Relato de viagem

Explorando as praias do litoral norte Goa: um ambiente multicultural, tranquilo e belo

Depois do choque inicial pela passagem por Mumbai e de encontrar um ambiente acolhedor na cidade de Panaji, em Goa, havíamos planejado um tour pelas praias do litoral norte de Goa. Esta pequeno estado numa região tropical da Índia é conhecido por suas praias, calor e ambiente de badalação e festas.

Já havíamos experimentado algumas comidas esquisitas no dia anterior, e mais uma vez teríamos de encarar o café da manhã do hotel antes do passeio. Nesse dia o café do hotel estava sendo servido no jardim e não no restaurante, o que tornava o café ainda mais especial. Além desse fator, os itens servidos naquela manhã estavam bem melhores do que os do dia seguinte.

Café da manhã no hotel Palácio de Goa Café da manhã no hotel Palácio de Goa

Havia um bom iogurte, ovos mexidos, pão fatiado, paranta (uma espécie de massa de pão bem fina e com algum recheio), uma espécie de bolo que não conseguimos identificar a composição mais tinha cor abóbora e café com leite. Eu comi os ovos mexidos com pão, iogurte e uma paranta, e meu pai que já tinha terminado disse que tinha tomado quase 10 copos de iogurte! Ele é viciado em iogurte e quando falta começa e passar mal e tem até tremedeira!! rss.

No dia anterior o café não tinha sido muito bom, pois tinha muitas coisas estranhas que não conseguíamos identificar o que eram e os sabores também não eram bons, mas nesse dia foi bacana. Pena que levantei um pouco tarde, e já peguei o café no fim.

os preços na índia são incríveis

Após o café fomos no restaurante do hotel para checar os emails e redes sociais e logo em seguida fomos para a porta do hotel onde estava marcado uma espécia de táxi-tour.

Táxi turistico em Goa Táxi turistico em Goa

Tínhamos pesquisado e o nosso plano era visitar três praias do litoral norte de Goa: Coco Beach, Calangute Beach e Baga Beach. Essas três praias ficam fora de Panaji (que é a capital de Goa) e eram uma depois da outra, sendo que a distância para ida e volta (para as três praias) era cerca de 35 quilômetros.

A nossa ideia inicial era que ele nos deixasse na primeira praia, e depois iríamos para as outras por conta própria. Acertamos com o taxista o valor de 400 rúpias (cerca de 15 reais ou pouco menos de 4 reais para cada um dos quatro) para que ele nos levasse até a primeira praia.

O táxi era uma mini van da Suzuki, muito comum por lá. É parecida com a towner que é comercializada aqui no Brasil. Para nossa sorte o taxista era gente boa e fui conversando bastante com ele. Marcelino sempre insistia para que eu fizesse inúmeras perguntas, para todo mundo, e com esse taxista não foi diferente.

Cada um tem om jeito de ser, mas meu Marcelino as vezes é muito perguntador, chegando a querer saber até mesmo quanto a pessoa ganha. Gosto de conversar mas acho que existe um limite tanto do ponto de vista da privacidade da pessoa quanto para não ser chato, inundando a pessoa de perguntas, uma atrás da outra.

Amon e o taxista indiano (volante do lado direito !) Amon e o taxista indiano (volante do lado direito!)

Como Marcelino não conseguia perguntar, ficava o tempo todo pedindo para eu perguntar e traduzir a resposta, e isso muitas vezes me incomodava, principalmente por que ele achava ruim quando eu não queria perguntar e ficava insistindo, causando até um mal estar entre a gente.

Bom, conversa vai, conversa vem, terminei perguntando quanto ele cobraria para nos levar nas três praias e depois nos trazer de volta. Ele pediu 1400 rúpias, mas depois de muita negociação terminamos fechando por 1200 rúpias, o que dava cerca de 46 reais, ou pouco mais de 12 reais para cada um dos quatro, para ter um táxi quase o dia todo disponível. O bom da Índia é isso, que as coisas são muito baratas!

 

Coco Beach: uma praia de pescadores

Paramos na primeira praia, Coco Beach, e o taxista ficou estacionado nos esperando. A geografia, os coqueirais e o visual da praia era bonito, mas a areia era meio cinzenta, o que dava a aparência de suja, apesar de ser a cor natural da praia.

Essa não era uma praia muito turística, mas sim voltada para a pesca e os locais. Pudemos ver o cotidiano dos pescadores, como são as embarcações que usam e até vê-los consertando redes e cuidando do pescado.

Os barcos de pesca era de madeira, com proa bem alta e longos. Não eram canoas como as que vemos aqui, baixas e esculpidas no caule de uma árvore, mas canoas com cavername e bem estruturadas, algumas com motor de popa.

