Relato de viagem

Descobrindo as belezas de Bocas del Toro e das Ilhas Zapatillas e praticando deepboard

Bocas del Toro tem um ambiente bem diferente da Cidade do Panamá. É um lugar de refúgio de turistas e dominado por estrangeiros, que são donos das principais hospedagens e empresas de turismo, e talvez por isso as coisas por lá funcionem de forma um pouco diferente em relação à capital. A nossa pousada ficava praticamente em frente ao porto de chegada e bastou cruzar a rua para estarmos na Isla Chica.

Pousada Isla Chica (olha Marcelino no vício) Pousada Isla Chica (olha Marcelino no vício)

Como tínhamos acabado de chegar tudo que queríamos era deixas as coisas na pousada e ir bater pernas e conhecer o local. Entretanto, como chegamos um pouco cedo, ainda não estava na hora do checkin e como o quarto estava ocupado tivemos de esperar um pouco na grande mesa que havia na sala/cozinha compartilhada. Depois de deixar tudo no quarto saímos para conhecer um dos lugares turísticos mais famosos do Panamá. Bocas del Toro é o nome da província (o equivalente a estado no Brasil), que é formada por uma parte do continente panamenho e diversas ilhas que ficam no Mar do Caribe, sendo a maior  Isla Colón, onde fica a capital que também se chama Bocas del Toro. Na Isla Colón praticamente tudo gira em torno do turismo e quase todo mundo fala espanhol e inglês. Caminhando pela cidade, que é bem pequena, é fácil lembrar de locais no Brasil como Porto Seguro, Praia do Forte, Paraty, assim como Pattaya na Tailândia e vários outros refúgios onde todos andam de roupas leves ou de banho e acompanhado de chinelos e onde se ouve diferentes idiomas nas vozes que quase sempre falam de passeios, baladas e curtição. Praticamente todas as construções que ficam na parte central da ilha são ou hotel/pousada ou restaurante ou agência de turismo, quando não é tudo junto. Muitas dessas construções avançam sobre o mar para formar pequenos piers de atracação particulares para permitir a chegada e saída de hóspedes e passeios que sempre vem e vão pelo mar.

Caminhando por Bocas del Toro Caminhando por Bocas del Toro

Depois de muitas horas enfurnados em dois ônibus a gente queria era caminhar, sentir a brisa do mar e apreciar o visual. Caminhando por Bocas você sempre recebe ofertas de atividades, refeição e hotéis o tempo todo, já que existe uma concorrência significativa. Segundo a nossa pousada, com o crescimento rápido do turismo houve um aumento de crimes, especialmente furtos e roubos, mas como a Isla Chica fica em frente ao quartel da Polícia Nacional do Panamá, (que é apesar do nome nacional faz policiamento comum, como a polícia militar no Brasil) ficamos tranquilos. Mesmo em outras partes, um pouco distante da pousada, onde passeamos, não nos sentimos inseguro em nenhum momento. O que parece é que toda a ilha transpira relaxamento e tranquilidade.

Como estava à nossa disposição a cozinha compartilhada e estávamos pagando caro pela hospedagem (110 dólares por dia para os três) resolvemos economizar e fazer nosso próprio almoço. Fomos ao mercado e compramos verduras, ovos e uma espécie de salsicha de milho. Juntamos com o arroz que Marcelino carregava desde o Brasil e estava doido para se livrar e fizemos uma refeição farta e saborosa.  Depois rolou uma pequena cesta e em seguida fomos passear novamente e tentar acertar um passeios para o dia seguinte (hô vida difícil! rss). Além de acertar o passeio tínhamos de resolver como faríamos para dali a dois dias cruzar a fronteira e ir à Costa Rica.

Há muitas atividades para o turista em Bocas e quase todas estão relacionadas com o mar e as praias. A maior parte dos passeios consiste em sair de barco em pequenos grupos e conhecer diferentes ilhas e realizar atividades como snorkeling (flutuação com máscara e respirador), observação de golfinhos e de outras espécies na mata e caminhada nas ilhas. Os preços variam muito a depender da duração do passeio e das ilhas que você visita, já que algumas são mais distantes.

