Relato de viagem

Goa, um lugar acolhedor, com preços econômicos e tranquilo no sul da Índia

Panaji, em Goa,  era o primeiro lugar legal que ficávamos na Índia. O choque inicial ao chegar em Mumbai nos deixou atordoados e por isso estávamos felizes de finalmente chegar num lugar agradável.

Goa é um pequeno estado no sudeste da Índia, na costa do Mar da Arábia. Essa parte do país foi invadida por portugueses e permaneceu como colônia de Portugal por 400 anos, sendo retomado pelo exército indiano em 1961. Apesar de ser o quarto menor estado indiano em o mais rico em PIB per capita do país.

As principais cidade de Goa são Vasco da Gama, Pengim, Margão e Mapuçá. Pelos nomes das cidades e das ruas fica evidente o histórico da ocupação portuguesa. Apesar da maioria dos lugares e avenidas terem nomes em português atualmente é difícil encontrar pessoas que falem a língua, que está restrita a algumas pessoas mais velhas.

Goa é um estado muito focado no turismo, sendo um dos principais destinos de praia do país. É famoso entre muitos europeus  estrangeiros e no verão recebe um grande contingente de visitantes. Por estar numa latitude tropical tem clima quente e vegetação muito semelhante à mata atlântica brasileira e caribenha.

O hotel elegante e as comidas estranhas

Chegamos na cidade cerca de 11:00 da manhã, depois de uma viagem de ônibus de 11 horas a partir de Mumbai.  Fizemos check-in no hotel Palácio de Goa e subimos para os quartos para deixarmos nossas coisas. O hotel era muito agradável, com um hall muito bonito,  os quartos eram amplos, com camas grandes, varanda agradável e tudo bem limpo. Após arrumamos nossas coisas descemos para o restaurante, pois estávamos famintos.

DSC_0155 Quarto do hotel em Goa

O restaurante era também muito elegante e tinha internet Wifi gratuita, mas com um problema: só tinha Wifi no restaurante e ainda assim não era boa. Com muita fome aproveitamos para comer mas tivemos dificuldade para identificar corretamente os pratos e seus ingredientes estranhos.

Obviamente como estava em inglês podíamos identificar várias coisas, como egg, rice chicken e etc. Acontece que essas palavras vinham acompanhadas de nomes próprios da culinária indiana, e isso não nos permitia saber, por exemplo como exatamente os ovos eram preparados e que temperos continha. Pedimos algumas explicações mas não era plausível perguntarmos como era preparado cada um dos mais de cem pratos disponíveis.

Como grande parte dos indianos são vegetarianos nos cardápios sempre tem indicando se o prato é veg (vegetariano) ou non veg. Para termos certeza do que íamos comer nós três pedimos um vegetables rice enquanto Viviane pediu um Chicken rice. Novamente dissemos para não ser apimentado, mas mesmo assim veio um pouco apimentado. A referência deles de picante é bem diferente da nossa. Mesmo quando insistimos para não ser apimentado, eles colocam um pouco, pois devem acreditar que sem pimenta não tem sabor.

Amon e Viviane Pôr do sol na praia de Goa

Explorando a cidade de Panaji

Após comermos e atualizarmos nosso site, Facebook e Júlia falar com seu esposo pelo Skype saímos para conhecer a cidade quando já passava de duas da tarde. Goa é um estado com baixa densidade demográfica para os padrões da Índia, e com uma história bem diferente do resto do país, já que foi colonizado por portugueses.

A vocação principal de Goa é o turismo, pois tem praias bonitas, clima tropical e um povo hospitaleiro. Caminhando pelas ruas de Panaji se lembra um pouco de Cuba (apesar de ainda não conhecer Cuba), pois há muitas construções e alguns veículos antigos, nas motonetas todo mundo pilota sem capacete e isso lembra o ambiente caribenho. Após sairmos do hotel liguei o GPS e seguimos em direção à praia mais próxima.

