Relato de viagem

Tour no Big Bus passando por Belcher Bay, Peak, Ocean Park e porto de Aberdeen

No dia 27 de novembro, quinto e antepenúltimo dia em Hong Kong seguimos para o ponto de travessia para a ilha do outro lado, apresentamos nosso voucher e rapidamente embarcamos. Esse serviço de travessia é muito antigo e o barco era tradicional e parecia ter mais de 100 anos, mas estava todo reformado e conservado. A travessia pela Belcher Bay foi bem rápida, durando cerca de 10 minutos. Ao chegar do outro lado já estava parado um ônibus  do Big Bus Tour e começamos nossa jornada. Enfim estávamos curtindo em Hong Kong. Até aquele dia tinha sido muita correria e pouco lazer e naquele momento estávamos sentados, passeado e aprendendo sobre a cidade. Coo planejado iniciamos pela linha vermelha, e pudemos perceber que a ilha de Hong Kong era ainda mais rica do que a região de Kowloon, com arranha-céus incríveis, incluindo o 12º mais alto do mundo. O adensamento da região é extremo, mas não se ver caos. Ao contrário, tudo parece organizado e bem planejado e o trânsito também parece fluir bem.

Travessia da Belcher Bay Travessia da Belcher Bay

Por incrível que pareça, Hong Kong tem uma extensa área verde preservada. Era possível ver, por grande parte do passeio, grandes regiões de mata, especialmente nas montanhas e ao mesmo tempo ouvir, no áudio guia, a informação de que ao lado estava o metro quadrado construído mais caro de Hong Kong (e com certeza um dos mais caros do mundo), que custava a bagatela de 4 milhões de HKD, o equivalente a cerca de 1.1 milhão de reais (cada metro quadrado!). Essa harmonia entre desenvolvimento e preservação é surpreendente e capaz de trazer grande qualidade de vida. É bem verdade que ter acesso a isso custa muito caro, já que essas áreas preservadas ficam mais próximas a áreas nobres ou áreas turísticas e morar próximo a elas não deve ser nada barato. As informações detalhadas que ia sendo passadas via áudio nos permitia não só conhecer o nome dos lugares como um pouco de sua história e isso tornava aquele passeio muito rico do ponto de vista cultural. Nas explicações havia muitas informações que remontavam à época em que Hong Kong fazia parte do império britânico, explicando as consequências e muitos dos hábitos e comportamentos atuais do local.

Entrando no Big bus Entrando no Big bus

Após algum tempo circulando e já com fome resolvemos saltar num local para comermos alguma coisa. Pela primeira vez, desde a nossa chegada em Hong Kong entramos num mercado de grande porte. Só havíamos visto pequenos supermercados que vendiam os produtos básicos, mais consumidos, mas com pouca variedade. Este não era do tamanho de um hipermercado brasileiro, mas já tinha uma gama de produtos bem maior, muitos caixas e praticamente todo tipo de produto. Cada um saiu à procura do que gostava. Eu particularmente comprei uma espécie de salada de frutas (sem leites ou líquidos, somente frutas descascadas e cortadas), um sanduiche natural, com um tamanho enorme e com um recheio volumoso e mais uma espécie de torta salgada para dividir com Viviane. Inicialmente eu tinha pego uma fruta, mas Viviane me alertou para o pratinho com frutas variadas e terminei trocando. Como havia um ônibus de meia em meia hora, não podíamos demorar, para não ficarmos uma hora fora do passeio. É bem verdade que havíamos parado naquele ponto depois que o áudio anunciou que aquela região era conhecida pela venda de eletrônicos, mas ao descer não vimos nada que nos impressionou e logo mudamos nossa rota e fomos ao mercado. A ideia era ficar o dia todo no passeio e por isso não queríamos perder muito tempo com a alimentação.

Prédio luxuoso de Hong-kong Prédio luxuoso de Hong-kong

Saindo do mercado seguimos para o local onde havíamos saltado, e começamos a ficar preocupados quando já passara de meia hora (desde o momento que havíamos saltado) e o ônibus não aparecia. É fácil se acostumar com coisas boas, e por isso estávamos imaginando que o ônibus de turismo seria pontual, mas isso não aconteceu. Quando ia fazer 40 minutos, ele finalmente ele apareceu e embarcamos. Dali em diante a nossa próxima parada seria somente para ir ao Peak, que é o ponto alto de Hong Kong, de onde era prometido se ter uma vista deslumbrante. Nesse ponto todos deviam saltar, pois o ônibus ficava estacionado e enquanto seguíamos para essa atração. Apareceu então uma funcionária que explicou como funcionava e em instantes estávamos numa pequena fila para embarcar numa espécie de bondinho, chamado “The Peak Tram”, que era puxado por um cabo de aço. No segundo bonde que apareceu já conseguimos entrar  e ao ele começar a se deslocar nos surpreendemos com a inclinação do trajeto. Devíamos estar sendo puxados (pelo cabo de aço) a cerca de 50 graus de inclinação e a uma velocidade considerável. Esse tram tem mais de 120 anos de existência, e talvez por isso ainda tivesse um acabamento de madeira. Dava para ver que era moderno, mas queria lembrar algo de época. Tudo era muito limpo e também muito organizado e por isso apesar da inclinação da subida podíamos nos sentir seguros naquele transporte. Muito da história do tram ainda está ali ao céu aberto. Durante o trajeto da subida passamos por túneis e arcos muito antigos, que devem ser da época da construção inicial. Além dessas construções históricas, a paisagem era belíssima, quase o tempo todo no meio da mata e em muitos momentos revelando uma vista que ia ficando cada vez melhor, conforme íamos subindo.