Pelas Ilhas de de Bocas del Toro Pelas Ilhas de de Bocas del Toro(vídeo)

A vida noturna também parecia bem agitada e por isso regressamos à nossa pousada com o intuito de sair mais tarde. Atualizamos algumas coisas na internet, colocamos a roupa pra lavar (a pousada cobrou 5 dólares por um caixote de cerca de 40x40x40 que deu todas as nossas roupas sujas) e fomos um bar que se destaque na avenida principal de Bocas. Esse bar fica na frente de uma empresa que realiza passeios e na passagem fomos atraídos pelo vídeo que mostrava pessoas praticando o deepboard. Essa  é uma atividade na qual você vai segurando numa prancha de acrílico manobrável que está presa a uma corda que é rebocada por um barco. Você vai também com um snorkel e pode descer, subir e se movimentar lateralmente. É como se estivesse fazendo um passeio por debaixo d'água, podendo subir e emergir a qualquer momento. Esse vídeo nos deixou encantados e já começamos a perguntar os detalhes do passeio. Esse era mais caro, custava 49 dólares, mas era o dia todo, com observação dos golfinhos, snorkeling, deepboard e almoço incluído. Topamos, mas antes de fazer o pagamento fomos para o bar e na saída fechamos. O dono e o funcionário que nos fez a venda são espanhóis e moram em Bocas. O funcionário chegou a apenas 4 meses a turismo e decidiu ficar, não sei legalmente ou irregular.

Linda Zapatilla Linda Zapatilla

No dia seguinte, às 09:00 da manhã, estávamos lá, prontos para um dia que prometia. Eu preparei minha câmera de ação (câmera pequena à prova d'água para esportes) e o capacete para fixá-la e já fui pensando na possibilidade de capturar bons momentos. Saímos numa embarcação pequena de fibra, com motor de popa e na nossa frente a todo momento se revelavam paisagens lindíssimas, dignas de cartão postal. Nos acompanhavam outros 6 turistas. Na nossa frente sentaram dua mulheres, sendo uma alemã e outra espanhola e em dado momento elas começaram a conversar sobre o Brasil e a espanhola disse então pra ela que já havia visitado Salvador, na Bahia, onde vivemos.

A nossa primeira parada foi na chamada baia dos golfinhos. Entretanto a equipe do passeio esqueceu de combinar com os mamíferos o horário e por isso eles não apareceram. Ficamos por ali esperando para ver se eles surgiam de surpresa mais isso não aconteceu.

Hotéis na beira d'água Hotéis na beira d'água

Talvez por isso dali eles no levaram a outro cantinho, bem perto da mata e lá pudemos observar o bicho preguiça que comia e se movia, como sempre, em câmera lenta. Depois nos dirigimos para as Ilhas Zapatillas, passando por um restaurante que fica bem isolado, numa ilha e avança no mar com bonitas cabanas e que por acaso estava como foto destaque de Bocas neste site. Navegamos por mais de meia hora observando paisagens lindíssimas e chegamos nas duas ilhas que tem o nome em comum e se diferenciam por número, sendo conhecidas como Cayo Zapatillas #1 e #2. Ao invés de atracar o nosso piloto foi direto para o local de snorkeling, entre as duas ilhas, próximo de arrecifes, onde a vida marinha é mais rica. O guia (que era a mesma pessoa que nos vendeu o passeio na noite anterior) ia sempre falando em espanhol e em inglês e nesse momento deu as instruções básicas e se jogou na água. Eu liguei minha câmera e logo fiz o mesmo. O dia estava quente e a água morna. A profundidade era de cerca de 4 metros e pudemos observar várias espécies de peixes e plantas.

