Relato de viagem

Piscinas termais do vulcão, rafting no rio Balsa e a cidade de La Fortuna

La fortuna é famosa pelos esportes de aventura e atividades relacionadas ao atrativo mais famoso da cidade, o Vulcão Arenal.

Arenal Volcano Arenal Volcano

O parque Arenal engloba tanto essa atração principal quanto um lago, uma imensa área verde e muitos rios. Lá pode-se encontrar de vários esporte e atividades de aventura, incluindo rafting, rapel, canopy, escalada, passeio de quadriciclo, de cavalo, e muitos outros. Apesar disso a primeira atividade que fizemos não teve nada de aventura,mas foi maravilhosa. Passamos muitas horas nas piscinas térmicas com águas naturais. Existem várias, mas a mais famosa é a Baldi. Estávamos esperando encontrar simples piscinas, mas encontramos um paraíso.

Trata-se do maior conjunto de piscinas termais do mundo e o melhor é que essas águas quentes são aquecidas quase totalmente de forma natural pelo vulcão e canalizadas para serem utilizadas nas 25 piscinas. Cada piscina tem uma temperatura específica e além de relaxamento proporcionam diversos benefícios para a saúde. Apesar do apelo terapêutico o lugar é diversão pura. Baldi conseguiu, de fora incrível, harmonizar a beleza natural com a artificial e posso dizer, com todas as palavras, que nunca estive num lugar construído pelo homem tão bonito e agradável. Para onde quer que você olhe você se encanta e a vontade é de não sair de lá nunca.

Baldi Piscinas Termais na Costa Rica Baldi Piscinas Termais na Costa Rica(vídeo)

Todas as piscinas são envoltas em vegetação belíssima, com decorações muito bem escolhidas e uma arquitetura muito bem pensada. Tudo é muito grande e para aproveitar todas as piscinas dá trabalho. Em algumas há bares e restaurantes, em outra música ao vivo e todo mundo curte com muita tranquilidade e serenidade, no maior relaxamento. Há também saunas e tobogãs incríveis. Descemos algumas vezes no mais alto e veloz e a sensação é que você está sendo sugado para um buraco negro, de tão rápido que é.

Chegamos em Baldi a tarde, depois das 16:00 horas por que antes de ir para esse lugar maravilhoso nós tínhamos de nos "mudar" para outro hotel. O que acontece é que como decidimos ficar só um dia em San José e antecipamos assim a ida  para La Fortuna tivemos de fazer mais uma reserva, só que em um hotel diferente do que tínhamos reservado os 2 dias já programados. Assim, nesse segundo dia saímos do Vagabondo (que era ótimo) para o Arenal Backpackers, que nos decepcionou um pouco.

Tobogã radical em Baldi Hot Springs Costa Rica Tobogã radical em Baldi Hot Springs Costa Rica(vídeo)

O backpackers é um conceito novo, um hostel (e não hotel) 5 estrelas, pelo menos em teoria. Tem uma infraestrutura externa muito bonita, com piscina, área verde e bar, mas na prática oferece pouco para o viajante. Há a opção de apartamentos privados, de pagar por uma cama num dormitório compartilhado e também de alugar uma tenda. Essa tenda é de lona, toda bonitinha e tem uma cama de casal dentro, e nada mais. Quem se hospeda numa dessas tem de usar o banheiro compartilhado. Pagamos 17 dólares por pessoa por noite (para compartilhar uma tenda entre Viviane e eu) e Marcelino pagou 25 dólares por noite para ficar sozinho em outra. É algo diferente e por isso queríamos experimentar.

As tendas são bem construídas e parecem barracas de acampamento militar. dá pra ficar em pé dentro, ficam em cima de um tablado de madeira e é toda fechada com zíper.  Até aí tudo bem, mas o problema é que mesmo se declarando como um hostel não há uma cozinha compartilhada. Tem um bar que fica aberto 24 horas mas tudo é caro.

Tendas do Hostal Arenal Backpackers Tendas do Hostal Arenal Backpackers

A verdade é que essa é uma hospedagem para quem gosta de badalação e na prática não oferece o que o viajante precisa (pelo menos para nós). A internet não funcionava bem nas tendas, só no restaurante, e a música que tocava no bar incomodava quem queria dormir, mesmo ficando um pouco distante das tendas.

Para chegar ao Backpackers saímos andando do Vagabondo, que ficava na mesma rua. A ideia era ir caminhando, já que não era longe e podíamos avistá-lo já quando começamos a caminhar, mas o tempo estava fechado e a chuva ia e vinha e terminamos optando em pegar um táxi. Passou uma minivan e acertamos por 1000 colones (cerca de 5 reais) para que ele nos desse essa "carona" de 500 metros. Na hora do checkin o funcionário disse que ali não aceitava cartão para pagamento de hospedagem, apesar da reserva dizer o contrário, mas depois terminou aceitando. Uma coisa boa que achamos no Backpackers foram os preços dos passeios, que entre os locais pesquisados foi o mais barato. O ingresso para Baldi, por exemplo, custava 35 dólares e lá conseguimos comprar por 33 (incluindo uma refeição). Segundo a tabela que fica afixada já na recepção quase todos os tours eram mais barato com eles do que na concorrência.

