Relato de viagem

A perda do notebook, a recuperação da bagagem, nossa passagem por Lima e dois dias em Cusco

Ao acordar e procurar o notebook na mochila pequena para postar umas fotos no site e escrever relatos tomei um susto. Ele não estava lá. De pronto me dei conta de que tinha esquecido no avião. Eu o tinha deixado no assento, ao lado do meu corpo para escrever um pouco, já que é sempre difícil arrumar tempo para este ofício numa viagem, mas ao pegar no sono ele deve ter escorregado e quando desembarquei terminei esquecendo-o. Naquele momento eu fiquei preocupado, muito mais do que quando a bagagem foi considerada extraviada. Não queria perder um ultrabook de última geração que tinha comprado há pouco tempo. Além disso, sem o note não poderia escrever os relatos e ficaria complicado fazer o backup diário das fotos e vídeos que vamos gerando. Rapidamente então escovei os dentes e desci para a recepção.  A internet não estava funcionando no quarto e eu precisava ligar para a LAN (companhia aérea que nos trouxe até Lima) para comunicar o ocorrido e tentar recuperar o note. Tentei fazer a ligação pelo Nimbuzz (programa que uso para ligações voip, bem mais barato que o skype) mas não obtive sucesso. Perguntei então para a recepcionista (que surpreendentemente era a mesma que nos recebeu na noite anterior) se podia fazer uma ligação local e que pagaria se fosse o caso. Felizmente ela me disse que ligações locais eram gratuitas para hóspedes. Depois de algumas tentativas consegui falar com uma funcionária que, para minha alegria, disse que constava no sistema um objeto esquecido que batia com as características que eu descrevi. Como não é toda hora que alguém esquece um notebook num avião e que dificilmente duas pessoas teriam esquecido um objeto como esse no mesmo voo,  fiquei aliviado. Rapidamente liguei para o taxista agendado e antecipei nossa ida para o aeroporto. Ao invés de 10:30 remarquei para 09:30. Mesmo dormindo tarde eu acordei cedo naturalmente, bem antes do alarme e depois de todas as ligações ainda era 07h30min da manhã.

Café no Hostal Jose Luis em Lima Café no Hostal Jose Luis em Lima

Pudemos então relaxar um pouco, tomar um café com calma para depois ir à caça de quase tudo que tinha naquele momento (minha mochila grande e meu note). O taxista chegou pontualmente às 09h30min e partimos para o aeroporto de Lima. Chegando lá a funcionária da LAN me disse que não, não havia nenhum notebook registrado no sistema como perdido no avião! Nossa, fiquei bravo. Ora, como não havia se eu havia falado por telefone e a funcionária disse que sim? Naquele momento logo pensei que perderia meu note e que eles colocariam dificuldade para retirar meu equipamento ou que levaria vários dias para resolver isso, dias que eu não tinha em Lima.  Depois de muita insistência, parecendo mágica ela localizou no sistema o que a funcionária tinha me dito por telefone e disse que o notebook havia sido encontrado (minutos após de dizer que não havia sido encontrado), mas logo completou dizendo que o setor que devolve os objetos perdidos só abriria às 16:00! Nossa você tá querendo ficar com meu notebook é? Pensei. Poxa, a cada momento ela criava uma dificuldade. Eu disse a ela que tinha uma passagem para Cusco saindo as 14:00 e que não teria como estar em Lima às 16:00. Ela então disse, com uma cara de má vontade, que ia ver se era possível pegar o objeto antes desse horário.  Eu agradeci (mesmo zangado, para ver se ela colaborava) e disse que ia resolver outro problema no aeroporto (o da minha bagagem) e voltava em alguns minutos.

