Relato de viagem

De Lima ao Panamá - ambiente tenso na Colômbia e taxista de velozes e furiosos

Mudar de país é sempre a ruptura de um status, mesmo quando estamos em viagem. Nos acostumamos com a moeda, o povo, a comida, as regras e quando vamos entrar num novo país tudo isso muda, sem falar na imigração, alfândega e tudo mais. O Peru foi uma grande surpresa positiva para nós. Imaginávamos uma país pobre, sujo e não foi nada disso que encontramos, pelo contrário. Tudo foi bom, inclusive a comida, os transportes e o povo.

Companhia aérea com nome pornográfico Companhia aérea com nome pornográfico

Saímos num voo muito cedo, às cinco da manhã e fizemos uma conexão na Colômbia de 6 horas. Chegamos às 08:15 e nosso próximo voo saia às 14:30. Ficar 6 horas preso num aeroporto não é nada bacana e por isso decidimos sair para dar uma volta. Vale lembrar que na prática 6 horas de conexão significa cerca de 3 horas livres, por que se gasta tempo para desembarcar, passar por imigração, alfândega e depois tudo isso de novo para embarcar novamente. Além disso, como era um voo internacional a recomendação é que esteja 2 horas antes do horário do voo no aeroporto. Ainda no avião foi perguntado se iríamos fazer conexão ou desembarcar na Colômbia. Como ainda não havíamos decidido entrar no país dizemos que não e nem recebemos os formulários (de imigração e de aduana). Assim, quando cheguei à imigração, que estava totalmente vazia, disse que só ia fazer uma conexão e queríamos passear um pouco. Disse que estava sem o formulário e o rapaz bem simpático disse que não me preocupasse. Pediu meu passaporte e em poucos segundos eu estava liberado.

Quando chegamos no saguão principal do aeroporto, já fora da área de embarque e imigração começamos procurar um guichê de informações turísticas. Nos foi dito que esse guichê era dentro da área de embarque! Hora, que estranho. Não íamos voltar tudo e passar pela imigração somente para fazer umas perguntas. Fui a um policial e perguntei se havia outro lugar para pedir informações turísticas e ele chamou um homem de terno com um crachá bonito que descobrimos estar vendendo passeios. Tudo bem, paramos para ouvir. Dissemos da nossa situação (o tempo disponível devido á conexão) e ele nos ofereceu um tour de 3 horas, que visitava o centro histórico num carro privado e segundo ele muito seguro. Repetiu que era seguro umas três vezes e isso me pareceu estranho. O problema foi o preço.

Aeroporto de Bogotá Aeroporto de Bogotá

Pediu 60 dólares por pessoa e não topamos. Fomos para o acesso principal e perguntamos para locais como chegar ao centro. Nos indicaram que tomássemos dois ônibus e outros disseram ser melhor um táxi pela segurança (de novo). Perguntamos o preço para um centro comercial próximo numa das paradas de táxi e nos disseram em torno de 15.ooo pesos colombianos (cada real estava valendo cerca de 900 pesos). Conversamos e terminamos optando pelo táxi, mas como não se aceita dólares tivemos de fazer um câmbio. Voltamos para a fila de táxi, entramos num amarelo e dissemos nosso destino e o motorista iniciou a corrida. Para nosso espanto, quando perguntamos  qual seria o preço, mas ou menos, ele nos disse que seria 20.000 pesos. Observei então o taxímetro e perguntei  (uma pergunta mas somente querendo confirmar) se não usaríamos um taxímetro e ele disse que não, que no aeroporto não se usa taxímetro. Achei aquilo muito estranho e perguntei o por que, se o taxímetro estava ali no veículo. Ele desconversou, enrolou e disse um motivos estranhos. Percebi que era artimanha, que estava tentando aplicar na gente. Como não tínhamos perguntado o preço antes, não tínhamos muito tempo e não tínhamos certeza absoluta de como as coisas funcionam na Colômbia não tivemos muita opção senão ser vítimas do taxista espertinho. Essas pessoas desonestas que lidam diretamente com o turista e agem desonestamente não percebem que isso é um tiro no pé. Eles podem ganhar algo a mais naquele momento mas passam uma péssima impressão para o visitante que transmite isso para seus amigos, familiares e até mesmo para milhares de pessoas através de internet e sites de viagem como este. Esta mensagem negativa termina sendo considerada na hora de escolher uma viagem, podendo afetar o fluxo de turistas se acontecer com uma frequência significativa.

