Relato de viagem

Trajeto a San José e à cidade do vulcão e da aventura

O plano era tomar o ônibus que faz o trajeto até Puerto Viejo às 8:30 da manhã, mas Stéfani apareceu ás 07:30 e disse que nos daria uma carona. Chegando no centro da cidade tivemos de esperar pelo ônibus para San José por quase meia hora, já que com a carona chegamos antes do previsto. Tomamos o ônibus em frente a uma barraquinha na orla do centro de Puerto Viejo e pelo que vimos não há uma estação e os ônibus param ali mesmo. O veículo era bem semelhante ao que faz o trajeto entre Manzanillo e Puerto Viejo. Não era novo, mas também não era caindo aos pedaços. Os espaços entre as poltronas são pequenos e não havia ar-condicionado, nem monitores com filmes nem nada de conforto e a passagem custou 5430 colones (cerca de 27 reais). A compra do ticket é feita numa lojinha que fica em frente a esta parada e não aceitava cartão. Os horários dos ônibus podem ser consultados aqui.

Parado na estrada para San José Parado na estrada para San José

O grande atrativo dessa viagem até a capital que durou 4 horas foi a paisagem. Ficamos estupefatos em perceber que andamos por horas e o tempo todo íamos cortando uma mata de vegetação densa, exuberante e linda. Em muitos trechos a mata era tão alta que as copas das árvores dos dois lados da pistas tocavam-se e o ônibus passava por baixo. São José fica a a 1170 metros de altitude e por isso tem o clima muito mais frio em relação a Puerto Viejo, que fica no litoral. Pudemos perceber essa transição de clima aos poucos e conforme nos aproximávamos da capital íamos vendo muita neblina, que era favorecida pela umidade em parte devido à vegetação abundante. Depois de quase três horas de viagem e alguns cochilos acordamos devido a uma parada na estrada. Havia uma enorme fila de veículos, todos parados e chegamos até a saltar do ônibus por alguns minutos. Não pudemos ver exatamente o motivo, mas aparentemente houve algum acidente e havia polícia e ambulância circulando.

Chegamos em San José pelo terminal que fica na parte mais antiga e pobre da cidade e o ambiente era significativamente degradado. A rodoviária era bem pequena e nem parecia que estávamos na capital. Descobrimos depois que há várias estações de parada e não uma centralizadora como acontece normalmente no Brasil.

Ambiente degradado na parte antiga de San José Ambiente degradado na parte antiga de San José

Tomamos um táxi da estação até o hostel onde iríamos ficar (custou 8 dólares) e o que mais nos surpreendeu é que o taxista parecia extremamente pessimista. Disse que aquela região era muito perigosa, que a cidade era toda velha e que não havia muito o que fazer. Tá bom, ele podia estar simplesmente sendo sincero, mas ele falou de um jeito super depressivo, como se estivesse de saco cheio de tudo. Depois disso fomos recepcionados muito mal no hostel Casa del Parque. Um rapaz que nitidamente estava mal humorado não queria cumprir o que estava na reserva, que dizia que a podíamos cancelar até as 17:59 daquele dia. Estávamos em dúvida se ficaríamos dois dias em San José e expliquei que antes do horário previsto na reserva avisaríamos se ficaríamos o segundo dia e ele respondeu de forma rude, mesmo eu mostrando a reserva que  confirmava o que eu dizia. A partir disso ficou com má vontade e o ambiente ficou muito mal. Quando entramos no quarto notei que havia uma parte do piso que parecia que ia afundar, já com um buraco. Fui então chamá-lo para perguntar se era assim mesmo, se não poderia causar um acidente e irritado ele disse que a casa tinha mais de 60 anos, como se isso fosse desculpa para não fazer os serviços de reparação. Então a minha recomendação é: não fique nesse hostel.

Parque de La Nación (que é uma praça) Parque de La Nación (que é uma praça)

Saímos para caminhar e a ideia era voltar antes das 18:00, para decidir e informar se ficaríamos o segundo dia ou não. Na frente do hostal havia uma praça muito bonita, que curiosamente se chama Parque Nacional, que pelo tamanho notadamente era uma praça e não um parque. Era muito limpa, bem cuidada mas também visivelmente antiga assim como seus equipamentos. Do outro lado da praça se via o Tribunal  Supremo de Elecciones, com sua construção bonita e moderna. Caminhamos um pouco mais pela avenida 1 e naquela região realmente nos deparávamos com uma cidade antiga e meio "morta", semelhante a Montevidéu, no Uguruay. As construções eram todas baixas, antigas e era visível que não corria muito dinheiro na cidade e não havia muito investimento em novos empreendimentos e construções. O bar-restaurante Chelles, onde almoçamos, estampava, orgulhosamente, que já tinha mais de 100 anos. Amoçamos ali por 3300 colones (cerca de 16 reais) e na volta para o hotel passamos no Museu Nacional, que estava fechado. Um funcionário que estava na porta confirmou que na cidade não havia muito o que se fazer e que as opções eram basicamente visitar museus. Eu gosto de visitar museus, mas realmente nem eu e nem os outros dois estávamos com esse clima e foi ali que decidimos que na manhã seguinte, depois do check-out (11 da manhã) partiríamos para La Fortuna.