Chegando ao guichê da TAM relatei o ocorrido, apresentei a comunicação de extravio e novamente relatei a minha pressa, por estar em trânsito. Vocês acreditam que o funcionário disse-me que havia um voo chegando com 200 pessoas e que era mais importante atender essas pessoas do que resolver o problema da minha bagagem? Como assim? Eu então respondi a ele de forma bem curta e direta: “Não se trata de quantidade, mas de responsabilidade”. Ele me olhou surpreso e mudou de atitude. Falou por rádio com outro funcionário e me disse que em meia hora minha bagagem seria liberada. Disse ao colega da minha pressa e nos levou para um ponto onde o Miguel nos encontraria para me conduzir ao local onde eu poderia pegar a bagagem extraviada. Deixei então Marcelino e Viviane nesse ponto e voltei para o guichê da LAN para dar prosseguimento à questão do notebook.

Aeroporto Lima Aeroporto Lima

A funcionária com uma cara de enterro disse que eu tinha de esperar. Eu disse que estava esperado, mas que como já tinha dito, não tinha muito tempo. Foi então que a colega dela, que estava ao lado se ofereceu para ir buscar o notebook. Neste momento descobri então que o meu equipamento estava numa sala ali perto  e a funcionária estava criando toda aquela dificuldade. Em poucos minutos a colega salvadora voltou com meu note e sai dali feliz, agora para ver se a felicidade seria completa, pois ainda havia o risco de a bagagem não ter vindo. Chegando ao ponto de encontro para a chamada do funcionário sobre a mala esperei alguns minutos e logo meu nome foi chamado. Entrei seguindo o Miguel, um simpático e prestativo funcionário, e lá dentro já visualizei minha querida mochila, que já foi para vários continentes e países e continuaria me acompanhando, felizmente. Logo após retomar a posse de minha bagagem apresentei a nota do táxi, de 100 soles. Ele disse, educadamente, que não teria como pagar aquele valor ali, que ao voltar ao Brasil eu deveria procurar a TAM. Como? Nã na ni na não! O funcionário em Foz havia me dito que eu receberia ali, na hora. Eu insisti e ele fez umas ligações e conseguiu resolver. Mesmo durante  a negativa ele foi muito legal, não se mostrou irredutível ou arrogante e no final resolveu tudo. Sai de lá com minha bagagem, mais 100 soles do táxi, mais meu notebook e seguimos direto para a estação da empresa Cruz del Sur, onde pegaríamos o nosso ônibus para Cusco.

Embarque no ônibus Cruz del Sur Embarque no ônibus Cruz del Sur

Surpreendemo-nos com a organização e modernidade da estação da empresa. Aparentemente em Lima não há o conceito de estação rodoviária (ou essa empresa não usa a rodoviária), cada empresa tem sua própria estação, cuidando do embarque e desembarque dos seus passageiros.  Apresentamo-nos no guichê, despachamos nossa bagagem e fomos informados que ainda estavam embarcando a linha anterior e que deveríamos esperar um pouco para embarcar no nosso ônibus. Subimos para a parte superior da estação da Cruz onde há um café, umas mesinhas e um restaurante. O cheiro da comida já estava no ar, nos convidando. Apesar da vontade não daria tempo de pedir, pois em 15 minutos sairia nosso ônibus.

Ao entrar no veículo nos surpreendemos. Havia somente três assentos em cada fileira, já que os assentos eram muito largos e confortáveis. Para cada assento havia um monitor LCD, uma mesinha, um apoio confortável para os pés, cobertor e almofada. Logo um funcionário via sistema de áudio nos deu boas vindas e começou a ser exibido nas telas todas as instruções de segurança, apresentação da empresa e os recursos/serviços disponíveis. Fomos surpreendidos ao ser notificado que havia internet wifi no ônibus, filmes, acesso a internet via as telas LCDs, serviço de bordo com alimentação e bebida, fones de ouvido e outra coisas. Foi informado que o ônibus viajaria a no máximo 90 km por hora, por questões de segurança, que havia dois motoristas, sendo que cada um dirigia 4 horas enquanto o outro descansava e que o ônibus era monitorado por satélite, sendo a empresa capaz de saber de imediato qualquer parada não prevista. Os assentos podiam ser reclinados de forma que praticamente deitavam e nos sentimos muito confortáveis durante toda a viagem. Viajar num ônibus desse é muitas vezes melhor do que numa avião. Sentimo-nos num luxo só e muito bem atendidos, apesar da viagem ser longa (22 horas). O melhor de tudo é que essa passagem custou somente 110 soles (cerca de 90 reais).

