Relato de viagem

De Auli a Delhi, 500 km de carro pelo penhasco

Havíamos agendado um o táxi para as seis da manhã. Acordamos cinco da manhã, arrumamos as poucas coisas que ainda não estavam prontas e seguimos para a recepção principal, para esperar o táxi. Para a nossa supressa a recepção não estava aberta, e tivemos de ficar do lado de fora, onde estava bem frio.

Como tínhamos vindo já com todas as malas e dali a poucos minutos o táxi deveria chegar, não quisemos retornar para o quarto. Chamamos bastante, batemos e até ligamos para o telefone da recepção e nada. Só depois de muita insistência e quase vinte minutos foi que alguém veio abrir a porta. O funcionário, que parecia estar dormindo, terminou por acordar depois de tanta zuada e entramos para ficarmos no quentinho.

Taxista dorminhoco

Passou das seis e o táxi não tinha chegado. Estava atrasado meia hora. Começamos a pensar em várias possibilidades, inclusive de ter levado um cano. Foi então que eu comecei a ligar (via internet) para o celular do dono pousada Nature Inn, com quem eu tinha acertado o serviço de transporte.

Transporte para Auli Transporte para Auli

A ligação estava muito ruim e tentei diversas vezes. Em nenhuma consegui falar bem com ele, mas em uma das tentativas cheguei e escutar ele dizendo que em cinco minutos o táxi estava chegando. Aquilo nos tranquilizou por alguns instantes, mas se passaram vários minutos e nada.

A questão é que devido ao trajeto longo tínhamos de sair bem cedo para chegarmos a Nova Délhi no mesmo dia. Começamos a ficar bastante preocupados por que não tínhamos outro taxi em vista, assim em cima da hora, que pudesse nos levar a Nova Délhi e o nosso voo estava marcado para o outro dia e por tanto tínhamos de sair de Auli naquele dia, e o mais rápido possível.

Só carros de turismos, que são diferente dos táxis comuns, fazem esse tipo de transporte, e em Auli e Joshimath só tínhamos visto esse com o qual tínhamos acertado. Foi então que decidimos chamar um taxi local para que fôssemos até a Nature Inn ver o que estava acontecendo e pressionar para que partíssemos logo.

500 km por uma das estradas mais perigosas do mundo 500 km por uma das estradas mais perigosas do mundo(vídeo)

Sabíamos que corríamos o risco de os dois táxis chegarem juntos (o táxi local e o que nos levaria a Délhi), mas não podíamos ficar ali esperando, no risco. Pedi então ao funcionário da recepção que chamasse um taxi local. Ele ligou, e me passou o telefone. A ligação estava ruim, e logo depois parece que acabou o crédito do recepcionista. O telefone do hotel estava com problema e as ligações posteriores tive de fazer pela internet, através do meu celular.

Depois de algumas tentativas conseguimos pedir um táxi e para nossa infelicidade, os dois chegaram juntos e tivemos de pagar um valor para o táxi local, mesmo não embarcando nele. O motorista local foi até gente boa, pois percebendo a situação, ao invés de cobrar as 600 rúpias acertadas cobrou somente 500. Parece que o motorista que nos levaria a Nova Délhi tinha mesmo dormido além da conta.

Embarcando rumo a Nova Délhi

Criancas indianas na estrada Criancas indianas na estrada

Colocamos nossas malas e entramos no veículo no qual ficaríamos por 16 horas até chegar à capital indiana. O táxi tinha chegado somente às 7 da manhã, com uma hora de atraso.

Apesar disso ele parecia ser bacana. Pediu desculpas e logo percebemos muitas diferenças em relação ao táxi que havia nos trazido a Auli. O carro era o mesmo da vinda, um Toyota Innova, mas muito mais bem cuidado, e cheio de mimos. Era todo cheiroso e dava para ver nos detalhes que ele era cuidadoso. Até no modo de dirigir dava para perceber isso.

Não sei até que ponto o pedido que eu tinha feito estava influenciando no modo de guiar dele. Eu, antes de entrar no carro disse a ele que apesar de ser longa a viagem presávamos a segurança, e que por isso queríamos que ele tivesse muito cuidado, especialmente no trecho da serra, que era 200 quilômetros. Mais adiante ele demonstrou novamente ser diferente do motorista anterior. Ele parou rapidamente um local e voltou com 4 garrafas de 2 litros de água mineral e deu uma para cada um de nós.

Talvez como forma de ainda se desculpar pelo atraso. Mais na frente, o lugar que ele parou para comer eram bem diferentes do que o motorista da vinda parava, tanto que nos animamos em tomar um café da manhã e até repetimos, de tão bom que estavam os sanduíches de queijo.

