Relato de viagem

Machu-Picchu, a cidade perdida e Águas Calientes

Na nossa ideia, um dos pontos altos da nossa viagem seria Machu-Picchu, e por estávamos ansiosos para chegar lá. Havíamos comprado passagens no site da Perurail saindo de Poroy (uma estação de trem que fica a cerca de 10 km de Cusco) para Águas Calientes (A cidade que dá acesso a Machu-Picchu) por 65 dólares. A saída do trem estava marcada para 07:42 da manhã e por isso tivemos de acordar muito cedo para pegar o táxi que deixamos agendado com o hotel. Saímos cerca de 06:30 e chegamos em Poroy com bastante antecedência. Nesse trecho de táxi passamos pela periferia de Cusco e pudemos ver uma realidade diferente da do centro turístico, onde tudo é muito bem cuidado. Pudemos então compreender o que o guia no museu inca nos havia dito, sobre sérios problemas de saúde e desnutrição que ocorrem no Peru.

Estação Perurail Estação Perurail

A estação da Perurail é muito charmosa e elegante. Pelo percurso percorrido (cerca de 90 km) o preço que a empresa cobra pelas passagens é caro, sendo notadamente um serviço voltado para turistas. E olha que a classe que compramos foi uma econômica. Há ainda a classe chamada Vistadome, que custa  76 dólares por pessoa e a classe Hiram Bingham, que custa a incrível cifra de 367 dólares por pessoa. Esses preços altos, felizmente são traduzidos num serviço de excelência. As instalações, o trem, o tratamento e demais serviços são de primeira qualidade. A educação e a solicitude dos funcionários são surpreendentes e todos falam inglês, além de espanhol. Quando se compra pela internet você recebe um código de reserva e a passagem em si tem de ser emitida num dos escritórios ou estação da empresa. Como já tínhamos feito isso em Cusco quando fizemos a troca da data só nos restava aguardar o momento do embarque. Arrisco dizer que todos os passageiros que estavam naquela estação são estrangeiros. Se via de tudo, mas pela minha averiguação grande parte era de japoneses e outra de americanos. Esses não são turistas muito comuns no Brasil e especialmente em países de terceiro mundo.

Durante o processo de embarque se formaram filas e a passagem e o passaporte de cada passageiro foi verificada pelos funcionários vestidos de terno e gravata. Entrando no trem nos surpreendemos com o acabamento interno. As poltronas são muito confortáveis, a iluminação e cada detalhe do interior eram muito elegantes, inclusive com pinturas típicas do Peru em perfeita harmonia com o tom bege que era o tema principal dos vagões. A informação que foi confirmada pelo hotel em Cusco é de que não era permitido levar mochilas grandes, e por isso as guardamos em Cusco e fomos somete com as pequenas, mas em loco vimos que isso não era verdade. Vimos várias pessoas com mochilas grandes e inclusive um local somente para bagagem. Mas mesmo assim foi uma boa escolha ter ido sem muita coisa, e não ter de ficar carregando duas mochilas.

Trajeto do trem Trajeto do trem

O visual do trajeto de 90 km é incrível. O trem vai numa velocidade baixa e pode-se apreciar a paisagem longínqua e cheia de montanhas pontiagudas. Além das laterais envidraçadas o trem tem também um teto solar, transparente, que nos permite apreciar os detalhes das montanhas. Neste trajeto pudemos observar diversos plantios de choclo (milho em espanhol), papas (batatas) e outras culturas. Percebe-se também nesse trecho que a comunidade rural é pobre, com várias casas bem simples e de barro, mas o solo parece ser bastante fértil e as propriedades são familiares e não grandes latifúndios.

Antes da parada final houve uma parada na estação de Ollantaytambo, somente por 5 minutos para embarque e desembarque e depois de mais duas horas (o trajeto total duas 3 horas) chegamos à cidade de  Águas Calientes, que funciona como base de acesso à Machu-Picchu. A estação é bem mais simples se comparada à de Poroy. Ao desembarcarmos percebemos que estávamos num vale bem estreito, entre grandes montanhas e a única saída da estação que visualizamos passava por várias barraquinhas de artesanato, parecendo um labirinto e tivemos de perguntar para conseguir encontrar a saída que nos levou à rua principal. Seguimos caminhando alguns metros e quando vimos estávamos em frente ao nosso hotel, a Hospedaje Jairito. Estávamos bastante apressados por que a entrada para o Huaynapicchu 2G, umas das atrações do local além de Machu-Picchu, só valia até às 11:00 e só naquele dia. Já era 11 e corríamos para ver se alguma forma conseguíamos entrar. Assim, falamos com um funcionário do Jairito e rapidamente dissemos que iríamos para Machu-Picchu e no final da tarde voltaríamos para fazer checkin. Descemos a rua num passo apertado seguindo a orientação do funcionário em direção ao posto de tickets, para converter nossa reserva em feita pela internet em boletos de entrada no parque. Ficamos meio baratinados até perguntarmos a um policial que gentilmente nos levou até o guichê governamental (o parque de Machu-Picchu é controlado pelo governo) que ficava a poucos metros dali. Havia uma pequena fila, todos estrangeiros e na nossa vez a funcionária logo nos avisou que havíamos perdido Huaynapicchu, devido ao horário. A entrada mais cara que compramos pelo site foi para Machu-Picchu, 128 soles, em quanto o Huaynapicchu 2G custou 24 soles e por isso o prejuízo não foi muito grande e ocorreu devido à nossa escolha de ficar mais um dia em Cusco.

