Relato de viagem

Tenha cuidado: o visto indiano pode ser uma armadilha, principalmente se você comprar a passagem com a Decolar

Após terminar a nossa reunião com Ajay sabíamos que não podíamos dormir muito tarde por causa do plano de no dia seguinte seguir para Auli, no extremo nordeste da Índia e de lá para o Nepal, tudo isso de carro. Fomos dormir cedo na expectativa de viajar no dia seguinte. Deixamos as malas prontas e abraçamos o travesseiro.

O único acontecimento esquisito naquela noite foi a vinda de um suposto funcionário do hotel ao nosso quarto, vestindo uma camisa roxa e dizendo que o ar-condicionado estava com defeito. Ele já chegou querendo entrar no quarto. Eu estranhei o comportamento, e disse a ele que estava tudo bem com o ar-condicionado. Ele insistiu e novamente fez movimentos indicando que entraria no quarto, e eu tive de ser rude e dizer que não o deixaria entrar. Ele disse ok e foi embora.

Achando isso suspeito comentei com Júlia e Marcelino e Júlia disse então que na noite anterior, após a nossa chegada, também com uma camisa roxa, ele tinha ido no quarto onde ela estava e oferecido um vinho para ela! Realmente ele tinha comportamentos estranhos e parecia muito suspeito, e isso nos incomodava. A partir daquele momento ficamos com um pé atrás e atentos a ele.

A Decolar não nos permitia VOAR

A confusão da rua vista do quarto do hotel em Delhi A confusão da rua vista do quarto do hotel em Delhi

Acordamos com a ideia de que aquele seria o dia que teríamos de definitivamente resolver o problema da nossa volta ao Brasil e da terceira entrada na Índia. Resolvemos logo depois do café ligar para a Decolar, pois havia três dias que havíamos solicitado a alteração na nossa passagem (o esposo de Júlia, que estava no Brasil, a nosso pedido tinha solicitado as alterações) e naquele dia então estaria fazendo as 72 horas que a Decolar estipulou serem necessárias para processar a alteração.

Devido aos altos custos de ligações internacionais, estávamos fazendo ligações via internet, utilizando um aplicativo chamado Nimbuzz (semelhante ao Skype, só que mais barato). Nessas ligações há sempre um retardo no áudio, e isso muitas vezes atrapalha um pouco. Além disso, o atendimento da Decolar é péssimo. Já achávamos que ter de esperar 3 dias para fazer uma alteração na passagem era um absurdo, pois hoje em dia tudo é por meio eletrônico e não há motivo para esse prazo. Além disso, mesmo esperando esse prazo estávamos tendo dificuldades para conseguir saber enfim qual seria o custo para remarcar a passagem.

ESCRAVOS DO TELEFONE

Os primeiros atendentes diziam que ainda não estava disponível a informação e que teríamos de aguardar mais, como se já não tivéssemos esperado por três dias. A própria Decolar (empresa pela qual compramos as passagens) deu o prazo de 3 dias e agora não estava cumprindo.

Como eram três compras e 4 passageiros, cada um com um código de reserva e ainda tínhamos de explicar sobre o trajeto anterior e o trajeto novo e fazer a confirmação de nome de cada um  e detalhar nossa situação e ainda havia os “aguarde um momento senhor” que demoravam muitos minutos em cada ligação gastávamos quase uma 1 hora. Como várias vezes, depois de toda a explicação, a ligação caia e outras vezes desligávamos por perder a paciência com o péssimo atendimento gastamos horas tentando resolver isso.

Enquanto eu fazia essas inúmeras ligações, Júlia e Viviane estavam no computador olhando quanto seria se fôssemos esquecer a nossa passagem de volta e comprar outra, voltando direto de Hong-Kong. Os preços que estávamos encontrando eram mais de R$ 3.000,00 por pessoa, só para a volta! Depois de muito tempo e muitas ligações, falei com um atendente que finalmente me disse que o custo para fazer a modificação (ao invés de voltar de Mumbai, na Índia, voltar direto de Hong-Kong para o Brasil custaria R$ 1254,00 reais por pessoa.