Consertando a estrada Consertando a estrada

A troca suspeita de motorista

Seguimos na viagem cansativa, mas de forma tranquila e para nossa surpresa, quando chegamos já próximo à região da fronteira do estado de Uttarakhand ele parou, foi conversar com um rapaz e voltou com ele para dentro do carro.

Ele foi para o assento da traseira (o carro tinha seis assentos) e o rapaz assumiu o volante. Numa fração de segundos eu fiquei um pouco receoso com aquele movimento, mas depois raciocinei que ele não devia ter autorização para cruzar a fronteira estadual levando turistas e devia ter deixado combinado com esse amigo, que devia ter a licença, para assumir a direção naquele trecho final.

Na beira do penhasco Na beira do penhasco

Devagar demais

A direção do dono do carro, que agora estava sentado na terceira fileira, nos fundos, tinha sido simplesmente perfeita. Entretanto esse novo motorista era no mínimo estranho.Ele dirigia muito devagar, e com a pista boa e estando toda livre.

Comecei a pensar que ele estava com sono, já que a pessoa com sono não consegue manter a pressão no pedal do acelerador e então disse a Marcelino, que estava no banco da frente, ao lado do motorista, para fica de olho. Pedi várias vezes para ele olhar bem se os olhos dele estavam bem abertos e Marcelino me garantiu que não. A conclusão que fizemos então foi que ou ele era realmente muito lerdo na direção ou não enxergava bem à noite e por isso ia tão devagar.

sabe como chegar no hotel de Délhi?

Na nossa chegada à cidade tivemos certa dificuldade. Semelhante ao motorista do táxi que tomamos quando fomos do aeroporto de Délhi para nosso hotel, mesmo mostrando a reserva com o endereço ele não sabia exatamente como chegar. Ligou para o hotel, e mesmo assim ficou em dúvida. Foi então que coloquei o meu GPS do celular e ele passou a nos guiar.

Hall do hotel Chanchal Hall do hotel Chanchal

Tivemos, mesmo com o GPS, algumas dificuldades para chegar ao hotel quando já estávamos bem perto, cerca de duas quadras, mas perguntando terminamos por chegar. já quase meia-noite.

Havíamos decidido ir para o mesmo hotel que tínhamos ficado em Délhi antes de ir para Auli, mesmo não tendo reserva e apesar de sabermos que o local não era muito bom. A questão é que procurar outro hotel naquele horário não seria viável. Além disso, sabíamos que pelo menos a internet lá funcionava bem.

Ficaríamos menos de 24 horas, já que no dia seguinte à tarde iríamos para a Tailândia. Como imaginamos havia quarto disponível e o preço era o mesmo (cerca de 30 reais por pessoa).

Redescobrindo as redondezas

O nosso único compromisso no dia seguinte era pegar nosso voo para Bangcoc, que saia às 18:25. Combinamos de estarmos no aeroporto no mínio duas horas antes e sendo assim sairíamos pouco depois do horário do almoço. Pudemos assim descansar e dormir bastante.

Rua do hotel Chanchal Rua do hotel Chanchal

No dia seguinte de manhã, com calma, percebemos que havia lugares nos quais podíamos comprar boas coisas para comer, inclusive pão, frutas, iogurte, queijo e tudo mais. Quando estivemos por 4 dias em Délhi, devido à neurose que estávamos por conta do processo de tentar resolver o problema da nossa passagem nem percebemos isso. E olha que as lojas ficavam a poucos metros do hotel.

Saímos então para comprar algumas coisas nessas lojas e eu aproveitei para agendar nosso táxi para a tarde. Se há uma coisa que é fácil e Délhi é taxi. Só em você andar na rua já vão te oferecendo o tempo todo, já que facilmente percebem que você é estrangeiro. Optei por um que estava estacionado bem próximo do hotel, que parecia menos afoito bem limpinho também. Disse a ele que queríamos sair às 13h30min, e que ele não podia se atrasar, pois tínhamos um voo. Ele disse que não me preocupasse. Deu-me seu cartão e perguntou em que quarto estávamos.

A realidade das ruas de Nova Delhi A realidade das ruas de Nova Delhi(vídeo)

No mercadinho comprei pão de forma, queijo e água. Numa loja de frutas comprei tangerina. O que me surpreendeu nessa loja de frutas foi uma placa que incentivava que as pessoas a não utilizassem sacolas plásticas, mas sim reutilizáveis, com o objetivo de evitar poluir a natureza. Sinceramente não achei que ia encontrar esse tipo de preocupação na Índia, que ainda carece de muitas outras coisas.

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