Relato de viagem

Descobrindo a região de Bangkok: Mercado Flutuante, fazenda de elefantes e templos budistas

Neste dia de manhã seguimos para o mercado flutuante, que prometia ser um passeio muito interessante. O local de saída não ficava na cidade de Bangkok, mas sim a 120 quilômetros da capital, numa cidade chamada Damnoen Saduak ,a sudoeste de Bangkok.

A estrada desse percurso se mostrou de alta qualidade e andar nesse trecho novamente nos surpreendeu, pois parecia que estávamos andando numa cidade de primeiro mundo, com rodovias largas, com estrutura e sinalização de primeira, e com os arredores sempre bonitos e agradáveis. O acerto que havíamos feito com Suwan era somente para o transporte, e não incluía o custo das atividades nos locais que ele nos levava.

Passeio pelo Mercado Flutuante

Piloto bem humorado e veloz Piloto bem humorado e veloz

Chegando ao ponto de acesso ao Floating Market (Mercado Flutuante) fomos informados de todo o trajeto, que pararíamos numa fazendo de produção de açúcar de coco, na qual conheceríamos todo o processo de fabricação, depois passaríamos pela parte onde efetivamente havia as embarcações vendendo produtos em geral e no final daríamos uma volta em várias "ruas" de água voltaríamos ao nosso ponto de partida.

Trânsito nas águas  do mercado flutuante Trânsito nas águas do mercado flutuante

O passeio pelo Mercado Flutuante custou 800 bahts (cerca de 60 reais por pessoa). A princípio nos pareceu um pouco caro, mas como era algo bem diferente e típico, achamos que ir até lá e não fazer seria uma lástima, e decidimos então embarcar!

Uma espécie de canoa de madeira motorizada seria o nosso transporte, e o que mais impressionava era o motor, que era imenso. Eles utilizavam motores veiculares adaptados para uso marítimo, e o motor ficava todo em cima de um eixo e exposto, sem nenhuma carenagem.

Passeio em alta velocidade pelo Mercado Flutuante Passeio em alta velocidade pelo Mercado Flutuante(vídeo)

Eles utilizam escapamentos bem estilizados e esportivos. A impressão que a gente tinha era que havia uma espécie de concurso de quem tinha o maior motor e com melhor ronco. Devido ao tamanho da máquina a velocidade que a embarcação alcançava era fantástica! Corria muito, e isso era maravilhoso. A impressão que tínhamos era a de que estávamos andando numa super lancha de corrida. A embarcação ia navegando por verdadeiras ruas de água, semelhante a Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

O nosso piloto gostava bastante de correr e cada vez que ele acelerava a gente curtia e saltava uns “uhuuu” e ele gostava disso e acelerava ainda mais. A velocidade que era alcançada era tão grande que formava-se uma imensa onda atrás da embarcação e pudemos captar tudo isso nos vídeos que fizemos.

A curiosa fabricação de açúcar de coco

Depois de um tempo navegando por ruas e passando por várias outras embarcações no mesmo estilo paramos na fazendo da coco. Saltamos e fomos instruídos que aquela parada seria de 20 minutos.

Ali pudemos ver cada etapa do processo da fabricação do açúcar de coco. Na verdade o açúcar não era feito do coco, mas sim da flor do coco. Eles colocavam uma espécie de vasilhame  em cada novo cacho que aparecia no coqueiro para evitar que os cocos se desenvolvessem, e depois de certo tempo retiravam o cacho cheio de flores, cortavam e  extraiam um caldo, que ia pro tacho, semelhante ao que acontece com o caldo da cana-de-açúcar.

 

Fabricação de açúcar de coco na Tailândia Fabricação de açúcar de coco na Tailândia(vídeo)

Depois de muito tempo sob o fogo no tacho o líquido do caldo ia evaporando e ficava somente o açúcar caramelado, que  era transformado em doce ou em açúcar. Uma funcionária explicou todo esse processo para a gente e mostrou, na prática (já que ali estava realmente sendo feito o açúcar) e deu algumas amostras para a gente experimentar.

Era tudo muito interessante e gostamos tanto da amostra que compramos um saquinho só com doce caramelado de coco, por 50 bahts. Ao lado dessa estrutura para a fabricação havia uma espécie de lojinha com várias lembrancinhas bem bonitas, mas resistimos e não compramos nada!

Velhinha tailandesa vendendo frutas Velhinha tailandesa vendendo frutas

Lojas sobre as águas

Subimos na canoa novamente e seguimos nosso passeio, sempre em alta velocidade, até chegarmos à parte onde havia efetivamente o mercado flutuante.

Lá havia dezenas de embarcações vendendo de tudo. Além disso, as duas margens também eram tomadas por lojinhas vendendo uma infinidade de produtos. A nossa canoa ia passando devagar e os vendedores oferecendo. Se a gente demonstrava algum interesse o vendedor da lojinha ou da canoa usava um gancho para aproximar nossa canoa dos produtos para que ele tentasse fazer a venda.