Hong-Kong Peak Hong-Kong Peak

Ao chegar no Peak o nosso desembarque foi feito por um shopping que é atrelado ao serviço. Nesse shopping, propositadamente, já saímos de cara com lojas vendendo um monte de lembrancinhas. Havia realmente muitas coisas interessantes e com bons preços. Viviane aproveitou então para comprar algumas coisas que julgava serem boas para vender, mas coisas baratas. Marcelino comprou um presente para sua mãe. Era uma espécie de quadro dobrável, com pinturas tradicionais chinesas e um acabamento realmente deslumbrante. Saindo dessa área de compras subimos para próximo andar onde nos deparamos com um museu Madame Tussauds.

Viviane e Bruce Lee Viviane e Bruce Lee

Há museus Madame Toussauds em vários locais do mundo, e Júlia, Junior e eu já havíamos visitado um em Londres, numa outra viagem. Nesse museu, assim como nos outros, havia uma exposição de bonecos de ceras, que são idênticos a pessoas reais. Normalmente os bonecos de personalidades famosas, como presidentes, artistas e outras personalidades conhecidas. É uma boa oportunidade para tirar fotos e enganar os amigos. Vendo a oportunidade, incentivei que Viviane e Marcelino fossem, nós esperaríamos, mas Viviane não quis e ficou chateada por eu não querer ir. Não me compreendeu que para mim seria um dinheiro não muito bem empregado e seria algo repetitivo. Dali seguimos para a parte mais alta, que dá efetivamente acesso à área aberta de onde se tem uma vista incrível, praticamente de Hong Kong inteira. No caminho alguns compraram um blusão de frio, que ao sairmos para a parte aberta se mostraram muito úteis. Na área aberta estava muito frio, cerca de 4° Célsius, e com muita neblina. Infelizmente não dava para ver nada, nem um pouquinho da vista tão divulgava. Havia no local telescópios para observação, uma mirante lindíssimo, mas tudo aquilo parecia não fazer muito sentido, diante da condição atmosférica. O local era muito bonito e muito bem estruturado, mas a recompensa principal seria a vista e as consequentes fotos, que infelizmente não foram possíveis.

Ocen Park Hong-Kong Ocen Park Hong-Kong

Depois de fazer o trajeto de volta e descer o bonde (dessa vez de costas, já que as cadeiras são fixas e o mesmo bonde sobe e desce) entramos novamente num ônibus. A nossa próxima para foi no Ocean Park, um famoso parque temático de Hong Kong. Eu já tinha ouvido alguma coisa sobre esse parque, mas sem muitos detalhes. Ao avistá-lo sugeri e saltamos. Infelizmente, devido ao horário verificamos que não daria tempo para entrar, curtir as atrações (que eram muitas) e voltar para o ônibus. Como aquele era praticamente o nosso último dia (o próximo seria em Shenzhen e no seguinte tínhamos nosso voo de volta), ficamos tristes em saber que não aproveitaríamos aquilo que parecia ser um dos locais mais legais de Hong Kong. Já que tínhamos saltado resolvemos pelo menos dar uma olhada e tirar umas fotos. Aguardamos um pouco, pegamos outro ônibus e seguimos. Em poucos instantes se revelaram na nossa vista praias maravilhosas, veleiros e clubes de vela. Era fascinante ver tudo aquilo, ali, em Hong Kong que parecia uma megalópole louca, que vivia correndo. No local do nosso hotel não víamos praia, montanha ou verde, e vendo aquela vista ali, parecia que estávamos em outro lugar, devido ao contraste de realidades e cenários.

A nossa última parada, antes do final do trajeto, seria para curtir a última atração inclusa no pacote, o passeio de barco de madeira tradicional chinês, chamado Sampam.  Quando chegamos ao ponto onde haveria o passeio saltamos e aguardamos um pouco. Cerca de 5 minutos depois chegou a nossa vez e embarcamos. Para nossa surpresa, quem pilotava o barco era uma velhinha! Tudo bem que estávamos em águas abrigadas (no porto de Aberdeen) e que o barco era a motor, mas mesmo assim era algo inusitado.