Apesar de ser muito caro, ainda assim era bem mais barato do que comprar uma nova passagem, que seria a nossa última escolha. Fazer essa modificação na passagem impactava em várias questões no nosso roteiro original, inclusive em outras passagens já compradas e até mesmo em reservas de hotéis, pois originalmente tínhamos voos comprados de Hong-kong para Tailândia, da Tailândia para Chennai (na Índia) e de Chennai para Mumbai, onde originalmente pegaríamos nosso voo de volta para o Brasil. Se fôssemos voltar direto de Hong-Kong, essas três passagens não seriam mais utilizadas, e por isso deveríamos ver se era possível cancelá-las e e receber o reembolso.

Além das passagens, havia hotéis reservados também, e por tudo isso se naquele momento confirmássemos sem ver tudo isso correríamos o risco de ter de pagar todas as passagens não usadas e mais o custo de alteração que estava sendo informado pelo atendente. Ainda assim, pelo tormento que estávamos passando, pelo impacto negativo que isso estava causando na nossa viagem, eu disse que achava que deveríamos já resolver aquilo naquele momento, pagar a diferença e depois ver o cancelamento das outras passagens e hotéis. Mas os outros três do grupo discordaram e fui voto vencido.

DESCOBRINDO MANEIRAS DE CHEGAR A KATHMANDU

Ajay Sharma, gerente do hotel que nos ajudou muito Ajay Sharma, gerente do hotel que nos ajudou muito

Após ter essa informação que parecia confiável resolvemos  ir conversar com Ajay novamente. Ele então nos disse que por 1000 dólares americanos poderia colocar um carro com motorista (o mesmo Innova) à nossa disposição para ir conosco a Auli, ficar dois dias lá depois nos levar até Kathmandu, no Nepal. Fiz as contas e dava no total quase 3000 quilômetros. Além disso, o carro ficaria a nosso comando, então nós decidiríamos onde parar, quanto tempo ficar e inclusive poderíamos utilizar o carro lá pela região de Auli, para conhecer. A proposta parecia tentadora e o preço parecia interessante. A partir de Katmandu, originalmente, voltaríamos a entrar na Índia, por Kolkata, e de lá pegaríamos um voo para Tailândia.

Expomos isso a ele e perguntamos então se era possível que o carro nos levasse depois do Nepal para Kolkata. Entretanto verificamos que essa possibilidade não era viável, pois estava planejado para ficarmos 7 dias no Nepal, e daí ficaria muito carro manter o carro disponível por 12 dias. Ajay então sugeriu que fôssemos para Auli, voltássemos para Délhi e de Délhi pegássemos um voo para Kolkata (Índia). Ele ofereceu também, e segundo ele seria a melhor opção, que de Kathmandu fôssemos de avião para Kolkata. Entretanto essa opção, até aquele momento, estava descartada, pois queríamos evitar o aeroporto de Kathmandu a todo custo, já que ele estava classificado como um dos mais perigosos do mundo.

Toyaota Innova para Auli Toyaota Innova para Auli

Terminamos optando então por fechar com ele somente a nossa ida a Auli, e depois voltaríamos por conta própria ou ligaríamos para ele, e ele mandava um carro para nos buscar. Segundo ele, a fronteira estadual entre o estado que estávamos e o outro estado da Índia que iríamos entrar para chegar a Auli fechava às 17:00 horas. Assim, se saíssemos logo no início da tarde teríamos de parar poucas horas depois para dormir em algum local, para no dia seguinte cruzar a fronteira. A outa opção seria sairmos no dia seguinte de manhã para cruzarmos a fronteira no mesmo dia e chegar a Auli a noite. Terminamos optando por essa opção, e agendamos para sairmos 6 da manhã do dia seguinte, e que ainda naquele mesmo dia,  no final da tarde, voltaríamos no escritório dele para pagar pelo acertado.

A troca IMPOSSÍVEL E O serviço sofrível da DECOLAR

Agora que já tínhamos acertado a nossa ida a Auli tínhamos de resolver a questão da nossa passagem, trabalho este que provavelmente nos tomaria muitas horas ao telefone. Acontece que dessa vez o cenário piorara, pois o atendente dessa vez disse que tudo que o atendente anterior dissera estava errado e que não constava no sistema o valor que teríamos de pagar para fazer a mudança da passagem!