Amoço no Chelles Amoço no Chelles

De manhã saímos caminhando pela rota que havíamos planejado na noite anterior no hostel.  Fomos comprar o ticket de volta para o Panamá (para quando voltássemos de La Fortuna) na empresa Ticabus. Primeiro tentamos na Expresso Panamá onde era mais barato (40 dólares) mas os horários dela não se ajustavam no nosso planejamento e tivemos de pagar 57 dólares na Tica para sair às 23:00 do dia 3 de dezembro. Depois de passar nas duas empresas (que ficam cerca de 8 quadras uma da outra) fomos à estação de ônibus por onde chegamos para comprar o ticket para La Fortuna, saindo às 11:30. Caminhamos pelo trecho que o taxista do dia anterior disse ser perigoso e não notamos nada de perigoso. É sim uma área mais popular, mas aparentemente de dia não há muito perigo. Essa caminhada no total deu uns 10 km e foi uma boa forma de conhecer melhor a cidade. Chegamos no hostel faltando 15 minutos para o horário de check-out e rapidamente organizamos as coisas e na praça da frente tomamos um táxi para voltar à estação. Nossa logística planejada funcionou muito bem e deu tempo para fazer tudo. O bom de ir a pé é que dificilmente você vai ter atrasos, pois não depende de nada e nem de ninguém e pode facilmente chegar nos horários previstos, sem surpresas.

Estação moderna da Ticabus Estação moderna da Ticabus

O trajeto para La Fortuna foi bem parecido com o de Puerto Viejo até a capital até mais ou menos a metade do caminho, quando então começamos a entrar em áreas de pequenas propriedades de produção agrícola, com fazendinhas lindas, bem cuidadas e muitas vezes com parte significativa de mata. Houve uma parada no meio do caminho, na estação San Carlos, onde a maioria das pessoas saltaram e outras subiram. Nesse momento um funcionário da empresa de ônibus pediu um cartãozinho que tinha dado quando embarcamos.Eu nem sabia que era pra guardar, pois mais parecia um cartão de propaganda, quandona verdade era o comprovante de que pagamos até o destino final, La Fortuna. Por isso, se fizer esse trajeto guarde o cartãozinho por que vão lhe pedir depois. A partir dessa parada começou um para-para que praticamente transformou a linha de longa distância em uma linha urbana. O ônibus chegou até mesmo a encher e várias pessoas foram em pé, algo difícil de imaginar para uma linha de longa distância. Parece que depois da última parada a linha passa a ter uma função urbana mesmo.

Finalmente chegamos a La Fortuna, que já de início se mostrou agradável e muito turística. O parque do Arenal Volcano é a atração principal da cidade e provavelmente todo o turismo na região teve origem nele, que é um orgulho pra cidade. Se não estiver nublado é possível ver o vulcão de qualquer ponto da cidade, sempre imponente e majestoso.

Estação de La Fortuna Estação de La Fortuna

Infelizmente só descobrimos isso no último dia, quando finalmente o tempo abriu. Logo na nossa chegada já nos ofereceram passeios, tours e esportes de aventura. Ao lado da estação rodoviária (que é pequena mas arrumadinha) havia agências de turismo e passeio e ao saltarmos, ainda de mochila nas costas, já nos abordaram, mas com delicadeza, mas é claro qeu não fechamos nada, já que iríamos comparar com outros preços. Segundo nosso GPS o hotel que havíamos reservado estava a 850 metros dali, e decidimos ir caminhando. O hotel  Vagabondo nunca chegava e tivemos de andar mais de 2 km com muito peso. Suamos e chegamos ao destino com uns quilos a menos mas nos surpreendemos com as instalações. Era tudo perfeito, com piscina, um lindo jardim, o quarto super elegante e confortável e o preço (67 dólares para os três por uma noite) estava ótimo, dado o nível do lugar. Associado ao hotel há um restaurante de mesmo nome e também uma loja de souvenirs, com produtos incríveis. Apesar do preço justo da hospedagem as refeições no restaurante estavam um pouco caras. Como não tivemos almoço estávamos famintos e saímos à procura de outras opções.

Hotel maravilhoso Hotel maravilhoso

Começou a chover justamente nessa hora, mas o estômago roncando falou mais alto e terminamos optando em comer na Soda La Típica, onde gastamos 3000 colones (cerca de 15 reais) para uma refeição. Como estávamos com muita fome pedi um segundo prato, um spagetti pomodoro, mas em situação normal (rss) se come por 3000 colones neste restaurante e se pode pagar com cartão. Estávamos torcendo para que o tempo melhorasse, já que no dia seguinte pretendíamos fazer algum esporte de aventura e isso seria bem melhor com sol.

 

 

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