Conforto do ônibus Conforto do ônibus

Mesmo o ônibus sendo excelente, uma viagem de 22 horas sempre é cansativa, ainda mais subindo uma serra. Estávamos muito bem instalados, comendo, dormindo e acessando a internet, mas queríamos chegar logo, para poder esticar as pernas e nos exercitar. Quando fomos nos aproximando de Cusco colocamos no GPS a localização do hotel reservado e para nossa felicidade percebemos que o ponto final da linha seria bem perto da nossa hospedagem. Assim como a estação de embarque a estação da Cruz del Sur em Cusco é de primeira. Limpa, bonita, organizada e bem construída. O que mais me chamou a atenção, entretanto, foi uma placa que dizia: “Zona segura em caso de sismos”. Isso significava que então é comum ocorrer terremotos por ali. O nosso GPS dizia que se caminhássemos por 1.2 km estaríamos no Hostal Dom Marcos, onde ficaríamos. Como a distância era curta e estávamos sedentos por uma caminhada seguiríamos andando, mesmo com as mochilas grandes. Quando estávamos saindo da estação alguns dos motoristas de táxi vieram logo oferecer seus serviços e dissemos que não, “gracias”. Logo depois veio outro dizendo que seriam 5 soles para o centro. Só isso? Pensei. Curioso mostrei então o endereço do nosso hotel e perguntei se seria 5 soles também e ele disse que sim. Não era nenhum carro velho, e sim um sedan Hyundai novinho e bem confortável. Tudo bem que era pertinho, mas mesmo assim era barato. Entramos no táxi e seguimos para nosso hotel. Fomos recebidos por uma moça com sorriso largo e muito simpática. Fizemos nosso checkin, deixamos nossas mochilas e seguindo a recomendação da sorridente recepcionista fomos para um restaurante típico de Cusco, La Cusquerita. Andando pelas ruas da cidade nos deparamos com avenidas bonitas, ajardinadas e com decoração ao estilo inca.  Além de nos dar essa indicação a recepcionista também nos deu uma mapa local e nos explicou como chegar nos principais pontos da cidade, incluindo La Plaza de Armas.

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Quando entramos no restaurante fomos surpreendidos por um grupo de dança que se apresentava no palco com roupas coloridas e coreografando uma dança local, muito bonita e ao som de musica peruana, que é famosa pelos acompanhamentos em gaita. Sentamos e logo nos veio a dúvida na cabeça: o que pedir? Será que vamos gostar? Será uma comida estranha? Para noooossa alegriaaaa a comida foi deliciosa. Eu pedi um pastel de papas al horno, que apesar de se chamar pastel não é um pastel como conhecemos no Brasil. Era uma espécie de torta com massa de batatas e com queijo, com um tempero delicioso e acompanhado de um milho branco com grãos gigantes e macios e uma salada de tomate e repolho. Adorei! Marcelino vendo minha empolgação pediu logo um choclo com queso (milho com queijo) e também uma bebida de uma fruta desconhecida. Viviane pediu uma trucha frita (truta frita) que também estava muito gostosa. A única coisa que não gostei foi a bebida que Marcelino pediu, que apesar de ser de fruta tinha alguma forma de fermentação, o que dava a impressão de um teor alcoólico com um amargo no final. Marcelino adorou e tomou tudo,  e olha que a pequena que ele pediu veio num copão imenso, que parecia ser de um litro. Imagina se ele pede o grande!

