Relato de viagem

Explorando a cidade indiana de Joshimath: caminhada noturna e perseguições

Depois de um passeio maravilhoso por Auli e de ter voltado para o hotel Júlia e Marcelino deram a ideia de irmos em Joshimath, que ficava a cerca de 2 quilômetros descendo montanha abaixo. Lá poderíamos tentar acessar a internet. para verificar se realmente tínhamos tido sucesso na solução do nosso problema com o visto indiano e a passagem de volta. Para entender leia aqui e aqui.

A estrada era montanhosa e bem escura, e por isso levamos lanternas de cabeça e fomos bem agasalhados para aplacar o frio que aumentava durante a noite. Seguimos pela estrada principal, onde pudemos ver alguns poucos transeuntes, e alguns veículos que passavam de quando em quando.

Caminhada noturna

Caminhada noturna para Joshimath na Índia Caminhada noturna para Joshimath na Índia(vídeo)

Estava muito escuro, e Marcelino que estava filmando esse nosso trajeto chegou a cair depois de escorregar, mas anda grave ou que atrapalhasse nossa caminhada. Ao chegar mais perto da cidade, a iluminação começou a ser mais presente, e pudemos andar com mais segurança.

Esse passeio valeu como uma exploração noturna, mas foi meio inócuo, já que além de não encontrarmos o cyber café nem aberto e nem fechado. A cidade estava meio deserta e a única loja que entramos, dentre as poucas abertas, foi uma que vendia luvas e acessórios na qual Viviane e Júlia compraram  a única peça de frio que lhes faltava.

Andando à noite para Joshimath Andando à noite para Joshimath

Sendo perseguidos

Após a compra seguimos a caminhada pela rua principal até o momento que começamos a achar que havia um rapaz nos seguindo de forma estranha e suspeita. Rumamos rápido de volta para o nosso hotel sem nunca ter certeza se era um eminente assalto ou algo semelhante ou simplesmente a nossa imaginação fértil.

Debaixo dos lençóis

Nosso retorno foi pela mesma estrada, só que dessa vez num ritmo mais acelerado, apesar de ser subida. Chegamos ao hotel lá pelas 23:00 e cada um foi direto para seus lençóis. Na noite passada eu tinha dormido somente com uma coberta que havíamos encontrado em cima da cama, apesar do frio. Já nesta segunda noite eu encontrei duas colchas bastante grossas, como eu nunca tinha visto. Agora sim a cama ficava quentinha depois de algum tempo aninhado.

Melhor forma de chegar: carona

Cyber café em Joshimath Cyber café em Joshimath

Como não havíamos conseguido acessar a  internet no dia anterior e só tínhamos visto a cidade de Joshimath durante a noite, combinamos de no dia seguinte ir para a cidade, e assim o fizemos. Logo na saída perguntamos ao dono da pousada onde exatamente ficava o cyber-café. ele começou a explicar e no meio da fala conclui que seria melhor nos levar lá. Precavido, logo perguntei se custaria algo, e ele disse para não se preocupar, pois seria uma carona. Entramos no carro e em poucos minutos chegamos. Ficava num sobrado, e o acesso era por uma escada lateral, disse ele.

Entramos, descobrimos que custava 60 rúpias por hora (cerca de 2 reais). Sentamos cada um em um computador e matamos nossa sede de internet. Cada um tinha seus objetivos e eu que só desejava chegar e-mails e ver atualizações no Facebook descobri que algo mais importante me aguardava.

cartão de crédito nada confiável

Marcelino por sua vez estava preocupado com alguns negócios que tinha em Salvador e também com a confirmação da alteração da sua passagem de volta, que era a única que não tinha chegado no e-mail. Eu tinha recebido a minha e a de Viviane e Júlia havia recebido a dela, mas a de Marcelino não, e sim o e-mail avisando que o cartão não havia autorizado.

Subindo na laje em Joshimath Subindo na laje em Joshimath

Mais tarde descobrimos que o cartão não havia autorizado a compra por "motivos de segurança". Segurança de quem? É incrível como eles usam essa frase como desculpa para tudo. Na hora que Marcelino mais precisava o cartão falhou. Acho que se fosse uma fraude de verdade teria sido aprovado. Por isso é importante sempre ter dois ou mais cartões de crédito. Um para uso e outros de backup.

Por alguns instantes voltamos à tensão do problema com o visto. Viviane se prontificou a resolver e tomou a frente. Perdemos algum tempo por que a conexão não era boa e os computadores bastante antigos. Tivemos de baixar e instalar o Nimbuzz (aplicativo para ligações via internet) e isso demorou um pouco. Ambiente pronto, Viviane ligou, informou meu cartão como o novo meio de pagamento (já que o de Marcelino havia negado) e rapidamente conseguiu concluir e ter a garantia da Decolar que o preço continuaria o mesmo.