Reclamamos, ficamos indignados, ele pediu um momento e a ligação, depois de 2 horas no telefone, caiu. O atendente seguinte, por sua vez, disse que constava no sistema que tínhamos recusado a opção que fora oferecida pelo atendente anterior e que se quiséssemos fazer a alteração teríamos de abrir uma nova solicitação, aguardar mais 72 horas para saber o preço e depois então pagar!! Nossa, aquilo estava nos deixando loucos, enfurecidos e revoltados.

Chegamos ao ponto de falar com outro atendente que nos disse que as 72 horas eram úteis. Ou seja, como cada dia tem 8 horas úteis, seriam quase 10 dias para saber o preço!! Essa afirmação ganhou de todas em nível de absurdo. Cada uma dessas ligações seguia o mesmo processo deprimente de explicar tudo novamente, esperar uma infinidade de tempo, muitas vezes a ligação cair, e depois de muita canseira terminar por ouvir esses absurdos. Depois de mais algumas tentativas e horas a fio de revezamento nas ligações (Marcelino falou uma vez, Júlia outra e Viviane outra), perdemos as forças e não sabíamos mais o que fazer. Parecia que era impossível resolver aquilo. Já estávamos muito furiosos com o atendimento caótico de a Decolar.

MISSÃO: ENCONTRAR ALGO COMÍVEL

Estávamos o dia todo pendurados no telefone e muito irritados. Já era 8 da noite e eu precisava me alimentar. Olhei no GPS e vi que constava que havia um Subway a 1,8 quilômetros do hotel, já na parte "boa" da cidade. Decidimos Viviane, eu e Marcelino irmos lá e tentar comer algo.  A fome me chamava, e eu estava desejando um Subway, ainda mais que não confiava comer em nenhum lugar que eu tinha visto ali por perto (devido à precariedade da higiene). Fomos andando e nos surpreendemos com o movimento de pessoas nas ruas e pela confusão que era a cidade. De carro já ficávamos agoniados, com o tumulto de pessoas e a sujeira (na parte ruim de Délhi), mas dessa vez, andando vimos que era muito pior.

Caminhamos por ruas com grande suspensão de poeira no ar (que incomodava muito quando respirávamos), trânsito intenso, mas tranquilidade do ponto de vista de segurança. Seguíamos o GPS e quando chegamos próximos do local indicado um indiano viu que procurávamos algo e perguntou o que era. Eu disse que era o Subway (e felizmente ele perguntou se o Subway de trem ou a lanchonete) e nos disse que bastava seguirmos um pouco adiante. Andamos mais um pouco e o local que ele indicou coincidia com o local que o GPS apontava como sendo o local do Subway, mas infelizmente a lanchonete não estava lá! Rodamos, procuramos e nada. Ao invés da lanchonete, no local indicado havia uma descida para o metrô.

Talvez o Subway fosse dentro do Subway (a lanchonete fosse descendo para o metrô), mas como não estávamos mais com paciência e com muita fome decidimos procurar outra alternativa, que nesse caso foi o McDonald's. Por uma questão de alimentação saudável eu nunca como em McDonald's, mas nesse dia a fome estava tão grande que abrimos essa exceção. Até Marcelino, que também é totalmente avesso a McDonal's e bem xiita em relação a isso foi para o McDonald's conosco. Infelizmente o sandwich de lá era horrível. Além de um péssimo alimento conseguia ter um sabor horrível. Até Viviane que gosta de McDonald's achou horrível. Comemos a pulso, somente pela fome mesmo,  mas com muito esforço. Não é que estava mal preparado ou coisa assim, é que os lanches do McDonald's de lá são diferentes, e esse diferente é muito ruim!

RUMO À BUROCRACIA INDIANA

Saciada a nossa fome (de form sofrível) voltamos para o nosso hotel caminhando novamente. Chegando lá ficamos novamente algum tempo no telefone e algum tempo depois recebemos um e-mail da embaixada da India em Brasília dizendo para irmos a um órgão de imigração indiano chamado FRRO (que ficava em Delhi). Já era tarde e por isso decidimos ir no dia seguinte

Tomamos mais uma vez uma minivan da Suzuki, só que com um grande e feliz diferencial: um motorista nepalês! Ele nos levou no FRRO, onde possivelmente resolveríamos o nosso problema da terceira entrada na Índia.