Paramos para tomar uma água de coco e logo depois nos deparamos com um lindo, grande e agradável jardim que ficava entre as ruas e a praia. Cruzando esse jardim chegamos nas areias da praia onde podíamos observar a baía de Panaji. Caminhamos pela areia por algum tempo e pudemos observar alguns locais, mas nenhum de sunga ou biquíni. Os indianos não tem essa cultura, especialmente em relação às mulheres, que estão sempre muito cobertas e não usam roupas coladas ou sensuais.

Tiramos várias fotos e mais uma vez locais pediram para tirar fotos conosco. Sempre sorridentes e educados.

DSC_0040 Nossa comida no restuarante do hotel

Depois da caminhada na praia andamos um pouco pelo calçadão e em seguida paramos num restaurante que ficava no jardim. Pedimos uma pizza que se mostrou muito saborosa e Marcelino finalmente saltou sua vontade quase desesperada de tomar "orange juice".

Ao final, quando pedimos a conta, foi trazida uma bandejinha com erva doce. Ficamos curiosos e perguntamos o porque. Veio então alguém que parecia ser o gerente e muito sorridente explicou que os indianos colocavam na boca após cada refeição para ficar com sensação de frescor.

 

O Mercado Municipal e a amizade com Harshada

Começamos a caminhar de volta e decidimos entrar numa espécie de mercado municipal para estancar a ansiedade que Marcelino ficava se não comesse fruta. Parecia até crise de abstinência!

Mercado Municipal em Panaji, Goa, Índia Mercado Municipal em Panaji, Goa, Índia(vídeo)

O mercado era grande, com muita variedade mas a limpeza deixava muito a desejar, semelhante ao que acontece em muitos mercados municipais ou feiras como a de São Joaquim em salvador. Por segurança, Marcelino comprou somente frutas descascáveis, para garantir a higiene do alimento. É muito engraçado ver ele comprando e tentando dialogar com os indianos, pois mesmo sabendo que eles não entendem nada em português ele segue insistindo como se fosse surtir algum efeito.

Outras vezes ele tentava arranhar algumas palavras em inglês e complementava com outras em português! Com essa comunicação estranha ele comprou algumas frutas e continuamos nossa caminhada. Seguimos em direção ao centro da cidade e Júlia e Viviane entraram então numa loja de roupas indianas.

Foi lá que conhecemos uma pessoa que se tornou nossa amiga, Harshada Kockrekar. Ela era vendedora da loja e parente da proprietária. Júlia escolheu algumas roupas, viu véus, vestidos e brincos. Viviane também gostou muito dos itens vendidos na loja e combinou de voltar no dia seguinte. Tiramos também algumas fotos para enviar a pessoas que haviam encomendado alguns itens a Viviane e Júlia de forma que pudessem escolher a cor e os detalhes vendo as imagens.

Como vestir um sari indiano Como vestir um sari indiano(vídeo)

Viviane aproveitou para perguntar como se vestia um sari (roupa feminina indiana), pois ela havia comprado um mas não sabia como vestir. O sari não é uma peça de roupa que se veste como outra qualquer. Há toda uma técnica para se enrolar e fazer uma série de dobraduras até que fique perfeito. Foi então que Viviane descobriu que o sari é feito de três peças: uma calça folgada com regulagem de tamanho, uma blusa e um tecido que enrolado, dobrado e ajeitando de forma elegante no corpo compõem, juntos, o sari.

Ela só tinha comprado o tecido e faltavam então as outras duas peças. Harshada numa atitude muito gentil pegou o tecido e foi vestindo e ensinando como utilizar o sari. Após essa longa visita à loja e depois de muitas tentativas finalmente Júlia e Viviane terminaram as compras e a negociação e voltamos caminhando para nosso hotel onde novamente fomos ao restaurante comer e acessar a internet e fazer backup de nossas fotos.

é difícil fazer uma ligação local em goa

Como ainda não havíamos resolvido o problema de nossa passagem de volta depois da negativa da terceira entrada pelo oficial de imigração na nossa chegada em Mumbai, combinamos que esse segundo dia em Goa dedicaríamos a tentar resolver isso.

