Felizmente deu tudo certo devido ao atraso e embarcamos com tranquilidade. Mais uma vez mudaria tudo: idioma, moeda, cultura, paisagem e tudo mais.  Era isso que nos alimentava, pois adoramos mudança. Tínhamos tido uma excelente experiência nos dias na Tailândia, e agora estávamos com a expectativa em alta.

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