Marcelino logo começou a me pedir para fazer inúmeras perguntas para o motorista, inclusive algumas estranhíssimas como: “pergunte a ele qual o ponto mais alto na estrada de Délhi para o Nepal”. Nossa, ele acha que o cara é um computador, e que vai saber  esse tipo de coisa, pensei comigo.

Tentei dizer a ele que ele não saberia, e ele não aceitava e insistia que isso era importante para ele. Eu disse que esse tipo de coisa ele poderia olhar no Google maps, mas ele, como sempre, não aceitava e queria que eu fizesse essa e mais duas dezenas de outras perguntas semelhantes. Algumas eu fiz, mas no meu ritmo, da minha forma, pois eu gostava de conversar e trocar informações, mas isso tinha de ser com calma, e não enxurrando a pessoa com inúmeras perguntas estrambólicas.

CONHECENDO UM NEPALÊS E ENTRANDO NO FRRO

O motorista nepalês que nos levava disse que era melhor viver na Índia, pois havia mais oportunidades e que se ganha melhor. Disse também que Índia e Nepal são como irmãos, sendo a Índia o irmão mais velho, demonstrando com isso que a relação entre os dois países é boa. Ele completou respondendo à minha pergunta e disse que não, não era necessário visto, e que nepaleses e indianos têm livre trânsito entre os dois países. Após algum tempo andando e conversando enfim chegamos ao FRRO.

FRRO - Escritório de Imigração indiano FRRO - Escritório de Imigração indiano

Era um órgão grande, muito bem instalado e muito bem policiado, com uma quantidade surpreendente de militares fazendo a segurança. Obtive informação e olhando a sinalização consegui chegar num local onde aparentemente casos como o nosso eram tratados. Havia um militar na porta, eu expliquei rapidamente a minha necessidade  ele disse que eu entrasse, mas só um, que no caso foi eu, por causa do domínio do inglês.

Entrei, dobrei alguns corredores, e quando chego à sala informada, uma quantidade enorme de pessoas e uma fila de uns 10 indivíduos para ser atendido no balcão que parecia ser de informações. Logo eu pensei que cairia na burocracia indiana, que cada um me mandaria procurar outra pessoa e que levaria a manhã toda naquele local. Eu não sabia nem mesmo se aquela fila era para o meu caso, mas como todos os funcionários pareciam ocupados atendendo a inúmeras pessoas e nós estávamos querendo uma espécie de favor, liberando a nossa terceira entrada, achei melhor esperar quietinho na fila.

Felizmente a fila não demorou tanto quanto eu pensava, e cerca de 20 minutos depois eu estava sendo atendido. Eu já estava com alguns papéis na mão, inclusive o que eu tinha mostrado na entrada na Índia em Mumbai, mas ao começar o diálogo o funcionário de primeira me disse que não precisava mostrar nenhum papel, bastava explicar a minha questão. Bom, então eu expliquei tudo a ele, toda a história, mas de forma resumida. Disse que a embaixada da Índia no Brasil tinha dito que poderíamos entrar a terceira vez se tivéssemos a passagem comprada e explicássemos tudo direitinho, mas ele disse que não, que eu não podia entrar a terceira vez.

O CASTELO DE AREIA DO VISTO INDIANO

A questão é que no nosso visto concedido pela embaixada havia a informação de dupla entrada e mais duas informações adicionais: uma dizendo que estava também permitido turismo na vizinhança e que deveria haver um intervalo de 2 meses depois da última saída. Segundo a embaixada da Índia no Brasil nos dissera, esse carimbo de turismo na vizinhança nos permitiria ir ao Nepal e voltar como uma terceira entrada, já que pelo que explicaram, o Nepal fazia fronteira e por isso não haveria problema.