Infelizmente a internet no hotel era ruim e não dava para fazer as ligações via Skype. Os funcionários também nos informou que não era possível fazer ligações locais usando o telefone do hotel. Assim, acordamos no dia seguinte e fomos à caça de um telefone público.

O único local para fazer ligações em Panaji O único local para fazer ligações em Panaji

Nos informamos na recepção do hotel e nos indicaram que havia um telefone público a duas quadras dali. Nos dirigimos para lá e compramos as fichas (sim o telefone ainda era de ficha, que na verdade era uma moeda de uma rúpia) e tentamos ligar. Ao iniciar a conversa percebi que a ligação era muito baixa, e seria impossível compreender o que meu interlocutor dizia. Decidimos então procurar outro telefone público e foi aí que descobrimos que parecia que só existia aquele por toda a região! Era filho único.

Continuamos caminhando e conseguimos a informação de que havia outro local onde poderíamos ligar. Chegando lá descobrimos que não era um telefone público, mas sim um telefone numa lojinha que cobrava para que usassem o telefone  deles. Havia até um contador conectado ao telefone de forma que quem estava ligando podia acompanhar o quanto estava gastando. A lojinha era bem pequena e todos se espremiam para ficar do lado de dentro para aproveitar o ar-condicionado.

Fiquei do lado de fora esperando para que alguém saísse e para minha surpresa o senhor que parecia ser o proprietário abriu a porta e disse para que eu entrasse assim mesmo! Achei que não cabia mais ninguém, mas todo mundo se ajeitou e sentei num banquinho e comecei a primeira ligação.

Tentando resolver o problema do visto indiano

O primeiro número que liguei foi o que a funcionária da South African Air Lines tinha me dado quando tivemos o problema na chegada em Mumbai. A funcionária me perguntou em inglês, é claro, de que local da Índia eu estava ligando. Disse que era de Goa e ela então me forneceu um outro número que era de Mumbai (que também atendia quem estava em Goa, pois são estados vizinhos).

Após várias ligações e reclamações não obtive sucesso em modificar a nossa passagem. A informação oficial que conseguir depois de várias ligações foi que poderíamos simplesmente comprar uma passagem até Johanesburgo e lá pegar parte do voo que iria de lá até Guarulhos, mas que teríamos de notificar isso à companhia aérea. Essa orientação divergia da informação da primeira atendente. A última disse também que o custo de uma passagem ( Hong-kong x Johanesburgo) ficava, pela South Africa Air Lines, 750 dólares, mas que eu não poderia fazer isso com ela (a atendente corrente) e que teria de ligar para a central de Mumbai.

As dificuldades de usar internet em panaji

Como ainda não tínhamos decidido exatamente o que íamos fazer resolvemos ir para uma lan-house (já que a internet no hotel era ruim) e tentar de lá ver preço de passagens, ver a possibilidade de cancelamento de outros trechos da viagem que passaríamos a não precisar mais dependendo das mudança que fizéssemos. Sentamos cada um num computador pagando 20 rúpias por hora por computador e dividimos as tarefas.

Júlia tentava colocar as fotos no site enquanto eu e Viviane víamos a questão das passagens (meu pai ficou vendo coisas pessoais). Procurei políticas de cancelamento de passagem de cada companhia aérea, e depois de muito tempo só consegui descobrir o quanto receberíamos de reembolso em relação a uma das companhias. Chegamos a achar uma passagem de Hong-kong para Johanesburgo por 1054 reais, mas não podíamos comprar até ter a confirmação final e oficial de que poderíamos pegar nosso voo de volta no pelo meio (lá na África do Sul).

No meio dessa nossa pesquisa a luz caiu em toda a cidade (na Índia é comum faltar luz várias vezes por dia, mas normalmente volta em poucos minutos). Esperamos alguns minutos, e como não voltou decidimos ir embora. Quando estávamos nos levantando a luz voltou e ficamos preocupados com a sessão aberta das contas e então resolvemos esperar religar os computadores para verificar isso. Ainda bem que o fizemos, pois ao abrir o navegador os emails e Facebook estavam ainda logados e com as sessões ativas!

