Relato de viagem

Veja como é embarcar no aeroporto indiano de Nova Délhi: você vai se surpreender

Depois de 14 dias na Índia estávamos indo para o próximo país, a Tailândia. Apesar de experiências positivas em lugares interessantes como Goa, no sul, e Auli, no nordeste estávamos de certa forma nos sentindo aliviados por deixar a Índia. Parte dessa sensação devia-se aos problemas que  tivemos com o visto indiano, que nos causou muito stress e outra parte pela realidade de sujeira e miséria. Como um todo a experiência tinha sido válida e de forma alguma me arrependo de ter visitado a Índia, pelo contrário, mas já havia alguns dias estávamos querendo um turismo mais relaxado e divertido, sem tanto problemas.

A OSTENTAÇÃO e restrições do aeroporto de Nova Délhi

Terminal T3 aeroporto Delhi - foto: David Cenciotti Terminal T3 aeroporto Delhi - foto: David Cenciotti

Já sabíamos que o acesso ao aeroporto Indira Gandhi era controlado e só entrava quem tivesse um bilhete aéreo partindo de lá, mas ao chegar lá para o embarque o que nos surpreendeu ainda mais foi da sua beleza, tamanho e ostentação magnânima, assim como sua organização surpreendente.

Ao chegar à porta de embarque eu informei a um policial que só tinha a passagem em meio digital e mostrei a mesma na tela do celular. Ele então me disse que fosse ao guichê de impressão de passagem! Havia um guichê, do aeroporto e não da companhia aérea, para impressão de passagem. Custava 30 rúpias por passagem (pouco mais de um real), e para imprimir bastava dizer a companhia aérea e o voo, não precisava ter a passagem em formato digital, pois ele mesmo recuperava na hora, de qualquer companhia.

Antes de imprimir ele pediu o passaporte de cada um dos passageiros e conferiu tudo. Com a passagem impressa, aí sim pudemos entrar no aeroporto. A nossa primeira atitude foi fazer logo o check-in, para não ter surpresas em cima da hora e também para não ter de ficar carregando a bagagem principal.

Do lado de fora do aeroporto Indira Gandhi - T3 Do lado de fora do aeroporto Indira Gandhi - T3

Após o check-in tentamos acessar a internet, que segundo tinha sido informado, era gratuita por 1 hora para passageiros (que supostamente é a condição de todos que estão ali dentro). A questão é que para ter acesso você precisava se conectar, acessar uma página e depois informar seu número de celular, e daí seria enviada uma mensagem SMS para o número informado com a senha que permitia fazer login e acessar realmente a internet. Fiz esse procedimento, mas infelizmente a mensagem nunca chegou, até hoje! Assim, não tive como acessar internet, e para meu espanto, não havia nenhuma outra internet disponível, mesmo que paga.

Prisioneiros no aeroporto

Fui ao balcão de atendimento e a funcionária indiana disse que infelizmente não podia fazer nada. Nessa história toda tem outro detalhe impressionante: se você entrou no aeroporto para pegar um voo você não pode sair e entrar de novo! Juntando esses dois fatos isso significava que eu não podia acessar a internet r nem poderia sair do aeroporto, como se fosse prisioneiro.

Escultura de elefante no aeroporto Indira Gandhi Escultura de elefante no aeroporto Indira Gandhi

Quando eu estava no balcão ouvi outro passageiro, também estrangeiro, reclamando disso, que estava se sentindo preso, pois não podia sair e não consegui acesso à internet e ele precisava se comunicar. Realmente isso é muito estranho e infelizmente (ou felizmente) eu lembrei que precisávamos imprimir a reserva do hotel de Bangcoc, pois quando chegássemos à imigração da Tailândia podia ser solicitado o comprovante da reserva do hotel e nós não tínhamos, nem impresso, e nem digital, pois essa reserva era nova (tinha sido feita em Délhi por Viviane) e ela tinha me dito que tinha salvo no celular, mas não e encontramos.

Sem reserva de hotel

Como normalmente a imigração fica antes do acesso ao aeroporto, se fosse solicitado não saberíamos nem mesmo o nome do hotel! Era um nome complicado e nem Viviane e nem Júlia (que tinha feito à reserva junta com Viviane) conseguiam lembrar. A única coisa que sabíamos era que era a cerca de dois quilômetros do aeroporto.

Como não havia nada que se pudesse fazer, o jeito era não fazer nada. Tratamos de matar o tempo de espera, ainda fora da área de embarque, fazendo lanche para gastar as últimas rúpias e tirando foto com uma belíssima escultura de dois elefantes em tamanho real e em bronze que havia no saguão principal.

Oficial de imigração curioso

Quando faltava cerca de uma hora para o voo seguimos para a área de embarque. Como de costume tivemos de passar pela imigração (para dar saída da Índia) e pela inspeção de bagagem e scanner de metais. O funcionário que atendeu a mim e Viviane foi bem engraçado. Eu fui ao guichê junto com Viviane, e ele sorridente perguntou a ela qual era o sobrenome dela. Eu rapidamente ajudei traduzindo ele respondeu “dos Cantos Couto”. Ele pediu que ela repetisse mais uma vez e depois ele mesmo tentou pronunciar. Ele achou o nome dela muito diferente e difícil de pronunciar e riu! Ele disse o sobrenome dele e pediu para ela pronunciar, o que também foi difícil.