Nós e p viajante Argentino  Martin Nós e p viajante Argentino Martin

Fizemos checkin, organizamos nossas coisas e depois já compramos o ingresso para as famosas piscinas termais. Esse ingresso para Baldi Spa que custou 33 dólares não inclui transporte e para chegar lá você tem de tomar um táxi ou fazer a caminhada de cerca de 3 km (saindo do Arenal, já que do centro fica uns 5 km). Percebendo que íamos para as piscinas um argentino chamado Martin se ofereceu para dividir o táxi conosco. Para ele ir sozinho o custo ficava bem mais alto e como juntos formávamos um grupo de 4 pessoas daria certinho num veículo, também sairia mais barato para nós e por isso topamos. Cada um dos 4 pagou 500 colones pelo táxi, mas antes passamos mais uma vez na La Típica para comer. Chegamos a tentar outros locais mas o custo x benefício da La Típica era bem melhor (3000 colones), segundo havíamos aprendido na janta do dia anterior. Seguimos caminhando até o restaurante e Martin também aproveitou para almoçar. Nesse trajeto fomos conversando. Ele nos contou que estava viajando sozinho a 4 meses. Apesar de ser argentino morava a anos na Espanha e iniciou seu trajeto no México e pretendia ir até o Panamá ou Colômbia. Viajar sozinho é uma experiência muito enriquecedora, mas tem seus aspectos ruins. É mais inseguro do que viajar em grupo, por vezes é mais solitário e na maioria das situações mais caro, já que se torna mais difícil dividir táxi, passeios e hospedagens. Ele parecia muito feliz por naquele dia não estar sozinho e poder fazer uma atividade em grupo.

Restaurante em Baldi Restaurante em Baldi

Ficamos tão estasiados e contentes por passar momentos tão maravilhosos em Baldi que não queríamos mais sair de lá. A única coisa que nos fez sair daquelas águas foi a fome! Apesar do lugar ser espetacular achávamos que a comida seria fraca. Imaginávamos que seria possível escolher um prato com pouca quantidade, como sempre acontecia desde que chegamos na Costa Rica, mas daí nos lembramos que diante da pergunta de Marcelino o funcionário do Backpackers havia dito que em Baldi você comia até vomitar. A expressão que a pessoa usou soa meio estranho para nós em português, mas o que ele queria dizer é que comia-se até não aguentar mais, e verificamos que era muito melhor que isso. O restaurante de Baldi é algo quase inenarrável. É tão grande e tão organizado que assusta. É um buffet livre onde você se serve à vontade, quantas vezes quiser e a comida é um sonho. Tudo que há de bom estava lá e os chefs, todos a caráter, de roupa branca e  toque blanc, todos super gentis e solícitos. Além de uma infinidade de pratos e sobremesas alguns molhos eram preparados na hora, de acordo com seu pedido. Você escolhia a massa, escolhia os ingredientes do molho e em poucos minutos, na sua frente o chef preparava o seu pedido, inclusive usando flambagem. Comemos bem à beça, relaxamos, tiramos muitas fotos e depois voltamos para o hotel num táxi que custou 750 colones por pessoa (dividimos 2500 por quatro ).

Aquela noite me esforcei para escrever. Vocês não imaginam como é difícil manter a disciplina da escrita. Sempre há algo mais interessante, como sair para passear, visitar algo ou simplesmente descansar, mas eu mantinha a determinação e me isolava um pouco para conseguir colocar no papel as experiências vividas na viagem.

Saindo do Arenal Backpackers Saindo do Arenal Backpackers

No terceiro dia em La Fortuna acertamos para fazer um rafting. Conseguimos negociar por 55 dólares para cada um a atividade que incluía a descida de rio, o transporte de ida e volta, um almoço e um minitour por uma fazenda orgânica. Quando chegamos de Baldi no dia anterior fizemos o pagamento e às 08:30 em ponto a van da Costa Rica Descents estava nos esperando. Vendo que estávamos de sandálias o motorista logo nos disse que precisávamos colocar sapatos fechados. O problema é que no dia seguinte embarcaríamos para o Panamá e cada um só tinha um Sapato e molhá-lo significava uns dois dias com ele molhado na viagem, mas como foi colocado que isso era uma condição não teve jeito. Só ficamos chateados por que não avisaram no dia anterior, na hora que compramos.

A van foi até a sede da empresa, no centro da cidade, onde ingressaram mais duas pessoas: mais uma turista e um rapaz brincalhão. Ele já chegou descontraindo, mas a pedido de Marcelino tinha de falar em espanhol e em inglês, já que a jovem que acabara de entrar era americana. Ele parecia um comediante e tentava nos fazer rir de qualquer jeito e o ambiente ficou bem descontraído durante o trajeto até o rio, que foi bem longo. Rodamos quase uma hora para chegar ao ponto onde iniciamos a descida. Por restrição de Viviane e pela economia financeira terminamos escolhendo o rafting classe 2-3, sendo que eu preferia o 3-4. Eu já havia feito o um rafting em Bonito e junto com Viviane fiz um em Itacaré em fevereiro/2013 (numa viagem que fizemos de moto) e mesmo assim ela ficou com receio de fazer o 3-4, que era o nível que mais de aproximava do que fizemos anteriormente.