Finalmente fomos embora da lan-house, mas mais uma vez sem nenhuma conclusão ou decisão final. Eu tentei falar com o atendimento da South Africa por Skype e por chat para tentar fazer as modificações, mas também não consegui. Cheguei a ligar até mesmo para o atendimento da empresa na sede, na África do Sul, mas a ligação estava horrível e o inglês da atendente pior ainda e não foi possível avançar.

Estrangeiro não pode comprar celular

Loja de venda de celular e chips Loja de venda de celular e chips

Saindo da internet passamos numa loja de celulares para tentar comprar um chip de celular local, pois assim poderíamos ligar para os 0800 (que na Índia na verdade não começa com 0800, é só para entendimento). A minha surpresa ao tentar comprar o chip foi que a funcionária da loja perguntou para que eu queria o chip. Eu meio indignado disse que era para fazer ligações locais! Ela então perguntou se eu morava em Goa. Eu disse que não é ela então disse que não poderia me vender!!

Eu insisti e ela então perguntou num tom meio grosso se eu tinha "ID proof" e eu disse que sim, que meu passaporte era minha prova de identificação! Foi então que ela finalmente me disse que só moradores de Goa podem comprar chips de celulares. Ora, por que não disse logo isso! Tentamos só para ter certeza comprar em outra loja e foi a mesma coisa, mas nessa o funcionário foi mais educado.

DSC07356 Nossa amiga indiana Harshada Kochrekar.

Harshada, uma amiga para as horas difíceis

Seguimos de lá mais uma vez para a loja de roupas da nossa amiga Harshada, onde mais uma vez gastamos algumas horas para as meninas olharem roupas, brincos, lenços e acessórios. Quando chegamos Harshada percebeu que nossa cara não estava muito boa e logo perguntou por que.

Expliquei que estávamos tendo um problema com nosso visto e passagem e que era uma história muito complicada. Ela então insistiu que eu explicasse exatamente qual era a situação, e então eu disse tudo que vocês que estão lendo o relato já sabem. Harshada num gesto muito amigo e solidário pediu os códigos da reserva e disse que ela mesma gostaria de tentar ligar para ver se conseguia resolver.

Ela tinha uma forma de nos ajudar muito simples, que era emprestando o telefone dela. Eu argumentei isso e disse que pagaríamos pela ligação, mas ela disse que ela mesma ligaria. Isso realmente poderia ser melhor, pois ela é indiana, poderia falar com a atendente direto em hindi e também conhecia melhor como as coisas funcionavam em seu país.

A enrolação da central de atendimento indiana

Ela então ligou, gastou um bom tempo no telefone, ao mesmo tempo que atendia clientes. Quando chegava algum cliente mais interessado ela me dava o telefone e quando eles iam embora pegava de novo. Finalmente ela conseguiu a informação de que era sim possível fazer a mudança de forma que nosso vôo de volta passasse a ser Hong-kong x Guarulhos e que teríamos de pagar por essa modificação 330 dólares. Na mesma hora eu disse que queríamos, e que já estávamos prontos para pagar com os cartões de crédito em mãos. Foi então que a atendente disse que só poderia, naquele momento, fazer a modificação de uma das reservas (na qual estávamos eu e Viviane) e que para fazer as outras teríamos de ligar para outro número primeiro. A alegria durou pouco.

Decidimos então ligar para o outro número informado, e após muita conversa e explicação a atendente disse no final que não era possível, e que a informação passada pela atendente anterior estava errada. Como estávamos no início da viagem e não queríamos ficar só gastando nosso tempo resolvendo o problema da nossa volta decidimos deixar de lado a questão por enquanto, pelo menos até chegarmos em nova Delhi, onde poderíamos falar presencialmente com a South African.

encontra-se de tudo na sheetal garments

Vivian e Júlia na Sheetal Garments Vivian e Júlia na Sheetal Garments

Após encerrada a ligação as meninas gastaram mais um tempo escolhendo algumas coisas na loja, e Júlia aproveitou para comprar também um pouco de henna indiana com a tia de Harshada. A henna lá era muito barata, e foi bem mais barata que em Mumbai. Júlia pagou 20 rúpias por uma bisnaga, o que dá cerca de 80 centavos de real.