Lojas sobre as águas Lojas sobre as águas

O deslocamento era constante, assim os vendedores tinham poucos segundo para oferecer e atrair a atenção do cliente. Como havia muitas canoas, formava-se uma espécie de engarrafamento, juntando canoas para a venda de produtos e canos com turistas. Cada canoa era diferente da outra. Assim como aqui no Brasil vemos uma infinidade de carrinhos de comida (cachorro-quente, coco, suco, salgado e etc.) lá também havia.

Cada canoa era estruturada para vender seu tipo de produto, e todo esse conjunto era algo muito interessante e diferente de tudo que já tínhamos visto. Esse passeio com certeza ficou na nossa memória e fez valer o nosso dia.

Fazenda de elefantes

Fazenda de elefantes Fazenda de elefantes

Saindo do mercado flutuante nós fomos para uma fazendo de elefantes, onde se podia passear nesses imensos animais. De uma forma geral eu não gosto e não aprovo o uso de animais para servir ao homem. Penso que não temos o direito de fazer do animal um escravo, sendo montado, amarrado, estribado e às vezes até açoitado por que simplesmente nos achamos superiores ao mesmo.

Entendo que temos que respeitar o animal e ter uma relação de amizade e não de propriedade e uso. Apesar de esse conceito está cristalizado em mim, fiquei num dilema mental, pois era algo muito diferente e tentador. Observei que aparentemente os animais não sofriam maus tratos, e terminei decidindo por pagar para andar de elefante.

O infeliz passeio nos animais maltratados

O passei era curto, de cerca de 20 minutos. Estávamos numa espécie de sítio um pouco grande e havia uma área que simulava um ambiente natural para os elefantes. Havia também uma estrutura de madeira onde os turistas subiam e aguardavam sua vez de montar no próximo elefante.

Estrutura para subir no elefante Estrutura para subir no elefante

Na frente (no pescoço do animal) ia um funcionário do estabelecimento guiando e nós numa espécie de sela com dois assentos laterais. Vale ressaltar que o pescoço do animal é imenso, com cerca 80 centímetros de diâmetro, e por isso o guia ia neste local sem problema. Havia uma fila e conforme os elefantes iam chegando, as pessoas que já tinham pagado os 800 bahts iam subindo e aguardando sua vez.

No elefante havia lugar para duas pessoas (além do guia), e por isso foram Júlia e Marcelino em um e Viviane e eu em outro, no elefante de trás e os outros dois no da frente.

A caminhada era lenta e calma, no ritmo do elefante, mas pouco tempo depois percebemos que o guia usava um instrumento pontiagudo para estimular o animal a andar. Isso já me deixou muito triste.

Marcelino alimentando o elefante Marcelino alimentando o elefante

Passamos por uma parte que parecia uma espécie se trilha na selva e quando estávamos distantes de tudo e sem olhares de terceiros o guia parou, abriu uma caixinha e tirou de lá pedaços de marfim e nos ofereceu para venda! Rapidamente disse que não e fiquei mais uma vez triste. Esse episódio foi decisivo para eu perceber que tinha agido errado ao ceder aos meus princípios e decidir andar em animais que trabalham o dia inteiro, que são furados para se locomover e que tem o marfim extraído.

Se houvesse uma relação de amizade com o animal, sem maus tratos e o animal não sofresse ou fosse obrigado a fazer aquilo podia até ser algo aceitável, mas da forma que foi se revelando ficou evidente não era.

 

 

Língua difícil

Dirigindo para templos de Bangkok Dirigindo para templos de Bangkok

Saímos da fazenda de elefantes e paramos na estrada para comer alguma coisa. Era um posto de combustíveis com lojas de conveniências grandes, incluindo restaurantes e lanchonetes. Entramos, pedimos o cardápio e começamos a tentar escolher.

Não havia nome em inglês para os pratos, mas por nossa sorte havia foto dos alimentos, o que ajudou, já que as funcionárias não falavam inglês. Apesar disso elas eram muito solícitas e engraçadas e se esforçavam para entender. Muitas vezes uma chamava a outra para tentar ajudar, já que mesmo não falando o inglês é normal as pessoas saberem algumas palavras, devido à difusão do idioma.

Restaurante onde foi difícil pedir Restaurante onde foi difícil pedir

Esses diálogos (ou tentativas de diálogos) estavam ocorrendo para dirimir dúvidas sobre os pratos e pedir bebidas. De um jeito ou de outro conseguimos pedir o que queríamos, mas no final, na hora do pagamento ocorreram algumas dificuldades, já que apesar de estarmos todos numa mesa cada um pagaria o seu, individualmente, e ainda havia pratos que foram pedidos e foram divididos por duas pessoas e deu trabalho para elas entenderem tudo isso. Felizmente tudo foi tratado com muito humor e tudo aquilo parecia engraçado e divertido para elas, assim como foi para nós.

Templos e monumentos budistas em Samphanthawong

Depois da refeição seguimos para a visita dos templos budistas de Bangkok, incluindo o Grande Buda reclinado. Suwan não só nos conduzia, mas também ia explicando o que sabia e um pouquinho da história, além de responder nossas perguntas curiosas. Ele estacionou o carro, saltamos e ele pediu que o seguíssemos.

