Relato de viagem

A verdade sobre Templo dos Tigres e a visita ao restaurante temático Koh Lanta Suvarnbhumi

No nosso terceiro dia na Tailândia programamos visitar o Famoso Templo dos Tigres. Nesse templo tigres convivem com Monges supostamente de forma pacífica. Pelo menos essa é a propaganda divulgada. Esse templo fica a 165 quilômetros da Bangkok e por isso nossa viagem até lá seria um pouco longa. Saindo de Bangkok pegamos a Route 338 e percorremos 165 km para chegar àao Saiyok District.

Coincidentemente, dois meses antes da nossa viagem para a Ásia o Globo Repórter fez uma matéria sobre esse templo. O título de chamada era: “Globo Repórter visita um dos lugares mais bonitos do planeta: a Tailândia”. Fico feliz de saber que conheci um dos lugares mais bonitos do planeta!

trajeto para o Tiger Temple

Acesso ao templo dos tigres Acesso ao templo dos tigres

Além de toda a região de Bangkok que havíamos visitado ser bonita e bem cuidada, nos impressionamos pelo fato de mesmo andando quase três horas de estrada continuarmos vendo tudo bonito, bem cuidado e num alto padrão.

A estrada era de primeira assim como as construções, postos e tudo mais que víamos pela janela do carro. Além disso tudo podíamos ver diversas placas com a foto do rei e diversos monumentos e estruturas com uma arquitetura real e cheia de homenagens ao monarca.

 

Quem precisa de um rei?

Foto do rei pelas estradas Foto do rei pelas estradas

A princípio a concepção de um rei não soa algo saudável em nenhuma sociedade, pois não há sentido nenhum em uma população sustentar uma família real e o monarca ser rei simplesmente por que é filho de alguém que já foi rei, sem nunca ser eleito pela população, como se ele fosse alguém com mais direitos que seus pares. Isso vai de encontro a tudo que penso em relação à justiça social, democracia e representatividade. Apesar disso, quando questionado Swan disse que na Tailândia todos amam o rei. Não tive como avaliar se essa opinião é geral.

O templo virou um comércio

Ao chegarmos ao acesso principal do templo do tigre pudemos observar uma série de veículos de turismo, lojinhas de souvenirs e lanches. Tudo isso demonstrava que aquele templo já tinha tornando-se um comércio puramente venal.

Pagamos 600 bahts por pessoa (cerca de R$ 43,00) e passamos pelo portão principal. Swan não entrou para não ter esse gasto e provavelmente por já conhecer. Após passar pela entrada achamos meio estranho o fato de não haver nenhum funcionário ou informação.

Seríamos comida de tigre?

O templo ocupa uma área bem grande e na parte inicial havia algumas árvores, chão de barro e alguns animais soltos, como vacas, veados e porcos que mais pareciam javalis. Não havia muita sinalização então resolvemos simplesmente ir andando.

Não nos haviam explicado nada sobre como funcionava, e apesar de não acreditar que fosse ser possível, pensei na possibilidade de haver um tigre solto por ali! Rapidamente voltei atrás na minha suposição e pensei que não fariam algo assim, pois seria muito perigoso. Mais adiante vimos que havia um aglomerado de pessoas, o que me tranquilizou.

Escravizado e acorrentado desde filhote

Ao nos aproximarmos da aglomeração de pessoas vimos que havia algumas funcionárias e uma fila para acariciar e tirar foto com um filhote de tigre. O filhote apesar de não estar numa jaula estava acorrentado e era o tempo todo acariciado e chamegado pela funcionária que conduzia todo o processo.

Filhote acorrentado Filhote acorrentado

Somente uma pessoa de cada vez podia interagia com o animal e era ela mesma que tirava as fotos de quem o acaricivava, indicando o que podia e o que não podia ser feito.

A informação que eu tinha tido era que os tigres eram criados livres e em harmonia com os monges e mais uma vez eu estava me decepcionando, pois a realidade não era essa.

O animal estava ali, ainda filhote, como se fosse um objeto para ser fotografado, e pior, acorrentado. Não quis entrar na fila para tirar fotos mais Júlia quis. Aguardamos e logo chegou a vez dela.

Depois desse espaço visitamos outras áreas onde havia hipopótamos vivendo soltos, além de outros animais livres passeando. Terminamos por descobrir então uma placa que orientava sobre a direção de onde ficavam realmente os tigres. Era uma espécie de cratera, onde havia toda uma estrutura e uma centena de pessoas.

Acesso à área dos tigres Acesso à área dos tigres

O CONTATO COM OS PRISIONEIROS

Para interagir com os tigres adultos cada um devia entrar numa fila, dar sua câmera para um funcionário que o tempo todo acompanhava o visitante.

Esses funcionários deviam ser pessoas com as quais os tigres se relacionavam, e por isso tinham “intimidade” com eles, se é que é possível que se diga isso.

Assim, íamos de mãos dados com um funcionário/funcionária de forma a dar entender ao tigre que éramos amigos de um amigo dele.

Quem tinha câmera própria pegava uma fila e quem não tinha pegava outra e tinha de pagar para que tirassem fotos. Havia uma dezena de tigres, todos deitados e parecendo sonolentos. Quando chegava a vez de cada um o guia segurava a mão e ia levando o visitante de tigre em tigre. Podíamos acariciar o tigre e às vezes até abraçá-lo e em cada um o guia tirava fotos.