Acontece que esse funcionário que me atendeu não interpretou assim, e além de dizer que não podíamos entrar a terceira vez também disse que só poderíamos entrar a segunda vez depois de 2 meses, mesmo indo e voltando do Nepal! Nossa, ouvir aquilo foi muito ruim. Eu saí cabisbaixo e contei aos outros a péssima notícia.

Ainda sem acreditar completamente sobre a impossibilidade de reentrar na Índia a segunda vez antes de dois meses eu rapidamente voltei lá e consegui falar com o funcionário novamente sem pegar fila e insisti: mas aqui está dizendo que o intervalo de dois meses deveria ser respeitado depois da última saída, como seria nossa primeira saída e havia permissão de turismo na vizinhança que no meu entender (e no da embaixada da Índia no Brasil) poderíamos entrar novamente na Índia vindo do Nepal antes de dois meses. Ele mais uma vez disse que não, que não poderíamos.

Saí de uma vez da sala e disse a todos que segundo o funcionário entendia, não poderíamos entrar nem a segunda vez antes de dois meses. Ou seja, fomos a esse órgão para tentar resolver um problema e além de não resolver arrumamos outro bem pior, por que de acordo com a afirmação do burocrata não teríamos nem como reentrar na Índia para pegar nosso voo de volta. Agora estávamos com sérios problemas, e tudo ficou mais tenso do que já estava.

DESESPERADOS POR UM VISTO

Ao retornarmos fomos direto falar com Ajay novamente e explicar a ele que a situação piorara, e que agora, segundo o FRRO, não poderíamos reentrar na índia (pelo menos não antes de dois meses). Expliquei a ele que tínhamos explicado tudo para a embaixada Indiana antes mesmo de comprar as passagens, enviado e roteiro completo e que a Embaixada havia dito que não haveria problemas, e que a imigração em Mumbai dissera diferente e agora o FRRO dissera diferente da embaixada e diferente da imigração de Mumbai!

O que eu queria era mostrar a ele que o governo indiano é que era desorganizado e confuso e que não era culpa nossa esse trabalho todo que estávamos dando a ele. Ele compreendeu, disse que estava tudo bem e então sacou o telefone e ligou para o FRRO, falou alguma coisa e me passou o telefone. Eu expliquei o nosso caso (estava falando com outro funcionário e não com o mesmo que havia falado pessoalmente), e o funcionário disse que eu poderia sim entrar a segunda vez vindo do Nepal sem ser antes de dois meses. Daí então eu disse que havia ido mais cedo ao FRRO e que outro funcionário havia me dito que eu não poderia, e de repente, como num passe de mágica, ele então disse que então eu não poderia entrar a segunda vez antes de dois meses! Ou seja, não podíamos confiar nas informações fornecidas, pois elas eram muito voláteis.

Diante do novo cenário chegamos inclusive a pensar na possibilidade de nem sairmos da Índia, ficarmos mais 15 dias lá, e depois irmos para Mumbai pegar nosso voo de volta. Diante no novo cenário esboçado pelo FRRO e diante da dificuldade de remarcar a passagem essa seria a única forma de termos um voo de volta sem termos problemas com entradas adicionais.

Fui eu que abordei essa possibilidade, mas com um imenso pesar e tristeza, somente pensando de uma forma analítica. Essa seria uma solução drástica, muito triste e que traria um sentimento de fracasso e infelicidade terrível, pois queríamos ir para os outros países como planejado. Apesar de todas as dificuldades, ainda havia ânimo nos outros, e todos disseram que não queriam fazer aquilo, felizmente.

Eu também não queria, de forma alguma, mas me senti na obrigação de dizer que havia essa possibilidade, por pior que fosse. Quando estávamos tentando resolver  a questão do cancelamento das outras passagens, e fazer a mudança na reserva dos hotéis chegamos à conclusão que poderíamos fechar com Ajay a nossa ida à Auli independente da questão do nosso voo de volta. Liguei então e disse a ele que às 5 da tarde iríamos lá dar uma posição final.

TIRANDO A BARRIGA DA MISÉRIA E TOMANDO UMA DECISÃO

Todos esses dias que ficamos “refugiados” no hotel tentando resolver a questão da passagem nos alimentamos mal. Nesse último dia, entretanto, resolvemos abrir o cardápio do hotel e pedir aquilo que julgávamos menos pior. Felizmente acertamos (Júlia pediu primeiro e a seguimos) e pudemos comer satisfatoriamente e sem traumas.