Durante a negociação dos itens comprados Júlia descobriu que não tinha todo o dinheiro em rúpias e para nossa surpresa e alegria mais uma vez a Harshada nos ajudou. Ela disse que conseguia fazer o câmbio de dólares para rúpias numa taxa melhor. Tínhamos cambiado em Mumbai cada dólar em 49,79 rúpias (considerando as taxas, já que oficialmente cada dólar compraria 52 rúpias), e ela disse que conseguia cambiar cada dólar em 54 rúpias, e não haveria taxas.

Parece que ela conhecia alguém a casa de câmbio (ou essa taxa era só para locais), pois ela disse que se fôssemos direto na casa de câmbio não conseguiríamos essa taxa. Júlia então agradeceu e cambiou alguns dólares usando esse canal.

Comigo você entra em qualquer lugar :-)

Enquanto Júlia e Viviane escolhiam e compravam itens na loja, meu pai perguntou onde poderia utilizar um banheiro. A tia de Harshada então disse que no Hotel Fidalgo, logo ali na frente havia. Meu pai então foi em direção ao hotel, mas nem chegou a entrar. O hotel tinha uma frente imponente, elegante e havia um segurança bem na porta. Como não estávamos hospedados e devido à dificuldade do idioma Marcelino se sentiu intimidado e nem chegou a entrar no mesmo. Ao ver o segurança todo alinhado e com um bonita farda imaginou que ele não o deixaria entrar no hotel.

Neste dia estávamos bem a vontade, de calção e sandálias e esse foi mais um motivo para Marcelino imaginar que seria barrado. Ele então voltou e me contou que não "conseguiu" ir no banheiro e me relatou o motivo. Eu então disse: " venha comigo que resolvemos". Ele foi andando comigo, atravessamos a rua e eu já fui direto entrando no hotel, sem nem olhar para o segurança. Ao ver minha postura e confiança ele nem perguntou nada e ainda abriu a porta para mim. Fui direto para a recepção e perguntei (em inglês, óbvio) onde havia um toalete que se podia usar. O casal de recepcionista muito educado e com uma expressão de respeito logo me disse que bastava entrar no corredor à direita.

Eu então disse a Marcelino onde era o banheiro e ele surpreso me perguntou: "o que você disse a eles para me deixarem usar o banheiro? ". Eu disse: "nada, simplesmente perguntei onde era!". A verdade é que eu me aproveitei do fato de sermos estrangeiros. Na Índia facilmente se identifica uma pessoa que não é da região. Tanto pela cor da pela, quanto pela vestimenta.

Como Goa é um local muito turístico e a moeda dos estrangeiros normalmente é muito mais forte, os locais veem os estrangeiros em geral como ricos e com alto potencial de gastos. Sabendo disso tinha certeza que seria muito bem tratado no Hotel Fidalgo, como de fato fui. Além disso, apesar dos sérios problemas sociais na Índia em geral, se tem algo que os indianos são bons é em saber tratar bem e respeitar os cliente. Não há atendimento como o indiano.

Jantar no restaurante Fidalgo Jantar no restaurante Fidalgo

Uma noite mágica no restaurante fidalgo

Após finalizar as compras e pagar, nos despedimos de Harshada e saímos da loja em busca de um local para comer. Perguntamos então a Harshada se ela indicava um bom local para comermos e logo ela nos disse que logo ali na frente, no Hotel fidalgo, havia um ótimo restaurante. Fomos então todos para lá.

O fato de termos sido bem tratados quando buscávamos um toalete para  Marcelino foi um fator importante, e isso exemplifica como é importante o cliente ser bem tratado mesmo quando não vai comprar nada, pois num outro momento ele pode voltar.

Novamente entramos no restaurante e logo na recepção perguntei então se o restaurante estava aberto e se servia, nesse horário, refeições. Os recepcionistas com um largo sorriso disseram que sim e rapidamente nos indicaram o caminho para chegar no restaurante interno do hotel.