Ele pareceu estar contente em estar lidando com brasileiros. Como já citei, brasileiro na Índia é algo raro e isso despertava a curiosidade dele. Ele então carimbou o passaporte dela e foi a minha vez. Quando ele viu meu nome disse: “O seu é bem mais fácil”. Foi então que ele me fez uma pergunta um tanto surpreendente: “As mulheres no Brasil casam com quem querem ou seguem a indicação dos pais?”. Por alguns instantes eu titubeei, pois não esperava aquela pergunta, assim, de supetão, mas logo realizei que era só curiosidade. A pergunta também demonstrava o quanto o Brasil é distante da Índia (geograficamente) e como isso fazia com que as pessoas na Índia não tivessem quase nenhuma informação ou conhecimento sobre o nosso país.

Eu então respondi que cada um, no Brasil, se casa com quem quiser e que as pessoas são livres para escolher. Ele sorriu, eu sorri, ele carimbou meu passaporte e dei um até logo. Acho que ele fez essa pergunta também por que havia percebido que Viviane era minha namorada. Na índia não existe esse conceito de uma mulher namorar e viajar com um namorado. O namoro segue outro conceito, e tem somente o objetivo de permitir que os dois se conheçam superficialmente, sem relação sexual, viagem juntos ou coisa parecida. Como percebeu que estávamos juntos e pelos sobrenomes imaginou que não éramos casados ele ficou curioso.

Passaporte bem guardado

Terminal T3 do aeroporto de Nova Delhi Terminal T3 do aeroporto de Nova Delhi

Passada a imigração chegou o momento da vistoria de bagagem. Havia uma fila, mas muito pequena. Eu fiquei meio desatento e terminei deixando o meu porta-dólar para fora (normalmente fica escondido, dentro da calça). Vendo isso a funcionária disse que eu deveria tirá-lo também e colocar no scanner. Eu disse que só havia documentos, mas ela insistiu.

Em viagens internacionais, ainda mais num país de cultura e leis tão diferentes não é uma boa ideia se separar do passaporte, em nenhum instante. Normalmente ele passava comigo, escondido na calça, e como não há metal passa sem problemas pelo scanner, mas dessa vez não foi assim. Apesar de saber que iria pegá-lo logo ali na frente, do outro lado da esteira, podia haver algum problema, pedirem para me revistarem e alguém por engano (ou até mal intencionado) pegar meu passaporte. Felizmente isso nada disso aconteceu e correu tudo bem.

Como é a Revista de mulheres na Índia

 Viviane que ficou “enganchada”. Devido à cultura indiana, na qual não é comum os homens verem muito o corpo das mulheres. Na hora de revistas de pessoas do sexo feminino elas são levadas a uma espécie de box (parece um provador, que é só arrodeado por cortinas), e lá é que uma policial mulher faz uma revista pessoal numa mulher, quando acha isso necessário.

Viviane ficou meio apertada com a situação por que quiseram fazer essa revista pessoal nela, e ela não fala inglês. Segundo ela me contou a oficial pediu para ela tirar o sobretudo, pediu para tirar tudo do bolso (isso ela foi deduzindo pelos gestos) e parece que estranhou o protetor labial. Viviane então mostrou que era para passar no lábio e a policial pediu então que ela passasse!

O PERCURSO ATÉ O PORTÃO DE EMBARQUE É LONGO

Depois da vistoria enfim chegamos à área internacional de embarque, e mais uma vez nos surpreendemos. Primeiro que o trajeto desde a imigração até esta área foi longo e demorado, e se não tivéssemos bastante tempo não teria dado tempo. Por isso que em voos internacionais é sempre bom ser precavido e chegar com muita antecedência, especialmente se você não conhece o aeroporto. Segundo, que a área restrita era ainda mais bela e suntuosa.

Aeroporto Indira Gandhi com tapete indiano Aeroporto Indira Gandhi com tapete indiano

Toda a área (que era imensa, com milhares de metros quadrados) tinha o piso de tapete indiano, de alta qualidade. O tapete era lindo, cheio de detalhes e muito limpo, não se via um cisco no chão. Você podia andar, andar, visitar lojas, descer escadas e rampas, em diferentes andares e ver todo o piso de todas essas áreas com tapete indiano é algo pra quem quer esbanjar riqueza, e por isso é espantoso, já que há tanta desigualdade e pobreza no país.

Planeje bem para nem faltar e nem sobrar dinheiro

Como ainda tínhamos algumas rúpias tratamos de comprar alguns souvenirs. Quando se faz uma viagem que inclui vários países você tem de se organizar para nem sobrar dinheiro (pois no câmbio você sempre perde) e nem faltar. Nos últimos dias temos de prever com certa exatidão os gastos para decidir o que pagar em espécie e o que pagar em cartão.

Eu tenho por hábito sempre guardar uma cédula do país que visito (para recordação), mas sempre uma nota com valor baixo. Como além da cédula que ia guardar eu ainda tinha outras, comprei um porta-incenso e um imã de geladeira. Naquele momento minhas rúpias acabaram, o que significava que eu tinha feito uma boa previsão, e não me sobraria rúpias além do desejado.

Enfim em outro país

A nossa companhia aérea para aquela voo era a IndiGo, uma empresa indiana, que voa para grande parte da Ásia. O Avião parecia muito bem arrumado e as comissárias de bordo usavam um uniforme muito elegante. Seria um voo relativamente rápido, de cerca de 6 horas e chegaríamos em Bangcoc meia-noite. Não houve atraso e no horário estipulado pousamos. Estávamos muito felizes de enfim termos saído da Índia. Apesar de terem sido 14 dias, parece que estávamos há meses no país, e devido aos problemas enfrentados nós realmente estávamos precisando mudar de país e respirar novos ares. Estávamos chegando à metade da viagem, e esperávamos que a próxima metade fosse melhor que a anterior.

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