 

Praia de Coco Beach Praia de Coco Beach(vídeo)

Após uma caminhada e algumas fotos decidimos que seguiríamos para a próxima, pois aquela praia não era boa para banho e nem mesmo para ficar na areia. Voltamos em direção aos coqueirais onde estava o táxi e encontramos o nosso motorista já todo esticado, preparado para um soneca. Ele ficou sem graça quando nos viu e eu ainda perguntei se o sono tinha sido bom e ele riu enquanto se apressava para colocar uma espécie de guarda-pó que usava por cima da camisa.

Área de banho só para mulheres em calangute - Goa Área de banho só para mulheres em calangute - Goa

Calangute, uma praia ao estilo indiano

Os indianos de uma forma geral são bem educados e e respeitosos, e não "folgados" e atrevidos como muitos brasileiros, e esse motorista apesar do sorriso fácil também era assim. Entramos então no carro para seguirmos para a Calangute Beach.

Goa é bem turística, mas essa região de praias é ainda mais. Ao observar pelas janelas do táxi podíamos ver o local que parecia animado, descontraído e badalado. A todo tempo víamos passar pessoas em lambretas, turistas, muitos bares e restaurantes e muitas roupas e produtos voltados para turistas a venda. A paisagem também era bonita, lembrando o litoral brasileiro, com coqueiros e vegetação de mata atlântica.

Vestimeta de praia variada dos indianos Vestimeta de praia variada dos indianos

Goa é muito diferente de Mumbai. Percebe-se uma equalização e também um desenvolvimento social bem maior, inclusive demonstrado pela estrutura e rodovias do local.

Após alguns minutos chegamos a Calangute beach. O taxista nos mostrou onde ficaria estacionado e então seguimos em direção à praia. Havia uma grande escada que dava acesso à areia, e do lado direito da escada, a cerca de 100 metros havia algo que nos decepcionou:lixo.

Havia uma quantidade considerável de lixo acumulado, mas esse lixo estava concentrado neste ponto e de uma forma geral na praia como um todo não havia lixo e era limpo. Apesar de excepcionalmente melhor do que Mumbai ainda assim podíamos ver lixo nas ruas em Goa. Infelizmente parece que esse é um defeito que, de forma e intensidades diferentes, denigre a Índia como um todo.

A praia de Calangute é extensa, com ampla faixa de areia sem barracas ou bares e estranhamente sem coqueiros, apesar da grande quantidade dessa árvore em toda a região.

Começamos então a nossa caminhada pela praia de ondas fortes. Para nossa surpresa havia muito equipamento náutico para locação: jet-ski, parasseio, banana boat, lanchas e muito mais. Não eram um nem dois, mas dezenas. Diferentes empresas/grupos locando e oferecendo diversas opções de atividades náuticas. Os preços também eram bem interessantes. O jet-ski, por exemplo estava anunciado por 800 rúpias 10 minutos.

Como os indianos se vestem na praia

Na Índia não faz parte da cultura as mulheres usarem roupas apertadas, mostrando o corpo ou apelativas, e na praia esse conceito é levado ao extremo. As pessoas, especialmente as mulheres, tomam banho de roupa comum. Como em goa há muito turista, as estrangeiras e estrangeiros utilizam as roupas de banho (biquíni e sunga) ocidentais, e as duas culturas de vestimentas convivem, aparentemente, sem nenhum problema.

Vacas na praia de Goa Vacas na praia de Goa

Foi possível nessa praia vermos ao mesmo tempo muçulmanos com roupas tradicionais (uma roupa de peça única, como se fosse um vestido, na cor branca e uma túnica enrolada na cabeça), mulheres de roupas tomando banho e turistas (homens e mulheres, incluindo nós) com roupas de banho ocidentais.

Como não é comum as mulheres na Índia mostrarem tanto o corpo, é bem verdade que os homens ficavam olhando de cima a baixo as mulheres de biquíni  como se estivessem aproveitando uma oportunidade que normalmente não tinham, mas só ficava nisso, no olhar, sem agir de maneira ofensiva ou intimidante.

Apesar de termos umas poucas vacas nas ruas de Mumbai, em Calangute foi que pela primeira vez vimos uma quantidade significativa de vacas e bois. Eles passeavam pela praia de forma tranquila e calma.

Barraca para turistas em Goa Barraca para turistas em Goa

Barraca para turistas brancos

Tomamos um banho de mar, relaxamos um pouco na areia e depois continuamos nossa caminhada até avistarmos uma espécie de barraca de praia. Esta barraca ficava bem recuada em relação ao mar, tinha poltronas e cadeiras de sol confortáveis e somente "gente branca", como eles chamam os turistas.

Essa barraca pertencia a um resort que ficava ali na beira da praia. Entramos, sentamos e logo começamos a olhar o cardápio, que parecia bem interessante. Apesar da pompa do lugar os preços eram bons e tudo parecia muito limpo.