Dança típica do Peru Dança típica do Peru(vídeo)

Depois da comida farta e saborosa seguimos andando pela cidade. Já era de tarde e Viviane e Marcelino sugeriram que cancelássemos uma dia em Machu-Picchu e ficássemos dois dias em Cusco, pois segundo todos diziam 1 dia era mais que suficiente para visitar a cidade perdida. Para fazer isso teríamos de mudar a data da passagem do trem, cancelar uma das duas diárias reservadas em Águas Calientes (cidade que dá acesso a Machu-Picchu) e acertar mais uma diária no Hostal Don Marcos, onde estávamos em Cusco. Isso nos traria alguns custos adicionais, mas estávamos gostando de Cusco e queríamos mais tempo para conhecer a cidade com mais calma. Concordamos em relação à mudança e seguimos pela Avenida El sol para o escritório da Perurail que ficava na Praça de Armas, a praça mais famosa da cidade. Por todo esse trajeto pudemos apreciar uma cidade limpa, muito bonita. Todos os equipamentos públicos são modernos mais num estilo antigo. Cada semáforo, placa de sinalização, hidrante e poste são verdes, com vários detalhes de desenho ao estilo que remete à cultura inca. As ruas são bem asfaltadas, os meio-fios bem calçados e bem acabados. Os policiais (homens e mulheres, mas mais mulheres) são muito alinhados com uma vestimenta parecendo de gala. Com a maioria das pessoas que tivemos contato sempre fomos muito bem tratados e quase sempre com um sorriso.

Chegamos à loja da Perurail e nos agradou e surpreendeu a elegância do ambiente e dos funcionários. Essa empresa obviamente ganha muito dinheiro com o transporte de turistas para Machu-Picchu e outros destinos, mas mesmo assim pensei que seria algo mais básico. Aos poucos íamos percebendo que existem serviços de muita qualidade no Peru, especialmente aqueles voltados ao turismo. Eles se mostram muito mais profissionais no tratamento com os visitantes e talvez por isso o turismo é tão desenvolvido nesse país. O funcionário todo alinhado e cortes nos informou que era sim possível fazer a mudança de data, mas que era necessário o cartão de crédito que foi usado na compra pela internet. Infelizmente Viviane tinha-o esquecido no hotel. Já era quase quatro da tarde e queríamos, antes do sol se por, fazer o passeio no ônibus turístico de Cusco (daqueles que existem em várias cidade do mundo). O último ônibus partia às 17:20 da Praça de Armas e por isso ficaria difícil ir e voltar andando ao hotel para pegar o  cartão e ainda conseguir fazer o tour de ônibus. Já na frente da loja da Perurail foi desembarcando um passageiro de um táxi e rapidamente Marcelino deu um grito e o taxista que ia saindo nos esperou. Perguntamos o preço da corrida para a Avenida Regional, onde ficava nosso hotel e ele nos disse 3 soles! Só isso?? Nossa, andar de táxi aqui é bom heim. Com esse preço logo optamos por ir e voltar de táxi, por míseros 6 soles, o que daria 2 soles para cada um. Vale lembrar que não se tratava de nenhum carro velho não e sim um sedan Hyundai também novinho. Segundo sondamos os carros custam cerca da metade do preço do Brasil, e talvez isso explique os baixos preços das corridas.

Praça de Armas Praça de Armas

Fomos, voltamos, alteramos nossa passagem pagando uma multa de 19 dólares (para os três) e quando íamos saindo novamente da Perurail vinha em nossa direção, quase parando, uma espécie de ônibus, todo de madeira, bem bonito. Fixamos o olhar naquele veículo diferente a observando isso o motorista parou pertinho de nós e uma mulher nos abordou oferecendo um tour. Disse que vários pontos que visitaríamos, incluindo o Cristo Blanco que fica no alto da cidade e também ao final uma degustação de biscoitos, sementes e bebidas típicas. Tudo isso, incluindo as explicações históricas sobre cada ponto e com uma duração de 1 hora e 20 minutos por 25 soles. Ficamos pensando, um olhando para o outro e como estava com o ônibus vazio a Milagros, sorridente insistiu: “vamos, animense”. Subimos no veículo peculiar e parece que fomos pé quente, pois logo depois apareceu um grupo e o ônibus ficou quase cheio. Além de ser de madeira o veículo era todo envidraçado e até os assentos eram ao estilo antigo, assim como a decoração interna. No teto havia uma espécie de histórico do transporte de Cusco, com várias fotografias de época em preto e branco ilustrando a evolução do sistema público de transporte da cidade.