Deepboard em Bocas del Toro Panamá Deepboard em Bocas del Toro Panamá(vídeo)

A próxima atividade foi o Deepboard. O barco encostou na praia, o guia pegou a prancha e deu todas as instruções de como manobrar, sobre a velocidade e explicou que era super tranquilo. Eu me candidatei e nós três, mais outra pessoa, fomos os primeiros, já que só dava para 4 pessoas de cada vez. A gente ficou em pé, já dentro d'água e o barco um pouco mais adiante, com as cordas presas numa madeira comprida que estava na transversal do barco,  arrancou devagar e já começamos a ser arrastados. A sensação é muito boa. Você se sente passeando pelo fundo do mar, com liberdade de movimentos e quase sem esforço. Depois dessa atividade fomos caminhando pela praia em direção a umas mesas que ficavam  numa cobertura em meio à vegetação densa da ilha.  Demorou um tempo até estar tudo pronto na mesa e nesse meio tempo ficamos apreciando a linda paisagem e sacando fotos belíssimas para depois saboreamos um ravioli gostoso. Depois da refeição o tempo foi livre para caminhar pela ilha. As duas Zapatillas estão dentro do Parque Nacional Marinhos Isla Bastimentos e são desabitadas e talvez por ser de uso público e protegidas são tão conservadas. Na Zapatilla que ficamos há trilhas que são conservadas e um trecho longo de passarelas de madeira, já que há uma área de brejo, parecendo mangue. Fizemos quase o percurso todo e no horário marcado, 15:30, estávamos no local marcado para o retorno.

Bicho preguiça na ilha Bicho preguiça na ilha

A nossa preocupação agora era resolver nossa ida para Puerto Viejo, na Costa Rica. No dia anterior, quando chegamos, a dona da pousada nos disse que há pouco tempo a imigração da Costa Rica tinha passado a exigir uma passagem saindo de avião do país, mesmo para aqueles que entram por terra. Isso nos preocupou, já que o plano era voltar ao Panamá de ônibus, que é um meio mais econômico. Segundo ela, o ticket aéreo devia ser apresentado impresso no momento da entrada. Eu já tinha lido sobre exigência semelhante, mas segundo os relatos de outros viajantes um ticket de ônibus era suficiente, já que seria meio estranho a pessoa poder entrar por via terrestre e só poder sair por meio aéreo. Com essa informação nova na cabeça tentamos confirmar isso com outras pessoas. Retornamos na agência onde compramos o passeio e todos lá foram unânimes em dizer que a nossa passagem saindo do Panamá para o Peru servia como comprovante. Mesmo não sendo saindo da Costa Rica essa passagem comprovava (em tese) que não iríamos ficar na Costa Rica além do permitido. Além disso nos disseram que muita gente que deseja entrar pela via terrestre e não tem uma passagem aérea simplesmente faz uma reserva, imprime, não paga a passagem e usa a reserva como comprovante e eles aceitam, já que não tem como checar. Ou seja, a exigência na prática era burlada por muita gente. Eles conseguiram nos convencer de que não haveria problema conosco e compramos o serviço de shuttle (transporte) que nos levaria até a Costa Rica. Esse serviço incluía o barco para o continente, a van até a fronteira, o cruzamento da ponte que faz a divisa entre os dois países e depois outra van já lo lado da Costa Rica até Puerto Viejo.

Pizza deliciosa em Bocas Pizza deliciosa em Bocas

Poderíamos fazer esse esquema por conta própria, mas seria complicado e poderíamos perder muito tempo, já que não conseguiríamos a sincronização entre os transportes que o serviço já combinado oferece e por isso achamos melhor pagar os 27 dólares (por pessoa) pelo serviço  completo. Com a questão resolvida fomos à caça de uma pizza e por sorte encontramos uma deliciosa na Calle 3a, a poucas quadras da nossa pousada. A pizza era grande e com um preço justo (13 dólares) e comemos até o último pedaço nossa última refeição em Bocas del Toro.

 

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