Relato de viagem

Do Rio a Lima, visita Foz do Iguaçu e o extravio da bagagem

O combinado era 6:00 da manhã estarmos no ponto para pegarmos o azulão (o mesmo ônibus premium que pegamos quando chegamos no Rio). Por sorte, logo depois que chegamos no ponto passou um táxi doblô (que podia levar nós cinco) e nos fez a corrida por R$ 60,00. Se fôssemos de ônibus pagaríamos R$ 13,00 por pessoa e esse valor vezes cinco dava mais do que o táxi, e ainda teríamos de esperar. Claro que fomos de táxi.

João e Vânia voltaram para Salvador e nós três seguimos para Foz do Iguaçu. Ficamos um tempo no aeroporto até chegar o horário do embarque (chegamos mais cedo por causa do táxi) e aproveitamos para acessar a internet, que nos fez falta no apartamento de Copacabana. No aeroporto do Galeão a graça do momento foi o FutureRobot, um robô atendente que circula pela saguão oferecendo ajuda. Tem um rosto, um monitor e fala com a gente, oferecendo serviços. Em certo momento a robozinha (tem voz e rosto feminino) perguntou se queríamos tirar uma foto com ele. Ela então disse: “fique na minha frente e olha para meu rosto.” A foto foi tirada e em seguida ela imprimiu um papelzinho com o perfil dela no facebook e disse que para ver a voto bastava acessar o face dela! Muito legal.

DSC02089 Chegada em Foz

Naquele momento não sabíamos, mas pela primeira vez em todas as viagens passaríamos por um susto significativo durante voo. Quando estávamos quase pousando, bem perto do solo, de repente o piloto arremeteu de repente, assustando a todos. Ele então voltou a subir bruscamente por alguns minutos e fazendo círculos. Algum momento depois abriu o áudio e pediu desculpas e disse que precisou cancelar o pouso e que isso era um procedimento relativamente normal, mas não explicou o motivo. Disse que então que em alguns minutos pousaríamos. Viviane ficou muito nervosa e preocupada e Marcelino também. Ele começou a dizer que devia ter algum problema no trem de pouso e que queria estar com um paraquedas para pular!! Nossa, eu me segurei para não rir. Não vou dizer que não fiquei preocupado, mas não a esse ponto. Eu disse aos dois que provavelmente devia ser algum problema a pista. Algum avião que retardou a decolagem ou coisa parecida. Se fosse algum problema no avião e fôssemos fazer um pouso forçado o piloto avisaria por que teríamos de ficar em posição de impacto. Depois disso tudo pousamos em segurança e nos dirigimos até uma agência de turismo que havia bem no desembarque. O rapaz nos disse que o tour para nos levar ao parque das cataratas custaria R$ 70,00 por pessoa, para ir e voltar. Achamos muito caro e em seguida confirmamos a informação que já tínhamos visto via internet de que há um ônibus urbano que faz esse circuito de 3 km. Fomos para o ponto e lá ficamos. Poucos minutos depois chegou o que parecia uma funcionária de uma companhia aérea conduzindo uma cadeira de rodas com um estrangeiro. Ela então perguntou se alguém estava indo para o centro da cidade. Um rapaz disse que sim. Ela então pediu se ele poderia informar ao rapaz da cadeira de rodas esse ponto para que ele descesse.

ônibus do parque de foz ônibus do parque de foz

Ele disse que sim, mas em seguida, quando a moça falou em inglês com o cadeirante ele logo disse que não falava inglês, que aí ficaria difícil para ele. Eu então disse que não conhecia o local onde o cadeirante desceria, mas que falava inglês e poderia ajudar. O local me diria o momento da parada e eu traduziria para o estrangeiro. Foi estimulante ver um cadeirante fazendo uma viagem internacional sozinho. Serve de estímulo para muitas pessoas que colocam uma série de dificuldades para viajar, dizendo que é difícil. Quando se tem determinação, tudo fica mais fácil.