Já no corredor de acesso ao restaurante começamos a nos impressionar. Tudo era muito bonito e elegante. Havia uma iluminação temática, uma decoração linda, convidando o cliente a entrar. Ao chegarmos ao restaurante propriamente dito nos sentimos ainda melhor. O ambiente interno era super agradável e elegante. Uma mistura de modernidade com tradição. Estava todo decorado num tema nipônico e havia três asiáticas (que supomos serem japonesas ou descendentes) num palco cantando.

Brindando no restaurante Fidalgo em Panaji, Goa-Índia Brindando no restaurante Fidalgo em Panaji, Goa-Índia

Os garços eram todos muito educados e bem vestidos. Percebemos que estávamos realmente num restaurante de primeira linha, e o atendimento, com cortesia, sorriso e disponibilidade era algo fenomenal. De início pensamos que devido ao requinte do lugar as coisas fossem ser muito caras. Para o padrão indiano eram sim um pouco caras, mas para a nossa realidade (levando em conta a nossa moeda) não era. Claro que era mais caro do que os outros lugares que normalmente comíamos na Índia, mas merecíamos comer bem depois de tantos traumas com comida desde a chegada.

Devido à agradabilidade do lugar, a música ambiente magnífica e o atendimento excepcional todos estavam com um sorriso largo no rosto e para termos uma noite especial sugeri que tomássemos um vinho. Pedi a carta de vinhos e percebi na expressão do simpaticíssimo e sorridente garçom que ele ficou feliz com esse meu ato. Havia vinhos bons que iam desde mil  até três mil rúpias e escolhi um rosé suave de 2003 que nos custou 1500 rúpias. Apesar do valor numérico parecer alto, ao fazer as contas e dividir por nós quatro conclui que em relação ao vinho teríamos um custo de 14 reais para cada um. Para complementar pedimos duas pizzas (implorando para não ser apimentada).

Faço questão de falar da qualidade do atendimento, por que realmente foi algo excepcional. O nosso garçom (e todos os outros) estavam sempre sorridentes e muito animados. Eu me senti tratado como um rei, e isso não me esquecerei nunca. Nunca fui tão bem atendido e tão respeitado na vida.

Mesa farta com pizza e vinho rosê no Ffidalgo em Goa Mesa farta com pizza e vinho rosê no Ffidalgo em Goa

Quando chegaram as duas pizzas, a que Viviane pedira veio um pouco apimentada, e a outra veio ótima. Chamei então o garçom que sem pestanejar pediu vários "sorry" e disse que traria outra. Aproveitou então para mais uma vez servir o vinho com toda sua técnica, que incluía uma mão dobrada para trás, uma inclinação adequada da garrafa e uma velocidade de despejo correta. Essa postura e técnica de servir o vinho foi uma atração à parte e todos nós ficamos surpreendidos.

Após vários transtornos na nossa viagem, problemas com imigração, passagem, hotel ruim em Mumbai e uma série outras coisas aquele era o primeiro momento realmente de relaxamento e satisfação por estar num lugar bacana e por isso queria valorizar ao máximo o momento para que ficássemos bem e começássemos a aproveitar a viagem.

O ambiente era perfeito para esse momento de relaxamento. A música ao vivo era muito boa, e seguia uma linha internacional e pop. As três asiáticas além de cantarem também dançavam e isso empolgou muito Marcelino, que fez várias filmagens e que só tinha olhos para as meninas. Após comer bem, tomar um bom vinho e relaxar enfim pedimos a conta, que deu no total 2888 rúpias (R$ 111,00 para dividir por quatro). Saímos satisfeitos e um pouco tontos devido ao vinho!

Não ficamos até muito tarde por que no dia seguinte havíamos combinado de ir conhecer as praias do litoral norte de Goa. O Hotel Fidalgo ficava bem pertinho do hotel onde estávamos hospedados, o Palácio de Goa, e fomos para "casa" caminhando pelas ruas, que apesar de vazias eram seguras, como a maior parte da Índia.

 

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