Relato de viagem

Nossa tensa passagem por Macau: cuidado ao planejar uma viagem para essa ilha de riqueza

Macau mais uma cidade estado da China. Foi colônia portuguesa e atualmente apesar de pertencer à China tem sua própria moeda, sistema judiciário, controle de fronteira e outras liberdades administrativas. Após ter chegado na madrugada anterior em Hong-Kong tínhamos de ir já neste dia de manhã para Macau, pois tínhamos um hotel reservado lá, e tudo indicava que seria a melhor hospedagem da viagem, com uma vista deslumbrante.

Acordamos um pouco tarde, e nós três (Marcelino, Viviane e eu) começamos a separar as coisas que levaríamos para a nosso passeio por Macau.  Júlia fazia parte dessa reserva (a reserva era para 4 pessoas), mas preferiu ficar em Hong-Kong. Como pretendíamos conhecer outros lugares além de Hong Kong, havíamos reservado  hotel para o primeiro e os últimos dois dias, e deixamos o restante decidir durante a viagem.

Com as mudanças que tivemos de fazer devido ao problema do visto indiano, o nosso retorno foi remarcado para dois dias depois do previsto, e assim teríamos, no total, 7 dias em Hong Kong. Como Júlia ficaria em Hong-Kong resolvemos não levar nossa bagagem completa para Macau, já que seria somente uma noite e um dia e iríamos usar o serviço de catamarã que liga Hong-Kong a Macau. Separamos algumas coisas e deixamos nossa bagagem principal.

Acesso ao terminal pelo Ocean Center Acesso ao terminal pelo Ocean Center

Porto difícil de encontrar

Na noite anterior, quando estávamos indo de táxi do aeroporto até o nosso hotel Day and Night eu conversei um pouco com o motorista. Uma das questões colocadas foi sobre o local para pegar o barco para Macau, e para nossa alegria, ele indicou que ficava bem perto do nosso hotel e quando passamos próximo ao local ele nos apontou um prédio dourado. Por isso, nesse dia de manhã já sabíamos para onde ir: Harbour City. E o melhor, sabíamos que dava para ir andando e que não demoraria muito.

Fomos caminhando pela Nathan Road, a avenida onde ficava o nosso hotel, e algumas quadras depois viramos à esquerda, em direção ao litoral e à região portuária. Estávamos, mais uma vez, seguindo o GPS do meu celular, e mesmo assim surgiram questionamentos. Uns diziam que não era naquele sentido, outros que já tinha passado, mas continuamos e mais uma vez o GPS estava correto. Chegamos à região portuária, mas o que ficou difícil foi encontrar o porto em si, o local de onde saiam as embarcações e se comprava o ingresso.

Depois de perambular, entrar e sair em alguns locais e perguntar finalmente encontramos e entendemos por que estava difícil achar. O terminal marítimo era interligado a um shopping que ficava num prédio muito elegante. Passando pela rua, jamais imaginaríamos que entrando naquele prédio teríamos acesso ao porto. O que me chamou a atenção foi uma pequena placa de sinalização azul, sem escrita, que tinha uma ondinha, o que me levou a crer que seria a indicação do porto.

Entremos e fomos nos guiando pela sinalização interna, que indicava a direção para o que parecia ser o terminal marítimo. Subimos a escada rolante, andamos um pouco, dobramos à esquerda, descemos uma escada e enfim pudemos visualizar os guichês de venda de ticket. Havia um número significativo de pessoas comprando e então tive de pegar uma filinha para me informar.

Embarcando no catamarã para Hong-Kong Embarcando no catamarã para Hong-Kong

Comprando passagem de catamarã para Macau

A funcionária me disse que o último catamarã saia às 13:30 e que o ticket custava 170 HKD  (cerca de 45 reais), por pessoa. Como já era cerca de 11 da manhã, optamos por comprar logo e então ir ao hotel, pegar nossas coisas e voltarmos para embarcar.

Nesse momento é claro que nos arrependemos de já não ter trazido nossas coisas, mas como era incerto se ia dar tudo certo e se realmente aquele era o local, também não queríamos sair carregando a mochila à toa.