Templo do Tigres:  o contato com as feras Templo do Tigres: o contato com as feras(vídeo)

Cada um passava em todos os tigres, que estavam sempre deitados e presos por uma coleira, mas com certa mobiliade. Eu pude perceber que a menina que me acompanhou estava bem alegrinha e estava comentando alguma coisa com as colegas em thai (idioma da Tailândia), que eu não conseguia entender, mas parecia ser algo sobre flerte.

Viviane depois comentou comigo que o menino que a conduziu teve uma atitude semelhante. Foi nessa interação que percebi que todos os tigres estavam acorrentados e presos por essa corrente a um pino de aço fixado no chão. Como os tigres estavam bem calmos cogitamos a possibilidade de eles estarem sedados, mas a explicação oficial era a de que eles tinham acabado de se alimentar.

Acariciando o tigre Acariciando o tigre

Mas uma vez percebi que essa relação de uso do animal não tinha como ser algo respeitável e saudável. A propaganda que dizia que os tigres eram criados soltos e em harmonia com os monges era mentirosa, até porque ali não havia nenhum monge interagindo (só um que ficava sentado de longe, parecendo fazer uma contabilização mental dos visitantes). Somente funcionários trabalhavam nesse serviço que parecia bastante lucrativo, dado o volume de visitantes.

O restaurante temático

Voltamos pelo caminho que viemos até sair pelo portão principal e encontrarmos novamente o motorista do táxi turístico que que estava nos levando, chamado Suwan. Marcelino decidiu comprar uma camisa do Templo dos Tigres e em seguida entramos no carro e seguimos de volta em direção a Bangkok. Como já havíamos observado nos outros dias que existia um lindo restaurante temático bem próximo ao nosso hotel e não havíamos almoçado, na chagada a Bangkok pedimos a Suwan que nos deixasse lá.

Brinde! Brinde!

O nome do belíssimo estabelecimento era Koh Lanta Suvarnbhumi, que sem dúvida deve ser um dos restaurantes mais elegantes de Bangkok. Ele é todo construído com arquitetura tradicional tailandesa, ocupa uma grande área e possui um enorme lago com um barco temático flutuante onde fica o palco para a banda que toca ao vivo.

Somando todas as áreas disponíveis (existem vários ambientes) deve haver mais de 2000 lugares. Os vários ambientes são recheados de decorações e objetos tailandeses e um grande número de plantas e ornamentações lindíssimas. Esse restaurante é algo realmente espetacular e exuberante.

Depois de saltarmos do carro eu sugeri que déssemos uma olhada no cardápio e (especialmente no preço) para ver se realmente ficaríamos antes de dispensar Suwan, pois caso contrário ele ainda poderia nos deixar no hotel.

Coco decorado Coco decorado

Surpreendentemente Suwan disse que gostaria de entrar conosco, pois nunca havia entrado naquele magnífico restaurante e gostaria de conhecer.

Na entrada havia algumas garotas bem vestidas que davam boas vindas aos clientes, sempre sorridentes. Fomos muito bem recepcionados e logo um funcionário nos encaminhou para uma mesa após perguntar se preferíamos ficar na parte flutuante ou não.

Apesar do requinte do local os preços não eram caros (pelos menos para a nossa moeda). Logo de início pedi uma água de coco que me surpreendeu pela decoração e os detalhes de como o mesmo era servido. Viviane pediu uma bebida alcoólica, acho que um cocktail que veio também decorado.

Comemos uma comida gostosa, ouvimos uma boa música e depois de uma excelente janta e uma noite agradável seguimos para o hotel. A nossa saída do restaurante se tornou algo curioso, pelo menos para os funcionários. Ao passarmos pela porta principal os funcionários perguntaram se desejávamos um táxi, e nós dissemos que não e seguimos caminhando.

Restaurante temático Koh Lanta Suvarnbhumi Restaurante temático Koh Lanta Suvarnbhumi

Eles devem ter achado estranho por que devido ao requinte do restaurante não deve ser comum alguém ir jantar ali e depois sair andando. O que eles não sabiam é que o nosso hotel ficava bem pertinho e que adorávamos caminhar!

Aquele era o nosso último dia em Bangkok, já que na manhã seguinte seguiríamos para Pattaya, que é uma cidade turística na costa da Tailândia. Pelas fotos que tínhamos visto parecia um local maravilhoso e estávamos ansiosos por uma boa praia.


Reflexão e autocrítica

Cometemos o erro de pagar para ver animais sendo usados como objetos e sendo explorados. Me envergonho profundamente de ter feito isso, já que tudo indicava que  os tigres eram sedados, além de estarem acorrentados. A história contata é mentira e quando você se aproxima dos tigres vê que na verdade eles estão presos e sonolentos. Mantive o post para transmitir a outros viajantes e turistas que isso é altamente condenável e desumano. Recomendo que não vá ao Templo dos Tigres e não patrocine o abuso de animais.

Encontrou erros nesse post? Comunique!

Roteiro e Localização

Último local: São Paulo - SP, + detalhes
RBBV Código Criativo