Templo Wat Arun

Fomos caminhando entramos num terminal fluvial, ele pagou os tickets e atravessamos o Rio Chao Phraya (custou 5 bahts por pessoa), e quando estávamos do outro lado o primeiro templo para o qual nos dirigimos foi o Wat Arun, cujo nome completo é Wat Arun Ratchawararam Ratchawaramahawihan (em tailandês: วัดอรุณราชวรารามราชวรมหาวิหาร),  que tinha construções bem pontiagudas e curiosas, com escadarias de inclinações inacreditáveis e uma bela vista do seu topo.

O Wat Arun é um dos cartões postais mais conhecidos na Tailândia e tem mais de sete séculos de construído (duzentos anos antes de os portugueses invadirem o Brasil).

templo budista em Bangcoc templo budista em Bangcoc

A Tailândia é famosa por seus templos e tem mais de 31 mil deles espalhados pelo país. Depois do Wat Arun tentamos ir ao Wat Phra Kaew, mas este já estava fechado devido ao horário e então nos dirigimos para o Buda de Ouro.

Buda reclinado (Buddha reclined)

No Wat Arum tivemos de pagar 50 Bahts (cerca de R$ 3,50) e no Buda de Ouro 150 bahts (Cerca de R$ 10,00). O Buda reclinado, que fica no templo Wat Pho, é algo realmente impressionante. O nome completo desse templo é Wat Phra Chettuphon Wimon Mangkhlaram Ratchaworamahawihan (em tailandês: วัดพระเชตุพนวิมลมังคลารามราชวรมหาวิหาร) e ele é também conhecido como o local de nascimento da famosa massagem tailandesa.

Antes da fundação do templo esta área foi um centro de educação de medicina tradicional tailandesa. Dentro da área deste templo que é de 80 mil metros quadrados há várias construções e esculturas, além do grande Buda deitado. Todas essas construções são belas e no estilo típico tailandês, que é uma marca registrada.

Buda reclinado Buda reclinado

O Buda reclinado, que é a atração principal, tem cerca de 43 metros de comprimento e 15 de altura, sendo folheado a ouro. Essa grande estátua fica dentro de uma construção que abriga a estátua do tempo e parece ter sido feita depois da mesma, com o intuito de protegê-la. Ao longo do seu comprimento ficam 108 cumbucas de bronze que indicam os supostos 108 atributos auspiciosos de Buda.

Há um mito de que quem coloca uma moeda em cada uma das cumbucas (sim, 108 moedas) consegue trazer para si fortuna e um bom futuro, além de ajudar os monges a manter o templo. Obviamente que não coloquei nenhuma moeda, pois nem tinham 108 delas e na prática não vejo como isso me deixaria mais rico (acho que na verdade aconteceria o contrário). Mas como as pessoas gostam de se iludir e acreditar em fantasias, pudemos ver várias moedas nas cumbucas.

Tiramos muitas fotos, de todas as posições, tentando capturar os melhores ângulos daquela bonita construção, mas devido à sua dimensão e por estar dentro de uma construção com vários pilares, ficava difícil encontrar um ângulo que ficasse bacana.

Escadaria do templo Escadaria do templo

Um guia informal e atencioso

Em todas essas paradas o Swan sempre ia nos facilitando e orientando. Ele já conhecia tudo de cor e as manhas. Por exemplo, ao comprar o ingresso para o templo do Buda deitado se podia ir num outro guichê e conseguir duas garrafas de água mineral de cortesia.

Ele então nos disse que fôssemos visitar o templo que em seguida nos seguiria e logo depois apareceu com as garrafas de água mineral. E o melhor, ele fazia tudo isso sempre sorridente e bem-disposto.

Depois de visitar a estátua do Buda fomos conhecer outras atrações do templo de passear um pouco pelo interior do mesmo, tentando sempre capturar boas fotos daquela arquitetura tão peculiar.

O templo do Buda deitado foi nossa última atração do dia e dali seguimos para o nosso hotel. Nesse caminho de volta pudemos ver uma bonita Bangkok noturna toda iluminada. Nessa região também ficava o palácio do governo e a residência oficial do Rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej, que reina desde 1946. O palácio era muito bonito assim como a avenida, que é uma das principais de Bangkok.


Cometemos o erro de pagar para ver/montar em animais usados como objetos e sendo explorados. Me envergonho profundamente de ter feito isso um dia e por isso retirei as fotos montando os elefantes, que são maltratados para satisfazer a diversão humana. Mantive essa informação para transmitir a viajantes e turistas que isso é altamente condenável e desumano. Recomendo que não vá à Fazenda de Elefantes em Bangcoc e não patrocine o abuso de animais.


Contato de Suwan Seangsuwan (táxi turístico em Bangkok)

Telefone: +66 869287984

Email: a_lovely_191@hotmail.com (sim, esse é o email! rss)

Encontrou erros nesse post? Comunique!

Roteiro e Localização

Último local: São Paulo - SP, + detalhes
RBBV Código Criativo