Esse trajeto entre o porto e o hotel era relativamente perto, cerca de 2 quilômetros. Demorava um pouco devido às travessias, ao volume de pessoas andando e a um contorno que tínhamos de fazer, pois havia uma espécie de praça.

Voltamos numa marcha rápida mas perdemos muito tempo esperar o elevador do edifício Chungking Mansions, que era sempre cheio. Apesar da pressa uma distração nos chamou a atenção no elevador: podíamos ouvir de tudo, inglês, hindi (idioma da Índia), árabe, cantonês, mandarim, italiano, russo e outros que eu não conseguia reconhecer.

Elevador do Chungking Mansions: uma espera interminável

Chuncking-Mansions na Nathan Road Chuncking-Mansions na Nathan Road

Por mais que pareça estranho demoramos mais para subir e descer nesse elevador do que para chegar ao porto a pé. Como há sempre muita gente querendo subir e descer, temos de esperar numa fila, e algumas vezes para chegar a nossa vez o elevador subia e descia algumas vezes, parando em vários andares e enfim voltando.

A pergunta lógica seria: por que não íamos de escada? Fizemos isso algumas vezes, mas o hotel era no 10º andar e as escadas eram horríveis. O fato é que tivemos de sair praticamente correndo, pois já estávamos em cima do horário. Tivemos, inclusive, de deixar a cargo de Júlia o transporte das malas do quarto que estávamos até o outro hotel (que era no mesmo edifício) onde ela iria ficar na próxima diária, pois se fôssemos levar perderíamos o barco.

Seguimos então esbaforidos e chegamos ao porto já transpirando. Fizemos nosso check-in,  passamos pelo controle de bagagem e de imigração e fomos para a área de embarque. Como eu disse anteriormente, Hong Kong tem sua própria política de imigração e Macau é outra SAR (Special Administrative Region) ou Região Administrativa Especial. Assim como Hong Kong, Macau tem também sua política de imigração, sua própria moeda e seu próprio governo. Dessa forma, havíamos entrado na noite anterior em Hong Kong e estávamos saindo já no dia seguinte pela manhã. Se fosse na Índia não poderíamos mais retornar, pelo menos não antes de dois meses!!

Catamarã ultra-confortável Catamarã ultra-confortável

Estrutura de primeiro mundo

Toda a infraestrutura da região portuária e de embarque era perfeita. Tudo muito bem cuidado, limpo e muito moderno, como é nos países de primeiro mundo. Ao entramos no catamarã também nos surpreendemos com o conforto. Parecia mais um avião (mas com mais espaço entre os assentos) e era super silencioso. Pouco se ouvia o som dos motores e ele balançava muito pouco também, talvez devido ao mar calmo daquele dia.

Antes de zarpar houve toda a instrução sobre como agir em caso de emergência, semelhante ao que ocorre nas aeronaves comerciais, inclusive com exibição de vídeo nas inúmeras TVs de tela plana espalhada pelo interior. Ao ver um serviço funcionando tão bem, por um preço justo (proporcional à distância) me senti, novamente indignado com os péssimos serviços equivalentes que temos no Brasil. Lembrei-me da péssima qualidade do serviço de travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica, na baía de todos os santos.

Chegada em Macau

Quando desembarcamos em Macau novamente passamos pela imigração, só que dessa vez para entrar. Havia um grande volume de pessoas na fila, mas em pouco temo chegou a nossa vez. Enquanto esperávamos Marcelino tirou algumas fotos e logo veio uma funcionária e disse que não era permitido.

Nessas fotos ficou registrado algo interessante: as informações em português nas placas. Macau foi, assim como Goa (Índia), uma colônia portuguesa por  450 anos e por isso alguns aspectos desses exploradores ficaram na cultura e idioma, persistindo mesmo após esse território passar para o domínio Chinês, em 1999. Dessa forma, as sinalizações estavam sempre escritas em português, mandarim e inglês, permitindo que os luso-falantes (praticamente inexistentes nos dias atuais), os chineses e todos os demais que falem inglês possam entender o que se diz.

Imigração de Macau Imigração de Macau

Passamos pela imigração sem nenhum problema. Como de praxe tivemos de preencher um formulário de entrada (que foi distribuído ainda no catamarã) e passar por um guichê onde apresentamos passaporte junto com o formulário.