A distância entre o aeroporto e a entrada do parque nacional é bem curta e em poucos minutos saltamos e nos dirigimos para a bilheteria. Marcelino novamente se beneficiou com a idade. Em quanto nós pagamos R$ 28,80 para ter acesso ele pagou somente R$ 7,00. Logo depois pegamos o ônibus interno do parque para percorrer o trajeto de cerca de 10 km até o ponto onde temos acesso andando às passarelas que dão vista às cataratas. O ônibus é muito bonito, tipo aqueles que fazem tour em várias capitais do mundo, inclusive Salvador. Tem dois andares, teto solar e descrição por voz de cada coisa que vamos avistando. Esse trajeto é todo feito praticamente por dentro da mata. A pista é estreita e a vegetação é bem densa na beira da pista.

DSC02118 Vista parcial das cataratas

Começamos nossa caminhada e aos poucos íamos vendo os pedaços de algumas cataratas. Primeiro as menores e aos poucos as maiores. Dessa passarela pode-se ver o lado argentino e os turistas caminhando na passarela do parque que também existe do lado dos hermanos. Pode-se ver também a bandeira azul e branco, assim como a verde, azul e amarela do lado brasileiro.

Depois de várias vistas parciais chegamos ao ponto mais exuberante. É a passarela que repousa sobre um trecho do rio que faz a divisa entre Brasil e Argentina. Você pode caminhar praticamente em cima da água e ao lado de uma queda d’água absurda de forte. Você se molha todo e por isso antes desse trecho coloquei minha câmera na caixa estanque. Caminhamos por todo o trecho recebendo bastante água. Depois subimos o elevador que dá acesso ao mirante mais alto do parque e chegamos ao final da trilha. Já estávamos famintos e fomos para o único restaurante que existia a ali. Parecia bem caro e pensamos duas vezes se comeríamos ali, mas devido à fome e devido ao nosso pouco tempo decidimos olhar o cardápio. O restaurante Porto Canoas é muito  chique, mas estava bem vazio. Conversei então com a funcionária e disse a ela que éramos vegetarianos (apesar de Viviane não ser ela também queria pagar menos) e perguntei se não poderia fazer um desconto. O buffet livre custava R$ 45,00 reais e ela fez por R$ 38,00. Ainda assim era caro, mas diante das circunstâncias todos concordaram em ficar por ali, pois logo depois voltaríamos para o aeroporto.

A punjança das Cataratas do Iguaçu A punjança das Cataratas do Iguaçu(vídeo)

A surpresa no aeroporto foi que ao nos dirigirmos ao guichê da companhia, onde é verificado se a bagagem que seguiria direito para Lima tinha chegado a Foz o funcionário nos deu a péssima notícia: a minha bagagem tinha sido extraviada. Inicialmente ele disse que tinha sido a de Marcelino, mas depois verificou que era a minha.  Fiquei triste, com medo de não conseguir recuperar a bagagem. Foi feito então o procedimento de registro de extravio e o funcionário me disse que entregariam a bagagem no meu hotel em Lima. Disse que já tinham localizado a bagagem que ela tinha ido por engano para São Paulo, ao invés de vir para Foz. A questão é que estávamos em deslocamento e ficaríamos pouco tempo em Lima e isso poderia gerar um desencontro e eu terminar ficando sem mala por toda a viagem. Além disso, aquilo já estava gerando um problema e por isso eu queria algum ressarcimento parcial pelo incômodo de ficar, no mínimo, um dia sem bagagem. Depois de muita conversa e muito questionamento o funcionário da TAM me pagou R$ 115,00 reais. Ele já tem o procedimento para isso e sabem que é obrigação fornecer esse primeiro auxílio em caso de extravio, mas tentam evitar ao máximo. Ele então fez o recibo de auxílio emergencial e deixamos acertado que eu pegaria a bagagem no aeroporto de Lima, no outro dia de manhã e que a TAM pagaria o táxi (além dos R$ 115,00 já pagos) para eu ir pegar essa bagagem.

Aeroporto de Lima Aeroporto de Lima

O voo para Lima foi bem tranquilo, mas a impressão que tivemos foi que demorou demais. O tempo custava a passar e o que amenizou isso foi uma amizade que fizemos. Ao nosso lado viajou um peruano muito amistoso e que gostava de conversar. Ele nos foi dando dicas e informações sobre o Peru. Ele vive atualmente em Goiânia e trabalha com comércio.