Nessa barraca a maioria era europeu ou do norte da Ásia, e todos trajavam biquínis e sungas por cima de suas peles brancas e queimadas de sol, em contraste com os garçons que eram todos indianos (somente homens). Pedimos água, salada de frutas, sanduíche e depois de algum tempo saímos e seguimos em direção à praia de Baga, que começa quando termina a Calangute.

De Calangute até Baga são 2 quilômetros, e como estávamos com tempo e decidimos ir e voltar andando, ao invés de utilizar o táxi. Conforme nos aproximávamos de Baga, maior era o volume de equipamentos náuticos disponíveis para locação. A praia de Baga acaba num rio que adentra o continente, e foi lá o nosso ponto final.

Nós éramos a atração turística

Marcelino estava muito interessado em fazer um parasseio (passeio num paraquedas que é puxado por uma lancha), mas como não conseguiu convencer ninguém de ir com ele, terminou desistindo.

Indianos pedem para tirar fotos conosco Indianos pedem para tirar fotos conosco

Foi nesse local que passamos por uma situação inusitada. Normalmente quando um turista viaja ele tem interesse em tirar fotos com ou dos habitantes locais. Mas parece que na Índia é diferente, pois foram os indianos que pediram para tirar uma foto com a gente (com a camera deles).

De forma muito educada, um grupo de amigos perguntou e nós dissemos que sim, e logo depois então tiramos uma foto com a câmera deles e outra com a nossa. Em seguida, quando estávamos voltando, já próximo a Calangute, um outro grupo também pediu para tirar foto conosco, e mais uma vez atendemos.

As compras e as negociações com os indianos

Continuamos nossa caminhada e ao retornar para a escadaria que dá acesso à praia subimos e fomos visitar algumas lojinhas. Numa delas comprei uma camisa,por módicas 150 rúpias (cerca de seis reais), para meu colega de trabalho Filipe que deu uma força na fase inicial do projeto do site fazendoasmalas.  A estampa era de elefantes na praia de Goa.

Compra em lojinhas das praias de Goa Compra em lojinhas das praias de Goa

Marcelino, como sempre, também comprou camisas (acho que ele comprou mais de vinte camisas nessa viagem rss) e Júlia e Viviane olharam algumas roupas. Viviane se interessou por alguns vestidos e o vendedor com uma vontade enorme de vender e percebendo a probabilidade de perder a cliente logo perguntou quanto ela queria pagar. Começou então uma guerra de números na calculadora, onde cada um ia colocando um valor e eu ia traduzindo os murmúrios do vendedor e o que Viviane dizia. No fim o negócio deu certo e ela comprou duas peças que saíram quase a metade do que ele tinha pedido inicialmente.

Voltamos ao ponto de encontro onde nossa motorista mais uma vez tentava cochilar e ao nos ver se apressou para se ajeitar, sempre sorridente. Entramos no carro e começamos nosso retorno.

Nesse caminho de retorno, por um outro trajeto, Viviane pediu para parar numa loja de roupas que ela tinha visto. Depois de muita conversa, escolha, troca e perguntas enfim ela definiu que levaria, se não me engano, 4 vestidos.

Na hora de pagar ela perguntou se aceitavam débito como meio de pagamento, e a vendedora disse que sim, mas que teria de passar o cartão em outro lugar, pois ela não tinha a máquina.

Como o lugar era um pouco distante, alguém que parecia ser o marido da vendedora/dona da loja apareceu com uma moto para ir até o local. Como era necessário ir alguém para digitar a senha, Viviane me disse a senha, e segui na garupa do indiano para passar o cartão. Foi perigosamente interessante andar pela região na garupa de um indiano, já que eles dirigem de forma meio perigosa e sem capacete. Lá todo mundo anda sem capacete, e por isso, depois de voltar e entrar no carro perguntei ao nosso motorista se o capacete não era obrigatório, e ele me disse que somente nas "highways".

Kit tech para um viajante que não quer levar peso

Seguimos então em direção ao Palácio de Goa, onde logo ao chegarmos fomos para o restaurante e logo depois para o quarto, onde eu aproveitei para fazer o backup das fotos no meu kit portátil, que era composto por meu smartphone, meu HD externo, uma cabo Y de alimentação externa e meu carregador solar que energizava o HD.

Com isso eu consegui conectar o HD de um terabyte ao meu smartphone com android e copiar as fotos do cartão da câmera do próprio smartphone para o HD. Isso só foi possível devido a algumas modificações de software que fiz no smartphone, justamente para a viagem. Quando eu ia escrever os relatos eu conectava ainda um teclado dobrável (na verdade enrolável) que levei e um min-mouse usb. Todas essas coneções eram possíveis devido um mini-hub usb que também levei. Após o backup das fotos, a escrita de relato e a troca de fotos com Júlia, enfim fui tomar banho para depois dormir. O dia seguinte só teríamos a manhã em Goa, pois nosso voo para Délhi saía a tarde.

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