Missão quase impossível: comer em Joshimath

Após nosso momento de conectividade precisávamos encontrar um lugar para comer. Caminhamos pelo centro da cidade (que era pequeno) e entramos no restaurante chamado Food Plaza, que nos pareceu ser o melhor, especialmente em relação à limpeza.

Rua de Joshimath Rua de Joshimath

Diferente de Auli e dos hotéis que ficavam acima de Joshimath, a cidade não era muito limpa. Não era comparável a Mumbai (que é bem sujo), mas também não era o que podemos considerar como uma cidade limpa. O Food Plaza era um restaurante com uma fachada bonita e o salão ficava no segundo andar. Subimos, demos uma olhada ao redor e achamos que conseguiríamos comer algo palatável por ali.

Júlia e Marcelino pediram um noodle (macarrão) e eu terminei seguindo o mesmo caminho. Viviane indecisa pediu alguma coisa de frango, que veio bastante apimentado, e por isso ela terminou não comendo quase nada. Como continuava com fome decidiu pedir uma outra coisa. Ficou olhando o cardápio por muito tempo e terminou por decidir por um prato esquisito que ela tinha visto sendo servido em outra mesa. Quando veio a refeição dela eu fiquei impressionado. Parecia que havia uma espécie de pano cobrindo tudo, e não dava para ver bem o que era.

Rua principal de Joshimath Rua principal de Joshimath

Quando o garçom, que não entendia quase nada de inglês, colocou a comida na mesa eu fiquei olhando até o momento que Viviane mexeu na refeição. Para minha surpresa aquilo que eu achava ser um pano cobrindo o alimento era o alimento! Era uma espécie de omelete, muito fina e imensa, tanto que teve de ser dobrada várias vezes, ficando com a aparência de um embrulho. Nós rimos muito daquela situação, e Viviane com fome atacou e fez uma cara meio estranha, mas parecia que conseguiria comer.

Novamente perseguidos

Quando terminamos de almoçar rodamos mais um pouco pelo centro e depois começamos a perceber que alguém nos seguia. O mais estranho é que ele não disfarçava que estava nos seguindo. Viviane foi a primeira a perceber e nos alertou, então andamos em sentido contrário, indo e voltando para confirmar a desconfiança, que infelizmente se mostrou verídica.

Caminhando pelas ruas de Joshimath Caminhando pelas ruas de Joshimath

Paramos e resolvemos então olhar para ele, como que dizendo que sabíamos que ele nos seguia. Ele ficava a uma distância considerável e nunca se aproximava demais. A rua estava movimentada, mas mesmo assim ficamos preocupados, pois num país estranho não seria fácil se fôssemos roubados, principalmente se levassem nossos passaportes e se ficássemos sem dinheiro. Por outro lado avaliamos que pelo fato de ele não disfarçar imaginamos que talvez não fosse nenhum criminoso, mas sim alguém com algum distúrbio mental ou até mesmo curiosidade por ver pessoas tão estranhas como nós (na ótica deles) num lugar tão isolado.

 

Fugindo e se escondendo

Por via das dúvidas resolvemos andar depressa e nos afastamos bastante do local que estávamos. Andamos alguns minutos, sempre monitorando o nosso perseguidor até que não o vimos mais. Fizemos uma varredura visual e confirmamos que ele realmente não estava mais no nosso encalço e relaxamos um pouco.

Mercadinho apertado em Joshimath Mercadinho apertado em Joshimath

Para chegar àquele local que estávamos havia mais de um caminho, e pensei então se ele não havia na verdade pegado um outro caminho para nos abordar mais na frente. O que tornava aquele momento mais preocupante é que Júlia e Marcelino precisavam sacar dinheiro e havíamos encontrado um ATM (caixa eletrônico) bem no local onde havíamos parado. A preocupação era óbvia: se houvesse alguém nos observando com intenções de roubo, ao nos ver sacando dinheiro transformaria a intenção em ação.

Diante da situação resolvemos entrar num mercadinho para aguardar um pouco. O problema é que aquele mercadinho era muito pequeno e não cabia todos nós. Tivemos então de revesar. Enquanto dois escolhiam e compravam alguns itens os outros dois ficavam do lado de fora “vigiando”. Passado um certo tempo e verificado que o nosso possível algoz não estava pela redondeza concluímos que seria seguro fazer os saques.

Portal da cidade de Joshimath Portal da cidade de Joshimath

Após o saque procuramos um táxi, mas sem sucesso em conseguir, terminamos por seguir andando e encarar aqueles dois quilômetros de subida. Chegamos ao nosso hotel já no final do dia e a noite foi reservada para um bom descanso, comida e backup de fotos e vídeos.

Como havíamos combinado de nos mudarmos para o hotel que ficava lá no topo em Auli e como a nossa diária vencia sempre ao meio dia, teríamos de sair, no dia seguinte, do Nature Inn antes do meio-dia para não pagar outra diária.

Encontrou erros nesse post? Comunique!

Roteiro e Localização

Último local: São Paulo - SP, + detalhes
RBBV Código Criativo