Câmbio em Bogotá Câmbio em Bogotá

Saltamos no centro comercial e ficamos por ali por cerca de duas horas. Nos assustou bastante o foto de termos de ter de passar por detectores de metais na entrada desse shopping. Este foi o primeiro lugar do mundo onde vi algo assim. Além disso podia-se perceber um ambiente tenso também do lado de fora, onde havia pessoal de segurança com cães farejadores. Parecia que todos esperavam que a qualquer momento alguém tentasse explodir uma bomba. Ao sairmos do shopping  nos dirigimos à estação do BRT (ônibus biarticulado com vias exclusivas e estações semelhantes às de metrô) e descobrimos que para entrar tínhamos de comprar um cartão de recarga que custava 5000 pesos colombianos e descontando o valor das três passagens não nos restava isso. Como não se aceita dólares e tínhamos feito câmbio de pouquinho dinheiro somente para essa escapulida, tínhamos de arranjar um jeito de voltar com esse dinheiro. Foi então que um funcionário da estação compreendeu a situação e nos emprestou seu cartão. Colocamos o crédito para três passagens, passamos com o cartão pela catraca e o devolvemos a ele. Santo colombiano que nos salvou! Pagamos 1400 pesos por cada passagem e ainda nos sobrou dinheiro colombiano para guardar de recordação.

Estação do BRT em Bogotá Estação do BRT em Bogotá

Pousamos na cidade do Panamá depois de um vô tranquilo e super rápido. De cima já observávamos a diferença na vegetação em relação ao Peru, que é super árido. Quando chegamos na imigração uma imensa fila nos esperava, talvez pelo aeroporto ser pequeno. Fui muito bem recebido e o funcionário de forma bem cortes perguntou se poderia retirar a capa do meu passaporte para fazer a cópia. Além disso colheu a impressão digital de todos os dedos (sistema ótico, sem a velha tinta preta) e ao final disse que eu era bem vindo ao Panamá e me deu um folheto onde dizia que o turista que visita o país ganha de graça um seguro saúde por 30 dias, patrocinado pelo governo! Que maravilha! Havia até número de emergência para qualquer necessidade. Já comecei gostando do Panamá, pois nunca vi isso em nenhum país que visitei. Ao contrário. Muitos exigem que você comprove que tem um seguro de saúde para entrar no país.

Já parte externa fomos à procura de um câmbio. Eu tinha pesquisado que a moeda do país é o Balboa, mas surpreendentemente no câmbio nos disseram que lá se usa o dólar como moeda corrente. O Balboa é meramente figurativo. Mesmo para as coisas mais básicas, como ônibus e mercado se aceita dólares. O mais engraçado de tudo é que apesar disso os preços são todos anunciados em Balboa, com o "B\". Acho que é para se sentirem melhores e não assumirem que usam a moeda de outro país. Por um lado era bom não ter de fazer câmbio e perder uma parte do dinheiro nessa troca, mas por outro podia significar que as coisas são bem mais caras que no Peru e constatamos isso quando os taxistas começaram a oferecer seus serviços e no disseram que para os três o táxi até Betânia (um bairro afastado do centro onde ficava nosso hostel Gemar) custaria 33 dólares, 11 para cada um. Vale ressaltar que o preço individual não é por mera matemática, mas por que no Panamá é comum pessoas desconhecidas compartilharem um táxi. Não se assuste se no meio de seu trajeto o táxi parar e entrar uma outra pessoa! Isso pode parecer um pouco estranho a princípio mas pensando bem é uma forma muito mais racional de utilizar um veículo, ainda mais numa cidade com sérios problemas de trânsito.

Hostel Gemar Hostel Gemar

O nosso taxista parecia um playboy americano. Quando chegamos perto do veículo percebemos que ele era todo rebaixado e a roda ia praticamente tocando o para-lamas. Embarcamos e ele colocou um som alto e dirigia de modo "esportivo", ouvindo seu som e como se estivesse sozinho no seu carro de passeio. Comentamos com ele que estávamos vindo do Peru e ele disse que já havia estado por lá e acrescentou que lá as pessoas tratam muito bem os turistas e são muito educadas. Diante da colocação perguntei se no Panamá não era assim e ele com uma sinceridade assustadora disse que não! Que muitos panamenhos são grossos. Nossa, que injeção de realidade na veia. Tínhamos de estar preparados para isso.

chegamos no nosso hostel Gemar depois de mais de duas hora se um engarrafamento infernal. Nesse trajeto fomos observando a paisagem bagunçada, com vias com buracos, mal construídas, sem meio-fio e significativo lixo. Parecia que estávamos em Salvador. Felizmente na nossa chegada nos surpreendemos positivamente. Diante de todo aquele contexto estávamos preparados para uma péssima hospedagem, mas quando entramos no hostel nos surpreendemos. Tudo limpo, bonito e um quarto excelente, com um banheiro de alto padrão. Além disso fomos muito bem recebidos e descobrimos que se tivéssemos utilizado o serviço de transfer do hostel pagaríamos 25 dólares, 8 mais barato que o do taxista playboy que parecia ter saído do filme velozes e furiosos.

 

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