Recebemos a notícia bomba

Saindo da área de imigração nos dirigimos a um guichê de informações turísticas. Mostrei então a reserva do nosso hotel e perguntei a ela qual era a melhor forma de chegar lá.

Ela então me disse que o nosso hotel ficava em Zhuhai, que é uma cidade chinesa que fica colada na parte continental de Macau. Ela completou dizendo que para ir a Zhuhai precisaríamos ter um visto chinês, o que não tínhamos. Para que entendam: Macau é composta de duas ilhas e uma península continental. Essa parte continental é vizinha do território continental da China, e o hotel ficava em Zhuhai que é uma cidade Chinesa, ao lado dessa parte continental de Macau.

Depois de receber essa informação olhamos com mais atenção a reserva e verificamos que realmente estava escrito que ficava em Zhuhai. O que concluímos foi que fomos induzidos ao erro, já que quando buscamos pelo hotel no site do hotel.com, procuramos por hotéis em Macau, e entre os resultados apareceu esse em Zhuhai. Como não sabíamos de todos esses detalhes e que Zhuhai ficava já depois da linha imaginária que separa Macau de Zhuhai, reservamos mesmo assim.

Aeroporto de Macau Aeroporto de Macau

Problemas com visto voltava a nos atormentar

Diante da informação que nos tirou o chão começamos a pensar em alternativas. A primeira foi perguntar à mesma funcionária se seria possível conseguir o visto chinês de forma rápida, naquele mesmo dia. Ela disse que havia possibilidade. Que deveríamos ir ao aeroporto e procurar pelo setor de vistos.

O aeroporto ficava bem pertinho (cerca de 1 km), ao lado do terminal marítimo. Seguimos para lá andando rapidamente e nos dirigimos então a um guichê de informações, onde expliquei o nosso caso e perguntei onde eu poderia tirar o visto.

A funcionária muito solicita e prestativa pegou o telefone e começou a fazer um monte de ligações. Percebia-se que ela não sabia exatamente para onde nos encaminhar, mas estava tentando a todo custo conseguir a informação. Estava diante de nossos olhos a tão falada eficiência chinesa. Depois de incansáveis diálogos ela enfim largou o telefone e nos disse que sim, que era possível tirar o visto chinês naquele mesmo dia e momento, mas teríamos de correr muito, pois encerrava às 17:00 (e já era 16:00).

Ela então rapidamente escreveu num pedaço de papel, em mandarim, o nome do local ao qual deveríamos ir e disse que deveríamos simplesmente mostrar ao taxista que ele saberia onde nos levar. Ela explicou que a muitos motoristas não falavam inglês e que o papel resolveria. Agradecemos bastante a ajuda, que tinha sido fantástica, e saímos correndo.

Escrita em chinês e português no asfalto Escrita em chinês e português no asfalto

Desesperados por um táxi

Estávamos no segundo piso do aeroporto, e então descemos para o térreo onde ficava o ponto de táxi. Ao chegar, vimos uma fila significativa, e não víamos táxis chegando. A impressão que tivemos é que até chegar nossa vez já teria se passado muito tempo, e por isso ficamos agoniados.

Conversamos entre nós e optamos por voltar correndo para o terminal marítimo, pois quando desembarcamos vimos um local de parada de táxi e naquele momento tínhamos observado que não havia fila.

Esbaforidos, correndo e com fome nos dirigimos de volta ao terminal e chegando lá não vimos nenhum táxi. Além disso, não se via táxi passando na rua com frequência, como se vê aqui no Brasil. Vi então um táxi parado, meio escondido e todo fechado com uma pessoa dentro. Bati e a pessoa fez sinal de que não estava disponível.

Nossa, os minutos estavam passando e estávamos nos sentindo impotentes, não tínhamos como chegar lá.  Pela distância não daria tempo de chegar andando, e se não conseguíssemos o visto, não teríamos para onde ir e nem hotel para passarmos a noite. Ficamos ali pelo terminal perambulando, até que fui a uma funcionária do terminal e perguntei onde poderia pegar um táxi, e ela disse que seria ali mesmo.