DSC02405Iniciamos o passeio e a cada construção, praça e monumento que passávamos Milagros ia explicando a história do local, o significado do nome e essas explicações tornando todo o passeio mais rico e interessante e nos fazendo compreender a história de Cusco. A guia falava num espanhol suave e ria com nossos comentários. Depois de passar em vários locais chegamos a um dos pontos mais altos da cidade, o Cristo Blanco. Milagros nos disse que tínhamos somente cinco minutos para tirar as fotos, pois o passeio prosseguiria. Já estava no final da tarde e por isso o sol estava se escondendo e o cristo já estava iluminando-se. Não deu tempo de tirarmos todas as fotos que queríamos e quando observamos Milagros estava nos deixando para trás e o ônibus já estava saindo! Fomos correndo e deu tempo de embarcarmos. Reclamamos com nossa guia que foi muito rápido, mas como estávamos de muito bom humor tudo acabou em risada. A parada seguinte foi no ponto onde fizemos a degustação de sementes nativas, biscoitos e uma bebida que parecia um chá. Eu achei tudo delicioso e repeti a bebida várias vezes! Nesse ponto também havia uma locomotiva antiga, toda restaurada e foi feita toda a explicação histórica sobre o transporte usando ferrovias e especialmente aquela locomotiva, que já tinha transportado pessoas ilustres. Depois dessa última parada retornamos para o nosso ponto de embarque inicial.

No Café da La Paz em Cusco No Café da La Paz em Cusco

Após deixarmos o ônibus seguimos passeando por Cusco. Entramos numa região onde havia muitas lojas de artesanato e produtos típicos. Entremos numa loja e Viviane logo se encantou por um poncho azul e terminou comprando-o por 43 soles. No finalzinho, quando íamos saindo vi que havia bandeirinhas de vários países e aproveitei para comprar as bandeiras dos países que  visitei que faltava. Já coloquei várias na minha mochila e colocarei essas outras no outro lado, já que um já encheu. Marcelino também comprou as bandeiras de alguns países e logo sem seguida vimos um local atraente e entramos no Café de la Paz. Deparamo-nos com um ambiente muito elegante e charmoso. Não estávamos com fome e o que queríamos na verdade era tomar a famosa cerveja cusquenha. Para acompanhar pedimos um conjunto de sanduiches naturais, por 21 soles, enquanto a cerveja custou 6 soles e tudo estava uma delícia. Viviane empolgada pediu uma bebida desconhecida de todos,  chamada pisco sour. Ela adorou e saiu trocando as pernas e tive de “conduzi-la” até o hostal Dom Marcos, nosso lar em Cusco.

No segundo dia em Cusco como saímos do hotel um pouco tarde seguimos direto para a Praça de Armas, onde pretendíamos escolher a atividade em alguma agência ou então comprar um ticket que ouvimos falar e que funciona como uma espécie de pacote e dá direito a visitar uma série de atrações, museus e sítios que são gerenciados pelo governo.  Seguimos pela Avenida El Sol e no caminho entramos em algumas das inúmeras casas de câmbio para ver a cotação. Eu queria cambiar os 115 reais que eu tinha recebido da TAM como auxílio emergencial pelo extravio da bagagem, mas estava na dúvida se seria possível cambiar reais e felizmente constatei que sim, mas a taxa estava aquém daquela que eu esperava. Os primeiros ofereceram 1,12 soles para cada real, depois consegui 1,13 e depois de mais algumas casas de câmbio consegui 1,15.