Lhama em Machu-Picchu Lhama em Machu-Picchu

Seguimos a pé, já com os tickts de entrada em mãos, até o ponto onde se pega o ônibus para subir, já que Águas Calientes (onde estávamos) ficava no vale profundo em quanto Machu-Picchu e as outras atrações históricas ficam no alto da montanha. Só existe um serviço de ônibus, que também é controlado pelo governo e pela falta de concorrência custa 19.50 dólares para subir e descer. Você não é obrigado a usar o ônibus e pode subir a pé, mas tem de estar com tempo e com uma excelente disposição para enfrentar uma subida íngreme, cheia de poeira e sem calçada ou algo parecido, concorrendo com os vários ônibus que sobem e descem a todo tempo. É possível também pagar separado pela subida e pela descida e cada parte custa a metade do valor (9,75 dólares). Sendo assim compramos somente o ticket de ida aventando a possibilidade de descermos andando, se houvesse disposição. Mesmo sendo melhor do que subir andando a subida de ônibus também não é muito bacana. Como é uma montanha muito íngreme, a estrada é toda serpenteada e não se anda mais de 200 metros sem fazer uma curva de 180 graus e você vai sacolejando o tempo todo. Os ônibus são novos, com ar-condicionado, mas o espaço entre as poltronas é muito pequeno e minhas pernas ficaram imprensadas. Parecia que eu estava encaixotado e sendo jogado para um lado e para o outro. Esse percurso durou uns 20 minutos e chegamos ao ponto de entrada do parque onde há uma grande infraestrutura, com guarita, catracas, restaurante, lanchonete e banheiros e guias oferecendo seus serviços, mas tudo com preços estratosféricos. Você tem de apresentar o ticket nesse momento, ao passar pela catraca, assim como o passaporte. Viviane estava com um saco com comidas (frutas, pão e etc) e o funcionário da segurança, educadamente, disse que não era permitido entrar com comida. Anotou o nome dela na sacola e a guardou. Eu tinha comida na mochila e Marcelino também, mas eles nem olharam. Do ponto que o ônibus para até você começar a avistar as ruinas incas ainda é necessário andar uns 400 metros, passando por uma sequência de escadarias e passarelas que já começam a te oferecer um visual esplêndido. Ao caminharmos por essa parte já começamos a ver um grande volume de pessoas caminhando e tirando fotos para todos os lados e guias fazendo suas explicações. Aos poucos fomos visualizando a beleza das montanhas e as incríveis construções feitas a séculos pelos incas numa região com acesso difícil hoje em dia e praticamente impossível naquela época.

Machu-Picchu Machu-Picchu

Olhado cada pedra e cada parede ou escadaria construída imaginávamos como é que eles carregaram esses pedaços de rocha que pesam toneladas em montanhas com inclinação que chegam a quase 80 graus numa época onde a tecnologia (ao que sabemos) era muito restrita. Essas construções  foram consideradas patrimônio da humanidade pela UNESCO e já receberam diversas honrarias, como da associação de engenheiros dos estados unidos. Além da dificuldade o que mais impressiona é a qualidade e precisão com que as pedras foram lapidadas e encaixadas. As paredes das casas têm mais de meio metro de largura e devido ao passar dos anos essas construções prderam os telhados, que eram de madeira e o tempo destruiu. Segundo nos informaram foi um turista americano que redescobriu a cidade perdida nos tempos modernos, que estava literalmente perdida e esquecida no meio das montanhas e hoje é uma fonte milionária de renda para o Peru.

Depois de algumas horas e muitas fotos e vídeos retornamos para Águas Calientes de ônibus e nos dirigimos à hospedagem Jairito. A maior parte das ruas dessa Cidade são enladeiradas e praticamente todas as casas são estabelecimentos comerciais, sendo restaurante em baixo e hospedagem em cima. Há muitas mesinhas decoradas na frente de cada estabelecimento e como a concorrência é grande para todo lado que você anda te oferecem comida, hospedagem e serviços. Jairito também é assim e todo o salão da parte inferior é um restaurante e para ter acesso à pousada passamos pelo restaurante. Fomos bem recebidos e antes mesmo de subir para o quarto sentamo-nos para comer.

Em Machu-Picchu, na cidade perdida Em Machu-Picchu, na cidade perdida(vídeo)

Tomamos um bom vinho e mais uma vez pedimos o esquema do menu (descrito em relato anterior). Fartamo-nos e acessamos a internet wifi sofrível do estabelecimento e em seguida seguimos para nosso quarto. Relaxamos um pouco, tomamos banho e mais tarde saímos para dar uma volta e conhecer melhor a cidade, que é bem pequena. Voltamos à Praça de Armas (parece que toda cidade no Peru tem uma). Na nossa caminhada o assédio era grande. Bastava nos ver que os locais vinham logo oferecendo comida e hotel. O dia em Macchu-Picchu tinha sido cheio de turistas, mas a cidade à noite estava vazia. Ou a maioria não dormiria na cidade ou estavam em outro local que desconhecemos. Éramos então o desejo de todos os comércios locais e isso no dava um grande porder de barganha. Queríamos comer uma pizza e Marcelino tomar uma sopa de Quínoa (cereal típico da região andina). Víamos vários preços e ofertas. No que ficamos ele tinha peido 39 soles pela pizza média e terminou fazendo por 25! O engraçado é que depois de rodar por vários restaurantes terminamos ficando num ao lado do nosso hotel. Depois de nossa janta na rua mais uma vez sofremos com a internet no quarto onde o sinal toda hora desaparecia.  Terminei desistindo, mas surpreendentemente, Marcelino ficou até tarde da noite futucando o celular e o facebook.

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