Eu então mostrei o papelzinho com o nome do local em mandarim e disse que precisava ir para lá e não estava encontrando um táxi e ela então disse que havia um ônibus que passava lá perto e apontou para ele parado no terminal. Diante da informação dela eu até pensei que poderíamos ir de ônibus, mas depois rapidamente percebi que provavelmente não daria certo, pois o ônibus passava perto, e não no local. Muita gente na rua não falava inglês, e muito menos português, e o ônibus estava chegando naquele instante só faltava trinta e poucos minutos para as 17:00.

Ninguém se importava conosco!

Seria melhor arriscar esperar aparecer algum táxi, pois seria bem mais rápido o trajeto. A vontade que dava era de gritar para todo mundo: “Precisamos ir rápido para o escritório de visto chinês, alguém pode nos ajudar??”. Mas isso não adiantaria e terminou ficando só na minha cabeça. Enquanto estávamos preocupados de passar a noite na rua as pessoas andavam calmamente, como se nada estivesse acontecendo!

Foi então, que milagrosamente apareceu um táxi. Fomos todos correndo em direção a ele, mas já havia uma pessoa, somente uma, esperando na nossa frente. Ela entrou e nem se importou se dormiríamos na rua ou não! Marcelino fez uma cara de que queria matar a mulher, e ainda brigou comigo por que eu não disse a ela que estávamos com pressa, que tínhamos urgência!

Por mais que isso me angustiasse, ela estava alheia a tudo isso e nem tinha ideia da nossa preocupação de ficar ao relento por toda a madrugada, e tivemos de deixá-la ir o táxi que nos levaria ao paraíso, ou quase isso, já que um hotel naquele momento era tudo que queríamos.

Andando de táxi Mercedez Andando de táxi Mercedez

A esperança voltou a sorrir

Para nossa alegriaaaaa, poucos minutos depois apareceu outro táxi, e desse tratamos de tomar conta rapidamente. Já tínhamos planejado que se alguém se aventurasse na tentativa de toma-lo de nós seria rapidamente golpeado e imobilizado!

Mal o veículo parou e fomos adentrando e mostrando o bendito papelzinho para o motorista, que como previu a nossa heroína (que deu informação no aeroporto), não falava uma palavra do idioma global, o inglês. Marcelino novamente ficou me aporrinhando, dizendo que eu devia dizer a ele que estávamos com pressa, que era questão de vida ou morte. Eu tive então de lembra-lo que ele não falava inglês!

 

Visitando o escritório de visto chinês em Macau

Depois de tanta corrida, enfim chegamos ao bendito escritório de vistos, e, por mais que tenha sido difícil, chegamos antes das 17:00. Mesmo assim ouvimos da funcionária que não seria possível tirar o visto naquele dia! Nossa, que raiva que ficamos! Eu expliquei todo o nosso problema e o motivo pelo qual precisávamos do visto com tanta urgência e ela, mesmo assim, disse que não.

Parecia que queria nos ver dormindo na rua! Eu então expliquei tudo a Marcelino e a Viviane e ficamos pensando o que faríamos. Percebendo o nosso murmúrio ela me chamou e disse que, talvez houvesse uma solução. Ela disse que, se fôssemos até a fronteira lá no momento talvez, e frisou bastante esse talvez, conseguíssemos um visto de curta duração, que seria válido somente para Zhuhai, com o qual poderíamos entrar e ir para o tão sonhado hotel.

China Travel Service Office (Macau) China Travel Service Office (Macau)

A partir dessa informação surgiu uma discussão entre nós três. Já estava escurecendo, e por isso eu e Marcelino achávamos que devíamos procurar outro hotel por ali mesmo, em Macau, pois quanto mais tarde ficasse, mais difícil seria. Já Viviane queria tentar ir para a fronteira e ver se conseguíamos esse visto que seria dado na hora. Isso gerou certo stress, e para evitar brigas aceitei que fôssemos fazer a tentativa, mesmo contrariado.

Viviane queria a todo custo ir para esse hotel por que, entre todos que tínhamos reservado para a viagem, esse parecia ser o melhor e mais confortável. Tinha uma piscina na cobertura e quartos muito bons. Ela estava apegada a isso e indignada por pagar e não poder usar.