Deslocamento do rafting Deslocamento do rafting

A descida se inicia em pontos diferentes dependendo da classe. Os mais difíceis começam mais acima nesse mesmo rio e também tem uma duração maior (já que o percurso é maior). No nosso grupo éramos só nós 5 (nós três, mais a americana e mais o instrutor brincalhão). Antes de nós um grupo maior desceu em dois botes, mas uma das meninas desistiu por medo. Lembro que durante essa espera eu perguntei a ele se não me conseguiria um pouco de água. Ele disse que eu podia beber da torneira e completou que na Costa Rica a água encanada é de muito boa qualidade e que é comum as pessoas beberem direto da torneira. Sei que isso é verdade em alguns países, mas mesmo assim fiquei um pouco incrédulo. Ele então foi e bebeu um pouco para me mostrar, mas eu brincando disse que teria de esperar meia hora para ver se ele morria para então eu beber! Ele se acabou na risada e convencido bebi e estou vivo e sem nenhuma doença até agora!

Preparados! Preparados!

A descida foi bacana, mas com poucas emoções. Não deu nem pra acelerar os batimentos. Marcelino se atrapalhou um pouco com os comandos que ele dava (que quase sempre eram em inglês). Para ajudar eu traduzia, bem rápido e isso melhorou a situação dele. Diferentemente do rafting que fizemos em Itacaré, praticamente não houve nenhuma queda. Foi legal para conhecer a região, o rio e a aventura como um todo, mas a verdade é que fiquei decepcionado. Esperava muito mais ação e emoção. Houve sim momentos de esforço e corredeiras fortes, mas nada que fizesse a adrenalina ser liberada no sangue. Algo interessante é que a coloração do rio era bem parecida com os que víamos na nossa viagem pela Índia. Depois de pouco menos de 2 horas chegamos ao ponto final, onde uma van nos esperava. Filmamos grande parte do trajeto da descida com a minha câmera de ação, que hora foi na minha cabeça e hora na de Viviane, mas como a água estava muito fria a todo hora o estanque embaçava. A única pessoa que teve um pouco de emoção foi a americana que caiu num truque do instrutor que a fez tirar os pés da fixação do bote e a derrubou na água gelada. Eu riu da situação mas visivelmente ficou brava, mas daquele jeito brincalhão tipo : "vou te pegar também".

Rafting no rio Balsa em La Fortuna Costa Rica Rafting no rio Balsa em La Fortuna Costa Rica(vídeo)

Fizemos o trajeto de volta até um restaurante onde houve uma parada para que as pessoas trocassem de roupa e se enxugassem. Nesse ponto encontramos com outros grupos que também tinham feito a descida, mas no classe 3-4 e eram todos americanos jovens. Dali tomamos um micro-ônibus (também da empresa) no qual só se houvia inglês. Todos os funcionários (3 no total) falavam muito bem o idioma dos americanos e isso demonstra como eles estão preparados para o turismo internacioal. Nesse ônibus fomos até a fazenda orgânica, que era belíssima. Numa área bem ampla e com bancos de madeira lindo sentamos e poucos minutos depois nos foi anunciado pelo chef que a comida estava pronta. Ele explicou que 99% do que comeríamos era orgânico e produzido na própria fazenda e as exceções eram o sal, o azeite e um outro molho. A comida estava deliciosa, e o melhor de tudo é que também era buffet livre e cada um servia-se à vontade. Dentre todos os pratos só um tinha carne, que era um frango com verduras. Tudo estava muito gostoso e a surpresa foi comer raiz do pé de mamão. É algo muito saboroso, com uma textura muito boa e super nutritivo.

Depois de encher a barriga fomos convidados a acompanhar um mini-tour pela fazenda, onde uma pessoa nos explicava como cada coisa era produzida, qual a técnica empregada para cultivar produtos orgânicos e combater as pragas sem defensivos, falava informações interessantes sobre cada vegetal, inclusive a história, como chegou na Cosa Rica e pra que era usado e muitas outras informações sobre ciclos de produção integrados à natureza.

Restaurante na fazenda orgânica Restaurante na fazenda orgânica

Tudo muito interessante. O mais legal foi que apesar de serem todos muito profissionais e educados no final distribuíram um formulário para avaliarmos o serviço como um todo e fazer sugestões de melhoria. Isso demonstra como eles estão realmente preocupados em oferecer um bom serviço aos visitantes.

Esse era o último dia em La Fortuna, já que no dia seguinte às 14:30 tomaríamos o ônibus para San José para de lá tomar outro para a Cidade do Panamá e já começávamos a sentir um clima de final de viagem, e eu estava um pouco triste em voltar para o Panamá, que nem de longe era como a Costa Rica, mas não podia ficar apegado ao lugar e deixar de conhecer outros, já que San Blas (ilhas do Panamá que iríamos) pareciam ser um lugar interessante.

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