Depois da refeição fizemos mais algumas tentativas com a Decolar. Tentamos mais uma vez ver o preço para comprar uma passagem para o Brasil saindo de Hong-Kong, mas não conseguimos resolver. Descemos então, fomos nos reunir com Ajay e finalmente fechamos com ele a nossa ida para Auli. O acordado é que pagaríamos 375 dólares, pelos quatro, somente para que nos deixasse lá. Dependendo do que acontecesse nós ligaríamos para ele e ele mandaria um carro nos pegar e trazer de volta para Délhi pelo mesmo preço. Preferimos deixar assim em aberto por que poderíamos encontrar uma forma de voltar mais em conta, fosse de carro, fosse de ônibus ou trem.

Após fechar e pagar o transporte, perguntamos a Ajay se ele poderia nos indicar um local onde pudéssemos comer uma pizza italiana (ocidental, e não indiana que é cheia de pimenta e com sabores estranhos). Pedimos que ele nos indicasse um local que nós iríamos andando ou de táxi. Ele muito gentil fez mais que isso. Fez algumas ligações, e terminou por designar essa função (de conseguir a  pizza) para um funcionário do hotel que trabalhava na recepção que era igualmente gentil. Este funcionário nos deu um atendimento e atenção excepcional e disse que conseguiria a pizza.

Ele ligou então para pizzaria Dominos e o informaram que o pedido podia ser feito online, pelo site http://pizzaonline.dominos.co.in. Ele acessou, e começou a ter dificuldade para encontrar o local exato para fazer o pedido, e encontrar o menu de sabores. O engraçado é que ele começou a ficar nervoso pelo fato de não estar conseguindo, mas nervoso de uma forma educada e gentil.

Ele estava na verdade com vergonha de não estar conseguindo ser rápido e eficiente. Eu então disse a ele que se pudesse ser dois sabores na mesma pizza seria ótimo, e ele então respondeu: “Anything is possible. Just say what you want!” (Qualquer coisa é possível. Simplesmente diga o que deseja!). Nossa, isso é que é presteza! Depois de alguns titubeios em relação à escolha dos sabores e do tamanho fechamos o pedido e agradecemos enfaticamente pela ajuda, já que essa ajuda tinha sido sem nenhuma remuneração ou coisa semelhante.

Pizza deliciosa (A única coisa boa que comemos em Delhi) Pizza deliciosa (A única coisa boa que comemos em Delhi)

Cerca de meia hora depois recebemos nossa pizza e nos deliciamos. Pela primeira vez estávamos comendo algo delicioso, que comíamos com prazer. Desejamos muito que não acabasse. Estava muito boa aquela pizza!

Felizes pela deliciosa refeição voltamos o foco para nosso problema da passagem de retorno que ainda não tinha sido resolvido. Ficamos horas e horas até de madrugada no telefone, naquela mesma ladainha, as mesmas dificuldades e o mesmo péssimo atendimento da Decolar. Quando já estávamos desistindo, quando o desespero já tinha tomado conta a ponto de Viviane começar a chorar  pela possibilidade de ter de arcar com uma despesa não planejada de mais de três mil reais, que não parcelava, finalmente surgiu uma luz.

Viviane não desistiu e quando já era mais de uma da manhã, ela finalmente conseguiu que um atendente informasse o valor da alteração da passagem e disse que já poderia ser feito o pagamento naquele momento. A ligação estava muito ruim, muitas vezes não entendíamos o que a pessoa do outro lado dizia, mas felizmente conseguimos ir até o fim e concretizar a modificação das 4 passagens, depois de uma hora e meia de ligação. Ufa! Parecia inacreditável que tínhamos conseguido. Agora poderíamos dormir tranquilos, mas não muito tempo, pois estava agendado para sairmos com destino a Auli no dia seguinte às seis da manhã. Segundo nos informou Ajay seriam mais de 12 horas de carro para percorrer 500 quilômetros, sendo 200 numa das estradas mais perigosas do mundo.

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