Saímos do escritório de vistos, fomos para a rua e em poucos minutos parou um táxi para deixar alguém e conseguimos pegá-lo (uma Mercedes luxuosa). Para nossa sorte o motorista falava inglês e tudo ficou mais fácil. Expliquei a ele toda a situação, e ele me deu duas notícias ruins: a fila a imigração era imensa, podendo demorar horas e por outro lado encontrar hotel em Macau, em cima da hora, seria quase impossível, pois nos fins de semana (era sábado), muitos chineses e estrangeiros vinham a Macau, com reservas feitas com muita antecedência.

Além de tudo isso, se ainda assim conseguíssemos um hotel seria caríssimo, algo praticamente impeditivo. Macau é um local de muita concentração de riqueza. Tem muitos cassinos, hotéis e estrutura turística de alto padrão e tudo é muito caro. Por isso,  era difícil conseguir táxis, pois a demanda é grande e a oferta pouca. Diante desse conjunto de informações, a possibilidade de passarmos a noite ao relento aumentava, e isso me assustava.

Como já estávamos indo para a fronteira, seguimos em frente para fazer essa tentativa. Vale lembrar que, apesar de ser praticamente um país, Macau é muito pequeno, então todas essas distâncias, inclusive para ir até a fronteira com Zhuhai, são rápidas  para serem percorridas de carro.

Fila gigantesca de Zhuhai Fila gigantesca de Zhuhai

A fila inconcebível

Chegamos ao local onde havia o acesso para a imigração, descemos, pagamos e começamos a seguir o fluxo, pois parecia que todos estavam indo para o mesmo local, e não era pouca gente. O local era uma espécie de terminal, com vários pontos de ônibus e de táxi.

Seguimos andando, subimos uma rampa, e o que se mostrou na nossa frente foi algo assustador, algo inimaginável e que era difícil de acreditar. Lembra da fila de horas que o taxista que nos trouxera até ali falou? Pois é, ela estava na nossa frente, mas não parecia ser de horas, e sim de dias! Havia alguns milhares de pessoas esperando na tal fina para passar pela imigração e ir para a China, e pior, a fila parecia estar parada ou bem lenta.

Pelas feições se via que eram trabalhadores  chineses que trabalhavam em Macau, mas não tinham residência lá devido ao alto custo dos imóveis, e por isso voltavam todos os dias para a China no final do expediente. Diante daquela fila que literalmente parecia interminável, eu disse claramente a Viviane que não ia esperar horas a fio para poder, já tarde da noite, descobrir que não conseguiríamos o visto. Felizmente ela terminou por sucumbir ao argumento e voltamos cabisbaixos ao ponto onde o táxi havia nos deixado.

Nome da rua em português "Rua de Foshan" Nome da rua em português "Rua de Foshan"

Plano C: voltar para Hong-Kong

Entre as informações que o último taxista havia nos dados, teve uma que foi boa. Ele nos dissera que o sistema de ferry-boat que ligava Macau a Hong Kong funcionava 24 horas. Juntando essa informação com a fila horrenda, é óbvio que pensamos então em voltar para Hong Kong  e tentar um hotel lá.

Após essa conclusão, eu sugeri que, em último caso, passássemos a noite no aeroporto, que funcionava 24 horas e seria um local seguro, apesar de desconfortável. Seguimos então para o aeroporto, e fomos para um local onde havia acesso a internet gratuito por uma hora.

A ideia era tentar falar com Júlia para que ela fosse tentando providenciar o hotel, pois se fôssemos direto íamos chegar tarde e ficaria mais difícil conseguir hotel naquele horário. Tentamos falar com Júlia via redes sociais e Skype, já que o telefone dela não estava atendendo. Depois de muitas tentativas eu finalmente consegui falar com ela por Skype e disse a ela nossa situação difícil e que se ela não conseguisse o hotel para nós em Hong-Kong nós íamos ter de passar a noite no aeroporto.

Ela pediu um tempo e disse que teria de ir aos outros hotéis que ficavam no mesmo prédio, e demoraria, já que para descer e subir os elevadores e procurar em cada hotel levava algum tempo. Aguardamos ansiosamente a resposta e nesse meio tempo, já sete da noite, fomos comer alguma coisa, depois de um dia todo correndo para lá e para cá.