Depois do câmbio feito fomos à procura de um posto de informação turística oficial. Há por toda Cusco muita gente oferecendo passeios e informações, mas são todos vendedores de serviços turísticos e por isso as “informações” são tendenciosas, querendo sempre dizer que o passeio que vendem é a melhor opção. Depois de algumas perguntas e indicações chegamos à Municipalidad del Cusco, que seria o equivalente à “Prefeitura de Cusco” em português. Nesse prédio, segundo nos informaram, vendiam o ticket que custava 130 soles e podia ser usado dentro do período de 10 dias em diversas atrações. Ao entrar nas instalações acabamos, por engano, na sala da associação de periodistas (jornalistas em português) e no fim descobrimos o local correto, mas também que ali só era feita a venda, mas não havia explicações sobre cada atração e nem mesmo a lista dos lugares que podiam ser visitados com esse ticket. Terminamos concordando que não tínhamos mais muito tempo em Cusco e por isso essa não seria uma boa opção, pois sairia muito caro. Sem encontrar um local isento para informações turísticas terminamos nos rendendo ao apelo das agências e entramos na primeira que encontramos. Uma cusquenha com dentes demasiados grandes e proeminentes nos recebeu e diante do tempo que dispúnhamos nos disse que o único passeio disponível seria um que durava quatro horas e visitava 5 atrações, a maioria ruínas do povo inca. Gostaríamos de visitar o Vale Sagrado, mais não havia tempo disponível. Além disso, no dia seguinte seguiríamos para as ruínas mais famosas das construções incas em Machu-Picchu e pensamos que não vali a pena investir dinheiro nessas outras. Ficamos de pensar e seguimos para o Museu Inka. Pagamos 10 soles por pessoa e demos a sorte ao entrarmos está iniciando um tour de estudantes conduzido por um guia, que foi explicando item a item e a história com detalhes da civilização inca e peruana. Isso nos permitiu compreender com clareza cada aspecto da cultura local assim como a devastação causada pelos espanhóis quando invadiram o continente americano. Foram momentos sublimes e de grande aprendizado. Ao sairmos fomos surpreendidos por um peruano fazendo uma espécia de performance indígena, com roupas típicas e tocando alguns instrumentos. Ele estava com uma caixinha pedindo colaboração e oferecia para tirarmos uma foto típica, com toda a indumentária. Ficamos fascinados e tiramos lindas fotos que com certeza vão ser destaque nos nossos albuns.

Café Antojitos, um bom lugar para comer Café Antojitos, um bom lugar para comer

Depois da incrível visita fomos à procura de um bom lugar para comer e terminamos achando o restaurante Antojitos Café Restaurante (que fica na rua Marquez, próximo à praça Ladislao Espinar). Descobrimos que no Peru como um todo existem as opções gerais de pratos e uma espécie de combo, que ele s chamam de menu. Não confunda com o menu onde estão todos os pratos. O que eles chamam de menu ou menu turístico são as opções de combo que são mais baratas e vêm uma quantidade absurda. Funciona assim: você paga um preço fixo (nesse local pagamos 12 soles) e escolhe um entrada (normalmente sopa ou salada), um prato principal (que eles chama de segundo) e depois uma sobremesa (postre em espanhol). Por tudo isso pagamos 12 soles foi muita comida. Estava tudo gostoso e saímos de lá felizes da vida.

Como decidimos não fazer o passeio pela agência ficamos sem muitas opções e saímos pelas ruas, andando sem destino e entrando onde era interessante. Terminamos, por acaso, encontrando o guichê de informações turísticas (que também fica na rua Marquez, próximo à praça Ladislao Espinar) e de lá passamos num museu subterrâneo na avenida El Sol e depois seguimos para o hotel cedo, para descansar e arrumas as coisas para sair cedo no dia seguinte para Cusco.

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