Restaurante flutuante Restaurante flutuante

O barco realmente era num estilo típico chinês. Esse tipo de embarcação foi e é utilizado por chineses para pesca e transporte. Devido a ter se tornado algo tradicional ao longo do tempo, pessoas com visão de mercado criaram esse passeio turístico. O barco tinha cerca de 10 metros, uma parte cabinada e uma aberta e a senhora ia sentada, só manobrando a cana de leme e o acelerador. O passeio, como previsto, seria de 20 minutos, mas esse tempo foi suficiente para se ter outra perspectiva da cidade. Hong Kong é famosa por ter um dos metros quadrados mais caros do mundo, e por isso a utilização de embarcações como moradia é algo relativamente comum.

Iates luxuosos Iates luxuosos

Durante esse passeio no porto de Aberdeen, pudemos ver isso com muita clareza. Eu assisti, certa vez, no programa da Band chamado O Mundo Segundo os Brasileiros um morador explicando isso, e achei muito interessante por ver isso de perto naquele momento. Claro que em muitos lugares do mundo, inclusive no Brasil, há velejadores que moram no barco. Mas em Hong Kong mesmo pessoas que não são ligadas ao mar estão fazendo isso, por uma questão econômica somente. A velhinha seguia bem devagarzinho e era possível ver, além das embarcações de pesca, inúmeras embarcações que estavam fundiadas por longos períodos (pelas amarras dava para identificar isso) e essas tinham uma arquitetura que lembravam uma casa, sem muita preocupação com a navegabilidade. Mas adiante pudemos nos depara com algo fantástico, o restaurante flutuante de Aberdeen. Pelo estilo da construção mais parecia um templo, imponente e suntuoso, com uma área construída imensa, parecendo mais uma cidade flutuante. A velhinha deu uma ligeira parada em frente ao restaurante e conseguimos tirar algumas fotos antes dela começar a voltar. Depois de alguns minutos voltamos ao local de embarque, pegamos outro ônibus do Big Bus e continuamos nosso passeio até a última parada, que foi no mesmo local onde o pegamos no início.

No momento do término do passeio da linha vermelha já era noite, e quando saltamos pudemos observar com calma o segundo prédio mais alto de Hong Kong, o

Icc Tower - o mais alto de Hong-Kong e um dos mais altos do mundo Icc Tower 

Two International Finance, com seus 416 metros e lindo, todo iluminado. Não resistimos e aproveitamos para tirar várias fotos antes de pegar o barco para fazer a travessia de volta da Belcher Bay, rumo ao Ocean Center. Já do outro lado pegamos a linha noturna, que também tínhamos direito. Já estávamos cansados e satisfeitos com o passeio, mas dali do porto até o nosso  hotel levaria vários minutos caminhando e por isso embarcamos nessa linha por que ela passaria perto do nosso hotel, e assim aproveitaríamos a carona.

Nossa única “refeição” do dia havia sido aqueles lanches comprados no supermercado e por siso estávamos precisando reabastecer. No caminho de volta entre o local que saltamos do ônibus e o nosso hotel avistamos uma placa de um restaurante italiano, o The Spaghetti House, e não pensamos duas vezes. Ele estava cheio, era bastante elegante e parecia um pouco caro, mas realmente queríamos comer bem e algo que saboreássemos, e por isso nos sujeitamos a esperar por alguns minutos numa fila (já dentro do restaurante) para esperar uma mesa vagar. Por mais que isso fosse desconfortável indicava que a comida devia ser boa! A espera foi boa e pela minha opinião tivemos uma das melhores refeições da viagem (que não foram muitas!). Pedi uma pizza e mais um espaguete e tudo estava delicioso. Por essa refeição eu gastei, para pagar minha parte, 150 HKD, o equivalente a cerca de 40 reais (a conta total deu acho que 170 reais). Tudo bem, não foi tão caro assim, mas é que estávamos acostumados a preços baixos, devido à Índia e à Tailândia, e, além disso, a viagem como um todo já estava com um custo alto, e por isso àquela altura estávamos, de forma geral, procurando gastar menos. De barriga cheia seguimos em direção ao nosso hotel quando passamos no shopping ao lado Marcelino pediu para que eu o acompanhasse numa loja de relógios, uma que ele já tinha ido, pois ele queria novamente olhar alguns modelos. Mesmo querendo fazer uma cesta eu fui. Ele olhou, olhou, olhou e disse que depois olharia mais! Dali finalmente fomos para o hotel onde pudemos descansar e nos preparar para a ida à China continental, no dia seguinte.

Encontrou erros nesse post? Comunique!

Roteiro e Localização

Último local: São Paulo - SP, + detalhes
RBBV Código Criativo