Além das lanchonetes encontrei também no aeroporto uma espécie de agência de viagens, onde havia várias opções de hospedagem. Fui até lá, e uma funcionária mal humorada mal quis me atender. Ela não falava inglês e ficou brava comigo por que eu tentei falar com ela! Foi então que outro funcionário de outra empresa, que estava perto tentou ajudar. No final o que descobri foi que estava praticamente tudo ocupado e que o que estava vago tinha um preço bem salgado, cerca de 700 reais por pessoa, para cada noite.

Ao fundo construção imponente de Macau Ao fundo construção imponente de Macau

Depois do tempo combinado eu voltei a falar com Júlia, que nos disse que só conseguira o quarto, a muito custo, pelo preço de 850 HKD, para os três. Era bem mais caro do que o preço que havíamos pago na primeira diária em Hong Kong, mas ainda assim era a melhor opção que tínhamos.

A única observação que fizemos é que o quarto não poderia ser compartilhado com estranhos. Ela estava sendo pressionada por lá, pois havia outra pessoa no balcão do hotel, naquele momento, querendo pagar pelo quarto e já com o dinheiro em mãos. Ou seja, ou era sim ou ficaríamos sem quarto. Perguntou-nos então, agoniada, se era sim ou não: dissemos sim!

Depois disso ficamos, enfim, mais tranquilos. Fizemos o trajeto de volta, pegamos o catamarã com conforto de avião e voltamos a Hong Kong, para passarmos por mais uma surpresa, que até hoje não entendemos direito. Fizemos, como eu disse, o mesmo trajeto, passando pelo mesmo ponto de imigração, embarcando no mesmo local, mas chegamos a outro local, na outra ilha de Hong Kong, bem distante do nosso hotel.

Fomos então para a fila de táxi (essas filas nos perseguiam) e esperamos nossa vez e entramos no táxi. Eu disse o nosso destino (Nathan Road, Kowloon) e o taxista só fazia que não, falando poucas palavras em inglês, com dificuldade. Não entendi direito, mas diante da insistência dele, saímos do carro, pois ele estava praticamente nos colocando para fora!

Voltamos à fila (não ao final) e pegamos o próximo táxi. Esse era muito bem humorado e ao dizer o ocorrido ele explicou que dependendo da licença do táxi ele só podia rodar numa determinada região. No caso do táxi anterior ele não podia nos levar para a outra ilha. Como já falei em momentos anteriores do relato, as ilhas são interligadas por pontes e túneis, e esse táxi foi pelo túnel que passa por baixo do mar e em poucos minutos estávamos “em casa”.

Prédios iluminados de Macau Prédios iluminados de Macau

Entramos no edifício Chungking Mansion e tivemos de pegar o elevador do bloco de onde Júlia estava, depois descer e pegar o elevador para subir para o outro bloco, já que devido à imensidão do edifício, cada bloco tem seu sistema de elevadores, como se fosse um prédio independente e não há interligação entre esses blocos que não seja pelo térreo. Gastamos quase quarenta minutos nesse “trajeto” e por fim chegamos ao quarto reservado, que surpreendentemente era menor que o quarto da noite anterior (o que pensávamos, antes de ver o quarto, ser ser impossível) e também com um acabamento inferior.

Para o alento de Marcelino, apesar do tamanho, tinha uma janela que dava para um ambiente aberto e por isso podia nos prover ar fresco. Ele ficou tão feliz ao ver a janela que mal percebeu os defeitos do quarto, ficando muito feliz, diferentemente da noite anterior, durante a qual ele disse se sentir sufocado, por dormir num local sem janela. Tomamos um banho bem apertado, pois mal podíamos nos mexer e fomos dormir com a sensação de que nadamos, nadamos e morremos na praia. Havíamos chegado tão perto do hotel de Zhuhai e não conseguimos ir até o fim. A sensação era de ter jogado dinheiro fora, pois estávamos pagando dois hotéis pela mesma noite.

Apesar da "derrota" estávamos também com a sensação de alívio, por que mais uma vez, no final, ter dado tudo certo e estarmos sãs e salvos e dormindo numa cama e com segurança.

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