Vem ao Peru comprar coisas para revender no Brasil, em feiras. Contou-nos bastante de sua história de vida, que morou no Japão, que fez algumas ilegalidades documentais, mas de uma forma geral parecia uma boa pessoa. Durante esse voo puder perceber que a sociedade peruana é paternalista (ou machista, como queira entender). Quando a comissária de bordo estava distribuindo os formulários de imigração e alfândega ela deu um só para mim. Chamei-a e disse que faltava um para Viviane e ela disse eu deveria preencher num só e me colocar como chefe de família! Observei que no formulário havia realmente um campo para chefe de família (o primeiro formulário com vejo assim depois de muitas viagens) e que esse campo era para os homens. Além disso, ela nem perguntou. Simplesmente deve ter notado que eu e Viviane estávamos juntos e simplesmente agiu assim. Eu disse então a ela que apesar de estarmos juntos somos duas pessoas e que cada um queria um formulário. Ela meio contrariada foi lá e trouxe outro.

Hotel em Lima Hotel em Lima

No desembarque nos deparamos com um aeroporto muito bonito e estruturado, bem melhor que o de Guarulhos, por exemplo. Não tivemos dificuldade na imigração e tudo se resolveu rápido. Só vale a ressalta que mais uma vez uma funcionária (já na imigração) me perguntou se estávamos juntos (Viviane e eu) querendo dizer que devíamos usar um só formulário e ir ao guichê juntos. Mais uma vez tive de negar. Na vez de Viviane e Marcelino o funcionário da imigração fez várias outras perguntas a mais, enquanto comigo só perguntou o motivo da viagem e quanto dias eu ficaria no país.

Devido à amizade que fizemos com o peruano  Norman que sentou ao nosso lado combinamos de pegar o táxi juntos, para ficar mais econômico para todos. Ao sairmos do aeroporto fizemos um câmbio e ele disse que era melhor irmos só eu e ele para conseguirmos um táxi mais barato, para não encher os olhos dos taxistas. Conseguimos um táxi por 70,00 soles que levaria ele e depois nos deixaria em Miraflores, o bairro do nosso hotel. Logo depois de acertarmos o preço surgiu uma confusão. Existe uma espécie de cartel o serviço de táxi e um policial, que segundo Norman, recebe propina criou problema com o motorista de táxi que parecia não ser um dos “amigos ” dele. O táxi era licenciado, no motorista estava com crachá e com terno (assim como todos os outros) mas na verdade o que o policial não gostou foi do fato que ele ter feito u preço considerado baixo. Em nenhum momento o policial dirigiu a palavra a nós, mas ficou uma situação desconfortável. Norman então combinou com o motorista de pegar o táxi fora do estacionamento, fingindo desistir, para evitar mais problemas. Fizemos isso e seguimos para nossos destinos. Eu havia perguntado a nosso amigo peruano como dividiríamos o valor e quanto ele achava justo ele pagar. Ele falou 30 soles e ficou tudo combinado. Ele me deu a parte dele (já que saltaria antes)  para na final eu pagar a corrida completa.

Fiquei surpreso, positivamente, com Lima. Pensava ser uma cidade mais pobre, mas nas partes que andamos o que vi foram avenidas bonitas, praças ajardinadas e tudo muito organizado, além de limpo. O bairro onde o peruano ficou era de primeira, só com casas bonitas e ruas de primeira assim como Miraflores, onde ficamos. Parecia que estávamos num bairro de alto padrão de Salvador ou São Paulo. À primeira vista o nosso hostal José Luis parecia uma casa, pois a fachada não denuncia muito que é um hotel. Fomos bem recebidos gostamos de cara das instalações e do serviço e logo depois de pagar fomos para nosso quarto, que se mostrou também aconchegante. Devido ao cansaço rapidamente nos ajeitamos e fomos dormir. No dia posterior teríamos pouco tempo em Lima e seria uma correria, pois tínhamos de ir ao aeroporto pegar a mala (torcendo para ela estar lá) e depois seguir para a estação onde embarcaríamos para Cusco (também no Peru).

Coloquei o alarme para acordarmos no máximo às 09h30min, já que já tinha deixado acordado com o taxista que nos trouxe para ele vir nos pegar às 11h00min para irmos ao aeroporto e o café da manhã encerrava às 10:30. Seria o tempo de comer e seguir à busca da minha mochila.

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